A Rota e a Cidade Sol, empresas do Grupo Brasileiro, anunciaram 27 vagas de emprego nos municípios de Ilhéus, Ipiaú e Belmonte. As oportunidades são para motorista de ônibus (22), cobrador (4) e almoxarife (1).
A Rota abriu 10 vagas para motorista de ônibus em Ilhéus, município onde também oferta 4 vagas para cobrador e 1 para almoxarife. A empresa também abriu 1 vaga para motorista em Belmonte.
Já a Cidade Sol oferta total de 11 vagas para motorista de ônibus em Ipiaú.
A coordenadora de RH e Qualidade do Grupo Brasileiro, Jaciara Santos, informou ao PIMENTA que os interessados em vagas ofertadas pela Rota em Ilhéus e Belmonte devem enviar currículo para o email recrutamento@rotatransportes.com.br. O prazo para envio do currículo vai até dia 31 de janeiro. Outra opção é se dirigir à garagem da empresa, mas somente na quinta-feira (27).
As vagas em Ipiaú são oferecidas pela Cidade Sol. O currículo deve ser enviado para o email recrutamentojequie@cidadesol.com.br. O prazo final de envio também é o dia 31.
REQUISITOS
As vagas para motorista de ônibus exigem que o profissional tenha carteira de motorista categoria D, curso de transporte de passageiros e experiência comprovada.
Para cobrador, é exigido ensino médio completo, disponibilidade de horário para viagens e experiência comprovada em atendimento ao cliente.
Para almoxarife, o candidato deve ter ensino médio completo e experiência comprovada. O telefone para mais informações sobre as vagas disponíveis pelas empresas é o (73) 3214-6871.
Na manhã de sábado (22), a Polícia Militar prendeu dois homens na Rua São Jorge, em Sambaituba, na zona rural de Ilhéus. No momento da prisão, segundo a PM, a dupla portava um revólver calibre 38 e cocaína.
Os policiais localizaram os suspeitos após denúncia de que dois homens estavam armados no distrito. Eles foram identificados pela iniciais A.V.O. e G.J.S e pelos apelidos Bolinha e Borel, respectivamente.
A dupla foi levada para a 7ª Coorpin (Coordenação Regional de Polícia do Interior), na zona urbana de Ilhéus.
Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros chegaram ao Salobrinho, em Ilhéus, por volta das 9h50min desta segunda-feira (24), para tentar liberar a BR-415, que foi interditada por uma manifestação de moradores do bairro.
Enquanto os bombeiros apagam o material incendiado que bloqueia a rodovia, os policiais negociam a liberação do tráfego de veículos com os manifestantes.
Segundo as primeiras informações, o protesto teria sido motivado pela retirada de famílias desabrigadas de uma escola pública do bairro, onde estavam desde a enchente do Rio Cachoeira, ocorrida no Natal de 2021.
Na manhã desta segunda-feira (24), uma manifestação de moradores do Salobrinho, em Ilhéus, interditou o trânsito na BR-415. No sentido Ilhéus-Itabuna, a fila de veículos começa antes da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
Os manifestantes tocaram fogo em pneus e pedaços de madeira bloquear a pista, que continua fechada no momento desta publicação, às 9h43min.

Segundo as primeiras informações, a causa do protesto teria sido a retirada de desabrigados da escola pública onde foram alojados de forma provisória após a cheia do Rio Cachoeira, no mês passado.
A ex-vereadora de Barreiras e ex-deputada estadual baiana Kelly Magalhães (PCdoB) faleceu neste domingo (23), aos 52 anos, vítima de câncer, em Salvador. A notícia foi confirmada pelo presidente estadual do partido, Davidson Magalhães, em nota. Kelly enfrentava câncer há vários anos, segundo o dirigente.
