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O "Padre" Lula chega para celebrar o casamento. Os "noivos" já estão no altar e os itabunenses podem ser as testemunhas (foto Manu Dias /Agecom)

Itabuna pode assistir nesta sexta-feira (26) à confirmação de uma ironia do destino político, pois é grande a expectativa de que a aliança entre o governador Jaques Wagner e o senador César Borges (PR) seja anunciada nesta cidade.

Por que “ironia”? Ora, foi exatamente em Itabuna, num comício realizado há dez anos, que Borges, numa metáfora para referir-se à incompatibilidade entre PT e o então PFL (hoje DEM), bradou que “água e óleo não se misturam”.

Na coluna Tempo Presente desta quarta-feira (24), o jornalista Levi Vasconcelos escreve: “O senador César Borges sempre disse que o anúncio da opção oficial que ele faria teria que ser algo especial, com a presença de ‘alguém importante’ do cenário nacional”.

Nesta sexta, com Lula, Dilma Rousseff e o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR), em Itabuna, o “cenário” estará perfeito. E a aliança, conforme já transborda dos bastidores, está seladíssima, aguardando apenas o anúncio com toda a pompa e circunstância.

Aliás, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo,  já concedeu entrevista, afirmando que até mesmo a discussão sobre a chapa proporcional é algo superado. E esse era o último empecilho para a composição com o PR.

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Wenceslau Jr.

Durante cerca de 30 anos a região cacaueira amargou uma longa crise que desenhou o atual e cruel retrato dos nossos municípios. A derrocada da monocultura do cacau expulsou milhares de pessoas do campo, inchou a periferia das cidades e esvaziou economicamente uma boa parte dos pequenos e médios  municípios  do Sul da Bahia.

Crescimento desordenado, altos índices de analfabetismo, desemprego, fome, miséria, moradias precárias e saneamento zero são marcas do processo de migração do campo para as cidades ocorrido, principalmente, durante os últimos trinta anos.

Os crescentes índices de violência têm raízes históricas no empobrecimento econômico, bem como no fosso social que foi fruto de uma lógica de concentração de renda e poder predominantemente da era de ouro do cacau, que tem como expressão política o coronelismo.

Embora alguns argumentos insistam em torcer contra o sucesso dos investimentos que estão sendo implementados pelos governos Lula e Wagner, nos parece irreversível o processo de mudanças econômicas em curso no Sul do Estado.

Mesmo com os agouros daqueles que diziam que era “promessa eleitoreira”, o Gás Natural já é uma realidade.  O Porto Sul, juntamente com a Ferrovia Leste-Oeste, a ZPE e o Aeroporto Internacional, com certeza também serão realidade. Só resta debatermos com responsabilidade qual a melhor forma de implantarmos tais projetos com o mínimo de agressão ao meio ambiente, utilizando medidas mitigadoras e compensações ambientais capazes de reduzir tais impactos.

Por outro lado, temos que cuidar para que o desenvolvimento econômico propiciado por estas obras estruturantes desenvolva uma relação econômica que distribua renda, reduzindo as desigualdades sociais e propiciando qualidade de vida para a maioria das pessoas que aqui moram.

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“Participe do esforço de coleta de assinaturas em defesa da Ufsulba”.

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Está posto o desafio para os municípios. Mais do que nunca é necessário planejamento, investimento em qualificação e requalificação urbanística. É imprescindível investir em saneamento básico, ampliação do abastecimento de água potável, políticas habitacionais, melhoria do trânsito, transportes coletivos, serviços de saúde, educação, assistência social, cultura, esporte, lazer. Enfim, o momento é propício, principalmente para Itabuna, que completa 100 anos de emancipação política.

O futuro está sendo construído no presente. Porém, precisamos assegurar a continuidade do projeto iniciado pelo Governo Lula, juntamente com a democrática reconstrução da Bahia, comandada por Wagner. Além do mais, é fundamental repensarmos do ponto de vista quantitativo e qualitativo a nossa representação parlamentar na Assembléia Legislativa, como forma de assegurar que tais avanços sejam sustentados ao longo do tempo, sobretudo investindo em educação, ciência e tecnologia.

É por isso que insisto em bandeiras como o fortalecimento da Uesc, democratização dos debates sobre o perfil do nosso Ifet e, principalmente, a criação da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufsulba) para que possamos desenvolver na região um grande parque de desenvolvimento tecnológico.

