Pedro Paulo tinha 74 anos e teve saúde debilitada por enfisema pulmonar || Imagem TV Brasil
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O ator Pedro Paulo Rangel morreu hoje (21), às 5h40, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro, onde estava internado desde o fim de outubro para tratar de uma descompensação do quadro de enfisema pulmonar. Ainda não há informação sobre horário e local de velório e enterro do artista.

Por causa da evolução da doença, o ator de 74 anos precisou ser entubado na madrugada do último dia 10. Naquele dia a equipe médica que o atendia, considerou que o quadro clínico do artista era delicado e inspirava cuidados.

No dia 14, embora ainda estivesse com um quadro grave, a boa resposta ao antibiótico e melhora dos resultados de exames de sangue levaram à suspensão da sedação “na tentativa de retirada da ventilação mecânica”, informou um boletim médico.

Depois de 48 horas da interrupção da sedação, Pedro Paulo Rangel começou a despertar e a equipe médica começou a avaliar a retirada do respirador. “A resposta à infecção é positiva e sustentada nos últimos dias, porém houve alteração da função renal. O quadro permanece grave”, completou a equipe em novo boletim divulgado pela Casa de Saúde São José, no dia 16.

CARREIRA

A trajetória de Pedro Paulo Rangel nas artes começou cedo. Ainda adolescente o filho dos funcionários públicos Alzira Marques Rangel e Lélio Rangel, escreveu a peça Quando os Pais Entram de Férias. Como ator foi convidado a participar do elenco da peça infantil O Bruxo e a Rainha, de Pedro Reis, na Igreja de Santa Terezinha, em Copacabana, na zona sul. Lá ele conheceu o ator Marco Nanini, com quem frequentou o curso de Formação de Atores no Conservatório Nacional de Teatro, atual escola de teatro da UNIRIO.

A primeira experiência em teatro profissional foi em 1968, na peça Roda Viva, de Chico Buarque e com direção de José Celso Martinez Corrêa, em São Paulo. O artista integrou ainda o Grupo Oficina e em 1969, atuou na peça Galileo Galilei, de Bertolt Brecht, também com direção de José Celso.

O primeiro papel protagonista foi em 1970, em Jorginho, o Machão, de Leilah Assumpção, dirigido por Clóvis Bueno. Dois anos depois fez a peça Castro Alves Pede Passagem, de Gianfrancesco Guarnieri, e voltou para o Rio de Janeiro.

A atuação na peça A Aurora da Minha Vida, de Naum Alves de Sousa, lhe rendeu seu primeiro Prêmio Moliére de melhor ator, em 1982. Depois disso recebeu mais dois: em 1989, por sua interpretação em Machado em Cena – Um Sarau Carioca, de Luís de Lima; e em 1994, no monólogo O Sermão da Quarta-feira de Cinzas, de Moacir Chaves, como o Padre Antônio Vieira.

Na televisão, o ator fez personagens memoráveis. A estreia foi em 1969 na Rede Tupi de São Paulo, no elenco da telenovela Super Plá de Bráulio Pedroso. Na mesma emissora atuou em outras duas novelas: Toninho on The Rocks, de Teixeira Filho, em 1970; e Dinheiro Vivo, de Mário Prata, em 1979.

Em 1972 começou na TV Globo e logo se destacou na novela Bicho do Mato, de Chico de Assis e Renato Corrêa e Castro. Em 1979 voltou à Rede Tupi de São Paulo e dois anos depois retornou à Rede Globo para uma infinidade de personagens com grandes destaques em novelas como Gabriela, A Indomada e Pecado Capital, além de minisséries como Um Só Coração e Quinto dos Infernos.

Ainda na emissora, a carreira do ator passou pelos humorísticos TV Pirata e Viva o Gordo.