Antes de eleita deputada estadual em 2010, Kelly foi vereadora e presidente da Câmara Municipal de Barreiras, comerciária e assessora do Sindicato dos Bancários da Bahia. Ela tinha formação em Letras pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e coordenou o Diretório Central dos Estudantes (DCE) do campus Barreiras da universidade estadual.
“A morte de Kelly é uma grande perda para os democratas e todos os que lutam por uma sociedade mais justa e fraterna. O PCdoB-Bahia lamenta profundamente a perda de nossa combativa companheira de tantas lutas e presta solidariedade aos familiares e amigos”, escreveu Davidson Magalhães.
A ex-deputada e presidente da Câmara de Barreiras por duas vezes deixa esposo e dois filhos.
HOMENAGENS
Além do dirigente do PCdoB, políticos como o senador Jaques Wagner e o deputado estadual e ex-colega de parlamento Rosemberg Pinto, ambos do PT, prestaram homenagem à ex-deputada, liderança política no oeste baiano. Rosemberg escreveu no Twitter que Kelly “muito contribuiu para a construção dessa nova Bahia”. E completou: “Perdemos uma guerreira””.
O rompimento de uma adutora nas proximidades da Estação de Tratamento de Água (ETA), da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), no São Lourenço, na noite deste domingo (23), interromperá o abastecimento de água em 18 bairros localizados nas zonas leste, sul e sudeste da cidade. Segundo a empresa, equipes tentaram iniciar o reparo ainda ontem, porém o local é de difícil acesso.
De acordo com o gerente de distribuição de Águas da Emasa, Moisés Ferreira, na manhã de hoje (24), técnicos e operários da Emasa devem iniciar os reparos na rede. “Vamos analisar o caso para buscar o meio mais eficaz para viabilizar o conserto. No local, existe um conjunto de adutoras, caso o rompimento tenha ocorrido em uma rede na parte de cima fica mais fácil o conserto, coso contrario irá demandar um pouco mais de tempo”, explica.
BAIRROS AFETADOS
O rompimento da adutora vai afetar os moradores dos bairros Vila Zara, São Judas Tadeu, Conceição, Góes Calmon, Banco Raso, São Caetano, Sarinha Alcântara, Jardim Vitória, Carlos Silva, Jardim Primavera, Vila Anália, São Pedro, Daniel Gomes, Pedro Jerônimo, Maria Pinheiro, Zizo e Fonseca.
As inscrições para o concurso da Controladoria-Geral da União (CGU) estão abertas até dia 1º de fevereiro. São 300 vagas para o cargo de Auditor Federal de Finanças e Controle e 75 vagas para Técnico Federal de Finanças e Controle. As remunerações são, respectivamente, R$ 19.197,06 e R$ 7.283,31.
O cargo de Auditor Federal de Finanças e Controle exige nível superior e o de Técnico Federal de Finanças e Controle, o nível médio. As taxas de inscrição são de R$ 80 para nível médio e de R$ 120 para o nível superior.
O concurso, que será realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), terá provas objetivas e discursivas, que devem ocorrer no dia 20 de março. Para o cargo de Técnico Federal de Finanças e Controle, a prova será em um turno, das 8h às 12h30min, quando serão aplicadas as provas objetivas e discursivas.
Para o cargo de auditor, serão dois turnos, das 8h às 12h30min, quando ocorrem a prova objetiva de conhecimentos básicos e a discursiva, e das 15h às 19h, quando serão aplicadas as objetivas de conhecimentos específicos e de conhecimentos especializados.
PROVAS EM MARÇO
A aplicação das provas ocorrerá em Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE), São Paulo (SP), Rio Branco (AC), Manaus (AM), Macapá (AP), Belém (PA), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Palmas (TO). O local em que o candidato fará a prova deverá ser escolhido no momento da inscrição.
A inscrição e o edital completo estão disponíveis no site da FGV.
