A vacinação contra a Covid-19 do público com idade igual ou superior a 38 anos começará hoje (6) em Ilhéus. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), as pessoas devem comparecer à Cruzada do Bem pelo Bem, ao Salão da Igreja São João Batista e aos pontos de drive-thru, montados na Avenida Soares Lopes, próximo ao Centro de Convenções, e na Praça São João Batista, no Pontal.
O serviço estará disponível das 13h às 17h ou enquanto durar o estoque de vacinas. Há 1.500 doses da Pfizer para o atendimento desta terça-feira. Segundo a Sesau, para ser vacinado é necessário apresentar CPF, cartão do SUS e comprovante de residência.
Positivo abre 200 vagas para unidade em Ilhéus || Foto Divulgação
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Um dos líderes da área de informática e eletroeletrônicos do país, o Grupo Positivo anunciou a abertura de processo de recrutamento e seleção para a unidade em Ilhéus, no sul da Bahia. As vagas disponíveis são em três áreas – produção, logística e qualidade. São, no total, 200 vagas, conforme apurado pelo PIMENTA.
O processo de recrutamento e seleção será feito pela RH Nossa e o cadastramento para concorrer a vaga deve ser feito pela internet. De acordo com a empresa, a contratação está prevista para o período entre agosto e setembro deste ano.
Um grupo da sociedade civil, com o apoio de vereadores e advogados, se organiza para ingressar com uma ação junto ao Ministério Público para exigir do Governo do Estado e da Prefeitura de Ilhéus a imediata abertura da nova Maternidade do município. A obra, que já foi concluída pelo estado e teve todos os equipamentos instalados, ainda não foi inaugurada por uma falha do governo Marão, que é o responsável por gerir o equipamento.
Enquanto a obra vai ganhando status de elefante branco, sem qualquer serventia à sociedade, a única maternidade disponível para a população, a Santa Helena, funciona em situação precária. Além disso, somente neste ano, já ficou sem atender ao público por duas semanas, em dois períodos diferentes, devido um impasse sobre os repasses financeiros que o município deveria fazer para manter o serviço.
A inauguração da nova maternidade era esperada para o último dia 28 de junho, quando se comemorou os 487 anos de fundação de Ilhéus. A data, no entanto, contou com a entrega de obras de menor relevância, como um mirante na Conquista.
Já em 14 de maio, a prefeitura se pronunciou afirmando que ainda não havia iniciado qualquer tratativa para contratar a empresa que fará a gestão do equipamento. E é esse silêncio e aparente inércia do governo Marão que levou o grupo a se mobilizar para exigir a abertura da maternidade.
Se estivesse em funcionamento, a nova maternidade, que também possui Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, atenderia a mais de dez cidades da região, desafogando, inclusive, o Hospital Manoel Novaes, em Itabuna, que é referência em atendimento neonatal e, por enquanto, o único na costa do cacau com UTI para esse tipo de público.
Neste recorte de foto do memorialista José Nazal, o Obelisco de Dois de Julho disputa atenção com a nova ponte de Ilhéus
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Alheio à história, o mato cresce aos pés do obelisco, e o monumento fálico, com sua indiferença de pedra, ignora tudo ao redor.
Thiago Dias
Foi no seu primeiro governo (1924-1927) que o intendente Mário Pessoa construiu o Obelisco Dois de Julho. Erguido diante do mar, quando o porto de Ilhéus ainda era na foz do rio Cachoeira, o monumento homenageia a luta pela independência do Brasil no território baiano, cujo marco histórico é o dia 2 de julho de 1823. Dois sítios históricos próximos, os morros de Pernambuco e do Outeiro, de onde canhões miravam a boca da barra, reforçam no obelisco o sentido de homenagem a uma conquista bélica.
Quase cem anos nos separam da época da sua construção. A paisagem em volta mudou muito. Encravado num mirante, cujas fundações ainda eram açoitadas por ondas fortes no início do século 20, o obelisco, por não ter olhos, não viu a areia se acumulando à sua frente, de forma incessante, após a construção do Porto do Malhado, concluída em 1971.