Dia 26 de Março teremos a visita de Lula, Dilma e Wagner à nossa região. Participe do esforço de coleta de assinaturas em defesa da UFSULBA. Não vamos deixar o cavalo passar selado pela nossa frente.

Wenceslau Jr. é vereador, professor universitário é presidente do PCdoB de Itabuna.

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EXCLUSIVO

O presidente Lula deve cancelar a sua visita a Ilhéus, programada para a próxima sexta-feira, 26. Neste dia, às 15h, ele participaria da abertura do processo de licitação que escolherá as empresas que farão os 14 lotes da ferrovia Oeste-Leste.

O problema é que a licença de localização da ferrovia não saiu até o momento, estando a três dias da viagem. Por isso, a agenda do presidente no sul da Bahia deverá se restringir à inauguração do Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste (Gasene), em Itabuna, programada também para a próxima sexta, às 11h, no parque de exposições Antônio Setenta, na BR-415.

A decisão se o presidente Lula vai a Ilhéus (ou não) será anunciada até amanhã, quarta, 24. A Ferrovia terá extensão superior a 1,5 mil quilômetros e integrará as regiões centro-oeste e nordeste do Brasil. O investimento previsto é de R$ 4 bilhões.

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Marco Wense

Azevedo, do DEM, pode ficar com Wagner, do PT (Foto Pimenta).

A indefinição eleitoral do prefeito de Itabuna, José Nilton de Azevedo, se fica com o DEM, PT ou PMDB na sucessão do cobiçado Palácio de Ondina, é assunto obrigatório nas conversas políticas.

Colocando o apoio do chefe do Executivo em porcentagem, diria que o governador Jaques Wagner tem 50% de chance, o democrata Paulo Souto 30% e o ministro Geddel 20%.  O secretário Gilson Nascimento (Administração) aposta no petista.

Como Azevedo é da mesma legenda de Paulo Souto, a pergunta sobre a fidelidade partidária vem logo à tona: o prefeito, se não apoiar o ex-governador, vai sofrer algum tipo de punição do DEM?

A presidente do DEM de Itabuna, Maria Alice, quando questionada sobre uma possível infidelidade, prefere não acreditar que Azevedo possa apoiar outro candidato que não seja o colega de partido.

A cúpula estadual do DEM, tendo a frente o ex-governador Paulo Souto, na sucessão municipal de 2008, tratou com desdém a pré-candidatura do capitão Azevedo. O então candidato comeu o pão que o diabo amassou.

É bom lembrar que Paulo Souto, menosprezando Azevedo, tendo simpatia pelo nome de Acácia Pinho, pré-candidata por outra agremiação partidária, foi infiel.

Paulo Souto só passou a apoiar a candidatura de Azevedo quando sentiu que o democrata estava crescendo nas pesquisas de intenção de voto e poderia derrotar a petista Juçara Feitosa.

O Capitão, agora prefeito, mostrando que é um bom aluno, faz a mesma coisa do “professor” Souto. Ou seja, trata com desdém a sua pré-candidatura ao governo da Bahia, já que não acredita na eleição do democrata.

O comando estadual do DEM não tem credibilidade para acionar o instituto da fidelidade em um eventual apoio do prefeito de Itabuna ao projeto de reeleição do governador Wagner.

A PRESENÇA DE LULA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no auge de sua popularidade, é esperado para inaugurar, em Itabuna, ainda neste mês de março, a primeira base de distribuição do gás natural no estado.

Todo mundo sabe que o comando nacional do PT, com o aval de Lula, quer o senador César Borges, presidente estadual do PR, na chapa majoritária encabeçada pelo governador Jaques Wagner.

Os defensores da aliança Wagner-Borges esperam um gesto do presidente da República que possa ser interpretado como um recado aos petistas contrários a participação do ex-carlista na chapa da reeleição.

A expectativa em torno da presença de Lula, tendo ao lado a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, é grande.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Não há dúvida de que a visita do presidente Lula a Itabuna será uma festa – e mais uma grande oportunidade de campanha para a ungida pré-candidata Dilma Rousseff. Mas o que poucos sabem é que a lista de convidados do presidente é, diríamos, imensa.

De acordo com informações obtidas a partir do cerimonial da campanha, digo, da visita oficial, a solenidade de inauguração do Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste (Gasene) terá quatro mil convidados.