Não foi desta vez que o Barcelona venceu a primeira partida no Campeonato Baiano. Jogando na tarde deste domingo (23), na Arena Cajueiro, em Feira de Santana, o time de Ilhéus foi derrotado por 1 a 0 pelo Vitória. Com o resultado, a equipe do sul da Bahia segue na sétima colocação do estadual, com apenas um ponto em dois jogos.
O Barcelona jogou em Feira porque o estádio Mário Pessoa ainda está em obras. O time ilheense volta a campo na próxima quinta-feira (27), quando enfrenta o Atlético, no estádio Antônio Carneiro, em Alagoinhas. A partida está prevista para começar às 19h15min. O time de Alagoinhas tem 100% de aproveitamento, com seis pontos.
Com o resultado de hoje, o Vitória assumiu a quarta posição do Campeonato Baiano, com quatro pontos. O gol do rubro-negro foi marcado por Eduardo.
Também neste domingo, o Jacuipense bateu a Juazeirense por 5 a 2, no Adauto Moraes, com gols de Ruan Levine, duas vezes, Cabral, Jeam e Eudair. Elias e Ramon Baiano descontaram. Com a goleada, o Jacuipense assumiu a vice-liderança, com seis pontos ganhos e 100% de aproveitamento, atrás do líder Atlético por causa do saldo de gols, cinco contra quatro.
Em janeiro de 2013, quando assumiu a diretoria médica, as condições do hospital eram caóticas, o que não intimidou este médico, à época com de 71 anos de idade.

Walmir Rosário
Faleceu na madrugada deste domingo (23), em Salvador, vítima da Covid-19, o médico pneumologista Enéas Silva de Carvalho Filho, de 79 anos, casado e pai de cinco filhos. Maranhense, deixou seu estado natal para estudar medicina na Bahia, e depois de formado se estabeleceu em Salvador, após casar com a médica especializada em dermatologia, Nely Campos de Carvalho.
E dessa união cresceram os cinco filhos, todos criados e exercendo atividades profissionais na medicina, odontologia, direito, educação e fisioterapia. Vida organizada, o casal cumpriu a promessa de anos passados: viver em Canavieiras após a aposentadoria. E estão cumprindo, proporcionando à sociedade tudo o que receberam durante os anos em atividade em Salvador.
Formado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Dr. Enéas dedicou 52 anos a serviço da medicina, 38 deles como professor de Propedêutica de Pneumologia na Universidade Federal da Bahia (UFBa) e na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Durante esse tempo cuidou de pessoas, formou alunos, fez amigos.
Até hoje o respeito dos alunos pelo mestre é visto hoje com o carinho que é tratado pelos colegas, que o consideram um ícone da medicina. Mas esse tratamento não é dispensado somente agora e pode ser mensurado nos inúmeros convites que recebeu para ser homenageado como patrono ou paraninfo. Não poderia ser diferente para quem adotou como máxima: “Hospital sem estudante não tem muita motivação, dinamismo”.
Do caos ao sonho. Esta sempre foi a máxima do Dr. Enéas, tanto que quando se aposentou, em 2012, recebeu o convite do então prefeito de Canavieiras, Almir Melo, para dirigir o Hospital Municipal Régis Pacheco. Para ele não foi uma simples utopia e sim um trabalho de planejamento e gestão para dotar o “velho” hospital num dos mais modernos e eficientes centros de atendimento médico hospitalar.
A tarefa parecia simples, não fosse o histórico da situação desse importante equipamento médico-hospitalar responsável pelo atendimento à população de Canavieiras e região. Em janeiro de 2013, quando assumiu a diretoria médica, as condições do hospital eram caóticas, o que não intimidou este médico, à época com 71 anos de idade.
Aos poucos, o Hospital Régis Pacheco passou por uma faxina generalizada em sua estrutura física, contratou uma equipe médica e de enfermagem, até voltar a ser credenciada pela Secretária Estadual da Saúde. Em apenas nove meses, a equipe da Secretaria Municipal da Saúde comemorou a inauguração do centro cirúrgico com a realização das primeiras cirurgias. Uma semana após mais seis cirurgias foram executadas, inclusive dois partos cesáreos.