Também não viu o surgimento da nova ponte. Faz um ano que os carros cruzam as pistas ali perto, mas o monumento não sabe – talvez por causa do limo dos anos encobrindo os olhos que ele não tem.
Uma das conclusões da autora, mestre em Educação, é a de que a participação de Ilhéus na luta pela independência do país deve ser divulgada ao mundo, inclusive nas escolas da cidade, fazendo valer a Lei Orgânica do Município, que determina a inclusão da história local no nosso currículo escolar. A conclusão parte da premissa de que conhecer os episódios históricos e símbolos da cidade é um meio de aprofundamento dos vínculos das pessoas com seu território, algo evidenciado em cada ato político do povo tupinambá, por exemplo, que faz da luta pela demarcação da terra seu Dois de Julho diário.
Por fim, destaco uma das questões apresentadas no artigo de Janille, objeto de informações controversas, que trata do envio de homens recrutados nas roças ilheenses para a luta da independência em Cachoeira, fato sobre o qual não se tem registro no Arquivo Público do Estado, conforme atesta João da Silva Campos no livro Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus. Eis um bom tema a ser investigado para um novo capítulo sobre a contribuição ilheense para a libertação do país.
Enquanto isso, alheio à história, o mato cresce aos pés do obelisco, e o monumento fálico, com sua indiferença de pedra, ignora tudo ao redor.
Ilhéus é o sexto município da Bahia com mais mortes causadas pela doença || Foto José Nazal
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Desde o início da epidemia local, em março de 2020, a Covid-19 matou 531 moradores de Ilhéus, conforme o boletim epidemiológico divulgado hoje (1º) pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
A Prefeitura de Ilhéus não havia publicado o boletim desta sexta-feira até as 19 horas. O mais recente do município é o de terça-feira (29), quando a Secretaria Municipal de Saúde registrava 520 mortes causadas pelo novo coronavírus.
De acordo com a Sesab, Ilhéus é a sexta cidade da Bahia com mais óbitos por Covid-19, com 2,2% de todas as 24.105 mortes registradas no estado, enquanto o número estimado de moradores do município (159.923) corresponde a 1,05% da população baiana.
Os cinco municípios com mais vítimas da Covid-19 são Vitória da Conquista (555), Camaçari (599), Itabuna (616), Feira de Santana (900) e Salvador (7.213).
VACINÔMETRO
Ilhéus aplicou a primeira dose de vacina contra a Covid-19 em 66.285, das quais 26.887 receberam também a segunda. Na Bahia, 4.915.288 pessoas foram vacinadas com pelo menos uma dose de imunizante contra a doença.
Clínica Amo tem unidades em Ilhéus, Salvador, Aracaju e Natal
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Uma das maiores redes de serviços em saúde o País, a Dasa anunciou, na manhã desta quinta (1º), a aquisição da Clínica Amo, especializada em Oncologia e com unidades em Salvador e Ilhéus, na Bahia, além de Aracaju (SE) e Natal (RN). A operação ainda está sujeita a aprovação dos órgãos reguladores, conforme comunicado.
A AMO é das maiores no país na área de oncologia e está posicionada entre os principais players do setor em faturamento. É a primeira na Bahia a receber a certificação internacional QOPI (Quality Oncology Practice Initiative) pela Sociedade Americana de Oncologia.
“Com 27 anos de história, a Clínica AMO é reconhecida pelo alto padrão de atendimento no cuidado multidisciplinar, integrado e efetivo em oncologia, hematologia e especialidades correlatas por meio da prevenção, diagnóstico, tratamento, cura, suporte paliativo e pesquisa clínica”, reforça o comunicado da Dasa.
AQUISIÇÕES
A aquisição é a terceira realizada pela companhia no Nordeste em 2021. Em março, a empresa anunciou a aquisição do Hospital São Domingos (HSD), sediado em São Luís, Maranhão, e, em junho, integrou-se ao Hospital da Bahia, unidade de alta complexidade em Salvador (BA). A Dasa informa que todos os negócios ainda estão sujeitos à aprovação dos órgãos regulatórios.
