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Arruda: de estrela política a detento vip.

O Democratas foi criado há menos de três anos e – tão novo – já enfrenta uma crise daquelas! O partido reservava ao governador distrital José Roberto Arruda o papel de estrela eleitoral da legenda. 2010, então… Mas não deu. Arruda caiu. E foi (está) preso.

O vice-governador do DF também era do Democratas. Paulo Octávio substituiu, interinamente, o Carequinha do Panetone. Não resistiu. Renunciou ao cargo nesta tarde de sexta-feira. Alegou que o momento exige condições excepcionais para governar e não teria encontrado estas forças para seguir em frente.

Quem assume o governo do Distrito Federal é um aliado de Arruda, o Wilson Lima (PR), presidente da Câmara Legislativa do DF. A manutenção de Octávio no poder ficou insustentável desde quando a Polícia Federal descobriu suposta participação do vice também no esquema de corrupção de Arruda, o homem do panetone.

E o escândalo afeta o DEM justamente em um ano em que eleitores vão às urnas para escolher de deputados estaduais e federais a senadores, governadores e presidente.

Qual será o impacto da atual crise no capital eleitoral do ‘menino’ DEM? Uma das lideranças do partido, o deputado Rodrigo Maia, tentou lamber as feridas: “o partido fica sem governo, mas com os seus princípios”. Enigmática. Quais seriam esses princípios?

Às vésperas das eleições de 2010 o DEM experimenta um tombo semelhante ao do seu “algoz”, o PT, que soube se refazer após as denúncias do Mensalão, apoiado na máquina central e na popularidade do governo Lula.

Diferenças existem. Os ‘vermelhos’ eram os detentores do poder central. E resistiram. O escândalo dos ‘demos’ é de impacto imprevisível. Nos subterrâneos da política, certeza é que Arruda irrigou os companheiros de partido em diversas campanhas.

Passado o afastamento do governador do DF, agora vem a parte mais dolorosa, pois a Câmara Legislativa analisará pedido de impeachment do ‘hômi’. A essa altura, o carequinha elogiado – e amigo – do governador José Serra (PSDB) e do presidente Lula (PT) talvez não tenha forças para manobrar e evitar a ‘espada’.

Dólar na cueca, dinheiro na meia… Depois do ‘roubolation’, vai começar o ‘rebolation’.

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O Partido dos Trabalhadores referendou o nome de Dilma Rousseff como sua candidata à Presidência da República. Foi neste sábado, durante o IV Congresso do PT, realizado em Brasília.

Antes da votação, o presidente Lula discursou dizendo que Dilma não será uma presidenta-tampão, visando a sua volta ao poder, em 2014. “Dilma não candidata dela. É candidata de uma grande coalizão. Não é a candidata do Lula”.

Leia aqui a cobertura da BBC Brasil e do Estadão.

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Marcos Coimbra

O que o ex-presidente fez, ao aceitar o desafio do atual, concretiza o quadro imaginado por Lula. Será que FHC se sairá dele tão bem quanto imagina?

Tucanos e petistas, com suas adjacências, passaram boa parte da semana discutindo sobre quem fez mais nos períodos em que governaram. Foi um debate de “alto nível”, não pelo clima em que transcorreu, mas por ter envolvido os notáveis dos partidos, sem deixar de lado a ministra Dilma.

Tudo começou, como sabemos, com o artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado domingo último, intitulado “Sem Medo do Passado”. Nele, o ex-presidente diz que aceita o desafio de comparar seu governo ao de Lula, provavelmente por entender que, na comparação, é ele quem ganha.

Não deixa de ser um gesto de coragem, indispensável a quem exerce um papel de liderança intelectual e política no conjunto das oposições. Com o artigo, FHC mostra que não está disposto a permanecer acuado pela ameaça do plebiscito e que vai enfrentar “o touro a unha”, como se dizia antigamente.

Ou seja, para ele, o embate plebiscitário que Lula propõe começou, sendo seu texto (e as reações que provocou no PT) apenas o primeiro round. É como se dissesse que, se é inevitável que a eleição presidencial deste ano se torne um plebiscito, que seja feito e que comece logo: “Podem vir quentes, que eu estou fervendo!”.

Foi Lula quem inventou essa ideia de eleição plebiscitária. Ainda no final de 2007, ele passou a defendê-la, afirmando que os eleitores deveriam ser convidados a fazer uma escolha na hora de votar: se estivessem de acordo com seu trabalho nos últimos 8 anos, que votassem na candidatura que representa sua continuidade. Quem gostasse dele, que votasse em Dilma.