REPERCUSSÃO

A morte do ator causou comoção entre amigos. O autor de novelas e escritor Walcyr Carrasco, que escreveu a novela O Cravo e a Rosa, lamentou a perda. “Cumpriu sua missão aqui na terra o querido e talentoso ator Pedro Paulo Rangel, aos 74 anos. Uma grande perda! Sentiremos muitas saudades! Meus sentimentos aos amigos e familiares. Vá em paz, seu Calixto!”, disse no seu perfil no Twitter, lembrando o nome do personagem que é um dos maiores sucessos de Pedro Paulo.

O ator, humorista e escritor Gregório Duvivier, disse que está triste com a partida do amigo. “Era um ator delicioso de assistir. Coloria, com carisma infinito, qualquer cena. Emprestava humanidade a personagens coadjuvantes, sempre tridimensional. Inventou um jeito próprio de falar, meio afrancesado, mas muito carioca, hilário”, postou no Twitter.

Em entrevista à Globonews, a atriz Lília Cabral disse que para ela, PP, como chamava o amigo, é um dos maiores atores do Brasil. “PP, você vai fazer muita falta para muita gente”, disse emocionada. Também ao canal, o ator Diogo Vilela contou que o amigo era um gênio. “É muito difícil falar sobre o PP, para mim um gênio, um ator genial. Eu estou muito emocionado”.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva também postou uma mensagem em seu perfil no Twitter. “Soube agora da morte do ator Pedro Paulo Rangel. Uma triste perda para a dramaturgia brasileira. Pedro Paulo fez história nas novelas, no humor e nos teatros do país com seu talento e dedicação. Meu abraço fraterno aos familiares, fãs e amigos”. Agência Brasil.

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Com várias apresentações artísticas, o Centro Cultural Teosópolis (CCT) promove nesta terça-feira (20), às 18h30min, o Sarau Cultural de Natal. Aberto ao público, o evento será aberto com a recepção e apresentação de violino.

Na sequência, apresentação de poesia e leitura de textos sobre o Natal. Um novo momento musical se dá com o Grupo de Violões, seguido por um monólogo sobre o Natal.

Uma apresentação cênica sobre o natal será seguida por apresentação do Coral Infantil e do Coral Esperança. Haverá apresentação de piano e órgão e recitação de poesias com a participação da Academia de Letras de Itabuna

“Queremos levar arte e boa música para nossa população. Vamos promover outros eventos ao longo do próximo ano e pretendemos que o Sarau Cultural de Natal entre para o calendário cultural do município”, diz a Professora Janete Ruiz de Macedo, curadora do espaço.

Paralelamente ao Sarau Cultural, haverá Feira de Artesanato. Peças produzidas na Casa do Vovô e pela Associação dos Artesãos do Sul da Bahia (Aasba) serão expostas e também comercializadas.

O Centro Cultural Teosópolis, fica localizado na Rua C, 298, Jardim dos Eucaliptos, próximo à sede do Itabuna Esporte Clube, no bairro Conceição, em Itabuna.

Mario Ulloa vai interpretar músicas de Dorival Caymmi e Chico Buarque
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O violonista Mario Ulloa fará apresentação na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus, às 14h30 desta terça-feira (20). Aberto ao público, o show será no Auditório Paulo Souto. No repertório, composições de Dorival Caymmi e de Chico Buarque de Holanda. O evento é promovido pelo Núcleo de Ares do Departamento de Letras e Artes.

Natural da Costa Rica e radicado na Bahia há vinte anos, Mario Enrique Ulloa Peñaranda é professor da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia. Confira a interpretação da música Todo o sentimento, de Cristovão Bastos e Chico Buarque, no Concerto da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa (OSBM), em 2019.

Ricô faz show de pré-lançamento do disco, hoje, em Ilhéus
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Logo mais, o músico Ricardo Santana fará o pré-lançamento de C’est la vida, primeiro álbum solo do baixista d’OQuadro. A apresentação será a partir das 22h, no Flow Burger Bar, na Avenida Soares Lopes, em Ilhéus. Ao PIMENTA, Ricô antecipou um pouco do que será apresentado hoje (16).

Tidê e Amérikkka estão no repertório desta noite. O nome da primeira música brinca com a flexão do verbo dar, comum em frases do léxico religioso. Segundo Ricô, em uma conversa com o amigo e historiador Wilfredo Lessa, ouviu que suas composições são atravessadas pelo tema da espiritualidade, mas sem cair na armadilha dos clichês.

