Milagres acontecem? Bom, pelo menos em Itabuna, sim. O filme Lula, o filho do Brasil já está rodando no Starplex Cinemas (Jequitibá Plaza Shopping, às 18h40min e 21h). E por que o milagre? Dificilmente o Starplex participa das estreias nacionais.
Muitas vezes, a empresa mineira responsável pelas salas de cinema roda filme com atraso de uma a duas semanas em relação às grandes salas. Alguns dizem que essa estratégia é utilizada geralmente por empresas em dificuldades, pois as películas adquiridas fora do período de estreia nacional ficam, digamos, mais em conta. Abaixo, trailer do filme-endeusamento do presidente brasileiro de maior popularidade que se tem notícia.
Caetano Veloso volta ao noticiário. E agora, por ter levado um tombo durante apresentação no Citibank Hall, em São Paulo. O vídeo foi postado, há pouco, pelo site Uol. O cantor baiano já havia sofrido queda semelhante durante apresentação em Brasília, em maio.
Confira o tombo do baiano que centrou fogo em Lula (relembre).
Dois leitores fãs do Caetano Veloso cantor, mas que rejeitam o Caetano ‘político’, enviaram comentários que aquecem ainda mais o debate em torno das opiniões polêmicas do artista a respeito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Há dois anos, o blogueiro, jornalista e amigo Ricardo Ribeiro escreveu no Pimenta na Muqueca um belo e fulminante artigo sobre Caê, quando ainda estávamos no Blogspot (veja). O leitor Sérgio Sodré deixou lá sua opinião sobre o cantor e falante músico baiano.
Hoje, Sodré voltou à carga: – Mais uma vez devemos lembrar que, se referindo a Caetano Veloso, o certo é ouvir o que ele canta e esquecer o que ele fala.
Um outro leitor tentou imitar Agulhão F. (óia aí, Agulha?!) e formulou versos sarcásticos para Caê e a irmã Maria Bethânia.
Caetanagem
Fala uma língua ferina
para quem interessar possa:
Caetano Veloso engrossa,
e Bethania diz: “afina!”.
Fernando Henrique Cardoso, com seu jeitão de lorde, é tido e havido como um dos principais intelectuais brasileiros, suprassumo do conhecimento acadêmico, farol a iluminar a obscura vida brasileira. Exibe títulos de doutor honoris causa concedidos por universidades mundo afora, numa profusão de diplomas utilíssimos para decorar paredes. Uma pessoa sem a qual, possivelmente, a terra não giraria em torno dele, perdão, do Sol.
Caetano Veloso, no seu eterno estilo dândi, fazendo o tipo blasé, é considerado, não sem justa razão, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, protagonista da Tropicália, significativo movimentos da MPB e autor de letras antológicas, luminar a contrapor a excrescência dos axés, pagodes e outros lixos que nem podem ser chamados de música. Um sujeito sem a qual, possivelmente, a música brasileira seria uma espécie de buraco negro da mediocridade.
Fernando Henrique Cardoso e Caetano Veloso, cujos predicados intelectuais e musicais não podem nem devem ser ignorados, são dois ególatras de marca maior.
A idade avançada de ambos não os amadureceu o suficiente para aplacar a vaidade desmesurada e para entenderem que existe, sim, vida longe dos holofotes.
E que o mundo gira e canta sem eles.
Na busca por um brilhareco fugaz, no intervalo de uma semana, Fernando Henrique Cardoso e Caetano Veloso miraram no mesmo alvo: o presidente Lula.
Existe maneira melhor de aparecer do que atacar uma pessoa que está no esplendor do reconhecimento, no mais alto dos cumes, no centro de todas as luzes, por méritos próprios e não por obra do acaso?
Fernando Henrique e Caetano, claro, usaram a polêmica rasteira, para sair um pouco das sombras do anonimato, da aposentadoria compulsória.
Num artigo laudatório, recheado de ressentimentos e ponteado de inveja mal disfarçada, Fernando Henrique atacou Lula, a quem qualificou de autoritário e de adotar uma política equivocada na condição dos destinos do país. Bateu, de forma sutil, na falta de cultura do ex-metalúrgico Lula, entre outras diatribes, prontamente repercutidas por uma parte da mídia que lhe devota uma adoração quase divina.