Até aí, nada demais. É natural que um partido que está no governo tenha um candidato identificado com a continuação (ainda mais quando conta com mais de 80% de aprovação). Já vimos isso mil vezes no plano estadual e municipal, e ninguém acha estranho. Pode ser que o indicado seja uma pessoa conhecida, que já disputou eleições e tem notoriedade. Mas não necessariamente, pois o candidato do governo pode ser até um completo desconhecido. Vem daí a ideia de “poste”, que reaparece com frequência nas situações em que administrações bem-sucedidas são representadas por candidatos sem grande biografia.

Assim, depois de ter ficado oito anos no poder, nada mais compreensível que o PT tenha uma candidata cuja proposta básica é manter as coisas como estão. O fato de Dilma ser pouco conhecida pelo eleitorado é quase irrelevante, como foi no caso de vários outros candidatos com perfil semelhante (a maioria dos quais vitoriosa, é bom lembrar).

O interessante no plebiscito que Lula quer fazer acontece fora do PT. Para começar, ele pressupõe que o vasto condomínio partidário que se representa em seu governo se coligue formalmente em torno da ministra, o que tem como primeira consequência que o tempo de propaganda eleitoral de todos os partidos será somado e oferecido a ela. Hoje, pelo andar da carruagem, falta pouco para isso seja confirmado.

Mas o mais interessante é que o plebiscito não é, propriamente, algo que saiu de sua cabeça. Antes, é sua resposta a algo que ele considerava inevitável, a candidatura de Serra. Foi procurando se adaptar a ela que a estratégia do plebiscito foi elaborada.

Se as oposições estavam prontas a marchar unidas em torno do governador, ex-ministro e candidato sempre apoiado por FHC, o cenário de um plebiscito entre os dois presidentes estava montado. Bastava fazer o mesmo de seu lado, com sua colaboradora como candidata, que o eixo da eleição poderia ser deslocado para uma escolha entre quem foi melhor como presidente, Lula ou Fernando Henrique?

Ao longo da semana, o sistema político se posicionou nos termos do plebiscito desejado por Lula. Todas as oposições tiveram que se pronunciar, defendendo FHC e assumindo a defesa de seu governo. Do lado do presidente, foi com gosto que seus correligionários mostraram sua preferência por Lula.

O plebiscito, de fato, começou. O que o ex-presidente fez, ao aceitar o desafio do atual, concretiza o quadro imaginado por Lula. Será que FHC se sairá dele tão bem quanto imagina? Será que consegue recuperar sua imagem nos próximos 8 meses, fazendo o que não conseguiu nos últimos 8 anos?

Marcos Coimbra é diretor do Vox Populi (artigo publicado no Correio Braziliense).

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Da Reuters

Lula invocou com o ponto G.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou nesta sexta-feira, em discurso, que a imagem do Brasil melhorou muito e que hoje o país é um respeitado interlocutor global.

Bem-humorado, o presidente mencionou vários dos grupos internacionais que o país passou a fazer parte recentemente.

“Por isso que o Brasil é importante no G20, é importante no G8, é importante no G3, é importante no G4. Cria um G que o Brasil está dentro. Não tem país mais preparado para encontrar o ponto G que o Brasil”, disse durante evento em Goiânia.

Sacaninha esse presidente, não?

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O presidente Lula e a ministra e pré-candidata Dilma Roussef são as estrelas do comercial de 30 anos do PT que está desde o início desta noite no ar em emissoras de televisão. Trata-se de inserções gratuitas asseguradas a todos os partidos. Hoje, houve uma overdose de um filme de 1 minuto, contando as mudanças brasileiras em três décadas de história.

O comercial vai ao ar no momento em que a ministra da Casa Civil mais se aproxima do líder nas pesquisas à presidência da República, José Serra (PSDB), e quando Dilma se torna alvo de uma estratégia do ex-presidente FHC: fuzilar a petista pré-candidata.

FHC saiu do governo em 2002 com baixo índice de aprovação popular e agora sai em defesa do seu capital e, timidamente, de José Serra. Do outro lado, o presidente de maior popularidade da história brasileira aparece ao lado da sua candidata, Dilma Roussef.

“Eu Sou PT, a Dilma é PT, todos nós somos PT. E você?” é a frase-chamamento de Lula. Na verdade, uma apresentação da ministra feita pelo seu maior defensor. E Dilma, na mesma toada: “Venha com a gente, vamos continuar mudando o Brasil”. Quais os reflexos deste comercial comemorativo dos 30 anos do PT? Só as novas pesquisas dirão.

Confira o vídeo, abaixo.