Estarão todos bem juntinhos lá no parque de exposições Antônio Setenta, na BR-415.  A estrutura para a recepção ao presidente recebe os últimos retoques. Na segunda-feira, 22, chega a equipe de segurança do presidente. A visita será na próxima sexta-feira, 26, às 11h.

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O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), concedeu entrevista à TV Bandeirantes e admitiu que será candidato a presidente da República.

– Não estou negando (a candidatura). Estou dizendo que neste momento não vou fazer campanha. Faltam poucos dias.

Logo em seguida, fez média com o presidente Lula, dono da maior aprovação popular a um mandatário do País:

–  O Lula fez dois mandatos. Está terminando bem o governo. O que nós queremos é que o Brasil continue bem e até melhor. Tem que ver quem é que vai ser presidente, porque o presidente é insubstituível, não governa terceirizado.

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Quando começaram as discussões para implantação de uma base de distribuição de gás natural em Itabuna, o economista Davidson Magalhães estava saindo da Secretaria de Indústria e Comércio do município para assumir o escritório baiano da Agência Nacional do Petróleo (ANP). À época, lembra, havia muita descrença em relação ao projeto bilionário do Gasoduto e seus efeitos para Itabuna e sul da Bahia. Era final de 2003, princípio de 2004.

Mais de seis anos depois, o presidente Lula e o governador Wagner vêm ao sul da Bahia, na próxima sexta-feira, 26, para inaugurar a primeira central de distribuição de gás natural do Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste (Gasene). A primeira molécula de gás natural será comercializada para uma empresa que cresceu no município, a rede de postos Universal.

A nova realidade deixa emocionado o economista, ex-vereador de Itabuna e atual presidente de uma das maiores companhias de gás do país. “O Gasene, junto com o Complexo Porto Sul, representa uma mudança de paradigma para a região”, diz.

Magalhães lembra que há quase 100 anos o sul da Bahia teve o seu primeiro grande ciclo de desenvolvimento, com a construção da ferrovia de 56 quilômetros interligando Itabuna e Ilhéus a partes da Bahia e o porto de Ilhéus, em 1926. As ações posteriores não ajudaram na acumulação de riquezes. Agora, um novo ciclo se abre. Saberá o sul da Bahia aproveitar das novas condições oferecidas?

Abaixo, a entrevista exclusiva concedida pelo presidente da Bahiagás ao Pimenta na Muqueca.

Quais serão os impactos do gás natural para a economia sul-baiana?
A região passa a ser mais competitiva na atração de investimentos. Nos próximos dois anos, serão de R$ 40 milhões a R$ 60 milhões em investimentos da Bahiagás no sul do estado. Junto com o Complexo Porto Sul, a chegada do gás natural representará mudança de paradigma para a região. 27% da indústria baiana é movida a gás natural.

Já existem empresas interessadas em investir na região com a chegada do gás natural?

Existe um conjunto de plantas de investimentos industriais na Secretaria de Indústria e Comércio. Na Bahiagás, fomos procurados por vários empreendimentos voltados à indústria térmica para produzir energia elétrica através do gás natural. A gente já está pensando o sul da Bahia para além do cacau. O que temos não é um desafio de crise, mas de investimentos e de perspectivas. A região vai crescer, se desenvolver.

As prefeituras de Ilhéus e Itabuna estão se preparando para esse novo desafio?
A região ainda está perplexa, imaginando o que está por vir. Há seis anos, quando discutíamos a vinda do Gasene, ninguém acreditava. Hoje é uma realidade. E aí? Precisamos avançar. Itabuna e Ilhéus serão os mais impactados, mas outros municípios também sentirão os reflexos deste empreendimento.

Os governos federal e estadual possuem projeto que amenize possíveis efeitos negativos do projeto, como êxodo e bolsões de miséria em torno destas cidades?
O desafio posto para os governos é garantir os investimentos, que o Complexo Porto Sul seja uma realidade. No curso disso aí, é que temos que preparar a região para o dia seguinte, para que não atraíamos gente, de forma desordena, para estas cidades.

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“Nós estamos discutindo com o governo o lançamento de um pacote de incentivos para a conversão a gás natural”

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As vantagens do gás natural estariam restritas às empresas ou também são acessíveis a pessoas físicas?
Já de imediato, os taxistas serão beneficiados com a redução de 40% dos seus custos.