Prefeitos de Itacaré e Maraú anunciam medidas para acabar com lixões
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Os municípios de Itacaré e Maraú deram mais um grande passo para acabar de vez com os lixões e assegurar um novo destino para os resíduos sólidos, levando para os aterros sanitários. Os prefeitos de Itacaré, Antônio Anízio, e de Maraú, Manassés Souza, se reuniram nesta quarta-feira (30) com os representantes da empresa CVR Costa do Cacau Rodrigo Zaché e Maurício Ramos Sena para discutir sobre a parceria de operação logística de transbordo nesses dois municípios, com destinação final para o aterro sanitário, que fica entre Ilhéus e Itabuna.
As estações de transbordo são pontos de transferência intermediários de resíduos coletados nos municípios, criados em função da considerável distância entre a área de coleta e o local de destinação final. Nas estações de transbordo que serão criadas nesses municípios, os resíduos coletados pelos caminhões compactadores são descarregados e depois colocados em carretas de maior capacidade que levam estes resíduos até o aterro sanitário. Já as áreas onde estão hoje os lixões de Itacaré e Maraú serão recuperadas, devolvendo a vegetação e preservando as nascentes, rios e manguezais.
Durante o encontro os prefeitos discutiram sobre uma série de vantagens da criação da estação de transbordo, que vão desde as questões ambientais e de legislação, como também os fatores sociais e econômicos, criando a coleta seletiva, melhorando o aproveitamento dos produtos reciclado e garantindo mais renda para os catadores. Eles enumeram ainda vantagens para o turismo, com áreas mais limpas, natureza preservada e a divulgação de uma cidade verdadeiramente sustentável.
O próximo passo dos municípios será providenciar todas as questões legais para firmar o convênio, criando a estação de transbordo e garantindo a logística de transportes pela CVR Costa do Cacau. O objetivo, segundo os prefeitos, é resolver o mais rápido possível a situação do destino do lixo em Itacaré e Maraú, enviando para os aterros sanitários e acabando de vez com os lixões nesses dois municípios, garantindo mais saúde, qualidade de vida e a preservação do meio ambiente.
Nova ligação entre centro e zona sul, ponte estaiada completa um ano || Foto José Nazal
A Ponte Jorge Amado melhorou a mobilidade urbana e já é dos mais fotografados cartões-postais de Ilhéus, no sul da Bahia. A belíssima paisagem natural da Baía do Pontal, onde o Rio Cacheira se encontra com o mar, ganhou uma novo composição com a primeira ponte estaiada da Bahia. A obra completa um ano de sua inauguração amanhã, dia 1º.
Altran: mobilidade melhorou muito
Primeira ponte estaiada da Bahia, a obra recebeu investimentos de cerca de R$ 100 milhões e foi entregue há um ano pelo governo estadual. Para a população ilheense, o primeiro ano de entrega da ponte é motivo de orgulho e satisfação, numa cidade repleta de encantos naturais, grande patrimônio cultural e arquitetônico e agora um promissor polo de produção de chocolates de origem que conquistam mercado no Brasil e no exterior.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Ilhéus, Anselmo Clemente, destaca o impacto da ponte. “Foi totalmente positivo, porque havia uma única ponte [antes], que travava o trânsito pela manhã e final de tarde, com prejuízos para o comércio. Hoje tudo ficou mais ágil. As pessoas se deslocam com rapidez. É um divisor de águas na história da cidade”.
O fluxo médio diário é de 8 mil veículos durante a semana e de 10 mil veículos por dia nos finais de semana, sem o registro de congestionamentos, segundo a Superintendência de Infraestrutura de Transporte (SIT), da Secretaria Estadual de Infraestrutura.
“MOBILIDADE MELHOROU MUITO”
O profissional liberal Jorge Guerra lembra da espera pela nova ponte. “Esperamos por essa ponte há mais de 30 anos. Ela desafogou o tráfego na cidade e agora a ligação entre o centro e a zona sul ficou muito mais rápida. Trata-se de uma grande obra do Governo do Estado”, afirma
Nilson dos Santos Carneiro, que trabalha em uma cabana de praia, ressalta que “com a ponte, melhorou muito o movimento, já que as pessoas que frequentam o litoral não perdem mais tempo em congestionamentos”. O motoboy Altran Lima diz que “o nosso trabalho melhorou muito porque podemos atender mais clientes. O trajeto ficou mais rápido, mas os benefícios são para toda a população. Ilhéus só tem a agradecer ao Governo do Estado pela concretização de um projeto tão importante”.