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PATERNIDADE: Outdoors da prefeitura que omitem origem das verbas são pichados (Foto Pimenta)

Vários outdoors que divulgam obras executadas no município de Itabuna apareceram pichados. O motivo: as obras são executadas com verbas federais e a prefeitura não faz qualquer menção à origem do dinheiro. A campanha “É assim que se faz!” é tocada desde meados de janeiro.

Além de outdoors, também foram feitas peças para TV, rádio, mídia impressa e internet. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas a gestores que tocam obras com recursos federais e omitem a origem da verba.

A construção da creche e pré-escola do bairro Jorge Amado do outdoor acima tem custo estimado de aproximadamente R$ 700 mil, garantido pelo governo federal. Com nome de um dos principais escritores brasileiros, o bairro é um dos mais pobres de Itabuna.

A previsão é de que a creche/pré-escola atenda a, pelo menos, 250 crianças. Os recursos foram captados no Ministério da Educação (MEC) no final de 2007. A obra ainda não está pronta.

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A assessoria de comunicação do PMDB baiano emitiu nota, há pouco, afirmando que não passou de equívoco o envio de e-mail com ataques à ministra Dilma Rousseff e à pesquisa Vox Populi em que ela aparece a apenas sete pontos do tucano José Serra, governador de São Paulo.

“O envio ocorreu por equívoco. O material enviado não estava selecionado para divulgação”, disse a assessoria. O e-mail era uma cópia de postagem de um blog apócrifo que afirmava ser “fajuta” a pesquisa do Vox Populi e a mesma teria sido feita para “desempacar” a ministra Dilma Rousseff.

Tá explicado, então!

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Marco Wense

A nova pesquisa do instituto Vox Populi sobre a corrida presidencial, que aponta uma queda de 14 pontos na diferença entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), é um santo remédio para a crise de hipertensão do presidente Lula.

Pelo andar da carruagem, o “vou votar na menina do presidente Lula, aquela lá de Brasília”, como anda dizendo os eleitores das regiões nordestinas, se espalha como rastilho de pólvora.

O pior, para o desespero do tucanato, é que a capacidade de transferência de votos do presidente Lula não foi exaurida. O Lula, como cabo eleitoral, ainda tem muita energia armazenada.

A pequena diferença de 7 pontos (Serra 34%, Dilma 27%) vai acelerar os pedidos de “pelo amor de Deus” para que o governador de Minas, Aécio Neves, aceite o convite para ser o vice de Serra.

O articulador-mor da chapa puro sangue ou, então, tucano-tucano, é o deputado federal soteropolitano Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, o ACM Neto, do Partido do Democratas (DEM).

Abaixo, vídeo dos primeiros atendimentos médicos ao presidente Lula, em Recife (PE), na quarta, à noite.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Marco Wense

Dilma Roussef em visita ao estado (Foto Manu Dias).
Dilma Roussef em visita ao estado (Foto Manu Dias).

A prioridade do PT nacional, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é a eleição da ministra Dilma Rousseff para o cobiçado e disputadíssimo Palácio do Planalto.

O presidente Lula já bateu o martelo em relação aos palanques regionais: não vai participar de nenhum ato político nos Estados com dois ou três candidatos a governador da mesma base aliada.

Cabe ao PT, com a decisão do presidente Lula, não criar mais problemas para a difícil eleição de Dilma, que tem pela frente um bom e competitivo concorrente, o tucano José Serra, governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB.

É bom lembrar que o lulismo é infinitamente mais forte do que o petismo. Os radicais de plantão devem ser afastados das negociações envolvendo a legenda, os partidos aliados e a sucessão estadual.

O PT, no entanto, não pode, em nome dessa prioridade para eleger a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), aceitar tudo. Não pode perder a compostura e, muito menos, a autoestima.

PMDB

Ministro Hélio Costa.
Ministro Hélio Costa.

Chega a ser constrangedor, quase que uma humilhação, a insistência de setores do PMDB com o nome do deputado Michel Temer (SP) para vice-presidente na chapa encabeçada pela petista Dilma Rousseff.

A lista tríplice sugerida pelo presidente Lula, para que Dilma escolha o seu vice – quem vai escolher é Lula –, é motivo mais do que suficiente para que o PMDB descarte o carrancudo Temer.

O presidente da Câmara dos Deputados, como vice de Dilma, não acrescenta nada. Nada mesmo. É como se a ministra estivesse sozinha. Aliás, o estilo fechado do parlamentar é muito parecido com o da petista.

O melhor companheiro de chapa para Dilma Rousseff é, sem dúvida, Hélio Costa, que é peemedebista e ministro das Comunicações. O licenciado senador mineiro ocupa a primeira posição nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas.