Esqueceu-se de lembrar que, nos oito anos de seu mandato, o Brasil ´quebrou` três vezes, estatais foram saneadas com dinheiro público e depois privatizadas a preço de ocasião e a credibilidade do país no Exterior era nenhuma.
Caetano, que nos últimos anos só fez sucesso esporadicamente quando regravou canções bregas de sumidades tipo Peninha (quem?), foi ainda mais grosseiro. A pretexto de anunciar ao universo sua intenção de votar em Marina da Silva para presidenta, embora ache Serra bom, mas travado; Dilma boa, mas presa aos esquemas do PT; e goste de Aécio Neves (ufa!), disse com todas as letras que Lula é analfabeto, grosseiro, cafona e não sabe falar.
Óbvio que declarar o voto em Marina lhe renderia pouco espaço na mídia, mesmo a que tem orgasmos quando ele abre a boca para cometer suas pérolas. Caetano sabia, como FHC sabia, que só ganharia as manchetes se atacasse Lula.
Enquanto Fernando Henrique e Caetano Veloso, o lorde e o dândi, babavam por uma réstia de notoriedade, Lula, o analfabeto, recebia na Inglaterra, onde se reuniu com a Rainha Elizabeth II, o título de liderança mundial de 2009.
Manteve-se olimpicamente indiferente ao que pensam o grande intelectual e o genial compositor, que brevemente estarão de volta às paradas de insucesso, enquanto a banda toca e a vida segue.
Com o aval do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,PT e PMDB acertaram nesta terça (20) a composição da chapa para a disputa presidencial de 2010. Em jantar realizado no Palácio da Alvorada, ficou acertado que o PT ficará com a cabeça da chapa, provavelmente com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o PMDB, com a vice.
Os dois partidos preferiram falar em pré-acordo, que só será sacramentado após as convenções partidárias, a serem realizadas ao longo do ano que vem.
Visto como um dos mais cotados a assumir a vaga de vice-presidente, o presidente licenciado do PMDB, Michel Temer (SP), desconversou em relação a sua indicação de canidato à vice e disse que o nome sairá das convenções dos partidos. “O nome será fruto das circunstâncias políticas a serem definidas no ano que vem”, argumentou, acrescentando que é preciso ouvir, primeiramente, as representações estaduais dos partidos.
O presidente do PT, Ricardo Berzoini, afirmou que a aliança representa “o acúmulo político desse três últimos anos de governo do presidente Lula com uma coalização mais consistente e programática”. Segundo ele, a ideia é ter o PT e o PMDB como cabeça de chapa, mas agregando os diversos partidos que hoje apoiam o governo.
O governador da Bahia, Jaques Wagner, está feliz com o resultado da visita da ministra Dilma Rousseff à Bahia. No seu íntimo, ele considera a estada da presidenciável na terra de todos os santos como um divisor de águas. Foi o primeiro momento em que a pré-candidata se mostrou mais humana, com direito à água de cheiro e missa no Bomfim.
Pode-se afirmar que o único ponto negativo (para Wagner) na viagem da ministra foi o fato dela ter desembarcado em Salvador ao lado do colega de ministério, Geddel Vieira Lima. O adversário do governador veio no mesmo voo de Dilma, que ainda deixou nas entrelinhas a possibilidade de subir em dois palanques na Bahia: o do PT e o do PMDB.
Wagner mordeu o caroço da azeitona, mas está escaldado. Amanhã, ele vai a Brasília para assegurar sua vaga na comitiva presidencial que estará na Bahia quarta-feira. Lula vem visitar as obras de transposição do Rio São Francisco e o governador não quer dar a Geddel o gostinho de descer do avião ao lado do presidente.
Afinal, vir à Bahia com Dilma é uma coisa. Chegar colado no popularíssimo Lula é bem diferente. Wagner deve garantir sua vaga sob as barbas do grande chefe, mas obviamente terá que suportar a presença de Geddel no mesmo avião. O ministério do peemedebista é o que toca as obras da transposição do São Francisco e, portanto, é lógico que ele faça parte da comitiva.