Pedro Hora diz que trânsito hoje flui normalmente || Foto Daniel Thame
TURISMO PÓS-PANDEMIA
Para o operador de turismo José Humberto Sá Nery, a obra não só melhorou a autoestima do ilheense. “A ponte é um grande vetor de desenvolvimento, com a valorização das áreas próximas, o impulso na construção civil e as perspectivas para o turismo, no pós pandemia, quando a cidade certamente terá um grande impulso no setor que gera milhares de empregos”.
Já o estudante Pedro Hora diz que a ponte melhorou a vida de quem mora na zona sul e precisa se deslocar diariamente para o centro e vice-versa, facilitando também o acesso às praias. “O trânsito hoje flui normalmente em qualquer horário. Além disso, a ponte deixou a cidade ainda mais bonita. As pessoas param e tiram fotos. Ilhéus ganhou um cartão-postal que é orgulho para todos nós”.
Como obra complementar do acesso à ponte, o Governo do Estado realizou a recuperação e duplicação da rodovia BA-001, no trecho entre as proximidades do Hotel Opaba e o entroncamento da BR-251. Com extensão de 5,4 quilômetros, a duplicação teve um investimento de R$ 10,5 milhões.
Secretário afirma que município só recebeu na semana passada documento necessário para iniciar processo licitatório de terceirização da unidade
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Parte considerável da população de Ilhéus esperava que o Hospital Materno-infantil fosse inaugurado nesta segunda-feira (28), quando o município comemorou os 487 anos da fundação da antiga Vila de São Jorge. Um outdoor sobre a obra, instalado perto do Viaduto Catalão, reforçou a expectativa frustrada por novo adiamento.
No dia 12 de janeiro de 2021, o governo estadual informou que o equipamento seria inaugurado em abril deste ano. Ajustes da previsão adiaram o prazo para maio e, finalmente, até este mês de junho, o que levou muitas pessoas a acreditar que a entrega seria um presente de aniversário do estado para o município.
A nova maternidade de Ilhéus ocupa o terreno do antigo Hospital Regional Luiz Viana Filho, no Alto da Conquista. Apesar de ter sido construída pelo estado – informação omitida no outdoor da Prefeitura, a unidade funcionará sob gestão municipal.
A Secretaria de Saúde de Ilhéus (Sesau), por sua vez, vai terceirizar a administração da maternidade para uma organização social, que será selecionada por meio de processo licitatório.
Procurado pelo PIMENTA, o secretário de Saúde Geraldo Magela contestou a tese segundo a qual a maternidade não foi inaugurada ontem por demora da Prefeitura para licitar a terceirização. “Somente na semana passada foi assinado o documento de transferência do hospital do estado para o município. Portanto, o município não poderia licitar nada [antes de receber o documento]”, informou.
O secretário estima que a terceirização será licitada até meados de julho, de modo que a maternidade seja inaugurada ainda no final do próximo mês.
Ele acrescentou que a Sesau corre para comprar o oxigênio que será usado na unidade, pois o insumo não foi fornecido pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
ESTRUTURA
Segundo o Governo da Bahia, a obra custou R$ 24 milhões. O hospital tem 105 leitos, distribuídos entre diferentes especialidades, para o atendimento de gestantes, puérperas, recém-nascidos e crianças, inclusive 10 leitos de UTI neonatal, que serão os primeiros da microrregião de saúde de Ilhéus.
O novo coronavírus já matou 521 moradores de Ilhéus, conforme o boletim epidemiológico divulgado neste domingo (27) pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Já o levantamento mais recente da Secretaria de Saúde do município, publicado no sábado (26), aponta 514 óbitos.
Até o momento, 19.210 pessoas tiveram contato comprovado com o novo coronavírus no município e 18.509 se recuperaram da infecção.