A afirmação de Wilfredo, a quem Ricô chama de guru, pode ser demonstrada em músicas como Fogos de artifício para o precipício à vista, de OQuadro, disco homônimo da banda. “Foi a primeira composição que tive coragem de cantar”, disse Ricô.

O diálogo com a espiritualidade também é um elemento marcante da parceria de Ricô com Rafa Dias (Àttoxxá) no álbum Ziminino, lançado nos Estados Unidos, em 2019, pelo selo International Black (INTL BLK), a exemplo da música Intermitência (confira o videoclipe).

Já em Amérikkka, uma das nove faixas de C’est la vida, a reflexão é sobre o tipo de relações que consagraremos no grande continente americano. “Que tipo de América a gente deseja pra gente, com C ou três K?”, pergunta Ricô, opondo a perspectiva da integração continental à visão supremacista da Ku Klux Klan.

Morando há um ano e meio na França, o músico ilheense disse ao PIMENTA que o álbum solo começou a ganhar forma nos primeiros anos da pandemia, quando intensificou o trabalho de composição. “Fui encontrando um mote, uma história que precisava ser contada, uma estética de som, [como se dissesse]: isso aí sou eu mesmo. Tem muita coisa de misturar idiomas, ritmos, frequências e estéticas, tentar fazer esse cruzamento de nacionalidades, etnias”.

Jonas Amorim, filho de brasileiros nascido na França, é primo do músico ilheense e coproduziu C’est la vida. O disco ainda não tem data de lançamento, mas está pronto. “Já tem clipe. Tudo no esquema. Só falta definir as estratégias [de distribuição]”, assegura Ricô.

Quem quiser vislumbrar o que está por vir tem que correr para comprar os ingressos da apresentação desta noite. São limitados e estão à venda na livraria Badauê (Praça Rui Barbosa) e pelo perfil do Flow no Instagram. No palco, além de Ricô, Victor Santana, DJ Mangaio e Zezo Maltez. A abertura da noite ficará por conta dos DJs Nah Araújo e Múcio Caló.

Moa Vênus na capa do single "Flow Nazaré Tedesco"
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A cantora e compositora ilheense Moa Vênus lançou Flow Nazaré Tedesco, música que fez em parceria com o DJ e produtor musical Bruno Vita. Nome e refrão do single citam a personagem homônima da novela Senhora do Destino, que a TV Globo levou ao ar em 2004. A vilã se notabilizou por derrubar três personagens da escada de sua casa. Ouça.

Rosemberg, ao centro, comenta as escolhas de Lula por Margareth e Rui para Cultura e Casa Civil
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O deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa (Alba), Rosemberg Pinto, comentou a posição da Bahia no futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente eleito, diplomado em cerimônia nesta segunda (12), em Brasília, já escolheu o governador Rui Costa para comandar a Casa Civil, a partir de 1º de janeiro, assim como convidou a cantora e produtora cultural Margareth Menezes para o Ministério da Cultura, que será recriado.

– Como governador do Estado, [Rui] demonstra uma grande capacidade de gestão, no enfrentamento de diversos desafios. Com ele, a Bahia – um estado pobre – superou momentos de muitas dificuldades, principalmente nesse período de cortes e pandêmico, que refletiram numa desaceleração da economia e, mesmo assim, não parou de se desenvolver e de investir. Tenho convicção de que foi uma escolha acertada do Lula. Como ministro da Casa Civil, será o braço direito do presidente e só temos a comemorar – afirmou Rosemberg.

CULTURA

Ligado à Cultura, Rosemberg também comentou a indicação de Margareth Menezes para o comando da Cultura. “Margareth vem da construção de um conceito que nos orgulha muito. Ela não é uma teórica da Cultura, é a prática. É muito bom ver a cultura sendo dirigida por quem a faz diariamente”, avalia fazendo um comparativo à atual secretária da pasta na Bahia, Arany Santana, uma mulher que, segundo ele, é mais que uma conhecedora e gestora, é oriunda dos fazedores de cultura.