Estudos mostrariam que o gás natural veicular não seria competitivo em relação a outros combustíveis?
Mas é vantajoso, sim. Fica em torno de 40% mais barato.

Mesmo com os custos de uma conversão?
Nós estamos discutindo com o governo o lançamento de um pacote de incentivos à conversão. Possivelmente no próximo dia 26, o governador Jaques Wagner deve fazer o anúncio.

Mas beneficiaria apenas algumas categorias?
A ideia inicial é disponibilizar esse incentivo para quem faz do seu veículo um instrumento de trabalho, como taxistas, donos de carro de som, transporte escolar, turístico.

A expectativa era de o gasoduto funcionar em outubro de 2010, mas foi antecipado. Isso tem a ver com o calendário eleitoral e uma ‘ajudinha’ à pré-candidata Dilma Rousseff?
Não, tem a ver com a entrega do gás antecipado pela Petrobras. Não dá para inaugurar um gasoduto sem estar distribuindo gás no ponto principal. Então, nós antecipamos essa entrega, inclusive via GNC [gás natural comprimido], para março. Inicialmente, vamos fornecer com carretas, até que os gasodutos nossos, da Bahiagás, fiquem prontos. Para isso, estamos investindo R$ 2,7 milhões.

A base da Bahiagás fica pronta até o dia 26?
Sim, e nesse dia vamos vender a primeira molécula de gás. Será para a rede de postos Universal, o primeiro consumidor de Itabuna. Também forneceremos para a DPA [antiga Nestlé] e a Trifil, nesta primeira etapa.

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“Não houve agressão ao meio ambiente, as ações

foram todas dentro das normas técnicas”.

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Há denúncia de que a obra da Bahiagás em Itabuna começou sem licenciamento ambiental. O que ocorreu, de fato?
Foi algum problema técnico que deve ter ocorrido. Nós já estamos com o licenciamento encaminhado, discutido inclusive no Conselho Municipal de Meio Ambiente. Os problemas e as divergências técnicas levantados corretamente pelo conselho já foram tratados pela Bahiagás. Não houve agressão ao meio ambiente, as ações foram todas dentro das normas técnicas.

A Bahiagás sai de um fornecimento de mais de 3 milhões para 20 milhões de metros cúbicos de gás. A empresa está preparada para este novo momento?

Não vamos sair imediatamente para 20 milhões. Hoje são 3,7 milhões e devemos atingir 4,5 milhões de metros cúbicos com o fornecimento para o sul da Bahia. Esses 800 mil metros cúbicos para a região nessa primeira etapa equivale a várias distribuidoras de gás do Nordeste. Em cinco anos, devemos chegar à marca de 11 milhões de metros cúbicos fornecidos. O Gasene é que tem potencial para transportar 20 milhões.

Em 2004, havia muita desconfiança em relação a este projeto. Como você analisa esse novo momento?
Uma outra região está nascendo. A principal preocupação nossa com essa reunião [com prefeitos, na segunda, 15] foi para que as pessoas possam perceber a grandiosidade do que está acontecendo no sul da Bahia. Aqui nesse evento, a gente ainda viu pessoas com o discurso da síndrome da crise, que é quando a gente não percebe as coisas novas porque está presa a esta síndrome. A ficha, como diz a gíria, está caindo agora. Este é um novo momento para além do cacau, significa um novo modelo de desenvolvimento.

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“Temos que ampliar as alianças para construir

uma política hegemônica na Bahia”

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Mudemos para a política. Como é que você, comunista e sempre oposição ao carlismo, analisa essa aliança com parte do grupo que sempre dominou a Bahia por 30, 40 anos?
Eu não acho que há uma aliança com o carlismo, que está deixando de existir. O carlismo hoje é personificado em ACM Neto, Paulo Souto. Estes são os herdeiros do carlismo.

Você não vê César Borges como carlista?

As pessoas vão mudando seus projetos de acordo com o processo histórico. Não acho que é Wagner que está mudando seu projeto. Aliás, o governo muda a Bahia com essa visão de integração e desconcentração econômica. 18 municípios concentram 55% do PIB baiano com apenas 30% da população. Para mudar, você tem que fazer projeto amplo. Temos que ampliar para construir uma política hegemônica na Bahia. Não estamos virando um governo autoritário, centralizador, sem transparência. O projeto do governo é claro: fazer mais por quem mais precisa; pensar a Bahia não apenas como se só existisse a região metropolitana.