A briga será para ver quem fica mais perto e recebe com maior intensidade a irradiação do carisma do barbudo-mor. Aí a disputa será palmo a palmo e Wagner vai usar a condição de correligionário e amigo de Lula para ter um tratamento diferenciado.
O australiano Tim Patch viaja o mundo todo apresentando seu talento como pintor. Até aí, tudo bem, não fosse o que ele utiliza como pincel para confeccionar as obras: o próprio pênis. Depois de ficar famoso com sua técnica nada usual de pintar, o artista tem uma nova obra-prima: um quadro do presidente Luis Inácio Lula da Silva.
O artista, conhecido como Pricasso, já desenhou o presidente George W. Bush e a Rainha da Inglaterra, e está no Brasil para participar da Feira Erótica de São Paulo, que acontece de 9 a 12 de outubro.
Além de exposição de algumas de suas obras, que podem custar até R$ 10 mil, Tim faz performances ao vivo para quem deseja levar um de seus quadros para casa. A peça que retrata o presidente Lula está exposta na mostra dedicada ao artista no espaço, e deve ser enviada de presente ao presidente. As informações são do Estadão.
O Lula vai quebrar a cara em Honduras! Vai correr sangue nas ruas de Tegucigalpa e ele será o culpado! O Lula vai tomar uma surra do Obama em Copenhague! Vai dar Chicago! Agora a popularidade do Lula vai despencar!
Pois é, amigos, foi uma atrás da outra. A urubuzada (nada a ver com a grande torcida do Flamengo, por favor!) jogou contra e perdeu todas, perdeu o rumo. Vocês já repararam? A oposição simplesmente sumiu de cena.
Em 2009, a turma do contra, representada por aqueles célebres 6% que reprovam o governo Lula, começou jogando tudo na crise econômica mundial, que quebraria o Brasil. O Brasil não só não quebrou como saiu da crise mais forte do que entrou.
Já nem me lembro de todas as crises do fim do mundo anunciadas durante o ano, mas tivemos depois a dengue, a crise do Senado, a gripe suína, a história da Lina, a CPI da Petrobrás, o diabo a quatro. E nada do Lula cair nas pesquisas.
A palavra crise não saía das manchetes, e nada. Quando a crise não era aqui, era em Honduras _ por culpa da política externa do governo brasileiro, claro. Agora que as coisas estão se acalmando por lá e tudo indica uma saída negociada com os golpistas devolvendo a Presidência a Manuel Zelaya, a urubuzada já está recolhendo os flaps.
Com a vitória do Rio para sediar a Olimpíada 2016 transmitida ao vivo de Copenhague, não teve jeito de esconder o importante papel do presidente Lula nesta conquista. Os 6% de inconformados e seus bravos representantes na imprensa e no parlamento devem ter entrado em profunda depressão. Por isso, sumiram _ pelo menos, por algum tempo.
Restam apenas alguns blogueiros histéricos e seus comentaristas amestrados blasfemando na janela, vendo as ruas em festa, os bares lotados em dia de semana, a indústria, a bolsa, o emprego e a renda crescendo novamente, a autoestima do brasileiro lá em cima, a vida seguindo alegre seu rumo.
Claro que sempre será possível fazer escândalo com qualquer coisa, como esta crise do Enem, uma história até agora muito mal contada, que vai atrasar a data dos vestibulares. E daí? Fora os candidatos e professores que irão perder alguns dias de férias, qual o drama para o restante dos brasileiros?
Um dia depois de a aprovação a seu governo alcançar 69%, de acordo com uma pesquisa do instituto Ibope, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado pela revista americana Newsweek de “o político mais popular do mundo”. A publicação afirmou também que o brasileiro é a maior estrela da 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada nesta quarta-feira (23) em Nova York.
“As câmeras podem focar na personificação do americano descolado, Barack Obama, ou nos autocratas exibicionistas e despeitados como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o venezuelano Hugo Chávez, mas a maior estrela disponível será o duro, barbado e ex-torneiro mecânico”, diz o texto.