Rosemberg ainda avalia que há um preconceito grande de parte de algumas figuras públicas que criam resistência à indicação e que o desafio será comum ao de demais gestores nordestinos. “Nosso maior desafio será o de unir o Brasil, superar essa tentativa de desqualificação do Nordeste. Temos que nos orgulhar de termos definido essas eleições, por pensarmos o pobre como prioridade e acho que ela nos representa bastante”, declara, colocando o seu mandato e articulação na defesa da cultura e da Bahia.

Ceia da Batista Teosópolis será servida em noite de graças e comunhão
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Famílias atendidas pelos programas sociais da Igreja Batista Teosópolis de Itabuna (IBT) se reunirão em uma Ceia Solidária, na sede da Igreja, no bairro da Conceição, em Itabuna, na noite do próximo sábado (10). A estimativa é de que 420 pessoas participem da ceia.

“Nosso objetivo é realizar o sonho de uma Ceia completa para as famílias atendidas por nossos Programas Sociais. Aqueles que sofrem por conta do desemprego e não podem ter uma ceia digna”, pontua o Pastor Geraldo Meireles da IBT.

Voluntários e membros da Igreja, coordenados pelo Ministério da Ação Social e Ministério Infantil, servirão a ceia. A execução do projeto se tornou possível graças aos recursos obtidos com a promoção da Live Solidária, ocorrida em novembro.

“Esta é mais uma ação que desenvolvemos em prol das famílias carentes de nossa cidade”, ressaltou Gilson Pinheiro, coordenador do Ministério da Ação Social da IBT.

Geraldo Meireles lembrou do propósito em realizar a Ceia Solidária. “Quando da inauguração do Ambulatório Social e do Mercado Solidário, as pessoas nos perguntavam quais seriam nossos próximos passos. Então, dissemos que estávamos subindo uma grande escada e ainda teríamos muitos degraus à frente”, afirmou.

A ceia também representa o cumprimento de propósito como o projeto Mercado Solidário. No sábado, reforça Meireles, “haverá culto, ceia, presentes para as crianças, panetone para as famílias, sorteio de diversos itens e ação transformadora do Espirito Santo de Deus na vida de todos que servem e de todos que recebem”, assinalou.

O pastor-presidente da Teosópolis ainda deixa uma mensagem que é símbolo do que representa o Natal:

– E como sempre digo: Quando Natal chegar, eu quero o melhor presente, eu quero o melhor futuro. Eu quero um mundo diferente, eu quero um mundo só de crentes em crenças que tenham vida e façam tudo mudar. Quando Natal chegar, eu quero a calçada vazia, eu quero a panela cheia, eu quero a melhor ceia. Eu quero ver a alegria de quem eu só vi chorar. Quando natal chegar eu quero a droga rejeitada, numa vida transformada pelo poder da cruz, eu quero ver nascer Jesus dentro cada homem.

Confira a programação do espaço cultural de Buerarema || Foto Renata Figueiredo
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A Casa de Cultura Jonas & Pilar, em Buerarema, tem programação especial para os últimos dias de 2022. Nesta sexta-feira (9), das 8h às 13h, a instituição promove a Feira de Agroecologia, com venda de produtos orgânicos, palestra de Cláudio Lyrio, contação de história de Gabriel Barbozza e o evento musical Playlist, na Praça Domingos Cabral, em frente à Casa.

No sábado (10) e domingo (11), sempre às 19h, a Casa de Cultura abrirá as portas para o Espetáculo de Dança Ritiele Lustosa e o Festival de Dança Flutuar. O ingresso custa R$ 10,00.

A programação será retomada na quinta-feira da próxima semana (15), com a exibição gratuita do filme A Montanha Sagrada, de Alejandro Jodorowsky. Nos dias 16 e 17 de dezembro, será a vez da segunda Mostra Pequenos Atos, que consiste na apresentação de cenas curtas interpretadas pelos alunos da oficina de teatro da Casa de Cultural. A dança de salão de Aldenor Garcia e o Maculelê do Grupo de Capoeira Raízes de Macuco vão encerrar a programação do ano.