Ilhéus tem 187 casos ativos de Covid-19, enquanto 145 pessoas aguardam o resultado do exame RT-PCR para descartar ou confirmar o contágio.
O SUS mantém 81 leitos de UTI-Covid nos hospitais da cidade e 61 estão ocupados, sendo 27 por pacientes de Ilhéus.
VACINÔMETRO
Ilhéus aplicou a primeira dose de vacina contra a Covid-19 em 66.285, das quais 26.887 receberam também a segunda. Os dados são do painel de Acompanhamento da Cobertura Vacinal mantido pela Sesab.
Hans criou o Chocolate Caseiro de Ilhéus. Caseiro, pero no mucho, porque foi questão de tempo para que seu chocolate (aí incluídas as impagáveis versões Nacib e da Gabriela) conquistasse o Brasil, vendido em aeroportos e lojas de grife.
Daniel Thame
Prestes a completar 500 anos (487 neste 28 de junho), Ilhéus ficou conhecida mundialmente como a Terra do Cacau por meio das obras de Jorge Amado. Com seus coronéis, jagunços, trabalhadores explorados, aventureiros de todos os matizes, moçoilas dadivosas, gabrielas e nacibs, Jorge criou um universo mítico, em obras traduzidas para dezenas de idiomas e adaptadas para incontáveis versões na televisão.
No último quarto de século, quando o cacau atravessou uma de suas piores crises e Jorge partiu para ser amadamente eterno, três personagens que poderiam ter saído de seus livros decidiram subverter a (des)ordem natural das coisas. Como é que uma região que produzia as melhores amêndoas do mundo não produzia nem o mais miserável dos chocolates?
Aí veio Hans Schaeppi, hoteleiro, produtor de cacau, mas principalmente visionário. Hans criou o Chocolate Caseiro de Ilhéus. Caseiro, pero no mucho, porque foi questão de tempo para que seu chocolate (aí incluídas as impagáveis versões Nacib e da Gabriela) conquistasse o Brasil, vendido em aeroportos e lojas de grife.
Hans Schaeppi viu a uva – perdão, o chocolate -, mas ninguém se atreveu a seguir o caminho. Freud, perdão de novo, Jorge explica.
Até que entrou em cena outro visionário (meio gênio, meio louco, naquele momento mais louco do que gênio. Seu nome: Marco Lessa.
Pois não é que o empresário e produtor de eventos decidiu criar em Ilhéus o Festival Internacional do Cacau e Chocolate. O nome pomposo (pretencioso?), escondia uma realidade bem menos glamourosa: de chocolate sulbaiano mesmo só havia o de Hans.
Mas Marco Lessa já nem via a uva: via chocolate mesmo. E chocolate de origem, feito com cacau fino, para disputar mercado com os melhores chocolates do mundo, que eram feitos com as nossas amêndoas do sul da Bahia. Precisa desenhar?
Uma década depois, já são cerca de 70 marcas regionais, Chor (eleito recentemente um dos três melhores chocolates do mundo), Sagarana, Yrerê, Maltez, Modaka, Mendá, Benevides, Seno, Cacau do Céu, Natucoa, Sul da Bahia, Terravista e companha limitada. Todos nascidos na esteira do festival, que, sim, hoje faz mais do que jus ao nome, maior do gênero na América Latina.
Chocolates para se degustar de joelhos!
Junto com o chocolate de origem, veio a produção de amêndoas de altíssima qualidade. E aí entra o personagem com dotes de alquimista na sua fazenda/santuário Leolinda. Jeitão simples de monge franciscano, talento de Papa na excelência do seu (Santo) Ofício. O que ele fez com o cacau, antes destinado apenas às moageiros e plantados aos Deus dará (às vezes vinha uma praga e Deus não dava), ao elevar os padrões de seleção, cultivo e, consequentemente de qualidade, só tem uma definição: revolução.
João Tavares, Hans Schaeppi, Marco Lessa. Cacau e agora também chocolate.
Embalados e inspirados nas histórias de Jorge que amou o cacau e certamente amaria os chocolates hoje mundialmente amados.