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“Gabeira (PV) era da resistência armada ao regime militar. Hoje é um cara a serviço da direita”.

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Então, é favorável à aliança?
Se tivermos mais aliados nesse projeto e que não o desconfigure, ótimo. É que a gente tem muito a visão de personificar as pessoas, lideranças. Fernando Gabeira (PV-RJ), no passado, jogou papel avançado de resistência armada ao regime militar. Hoje é um cara a serviço da direita, que ajuda o neoliberalismo. Assim como sai gente daqui [da esquerda], sai de lá para cá. Então, ele hoje faz parte do projeto tucano. Quando o projeto avança, as pessoas se reenquadram em outro momento histórico.

E no caso dos “ex-carlistas”?
Veja um exemplo aqui na Bahia: Waldir Pires, para derrotar o carlismo, puxou Nilo Coelho, Jutahy Magalhães, João Carlos Bacelar. Todos não eram de esquerda. Foi feito um acordo com segmentos do carlismo para derrotar o carlismo. Ali não deu certo não foi por conta da aliança, mas de um projeto que foi interrompido por busca de uma situação nacional.

Hoje, o governo se abre para agregar velhos opositores. O eleitor entenderá essa movimentação?
Ele vai se decidir em torno de projetos. E o nosso projeto é capitaneado por Wagner, projeto da continuidade a estes programas de transformação da Bahia. O outro é capitaneado por Paulo Souto, que quer retomar o passado. Tem um terceiro, que é um híbrido do PMDB, de oposição ao governo, mas oposição sem a consistência histórica que tem o carlismo. Ah, César Borges foi do carlismo. Quantas pessoas que foram do grupo de lá estão no governo hoje? Mas elas estão ajudando ou prejudicando o governo?

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“A saída do PMDB do governo ajudou, destravou a Bahiagás. Existia uma política deliberada de emperrar a empresa”.

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Você mesmo pode nos responder: a saída do PMDB e a chegada do PP ajudaram o governo?
A saída do PMDB ajudou, destravou. Temos uma experiência concreta na Bahiagás, com a mudança do secretário de Infraestrutura. Saiu o do PMDB [Batista Neves] e entrou o João Leão, do PP. Existia, antes, uma política deliberada de emperrar a empresa, as ações de governo.

Como essa, digamos, sabotagem ocorria na prática?
Havia dificuldade de aprovação dos projetos de investimento da Bahiagás. Ficamos atrasados dois anos e meio, seguidos, em nosso plano de investimento. Todas as iniciativas tomadas pela diretoria eram barradas no Conselho de Administração pelo ex-secretário, do PMDB. Não parecia que participávamos do mesmo governo.

Mas como Batista Neves exercia esse poder?
Todos os investimentos acima de R$ 2 milhões, R$ 3 milhões têm de ser analisados pelo conselho, do qual ele, como então secretário de Infraestrutura, era presidente. Denúncias infundadas contra a empresa eram divulgadas. A entrada do PP foi favorável. João Leão, em pouco tempo, destravou, facilitou, articulou. O governo do estado entrou coeso para defender os seus interesses junto aos demais acionistas da Bahiagás, coisa que não tínhamos antes.

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“Vamos reeleger Wagner e eleger Dilma a

primeira mulher presidente do Brasil”

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Como você vê os cenários baiano e nacional para 2010?
O projeto liderado pelo presidente Lula vai ser vitorioso na Bahia, com a reeleição de Wagner, e, no plano nacional, com a eleição da primeira mulher presidente da República, Dilma Roussef. Nós elegemos um operário e, agora, vamos eleger uma mulher. Na Bahia, existe uma identidade do projeto de Wagner com o novo país. Nosso projeto é diferente da visão tucana, que inseria o Brasil no cenário internacional de forma subalterna, projeto que foi rechaçado duas vezes na urna e será pela terceira.

Você acha que o eleitor avançou a esse ponto, de eleger por comparação?