DOBRADINHA

As chamadas dobradinhas, uma espécie de “Cosme e Damião” do processo político, estão cada vez mais aceleradas.

Aqui em Itabuna, a do vereador Solon Pinheiro com ACM Neto, respectivamente pré-candidato ao Parlamento estadual (PSDB) e a deputado federal (DEM-reeleição), é a mais comentada.

O democrata sempre foi bem votado em Itabuna, onde tem um eleitorado cativo, formado por históricos, enraizados e fiéis carlistas. O voto no parlamentar é uma forma de homenagear o falecido senador Antonio Carlos Magalhães.

Como é que ACM Neto vai “medir” o trabalho de Solon em Itabuna? Reunião com dezenas de pessoas, com a maioria aparecendo porque recebeu alguma contrapartida, não quer dizer nada. É só oba-oba.

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O CHAMADO IRRESISTÍVEL DA SANFONA

Ousarme Citoaian
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O Milagre de Santa Luzia (foto), filme que estreou no fim do ano em várias capitais (Salvador inclusa), é uma celebração da sanfona. Trata-se de uma “visita” do músico Dominguinhos aos mais diversos pontos do vasto Brasil que puxa o fole consagrado por Luiz Gonzaga. Foi o velho Lua quem abriu as portas para os sanfoneiros e criou no panorama cultural do País uma cadeira cativa para esse instrumento (antes disso, algo a ser confinado aos grotões). O longa-metragem de 104 minutos (com direção de Sérgio Roizenblit) segue Dominguinhos por vários pontos do Brasil, encontrando os melhores sanfoneiros disponíveis. Com depoimentos de Sivuca, Patativa do Assaré e outros, o filme faz um mapeamento das regiões brasileiras onde a sanfona se estabeleceu.

LUIZ GONZAGA, SANFONA E SIMPATIA

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Dominguinhos, que não entra em avião nem amarrado, conduziu o trabalho a bordo de sua caminhonete, por mais de 30 mil quilômetros. Além dele, filho espiritual de Luiz Gonzaga (foto), lá estão Renato Borghetti, Mário Zan, Osvaldinho do Acordeom, Sivuca e Pinto do Acordeom (paraibano de Conceição do Piancó). Mas, além de Dominguinhos, paira a figura magistral do filho de Januário. O sanfoneiro de Exu nasceu no dia de Santa Luzia, por isso o título do filme. Foi Gonzaga, com sua sanfona e sua simpatia, quem deu amplitude nacional à música dos grotões nordestinos. Organizou-a num sistema musical, renovou-lhe a poética (para tanto convocou Zé Dantas e Humberto Teixeira) e deu-lhe a expressão sonora que hoje ecoa por todo o Brasil. Como extraordinário artista pop que era, universalizou o forró (transformado em “dança da moda”) e atraiu para o gênero músicos consagrados. Cai-lhe muito bem o título de Rei do Baião.

FRANK SINATRA DO FORRÓ

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Dominguinhos (na foto, com Sivuca) à frente, O milagre mostra os mais diversos locais onde a sanfona ganhou destaque e de onde surgiram os maiores intérpretes desse instrumento. Sanfona, gaita, acordeom, gaita-ponto ou oito baixos (a pé-de-bode com que Gonzaga fez os primeiros acordes), todo o campo do instrumento está representado. O filme deixa às claras que, apesar dessa universalização (é ouvido em todo o  Brasil), o som da sanfona tem uma marca indelevelmente nordestina – imposta pelo carisma de Luiz Gonzaga, seu maior tocador. Um momento engraçadíssimo de O milagre de Santa Luzia: num arrasta-pé, um sujeito de maus bofes, portando uma peixeira de avantajado tamanho, “convida” Pinto do Acordeom a mudar de repertório (a cena tem Dominguinhos, a morrer de rir, com o relato do sanfoneiro).

Clique e veja.

ITABUNA NÃO ESTÁ SÓ

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No mesmo ano em que Itabuna foi fundada, 1910, nasceram: Django Reinhardt, guitarrista de jazz (23 de janeiro); David Niven, ator (1º de março); Aroldo de Azevedo, geógrafo (3 de março), Tancredo Neves, político (4 de março); Akira Kurosawa, cineasta (23 de março); Nelson Carneiro, político (8 de abril), Paul Sweezy, economista (10 de abril); Chico Xavier, líder religioso (2 de abril), Custódio Mesquita, compositor de MPB (25 de abril); Ranieri Mazzilli, político (27 de abril); Aurélio Buarque de Holanda, dicionarista (2 de maio); Artie Shaw, clarinetista de jazz  (23 de maio), Paullete Goddard (foto), atriz “chapliniana” (3 de junho); Jacques Cousteau, oceanógrafo (11 de junho); Haroldo Lobo, compositor de MPB (22 de julho); Adoniran Barbosa, compositor de MPB (6 de agosto), Madre Teresa de Calcutá, missionária (26 de agosto); Miguel Reale, jurista (6  de novembro); Rachel de Queiroz, escritora (17 de novembro); Noel Rosa, compositor de MPB (11 de dezembro) e Jean Genet, teatrólogo (19 de dezembro).