Histórias que dariam um livro, mas que nos satisfazem o corpo e a alma quando nos dão um divina barra de cada chocolate que brota dessa sagrada terra grapiuna, onde também brotam pioneiros/visionários sempre dispostos a reescrever essa história de quase meio milênio, onde ainda há muito o que reescrever e escrever.
Bem vindos às terras do cacau e do chocolate!
E Salve Jorge. Sempre.
Daniel Thame é jornalista, blogueiro, escritor e editor do site Cacau&Chocolate.
Cesta básica custa em média R$ 416,20 no município
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O custo da cesta básica em Ilhéus passou a custar R$416,20 no mês de maio de 2021, aumento de 4,64 % na comparação com abril. Isso significa que o preço da ração mínima essencial – expressão usada no Decreto lei 399, de 30 de abril de 1938 – consome mais de 40% do salário mínimo.
Dos 12 itens que compõem a cesta básica, oito produtos aumentaram de preço: arroz (46,72%), tomate (24,44%), óleo (11,30%), açúcar (10,67%), feijão (7,53%), farinha (3,48%), carne (2,65%) e manteiga (1,46%).
Por outro lado, reduziram de preço os seguintes itens: café (-16,24%), banana (-10,40%), leite (-7,69%),e pão (-3,60%).
Os dados são do Projeto de Extensão Acompanhamento de Custo da Cesta Básica, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
Bahia recebe mais uma carga de vacinas nesta quinta
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A Bahia receberá, nesta quinta-feira (24), 343.630 doses de vacina contra o novo coronavírus. A primeira remessa com 181 mil doses de imunizantes Coronavac está prevista para chegar às 9h35min ao aeroporto de Salvador, em um voo comercial. A segunda carga, com 162.630 doses da vacina Pfizer/BioNTech, será trazida em um voo com previsão de pouso no aeroporto de Salvador às 15h.
As vacinas começarão a ser enviadas, na sexta-feira (25), para as regionais de saúde em aeronaves do Grupamento Aéreo da Polícia Militar e da Casa Militar do Governador, após conferência da equipe da Coordenação de Imunização do Estado.
As doses serão remetidas para os 417 municípios. As vacinas da Pfizer/BioNTech serão encaminhadas em sua totalidade enquanto que metade do quantitativo da Coronavac será reservada para a segunda aplicação.
Com esta nova remessa, a Bahia chegará ao total de 8.348.770 doses de vacinas, sendo 3.360.200 da Coronavac, 4.285.400 da AstraZeneca/Oxford e 703.170 da Pfizer/BioNTech.
Atendimento continua para público que deve completar ciclo de imunização com 2ª dose da Coronavac ou da AstraZeneca/Oxford
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A Prefeitura de Ilhéus informa que usou todo o estoque de vacinas contra a Covid-19 destinadas à aplicação da primeira dose. Por isso, a campanha de imunização foi interrompida nesta quarta-feira (23).
O atendimento continua para quem deve completar o ciclo vacinal até 30 de junho com a 2ª dose da Coronavac ou do imunizante da AstraZeneca/Oxford. Esse público deve ir à Clínica Municipal de Atendimento Especializado (CMAE), na Avenida Canavieiras, das 8h às 12 horas e das 13h às 15h.
VACINÔMETRO
Ilhéus aplicou a primeira dose de vacina contra a Covid-19 em 63.823 moradores do município, dos quais 26.081 receberam também a segunda. Os dados são do painel de Acompanhamento de Cobertura Vacinal e foram atualizados às 16 horas desta terça-feira (22).
PROBLEMA NACIONAL
Na divisão das competências dos entes federativos, a responsabilidade de comprar e distribuir as vacinas para os estados é do governo federal, por meio do Ministério da Saúde. Os estados, por sua vez, repassam os lotes dos imunizantes aos municípios, que administram as doses conforme as diretrizes do Plano Nacional de Imunização.
Com o público-alvo cada vez maior do estágio atual da campanha, da faixa etária de 40 a 50 anos, pelo menos sete capitais brasileiras interromperam a vacinação nesta quarta (23).