Acho que sim. A última eleição deixou muito claro que certos setores da grande mídia, que manipulavam a opinião pública, foram derrotados porque não representam essa opinião. Mais do que isso, o povo tem o seu dia-a-dia, sua experiência. Uma experiência vale muito mais do que dez discursos, dez editoriais do Jornal Nacional. O eleitor tem consciência do projeto que ele está abraçando. Pode não ter uma visão articulada de todos os efeitos, consequências e dimensão deste programa, mas tem visão muito clara do que esse projeto do governo Lula representa.

Você, como uma das principais lideranças do PCdoB na Bahia, visualiza qual cenário para o partido em 2010 na Assembléia e Câmara Federal?
Nós devemos ampliar o número de deputados federais. Vamos trabalhar para reeleger Alice Portugal e Daniel Almeida e eleger Edson Pimenta. Temos três deputados estaduais e queremos passar a cinco. Crescemos na Bahia, não tínhamos prefeito e em 2008 elegemos 18, temos 19 vices, 150 vereadores aqui, o partido presente no estado e nossa participação no governo Wagner trazendo resultados positivos. Isso tudo nos credita a ter um projeto eleitoral vitorioso em 2010.

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“Um nome da esquerda na majoritária é o de Wagner e o outro nós defendemos que não seja do PT”.

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O nome de Haroldo Lima foi até defendido, no partido, para disputar o Senado. O PCdoB abre mão e aceita chapa majoritária composta por Otto Alencar e César Borges?
O Haroldo não vai ser candidato, porque joga papel importantíssimo, principalmente nesse momento de decisões importantes acerca do pré-sal, à frente da ANP [Agência Nacional do Petróleo]. Não tem como ele sair da discussão. Nós entendemos que a chapa do governo deve ter composição que represente o arco de alianças: dois representantes de esquerda e dois do centro que se agregou ao projeto. Achamos que deve ter esse perfil. Um nome da esquerda é o de Wagner e o outro nós defendemos que não seja o do PT, pois não representaria a correlação de forças no governo.

A sua última eleição foi em 1998, para deputado estadual. Você ainda tem projeto eleitoral?
Por enquanto estou firme nesse projeto da Bahiagás. Eu estou na administração, mas não é que deixei de fazer política. Faço, sim, mas com outros instrumentos. Hoje, sou o vice-presidente do PCdoB no estado.

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Dez anos depois, Lula retorna a Itabuna.

Como antecipou em primeira mão este blog (confira aqui), o presidente Lula estará em Itabuna e Ilhéus, no próximo dia 26. Ele chega a Itabuna e inaugura a base de distribuição de gás natural às 11h, no Parque de Exposições Antônio Setenta, na BR-415.

O compromisso em Ilhéus será às 15h, no centro de convenções Luís Eduardo Magalhães, quando o presidente, acompanhado da ministra e pré-candidata Dilma Roussef e do governador Jaques Wagner, participa da abertura das propostas para a construção de 14 lotes da ferrovia Oeste-Leste e, também, assina contratos do programa Minha Casa, Minha Vida.

Esta será a primeira visita de Lula a Itabuna como presidente da República. A última visita dele ao município sul-baiano ocorreu na eleição municipal de 2000, na campanha que elegeu o deputado federal Geraldo Simões prefeito de Itabuna, pela segunda vez.

PAC DO CACAU (OU DO FRACASSO?)

Lula já visitou Ilhéus após eleito. Foi em maio de 2008, para o lançamento do PAC do Cacau. O programa prometia a liberação de R$ 2,52 bilhões para a economia sul-baiana. O PAC é considerado até aqui um grande fracasso.

A maior parte dos produtores de cacau não teve acesso à renegociação e os bancos não informam quantos novos contratos de financiamento foram assinados dois anos depois. Produtores de cacau planejam manifestação nos eventos presidenciais em Ilhéus e Itabuna.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ser recebido em Itabuna e Ilhéus, no dia 26, com protestos dos produtores de cacau, inconformados com a ausência de uma solução que facilite o pagamento das dívidas de quase 6 mil cacauicultores e também com a lentidão do Programa de Aceleração do Crescimento criado pelo governo federal para o setor (o PAC do Cacau).

Somadas, as dívidas dos produtores de cacau na Bahia alcançam os R$ 949 milhões, em valores de 2008.

O presidente Lula irá a Itabuna para inaugurar o primeiro trecho do Gasene, gasoduto da integração SudesteNordeste, que tem 1.387 km de extensão e interliga as malhas das duas regiões do País, estendendo-se do Rio de Janeiro à Bahia, levando para o Nordeste o gás natural produzido nas bacias do Sudeste. A obra é da Petrobras em parceria com a Bahiagás.