Para Dr. Enéas, a tarefa não era difícil, pois exerceu o cargo de diretor do Hospital Otávio Mangabeira (Salvador), especializado em doenças pulmonares, tornando-se referência, inclusive, na formação dos profissionais de medicina. Imitando o ditado que diz, “quando se descansa carrega pedra”, a vida desse médico não foi diferente: após as aulas, consultório, previdência, plantões em hospitais, a exemplo do Getúlio Vargas, dentre outros.
Acostumado à formação dos profissionais da medicina, Dr. Enéas perseguiu um novo sonho: transformar o Hospital Municipal Régis Pacheco num hospital-escola. No seu entendimento, a combinação dos estudos teóricos com as aulas práticas possibilita um aprendizado mais eficaz e humano. É verdade que ele considera uma decisão de médio prazo, mas não descartou a possibilidade, pois vivencia situação idêntica, a conviver com grande de parte de seus alunos – médicos e enfermeiros – antes, colegas hoje no Hospital Régis Pacheco.
Em Canavieiras, não se limitou a ser o diretor médico do hospital, e era o primeiro a substituir qualquer colega que não pudesse se apresentar para o plantão. Ele mesmo agendou na escala do hospital um plantão de 24 horas semanais, quando atendia uma grande quantidade de pacientes, muitos deles para desfrutar da experiência do conceituado médico.
Seu passamento não poderia deixar de consternar profissionais da saúde, amigos, familiares e grande parte da população de Canavieiras.
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
O número de pacientes em isolamento ou internados por causa de infecção pela covid-19, os chamados casos ativos, chegou a total de 18.314, na Bahia, neste sábado (22), de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). Trata-se do maior número de casos ativos desde 27 de maio de 2021.
Nas últimas 24 horas até as 17h de ontem, o estado registrou 4.225 novos casos de covid-19, segundo a Sesab, período em que também foram registrados 2.724 pacientes recuperados (alta de isolamento ou internação) e 18 óbitos. A grande alta de casos é atribuída à variante ômicron, de maior transmissibilidade que as variantes anteriores.
MAIS DE 291,1 MIL CASOS EM INVESTIGAÇÃO
Desde o início da pandemia, o estado registra 1.312.371 casos confirmados da doença, dos quais 1.266.287 foram considerados recuperados e 27.770 pessoas não resistiram à doença.
Para os números, a Sesab faz um alerta: os dados ainda podem sofrer alterações devido à instabilidade do sistema do Ministério da Saúde. A base ministerial tem, eventualmente, disponibilizado informações inconsistentes ou incompletas. Há, ainda, 291.193 em investigação.
VACINAÇÃO
Até o momento temos 11.041.474 pessoas vacinadas com a primeira dose, 263.623 com a dose única, 9.288.154 com a segunda dose e 2.080.641 com a dose de reforço. Do público de 5 a 11 anos, 20.225 crianças já foram imunizadas.
Um policial militar está internado em estado grave no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, no sul da Bahia. O PM Lucas Mota foi baleado, na tarde deste sábado (22), em uma operação no bairro Novo Horizonte. Atingido com pelo menos três disparos, o policial está sendo submetido uma cirurgia.
Durante a operação policial, um suspeito de fazer parte de uma das facções criminosas de Itabuna foi baleado e não resistiu aos ferimentos. Ele é conhecido como Melck. Outros criminosos conseguiram fugir do cerco policial e estão sendo procurados.
Atualização às 21h06min – A equipe médica concluiu procedimento cirúrgico, considerado um sucesso. O policial está fora de perigo.
O Ministério da Educação abre, na segunda-feira (22), as inscrições no Programa de Bolsa Permanência (PBP) para 2022. O benefício, de R$ 900, é pago para estudantes indígenas e quilombolas, matriculados em cursos de graduação presencial ofertados por instituições federais de ensino superior.