A Casa de Cultura Jonas & Pilar é um projeto do Instituto Macuco Jequitibá e tem apoio financeiro do Governo do Estado, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura da Bahia, além de apoio institucional da Prefeitura de Buerarema.

Decoração natalina é inspirada na estética circense || Foto PMI
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A segunda edição do projeto Natal de Luzes e Sonhos será lançada nesta quarta-feira (30), às 17h, na Praça Olinto Leone, Centro de Itabuna. O ato contará com a presença do prefeito Augusto Castro (PSD). O tema deste ano é A magia do circo.

Uma árvore de Natal de 15 metros é um dos destaques da decoração, que será totalmente iluminada na cerimônia de abertura da Casa do Papai Noel. O espaço lúdico terá carrinho de pipoca, penteadeira, camarim, roupas circenses, biombos, baús, perucas, além de malabares, cartolas, monociclo e uma rumbeira de circo. O segundo momento da solenidade será a inauguração do Presépio da Praça Rio Cachoeira.

A Prefeitura de Itabuna e a Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) são responsáveis pelo projeto. Segundo o presidente da Fundação, Aldo Rebouças, o palco do Presépio vai dar lugar a apresentações teatrais, musicais e de dança.

Decoração ajuda no aquecimento do comércio, segundo Aldo Rebouças

Para Aldo Rebouças, além dos aspectos lúdicos, a ornamentação da cidade tem reflexos positivos para a economia. Ele citou o aumento de 8% das vendas do comércio itabunense no Natal de 2021, primeiro ano do projeto, na comparação com o mesmo período de 2020, e atribuiu o resultado positivo à decoração natalina.

Secult determinou remoção de tinta da escultura || Fotos Chico Passos e PMI
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A Secretaria Municipal de Cultura (Secult) botou na conta de um servidor a decisão de pintar de branco um dos leões de mármore Carrara da escadaria da Catedral São Sebastião, no Centro Histórico de Ilhéus. Segundo a pasta, o trabalhador tomou a iniciativa de modo isolado, sem consultar a gestão, por ignorar a inadequação do feito.

“Se houve decisão de pintar, não partiu da secretaria, pois já tínhamos combinado a limpeza adequada. Infelizmente, o desconhecimento sobre a importância do patrimônio histórico e artístico gera não só em Ilhéus, mas ao redor do mundo, situações terríveis, algumas irreversíveis”, afirmou o secretário de Cultura do município, Geraldo Magela.

Antes da manifestação do secretário, a mão de tinta na escultura gerou reações críticas. Uma delas partiu do fotógrafo Chico Passos. “Só em Ilhéus para se pintar de esmalte sintético uma peça de mármore de Carrara italiano! Estamos vivendo um período sombrio para a memória artística e arquitetônica da cidade. Triste!”, escreveu o artista em uma rede social.

O memorialista e também fotógrafo José Nazal (Rede) lembrou que a escultura tem mais de cem anos. “Somente num governo recheado de gente que não tem amor pela cidade e sua história, pode ocorrer uma situação dessa: pintar uma peça centenária de mármore Carrara com tinta óleo. Lastimável”, disparou o ex-vice-prefeito, que pediu providências ao prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), e ao vice-prefeito Bebeto Galvão (PSB).

Após os puxões de orelha, a Secult determinou a limpeza da escultura. “Além da retirada da tinta, a peça vai receber lavagem completa, a fim de que seja mostrado todo o esplendor da obra de arte”, diz trecho da nota divulgada pela pasta.

Olodum faria show hoje (25) em Ilhéus || Divulgação
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O Olodum se apresentaria hoje (25) em Ilhéus, mas a previsão de chuva na cidade levou ao adiamento da apresentação para 3 de dezembro, às 20h, no Centro de Convenções.