Jaqueline Andrade fala pela primeira vez após o parto de Fanny, sua quarta filha, que nasceu na calçada da Maternidade Santa Helena
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Jaqueline Andrade não recorda o que aconteceu nos momentos seguintes ao instante em que Fanny começou a deixar seu útero, na manhã do último dia 15, na calçada da Maternidade Santa Helena, em Ilhéus. Do parto na rua, lembra apenas de ouvir a voz do marido, Felipe, pedindo que ela tentasse se manter acordada. Nesta entrevista ao PIMENTA, a jovem de 27 anos fala pela primeira vez sobre a experiência, que define como humilhante.
Para Jaqueline, o parto só ocorreu na rua porque o serviço de recepção da maternidade não ouviu os apelos de Felipe por ajuda. Ela estima que decorreram 20 minutos desde a chegada ao local, às 6 horas, e o rompimento da bolsa.
Por outro lado, a direção da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus, responsável pela maternidade, afirmou, em nota pública, que a parturiente já chegou ao local em trabalho de parto num estado muito avançado, inclusive com a expulsão do feto, o que impossibilitou o uso de cadeira de rodas para acolhê-la dentro da unidade.
Momento do parto foi registrado em fotos que circularam nas redes sociais
O advogado da família, Dimitre Carvalho Padilha, informou, em nota enviada ao site, que vai solicitar as gravações das câmeras de segurança instaladas em torno do hospital. Com isso, espera esclarecer a cronologia dos eventos daquela manhã e outros pontos controversos. Para ele, a demora do atendimento submeteu a família, sobretudo a criança e a mãe, a um constrangimento desumano e degradante.
“Mesmo após o parto, não foi fornecida cadeira de rodas pelo hospital. A criança foi enrolada em uma toalha suja trazida pela família para enxugar o líquido perdido pela parturiente. Uma pessoa que presenciou os fatos foi quem entrou na maternidade e pegou uma cadeira de rodas para ajudar a família”, relata Dimitre Padilha.
O advogado também afirma que, considerando o risco da gravidez de Jaqueline – diagnosticada com mioma intrauterino e pedra na vesícula -, ela deveria ter sido internada na noite de segunda-feira (14), quando esteve na Santa Helena. “Caso [a maternidade] adotasse a referida conduta, a vida da gestante e sua filha não seriam expostas aos riscos experimentados”, escreveu o advogado.
Segundo Jaqueline, a enfermeira que lhe atendeu naquela noite recomendou que ela voltasse na manhã seguinte. Pelas suas contas, Fanny, quarta filha do casal, nasceu após 41 semanas de gravidez. Ontem (22), a família levou o caso ao conhecimento da Polícia Civil. Leia a entrevista.
BLOG PIMENTA – Na última terça-feira, você deu à luz na calçada da Maternidade Santa Helena. Qual é o significado disso para você?
JAQUELINE ANDRADE – Eu achei muita humilhação, porque é uma coisa que nunca pensei que eu iria passar. A gente vê acontecendo com outra pessoa, mas nunca imagina passar por isso. É muita humilhação.
Por que sua gravidez era de risco? Quando você descobriu isso?
Antes de engravidar, eu já sabia que estava com pedra na vesícula e o mioma.
Onde você fez o acompanhamento pré-natal?
Eu fiz o pré-natal no CSU [Centro Social Urbano] e CMAE [Clínica Municipal de Atendimento Especializado].
A maternidade foi informada que era uma gravidez de risco?
No dia anterior, eu estive lá e eles já sabiam.
Na segunda-feira (14), você teve a oportunidade de dizer – para uma médica, enfermeira ou outra pessoa do hospital – que a sua gravidez era de risco?
A enfermeira olhou a caderneta. No ultrassom, ela circulou o peso da criança, que estava marcando um número grande [Fanny nasceu com 4 quilos, segundo Felipe]. Ela perguntou porque eu estava fazendo o acompanhamento com a doutora Cintia [Maria Freire Silva], no CMAE, que é só gravidez de risco. A gente falou que eu tenho pedra na vesícula e um mioma.
Quando você foi à maternidade pela primeira vez?
Eu não lembro o dia exato.
Foi no início da gravidez?
Eu fui na maternidade com 41 semanas e 5 dias de gravidez.