“É um longo caminho do faminto Nordeste do Brasil para a sala da Assembleia Geral das Nações Unidas, mas o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, conhece cada passo desse caminho”, afirma a Newsweek, completando que o presidente “é considerado agora o líder de uma potência regional e um porta-voz autodesignado para as nações emergentes de todo o mundo”.
Sobre os quase 70% de aprovação do governo Lula, a Newsweek escreve que “essa seria uma característica marcante em qualquer lugar, ainda mais em um continente onde os presidentes são uma commodity descartável”. Em entrevista à revista, o presidente brasileiro diz que os resultados da economia e a recuperação da autoestima do país ajudam a explicar os motivos de sua alta popularidade.
Lula sanciona criação de nova universidade federal, a 11ª.
Sonho para uns, promessas de outros, a criação de uma universidade federal no sul da Bahia parece distante. Azar o nosso. Nesta terça-feira, 15, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que cria a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). É a 11ª no período em que está à frente da presidência da República. Um recorde. Nem assim, o sul da Bahia soube aproveitar para ser uma das regiões contempladas no período de bem-aventurança lulista. Falta de representatividade política? Também. E de mobilização popular, acrescentemos.
É algo impressionante, mas a Bahia somente possuui duas universidades federais e meia. A UFBA, a Universidade Federal do Recôncavo e a Universidade Federal do Vale do São Francisco – que é metade em Juazeiro (BA), metade em Petrolina (PE), onde fica a reitoria da instituição).
Mas vamos às informações sobre a nova Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Segundo o Ministério da Educação, as obras de construção devem ser iniciadas em 2010. A instituição deverá atender cerca de 10 mil estudantes.
A sede ficará em Chapecó (SC), mas haverá campi nas cidades paranaenses de Laranjeiras do Sul e Realeza e nas gaúchas Cerro Largo e Erechim. Logo de início, serão oferecidas 2.160 vagas, sendo 1.230 para cursos de licenciatura e o restante, bacharelado.
A UFFS oferecerá os cursos de administração, agronomia, aquicultura, arquitetura e urbanismo, ciência da computação, desenvolvimento rural, enfermagem, engenharia ambiental, engenharia de alimentos e licenciaturas em filosofia, história, geografia, sociologia, pedagogia, português, espanhol e educação no campo.
O PMDB está literalmente dividido. O lulista quer o apoio da legenda para a petista Dilma Rousseff, pré-candidata do presidente Lula ao Palácio do Planalto. O PMDB tucano vai apoiar José Serra, presidenciável do PSDB.
Até aí nenhuma novidade. Nenhum espanto. Cada banda do PMDB cuida dos seus interesses e de suas conveniências políticas. O partido sempre foi assim. Não é agora que vai mudar.
As duas bandas, em termos de votos, têm quase o mesmo peso. O pega-pega é pela coligação formal e, como consequência, o invejável e disputadíssimo tempo da legenda no horário eleitoral da televisão e do rádio.
Acontece que o PMDB ligado ao presidente Lula, que ocupa cinco ministérios e centenas de cargos no primeiro, segundo e terceiro escalões do governo federal, começa a tucanar.
Qualquer pessoa pode tucanar. O regime é democrático e o Estado é de direito. Mas tucanar sorrateiramente é deplorável. É de uma deslealdade monstruosa e uma traição inominável.
Se não querem apoiar Dilma Rousseff, por achar que sua candidatura está fadada ao fracasso, entregue os cargos que ocupam no governo, deixem de mamar nas tetas do erário público.
Toda vez que sai uma pesquisa de intenção de votos, com a ministra estagnada ou em queda, a banda do PMDB lulista, com algumas exceções “valiosas”, como, por exemplo, os senadores José Sarney e Renan Calheiros, fica serrista desde criancinha.
As articulações pró-Serra são cada vez mais constantes. São tramadas nos bastidores, bem escondidinhas do presidente Lula. Depois, com a proximidade da sucessão presidencial, serão escancaradas e desafiadoras.
É evidente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por mais escondidinhas que sejam essas manobras traiçoeiras, sabe quem é quem. Tem informações de quem é fiel e de quem o apunhala pelas costas.