De acordo com a portaria publicada na edição na sexta-feira (21) do Diário Oficial da União, as inscrições deverão ser realizadas pelo Sistema de Gestão da Bolsa Permanência (SISBP), no período de 24 de janeiro a 28 de fevereiro.
A análise da documentação comprobatória de elegibilidade do estudante e a aprovação do cadastro no SISBP deverão ser realizadas pelas instituições federais de ensino superior, no período de 24 de janeiro a 31 de março.
O Programa de Bolsa Permanência foi criado em 2013 e busca enfrentar as desigualdades sociais e étnico-raciais, garantindo a permanência e diplomação dos estudantes de graduação em situação de vulnerabilidade.
Encontrado neste sábado (22), no mar, ao sul de arquipélago de Abrolhos, em Caravelas, no extremo-sul da Bahia, o corpo do pescador Paulo Henrique Machado Rocha, de 48 anos. Ele e a sobrinha, Laila Rocha Nascimento, 35 anos, desapareceram na terça-feira (18), quando saíram para mais um dia de pescaria.
Depois que partiram de Porto de Ponta de Areia, distrito de Caravelas, tio e sobrinha não foram mais vistos. O corpo de Paulo Henrique Machado foi encontrado por outro pescador. As buscas pelo corpo de Laila Rocha prosseguem.
A aflição da família dos pescadores aumentou depois que rádio do barco, mochila, chinelos, vasilhas com comida e uma caixa de isopor (usada para armazenar os pescados) foram encontrados no mar. O barco ainda não foi localizado.
Séculos de exclusão e discriminação criaram a premissa do menor potencial. Frases como “Isso não é pra gente como nós”, “Nosso lugar é na cozinha”, entre outras, ouvidas de pessoas negras que estavam ao meu redor, acompanharam-me em grande parte da minha infância e adolescência. Mas eu me insurgi, resisti, reconfigurei a situação e cheguei até aqui. Porém, não foi fácil. E não é para nenhuma de nós.
Joana Guimarães
Desde que assumi o cargo de reitora na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), sempre me perguntam como é ser uma mulher negra ocupando um cargo em que tão poucas pessoas na minha condição estão presentes. Ao pensar sobre isso, vem à mente que a questão não é esse ou aquele cargo, mas a ocupação dos espaços de prestígio na sociedade que sempre foi algo de difícil alcance para pessoas negras. Estou na vida acadêmica como gestora desde 2006, quando assumi o cargo de diretora do campus da UFBA em Barreiras. Em 2011, fui para a vice-coordenação da Comissão de Implantação da UFSB. Em 2013, assumi a vice-reitoria dessa mesma universidade e, em 2018, o cargo de reitora, o qual exerço até aqui. Nessa trajetória, sempre fui a exceção que comprovava a regra do racismo.
Certamente a cor da pele define nossa posição na sociedade e como esta nos vê. Isso pode ser observado nas discussões sobre o desempenho dos cotistas na universidade. Havia e em certa medida ainda há uma preocupação com desempenho — fruto da concepção de que essas pessoas possuem dificuldades no aprendizado por conta da falta de exposição a elementos educacionais e culturais dominantes na nossa sociedade, tais como escolas renomadas, bons livros, cinema, teatro, museus — o que chamamos de capital cultural. Porém, não se levam em consideração as experiências comunitárias e culturais descentradas que também fazem com que, mesmo sem acesso a tudo isso, essa maioria minorizada desenvolva vivências que fazem com que não só tenham capacidade outras como a resiliência e um enorme potencial para agarrar as oportunidades que surgem à frente. Uma espécie de rebeldia contra a subalternidade determinada historicamente. Aliado ao fato de que pessoas negras devem estar onde estão porque esse é o seu lugar na sociedade — construiu-se a premissa dominante de que elas têm menor potencial que pessoas brancas.