Gratuito, o show marcará o encerramento do II Seminário Municipal de Relações Étnico-Raciais, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, uma das atividades da campanha Novembro Negro, dedicada à luta antirracista. Também subirão ao palco as bandas Quizila e Dilazenze, os MCs Cijay e Billyfat e outros convidados.

CANCELAMENTO

As organizadoras da sétima Caminhada pela Paz decidiram cancelar o ato, que seria realizado neste sábado (26), também por causa da previsão de chuva.

Ícone da música brasileira falece aos 81 anos
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O cantor e compositor Erasmo Carlos faleceu em um hospital da cidade do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (22), aos 81 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Erasmo ficou internado de 17 de outubro a 2 de novembro no mesmo hospital, localizado na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste do Rio  onde o carioca nasceu e residia. A internação foi necessária para tratamento de uma síndrome edemigênica, caracterizada pelo acúmulo em excesso de líquidos nos tecidos do corpo. Ontem (21), ele voltou a ser hospitalizado.

O artista foi um dos precursores do rock no Brasil, na década de 1950, quando iniciou a carreira musical ao lado de nomes como Tim Maia e Roberto Carlos, junto de quem tornou-se expoente da Jovem Guarda, movimento que atingiu seu auge de popularidade nas décadas de 1960 e 1970.

Quando completou 50 anos de carreira, em 2011, o Tremendão lançou DVD do show 50 anos de Estrada. Confira a interpretação da música Negro Gato.

Banda Adão Negro encantou público com o melhor do reggae em Itacaré
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A primeira edição do Festival de Reggae de Itacaré, encerrado na última semana, deixou saudades, com atrações de nomes consagrados do estilo não apenas na Bahia como no país. Das bandas que subiram ao palco da orla central da cidade sul-baiana, Adão Negro, com 26 anos de estrada, sacudiu a nação do reggae com um show único.

A banda se apresentou no domingo do festival, segunda noite do evento, lotando a orla. A apresentação foi muito elogiada pelo público.

O sucesso da Adão Negro na segunda noite, o dia 13, foi tão grande que o público não se contentou com apenas um. Pediu “bis” por duas vezes. E o respeitável público acabou atendido com o melhor do reggae em festival promovido pela Prefeitura Municipal de Itacaré e patrocínio do Governo da Bahia, por meio da Bahiatursa.

Evento Anjo Negro exibe filmes e discute mês da consciência negra
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A Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, será palco do evento Anjo Negro, nesta quarta-feira (23), às 16h, com exibição de filmes seguida de debate sobre o mês da consciência negra, celebrado em novembro.

Os filmes escolhidos são os documentários O grito dos cativos, de Telmo Figueiredo e Heuger Campos; e Mário Gusmão, o anjo negro da Bahia, de Élson Rosário. A exibição e o debate serão no Auditório Jorge Amado, localizado no primeiro andar do pavilhão de mesmo nome.

A discussão contará com a presença do professor, escritor e babalorixá Ruy Póvoas e do documentarista Élson Rosário, com mediação da professora Marlúcia Mendes da Rocha.

A coordenação do evento é da professora Ivone Maia e do produtor Emiron Gouveia, com apoio dos departamentos de Letras e Artes e de Filosofia e Ciências Humanas, além da Pró-Reitoria de Extensão e do Núcleo de Artes da Uesc (Nau).

Dicionário criado pela Defensoria Estadual da Bahia é alerta para expressões racistas
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No Dia Nacional da Consciência Negra, lembrado neste domingo (20), especialistas alertam para a necessidade de se repensar o uso de termos e expressões que reforçam o racismo. Há casos em que essas palavras são reproduzidas sem que as pessoas tenham o conhecimento histórico da origem delas.

Para conscientizar sobre o tema, a Defensoria Pública da Bahia lançou o Dicionário de Expressões (Anti) Racistas, no ano passado. “Nosso idioma foi construído sob forte influência do período de escravização e muitas destas expressões seguem sendo usadas até hoje, ainda que de forma inconsciente ou não intencional. Precisamos repensar o uso de palavras e expressões que são frutos de uma construção racista”, destaca a publicação.