Foi fazer uma avaliação?
Foi, porque já estava saindo o tampão [do colo do útero].
Isso foi quando?
No dia 14 [de junho], à noite.
A primeira vez foi no dia 14?
Eu já tinha ido duas semanas antes, mas elas [as enfermeiras] fizeram o toque e falaram que não estava tendo dilatação, e o útero ainda estava alto. Disseram que a contagem [do tempo de gravidez] do ultrassom estava errada. O ultrassom estava marcando 41 semanas e 5 dias. Aí ela falou que refez a contagem e o ultrassom estava errado. [Explicou] que o último ultrassom não conta as semanas; eles usam só para olhar o tamanho do bebê, como o bebê está, a placenta, mas não conta as semanas. Ela foi olhar no caderno da gestante, a caderneta. Ela olhou o primeiro ultrassom e falou que faltavam três dias para fazer 41 semanas. Era para eu retornar no dia 12 [de junho], no máximo, caso sentisse alguma coisa. Como não senti nada, fui lá no dia 14, na segunda-feira. Lá, ela falou que eu estava com dois dedos de dilatação e mandou eu vim embora. Era para voltar caso sentisse dor ou se a bolsa tivesse estourado, tivesse sangrando, alguma coisa. De madrugada as dores já começaram. Eu cheguei lá 6 horas da manhã. Quando [Felipe] foi fazer a ficha, ela pediu para esperar, porque estava ocupada. A contração já estava vindo muito. Foram duas na porta da maternidade. A bolsa estourou na segunda, e a menina nasceu.
Como foram os momentos seguintes ao parto?
Eu só lembro da hora que a cabeça dela estava saindo. E daí eu só lembro depois, lá dentro, quando botaram o soro em mim.
Você chegou a desmaiar?
Eu não lembro. Eu só lembro do meu esposo me chamando, pedindo para eu reagir, enquanto eles colocavam remédio na minha veia para voltar ao normal.
Felipe disse que Fanny nasceu com falta de ar.
Ela nasceu com o cordão [umbilical] enrolado no pescoço e com insuficiência respiratória, baixa saturação. Foi para a incubadora e ficou lá a manhã inteira, da hora que nasceu até 1 hora da tarde, recebendo oxigênio e sendo monitorado os batimentos dela.
Você também ficou lá?
Eles me levaram para o quarto umas 11 horas da manhã. Eu fiquei esperando até o horário dela subir.
A partir desse momento, então, a maternidade lhe acolheu?
Acolheu ela [Fanny], porque só deram remédio na minha veia para eu reagir. Quando eu estava lá, eles não me deram nem um remédio para dor.
Você passou quanto tempo lá?
Passei um pouquinho mais de 24 horas. A gente não foi liberado de manhã porque estavam esperando o resultado do exame dela sair.
Na nota de esclarecimento, a direção da Santa Casa afirma que sempre acolhe todo mundo e explica que não foi possível levar você para dentro da maternidade porque o trabalho de parto já estava muito avançado. Você avalia que não deu mesmo tempo?
Se eles tivessem feito a ficha na hora que eu cheguei, daria tempo, sim, porque eu cheguei e esperamos uns 20 minutos. Daria tempo de eu ter entrado.
Houve um intervalo de 20 minutos desde a sua chegada até o momento do parto?
Isso, então daria tempo de eu ter entrado.
Você se sentiu maltratada?
Lá dentro mesmo me senti como se eu fosse ninguém, porque eu fiquei lá isolada, como se não tivesse acontecido nada. Eu [estava] sentindo muita dor. Não vieram perguntar se eu estava precisando de alguma coisa, um remédio, se eu estava sentindo alguma coisa. Não, eu só fiquei lá num canto. Teve uma hora que eu chamei a enfermeira, porque não estava aguentando e pedi para ir no banheiro. Na hora que levantei, desceu muito sangue. Aí ela foi olhar. Como eles não me deram atenção, quando ela pegou na minha barriga, minha barriga estava cheia de coágulos de sangue. Ela teve que ficar mexendo para os coágulos descer. Se eles tivessem prestado atenção antes, não tinha dado o coágulo.