No meu caso particular, quando adentrei esse mundo da gestão e, consequentemente, passei a ocupar cargos de destaque mesmo detendo todas as credenciais de uma egressa da Ivy League, não à toa, o racismo teimou em se rearticular em várias imagens de controle na tentativa de invisibilizar minha atuação como reitora e menoscabar a minha agência.
A intersecção entre racismo, machismo e pobreza inscreve, socialmente, as mulheres como pessoas com menor potencial para ocupar espaços de poder, sendo determinado a elas o cuidado com a família, com atividades relacionadas ao ambiente doméstico. Isso é, em grande medida, incorporado ao imaginário das próprias mulheres que, em muitos casos, se sentem culpadas ou impossibilitadas de investir na carreira, considerando que isso as afasta da sua função definida, historicamente, pela sociedade, que é a de cuidado com a família. Séculos de exclusão e discriminação criaram a premissa do menor potencial. Frases como “Isso não é pra gente como nós”, “Nosso lugar é na cozinha”, entre outras, ouvidas de pessoas negras que estavam ao meu redor, acompanharam-me em grande parte da minha infância e adolescência. Mas eu me insurgi, resisti, reconfigurei a situação e cheguei até aqui. Porém, não foi fácil. E não é para nenhuma de nós.
Essa breve reflexão conduz-me à resposta de que ocupar o cargo de reitora de uma universidade federal parece-me perfeitamente natural, em especial pelo fato de estar de volta, depois de 40 anos, à terra onde nasci e vivi a minha infância e parte da adolescência, onde tenho raízes familiares. Tudo isso faz com que eu tenha profunda relação com a região e compreenda a importância de uma instituição como a Universidade Federal do Sul da Bahia. Importante por saber o que teria significado para a vida de muitos dos meus colegas dos primeiros anos de estudo a existência de uma universidade pública na região, o quanto isso lhes teria impactado a vida. Além do impacto pessoal, há ainda o aspecto do desenvolvimento regional, com a possibilidade de construção de projetos de interesse da sociedade em todas as áreas do conhecimento, o que almejamos aqui na UFSB.
Para finalizar, deixo aqui o testemunho de que me sinto acolhida pelos colegas reitores e reitoras das universidades federais, por meio da Andifes, que, neste momento de dificuldade econômica, política e sanitária pelo qual passa o Brasil, agravado pelas enchentes no sul e extremo-sul da Bahia, tem se colocado firmemente numa rede de apoio, solidariedade e troca de experiências que muito tem nos ajudado a atravessar essa difícil conjuntura.
Joana Guimarães é reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
A cena é a mesma de milhares de cidades brasileiras. Num terreno afastado do centro comercial, acumulam-se montanhas de lixo onde humanos disputam espaço com porcos, urubus e outros animais. A chegada de nova carga de resíduos gera expectativa em que procura coisas com algum valor comercial. Com o tempo, a presença demorada acostuma o olfato aos gases da matéria em decomposição, porque o embotamento desse sentido é requisito para se adaptar ao ambiente. À noite, nos barracos perto dali, algumas horas de sono antes da próxima jornada. Resumida de grosso modo neste recorte do tempo, assim era a vida das 161 pessoas que trabalharam por anos no lixão de Itabuna, fechado pela Prefeitura no dia 4 de maio de 2021.
“Era uma vergonha do município há mais de 40 anos”, diz a secretária de Planejamento de Itabuna, Sônia Fontes, ao explicar à reportagem do PIMENTA a implementação do projeto Recicla Itabuna, que iniciará o serviço de coleta seletiva do município na próxima quarta-feira (26).