A banda peemedebista ligada ao tucano José Serra, tendo à frente o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, que também preside o diretório estadual do partido, faz o seu papel.
Para dividir ainda mais o PMDB, Orestes Quércia, com o aval da cúpula nacional do PSDB, pretende convidar o ministro Geddel Vieira Lima para o cargo de vice-presidente na chapa encabeçada por José Serra.
Orestes Quércia, que é uma espécie de articulador-mor do tucanato dentro do PMDB, sabe que o presidente Lula tem um carinho especial pelo governador Jaques Wagner, que busca o segundo mandato via reeleição.
O PMDB baiano, comandado por Lúcio Vieira Lima, já começa a pensar na hipótese de Geddel como vice de Serra. Com Geddel fora da sucessão estadual, o PMDB apoiaria Paulo Souto, indicaria o vice-governador e um nome – o prefeito de Salvador, João Henrique, é o mais cotado – para disputar o senado da República. A outra vaga seria de César Borges (PR).
Essa possibilidade de Geddel como companheiro de chapa do tucano José Serra vem deixando os democratas eufóricos. Muitos deles acreditam que Paulo Souto, pré-candidato do DEM, ganharia a eleição no primeiro turno.
Salta aos olhos que essa composição oposicionista, articulada nas cúpulas do PSDB e do DEM, longe dos holofotes e do povão de Deus, não é de fácil arrumação. Mas ela existe e pode se tornar um fato.
Há, no entanto, uma preocupação da oposição em relação a como o eleitorado vai reagir diante desse novo cenário, com Geddel sendo vice de José Serra e apoiando Paulo Souto na sucessão do governador Jaques Wagner.
Já passou da hora do presidente Lula entrar em campo para detectar os ministros do PMDB que estão puxando a legenda para o pré-candidato do PSDB, o tucano José Serra.
Os peemedebistas têm o direito de ficar com quem quiser. Mas os peemedebistas que estão no governo, usufruindo das benesses inerentes ao poder, não podem trair o presidente Lula.
Se querem apoiar José Serra, tudo bem. Mas deixem o governo. Não fiquem tapeando o presidente Lula, que foi – e continua sendo – tão generoso com o PMDB.
Adriana Nicácio | Revista Istoé
Revista diz que Lula cozinha Geddel.
Candidato ao governo da Bahia e com a esperança de ser o único a desfrutar da popularidade de programas sociais como o Bolsa Família, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), está sendo cozinhado em fogo brando pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em alguns Estados, Lula defende uma resignação do PT em favor de alianças. Mas na Bahia o presidente apoia a reeleição do governador Jaques Wagner. Lula quer negociar um pacote com o PMDB para garantir o apoio nacional do partido ao candidato do PT a presidente em 2010. Vai incluir Geddel e as dissidências em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Pará nas discussões.
Ele já percebeu que Geddel começa a se isolar na Bahia e acredita que o ministro pode voltar a apoiar Wagner. “O presidente Lula não vai chamar o Geddel para conversar. Fez isso várias vezes antes do rompimento”, diz um assessor próximo de Lula. No dia 6 de agosto, Geddel rompeu, por telegrama, com o PT baiano e lançou sua précandidatura ao governo da Bahia, em clara oposição ao governador. O gesto não seria tão grave, na visão dos petistas, se Wagner não tivesse sido o padrinho político de Geddel na indicação para o ministério.
Quando recebeu o telegrama às 23h no Palácio de Ondina, Wagner esbravejou: “Traição e ingratidão vêm do berço.” Lula também ficou bastante irritado com a decisão de Geddel, mas ainda tem esperanças de um providencial recuo. Durante café da manhã no Palácio da Alvorada, no dia 31, Wagner disse ao presidente que Geddel está usando a estrutura do governo para falar mal do próprio governo. Wagner destacou que nenhum indicado de Geddel foi demitido no Estado. Lula concordou, mas deu um conselho ao governador: “Galego, eu sei que você chegou ao seu limite. Mas é preciso ter paciência.”