Negociações “A Lei 11.775 permite a negociação de apenas R$ 472 milhões”, admite o diretor da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Jay Wallace Mota. A Ceplac é ligada ao Ministério da Agricultura.

Leia mais em A Tarde (se for assinante)

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A professora Miralva Moitinho tomou posse como presidenta do PT na última sexta-feira, 5, e já sabe que terá de adiar a sua turnê por Europa e Estados Unidos. Nada muito grave. É que justo no dia 23 deste mês o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff vêm a Itabuna para inaugurar o Gasoduto do Nordeste (Gasene) e, claro, fazer campanha eleitoral disfarçada.

A tão sonhada viagem da diretora da Direc 7/Secretaria Estadual de Educação ficará para depois. Nada de zanga. São os ossos do ofício em tempos de burguesia, teacher.

Seu Jorge tem musiquinha especial pra tia Mimi…

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Wagner comemora ações do Governo Federal

O governador Jaques Wagner aproveitou o programa “Conversa com o Governador” desta terça-feira (09) para destacar as ações empreendidas na Bahia pelo Governo Federal. E confirmou que o presidente Lula, acompanhado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estará no sul do Estado ainda este mês.

“O presidente Lula mais uma vez estará na Bahia, inaugurando uma grande obra, disse Wagner. Ele fazia referência ao Gasene (Gasoduto Sudeste-Nordeste). A vinda será programada para uma data entre 20 e 25 de março.

A primeira etapa da distribuição do gás natural no sul do Estado vai atender as unidades da Trifil, DPAM/Nestlé e um posto de combustíveis da rede Universal, em Itabuna, além da Veracel Celulose, em Eunápolis, e da Suzano Papel e Celulose, no município de Mucuri.

Clique no player abaixo e ouça o programa:

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Norman Mailer

Dilma, Lula, produtor, Wagner… Cadê GV?

De branco, rosto limpo, sem óculos escuros, apenas a irreparável barba grisalha, o governador Jaques Wagner chegou cedo nesta sexta-feira (5) ao Aeroporto de Petrolina para recepcionar o presidente Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Concedeu uma entrevista para uma emissora de rádio local e fez comentários sobre a aliança com o senador César Borges e o clima de aproximação provocado pelo presidente Lula com o PMDB baiano.

De azul claro, rosto queimado e óculos, o ministro da Integração também chegou cedo, na segunda-feira (1), a fim de organizar os preparativos da visita do presidente Lula. Por um desses despautérios da vida, Geddel só perdeu o horário desta sexta-feira. O vacilo custou caro, porque a assessoria de imprensa do governador baiano divulgava para os quatro cantos a entrevista de Wagner, que logo seria intercalada por outra do presidente Lula.

Na descida do avião, Wagner é puxado pelo companheiro de partido e acompanhado de perto pelo recém-aliado da pré-candidatura de Dilma no âmbito nacional, César Borges, do PR. Já na entrevista, Lula teceu comentário sobre os dois palanques na Bahia, e deixou claro que o desejo dele é a continuidade da aliança vitoriosa que elegeu Wagner e reelegeu o presidente em 2006.

Ainda no pátio do aeroporto, Wagner estende a mão ao ministro, que ergue a mão direta, enquanto o governador olha para o alto, como quem pede paciência aos céus e já ouviu do presidente novas recomendações para aceitar o peemedebista novamente na chapa para senador.

Conversa vai, conversa vem, ao longe, o ministro Geddel assiste atônito o presidente convidar o governador da Bahia para entrar no carro da presidência. Só Lula e Wagner. Nem Dilma acompanhou Geddel em outro veículo. O isolamento é evidente.

Sempre ao lado do presidente, Wagner visita as instalações da Codevasf. O sorriso largo não esconde a satisfação de quem arquiteta de maneira minuciosa a aproximação do PR e do senador César Borges, a corrosão do nicho do principal adversário, o ex-governador Paulo Souto, que a cada dia lamenta a saída de um corregilionário, e o isolamento de um ex-aliado refém de uma decisão precipitada e audaciosa, o ministro da integração, que não encontra sustentação nem musculatura política capazes de alavancarem uma candidatura que nasceu órfão.