Arquiteta e urbanista, Sônia Fontes relembra que o esboço do projeto nasceu em 2020, no plano de governo do então candidato a prefeito Augusto Castro (PSD). Naquela altura, sabia-se que, dali a dois anos e meio, em julho de 2022, venceria o prazo da Política Nacional de Resíduos Sólidos para o fim dos lixões nos municípios com mais de 100 mil habitantes – a população de Itabuna é estimada em 214 mil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No ano passado, quando assumiu a Prefeitura, o prefeito Augusto Castro elegeu a gestão dos resíduos sólidos como uma das frentes prioritários do governo, explica a secretária de Planejamento. Com a decisão, em maio de 2021, o município passou a destinar seus resíduos à Central de Valorização de Resíduos Costa do Cacau (CVR), que inaugurou aterro sanitário no mesmo ano, às margens da Ilhéus-Itabuna (BR-415).
A SAÍDA
O fim do lixão exigiu abordagem interdisciplinar, afirma a secretária Sônia Fontes. Além da equipe de planejamento, o trabalho envolveu as secretarias de Infraestrutura e Urbanismo e de Promoção Social e Combate à Pobreza. Esta última teve papel decisivo na criação das condições para que os catadores pudessem deixar o local.
Numa parceria da Promoção Social com a CVR, de maio a novembro de 2021, todos os 161 trabalhadores receberam auxílio mensal de R$ 432,00, além de cestas básicas e recursos do Aluguel Social. Também participaram do Seminário de Capacitação de Catadores de Material Reciclável. Além disso, com auxílio da Prefeitura e sob a supervisão do Ministério Público do Trabalho e da Defensoria Pública do Estado da Bahia, formaram a Associação Itabuna Recicla para Viver Melhor. A entidade vai administrar a Central de Triagem de Material Reciclável, inaugurada na sexta-feira (21) com a presença de Augusto Castro.
Ao longo desse percurso, segundo a secretária, os catadores aprenderam nova forma de viver do lixo urbano. Na segunda (24) e terça-feira (25), antes do início da coleta seletiva, eles receberão treinamento intensivo para lidar com o maquinário da central de triagem, que foi montada com o apoio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre) e da CVR. Os custos de manutenção, como as contas de energia e de água, ficarão a cargo da Prefeitura.
A COLETA
Nesta primeira etapa, a coleta seletiva vai absorver 3% dos resíduos produzidos no município, estima Sônia Fontes. O governo pretende avaliar o alcance e a execução do Recicla Itabuna a cada três meses.
A princípio, a separação será a mais básica, isolando o lixo orgânico, a exemplo restos de comida, dos materiais secos, como papelão, embalagens plásticas, garrafas pet, metais, vidros, latinhas, etc.
A cidade terá ecopontos permanentes nas praças dos bairros São Caetano, Mangabinha, Conceição, Santo Antônio e Califórnia, além das praças Adami e Camacan, no Centro, e na Avenida Aziz Maron.
Às segundas-feiras, a coleta porta a porta ocorrerá das 8h às 10h no Jardim Vitória; das 10h às 12h no Góes Calmon; e das 14h às 16h30min no Conceição. Moradores do bairro de Fátima serão atendidos sempre às terças, pela manhã e à tarde. Na Califórnia, a coleta será às quartas, também em dois turnos; já o Conceição será atendido às quintas. O comércio terá coleta diária. As sextas-feiras serão dedicadas aos prédios dos órgãos municipais.
No final da conversa, o PIMENTA perguntou à secretária sobre a expectativa quanto à adesão dos munícipes, que têm sido sensibilizados por campanha de educação ambiental. Conforme Sônia Fontes, o município se esforçou muito para instaurar um novo momento de cidadania, investindo recursos arrecadados de todos os contribuintes. Agora, cabe à população corresponder.
“A gente precisa que cada cidadão comece a se conscientizar de que é preciso fazer essa separação, já que o lixo reciclável é rentável e disso depende a nossa sobrevivência. A nossa sobrevivência ambiental e a sobrevivência de muitas pessoas, porque a rede de reaproveitamento é muito maior do que apenas os catadores. Inclusive, é uma cadeia muito forte no mundo e no Brasil”, concluiu a gestora.






