Como bom cozinheiro, Lula já tem a receita ideal para dobrar Geddel. Primeiro, escolheu a dedo o interlocutor. “Quem vai falar com o ministro será o Gilberto Carvalho (chefe de Gabinete do presidente) porque cabe ao Gilberto tratar dessas questões espinhosas.
Mais que espinhosa, a situação é delicada para o PT na Bahia, principalmente porque a iniciativa de Geddel despertou a candidatura do ex-governador baiano Paulo Souto (DEM), que, em algumas pesquisas, aparece em primeiro lugar e ameaça a reeleição de Wagner. Há quase um ano, Geddel está em campanha pelo interior. Busca novas alianças, pois perdeu para Wagner o apoio do PDT e do PP.
Em alguns casos, sua mensagem chega por telegrama. Numa delas, seu assessor José Carlos Esmeraldo informou à prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, que o ministério liberou a primeira parcela de R$ 3,5 milhões para recuperação da cidade e concluiu: “Peço comunicar lideranças locais que o nosso ministro continua seu trabalho em favor da comunidade.”
De acordo com o deputado Raymundo Veloso (PMDB-BA), que tem andado pelo interior, Geddel está forte. “Se ele for para o segundo turno, seja contra o Jaques Wagner, seja contra o Paulo Souto, vence. Temos mais de 100 prefeitos trabalhando para ele”, garante Veloso. “Ninguém vai tirar da cabeça do ministro a ideia de concorrer ao governo da Bahia.”
Geddel, porém, é mais cauteloso e continua a aguardar um chamado de Lula. O ministro apostava numa viagem do presidente a Juazeiro, em setembro, para visitar as obras de transposição do rio São Francisco.
Pensava até em acompanhar Lula no avião presidencial. Mas a viagem está suspensa, por tempo indeterminado, por “problemas de agenda”. Seus assessores continuam acreditando que o encontro será realizado.
“Há pelo menos três opções: o presidente pode oferecer a Geddel ser vice de Wagner, pedir que o ministro seja candidato ao Senado, e, na pior das hipóteses, pode pedir que ele deixe o ministério”, enumera um assessor próximo do ministro, que confia no poder de fogo do PMDB.
O ministro estuda esse cardápio. Sem alarde, pediu a duas pessoas que sondassem Wagner sobre o apoio à vaga ao Senado. Haverá renovação de dois terços do Senado e Wagner decidiu apoiar o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Otto Alencar, que já pediu afastamento do TCM. A outra vaga continua em aberto. “Geddel só precisa pedir o apoio em público”, diz um dirigente petista. Mas o presidente do PT na Bahia, Jonas Paulo, é mais exigente.
“É uma situação esdrúxula, termos um ministro que é concorrente no maior Estado que o partido do presidente governa”, reclama. No entanto, admite que Geddel pode voltar a ser um aliado, embora o sentimento na base do PT, observa Paulo, seja de revolta. “Nós transmitimos isso ao Lula.” Entende-se, portanto, por que o presidente mantém o ministro em banho-maria. Na quinta-feira 10, um segredo da receita de Lula foi revelado.
O ministro do Trabalho, Carlos Luppi, esteve em Salvador e filiou ao PDT três deputados estaduais que iriam apoiar Geddel e mudaram de lado. Ou seja, Lula ainda está longe de colocar seu toque final neste prato da cozinha baiana.
O governador Jaques Wagner está em Brasília, onde o presidente Lula anuncia hoje verbas para diversos projetos do PAC. A Bahia terá R$ 355.555.648,94 para projetos selecionados pelo Programa Saneamento para Todos (PAC Saneamento). Serão beneficiados os municípios de Feira de Santana, Barreiras e Teixeira de Freitas.
O governo federal vai investir R$ 336.211.995,44, e à Bahia caberá a contrapartida de R$ 19.343.653,50. Os projetos foram escolhidos mediante processos seletivos, no âmbito do Programa Saneamento para Todos, que financia a implantação e melhoria de iniciativas nas áreas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Os recursos ampliam o programa estadual ‘Água para Todos’, contemplando cidades de porte médio que não estavam incluídas anteriormente no PAC Saneamento. Barreiras e Teixeira de Freitas vão alcançar índices superiores a 90% de ligação de esgotos domiciliares.