A cartilha cita expressões como “a coisa tá preta”, em que a cor preta ou negra é usada em uma conotação negativa, e propõe a substituição para “a situação está difícil”.

Outro exemplo de expressão considerada racista é “cabelo ruim” para designar cabelo crespo ou cacheado. A publicação também aponta as expressões “mercado negro, magia negra, humor negro e ovelha negra” – em que a palavra ‘negro’ representa algo pejorativo, prejudicial, ilegal. Como alternativa, propõe-se o uso de mercado clandestino, lista proibida e humor ácido.

“O racismo se revela de diversas formas em nossa sociedade. Estas microagressões, além de reproduzirem um discurso racista, ao identificarem a negritude como marcador de inferioridade social, afetam o bem-estar de pessoas negras”, diz a cartilha.

Há outras palavras menos óbvias, como “boçal”, descrita na cartilha como “referência aos escravizados que não sabiam falar a língua portuguesa”. Essa desqualificação também é uma das formas de racismo que, segundo o linguista e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Gabriel Nascimento, persiste nos dias atuais.

“As palavras são resultado de uma formação histórica racista. O racismo linguístico não se resume às palavras”, enfatiza.

Gabriel Nascimento: palavras são de uma formação histórica racista

Nascimento lembra que os negros representam mais de 50% da população brasileira. “Essa população modificou essa língua. Ela é parte dessa língua porque essa língua é dela. No entanto, quando a gente vai falar de como o Estado e as pessoas tratam as pessoas negras, normalmente a elas é imposta uma falta de autoestima linguística, como pessoas que não são portadoras da capacidade de falar essa língua de maneira orgânica e politicamente, de se comunicar”, destaca.

O uso das palavras também é uma forma de disputa, segundo Nascimento. Ele destaca a palavra “negro” aplicada a pessoas, que não tinha equivalente na África antes da invasão europeia.

“Como você explica um país onde ‘negro’ seja uma palavra usada ao mesmo tempo para politizar uma população mestiça e também para racismo? Ao mesmo tempo que o homem preto positiva a sua narrativa  – “eu sou um homem negro” – você tem a presença desse homem negro sendo chamado por uma mulher branca de ‘negro fedido’”, diz, usando como exemplo o caso de racismo contra o humorista Eddy Júnior, ofendido por uma vizinha no condomínio onde mora na zona oeste da capital paulista em outubro de 2022.

INFLUÊNCIA AFRICANA

Uma das maiores demonstrações do racismo na língua portuguesa no Brasil é a falta de estudo da influência das línguas africanas na formação do idioma, segundo Gabriel Nascimento, que é autor do livro Racismo Linguístico.

“O fato de a gente levar 14 anos na educação formal tentando aprender a diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal mostra o quão colonial, o quanto de racismo linguístico a gente tem no nosso português. Porque a gente não identifica a importância das línguas bantus [grupo étnico africano], a sua influência nos falares do Brasil”, afirma o pesquisador.

Esses idiomas influenciaram não só com palavras que são usadas no cotidiano brasileiro, como também, de acordo com Nascimento, até na sintaxe predominante no país. Entre as palavras, o pesquisador aponta como exemplos samba, bunda, cachimbo, acalanto, dengo, quiabo, bengala.

Há ainda, segundo ele, usos comuns que na chamada norma culta acabam sendo considerados incorretos. “A gente não sabe, por exemplo, que nas línguas bantus, que são línguas extremamente prefixais, toda a informação de plural e singular entra de maneira prefixal. Nessas línguas você normalmente coloca as informações de singular e plural no primeiro traço da palavra”, explica.

“Quando você faz a concordância em ‘as menina’, você apenas coloca o plural no primeiro item. Essa influência é vista normalmente no Brasil como erro. Mas ela é uma influência bantu muito legítima e vai se reproduzir em outros lugares”, exemplifica. São elementos culturais importantes que, na visão do professor, não têm a atenção devida. “As nossas escolas não abordam conteúdos linguísticos africanos. Essa diversidade brasileira da língua foi ignorada pelas escolas”, afirma.