A inclemência do tempo, apesar de ter tido a oportunidade de preparar o terreno da visita do presidente in loco, sorrateiramente tapeou o ministro Geddel. Os minutos e as horas desta sexta-feira (5), aparentemente correram a favor de um enredo cronologicamente definido pela equipe do governador Jaques Wagner, que transformou uma obra tocada pelo Ministério da Integração Nacional, numa iniciativa da mãe do PAC, a ministra Dilma Rousseff, a partir de uma proximidade que o governador baiano possui com o presidente Lula. Xeque.

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Laura Diniz | Revista Veja

Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop.

Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros.

Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína (veja depoimentos abaixo). Agora, começa-se a entender por quê.

Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8 000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008.

O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido.

“A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002.”

Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto.

Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.

Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada.

ACUSADO, VACCARI REBATE VEJA

A respeito de matéria publicada pela revista Veja desta semana, esclareço:

1. Presidi a Bancoop de 2005 até a semana passada, quando me desliguei da cooperativa para assumir minhas funções como Secretário de Finanças e Planejamento do PT;

2. Nunca houve nenhum tipo de acusação contra mim e não respondo a nenhum processo, civil ou criminal

3. Em relação à investigação envolvendo a Bancoop, sempre nos colocamos à disposição das autoridades, agindo com total transparência, disponibilizando documentos e fazendo os esclarecimentos necessários à Promotoria e aos cooperados.

4. Repudio o tipo de jornalismo antiético praticado por Veja, que diz ter passado seis meses “investigando” o caso e em nenhum momento procurou ouvir a mim ou a Bancoop.

João Vaccari Neto
Secretário de Finanças e Planejamento do PT

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A assinatura de contratos com a Petrobras para ampliar a produção de biodiesel na Bahia e a inauguração do Gasoduto do Nordeste (Gasene) são os assuntos principais do programa semanal Conversa com o Governador, produzido pela assessoria de comunicação do Governo do Estado.

Jaques Wagner fala dos investimentos que preparam a Bahia para receber grandes investimentos na área industrial e chama a atenção para o recorde na geração de empregos em janeiro. Ele também comemora a visita do presidente Lula à Bahia, na próxima sexta, 5, para inaugurar o projeto Salitre, em Juazeiro.

Clique aqui e ouça o programa

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Marco Wense

O tempo fechou para o tucanato da Avenida Paulista. A pesquisa divulgada neste domingo (28) pelo instituto Datafolha, realizada nos dias 24 e 25 de fevereiro, aponta situação de empate técnico entre José Serra e a ministra Dilma Rousseff.

Na corrida para o Palácio do Planalto, Serra (PSDB) tem 32%, Dilma (PT) 28%, Ciro Gomes (PSB) 12% e Marina Silva (PV) 8%. Na última consulta, a vantagem do tucano sobre a petista era de 14 pontos. Hoje é de quatro.

É evidente que bastam só os números da pesquisa para deixar os tucanos e seus principais aliados – o DEM e o PPS – preocupadíssimos. Em apenas dois meses, a diferença caiu 10 pontos.

Outros elementos, no entanto, são mais preocupantes do que os números em si, como, por exemplo, a perda de 3 pontos de Serra na região sudeste, que tem 42% do eleitorado do país. E mais: a taxa de rejeição ao tucano subiu de 19% para 25%.

O pior, para o desespero do tucanato, é que a capacidade de transferência de voto de Lula para Dilma tem bastante oxigênio. Ou seja, 14% do eleitorado, que vai votar de qualquer jeito no candidato do presidente, ainda não sabe que Dilma é a candidata do “cara”.

Com a pesquisa do Datafolha, aumenta a pressão da cúpula do PSDB por uma composição puro sangue, com o governador Aécio Neves (MG) como vice na chapa encabeçada por Serra.

Sinceramente, não acredito que Aécio, mesmo com os emocionantes apelos do tucanato da Avenida Paulista, venha a ser o companheiro de chapa do ex-ministro do então governo FHC.

Pelo menos do meu modesto ponto de vista, a queda de Serra nas intenções de voto é um obstáculo a mais para a chapa puro-sangue. O mineiro não vai trocar uma eleição garantida para o Senado da República por uma cada vez mais duvidosa.

As nuvens para o tucanato podem até clarear. A previsão, no entanto, é de que elas fiquem mais cinzentas, bem escuras.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.