ILHA DOS TRÓPICOS FAZ 20 ANOS

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Na literatura regional, 2010 marca os 20 anos do lançamento de A ilha dos trópicos/1990, de Marcos Santarrita (foto), 40 de Antologia dos contos brasileiros de bichos/1970, de Cyro de Mattos e Hélio Pólvora, 90 anos do nascimento de Emmo Duarte (1920, em dia e mês não sabidos); 80 de Telmo Padilha (5 de maio de 1930); 20 anos da morte de Adonias Filho (2 de agosto de 1990) e 10 da de Euclides Neto (5 de abril de 2000). Alguns desses nomes e eventos serão abordados aqui no Universo Paralelo. Hoje, Rachel de Queiroz.

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À BEIRA DO RIO CACHOEIRA

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Rachel de Queiroz nasceu com Itabuna. E viveu na cidade emergente (“num sobradinho que ficava perto do rio”), tudo indica que por menos de um ano, entre 1932 e 1933. Eu me pergunto se ela sabia que tinha a mesma idade da terra que a acolhera. Evidentemente que não sabia, mas me divirto ao pensar nisso. Rachel chega a Ilhéus em 1932, num navio da Baiana, é recebida por Jorge Amado, permanece alguns dias no palacete de João Amado (foto acima), pai de Jorge, para só depois transferir-se, de trem, para Itabuna. Ela vinha de Fortaleza, por Salvador, recém-casada com um funcionário do Banco do Brasil, José Auto da Cruz Oliveira, o Zé Auto, que para Itabuna fora transferido. Os dois eram militantes do Partido Comunista Brasileiro. Ela “perigosa agitadora”; ele, nem tanto.

IMPALUDISMO, “MISTÉRIO” E GRAVIDEZ

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A escritora sofre o diabo com o impaludismo, quase morre, pois se recusou a tomar quinino (então, o medicamento de escolha), que era abortivo, e ela estava grávida. Rachel (foto) sentiu-se grávida muito rapidamente (só tinha dois meses de casada), circunstância que ela mesma tinha dificuldade de entender. “Não se podia pensar em antecipações, porque Zé Auto, até o casamento, nunca tinha chegado perto de mim, senão com um simples abraço para dar adeus, e chegou ao Ceará três dias antes de nos casarmos”, depõe a escritora. Mistério!… Zé Auto, nas horas vagas de uma atividade  no Banco do Brasil descrito pela mulher como “verdadeira tirania” (ainda não havia leis trabalhistas), atendia ao chamamento do estro. Inspirado no frio incontrolável que o impaludismo causava a Rachel, dedicou-lhe uma versalhada, da qual a história registrou esta passagem: “Me dá lã pra comer,/que o meu frio é por dentro”. Por certo, insuficiente para ganhar o Nobel de Literatura.

LENA WEBER, A MOÇA LIBERADA

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Nesse tempo de doença e gravidez ela foi assistida por “uma pessoa extraordinariamente boa, generosa e maternal, uma negra alta, forte, talvez sexagenária: Carmelita”. Essa Carmelita, ainda segundo Rachel, “fora dona de uma pensão de mulheres e, parece, também ela própria fora rapariga, como diziam por lá, e tinha haveres”. Rachel de Queiroz lembra, do tempo em Itabuna, também de Lena Weber, “uma moça judia suíça (uns irmãos seus tinham loja na cidade)”, que ficou sua amiga e a ajudou naquela quadra de dificuldades e solidão à beira do Cachoeira.  A escritora diz que “Lena lia muito, era liberada sexualmente, tivera seus amores com vários rapazes”. Rachel ficou abismada com tamanha liberdade, pois tanto na casa dela, uma tradicional família cearense, quanto nas hostes do Partido Comunista, o moralismo era muito severo.As raposas do PC tinham uma regra inflexível: “Não confundir questão social com questão sexual”. O quarteto feminino (uma recém-casada de apenas 22 anos, uma “dona de pensão de mulheres”, uma moça “avançada” e a pequena Clotilde no ventre de Rachel) tinha tudo para dar errado, mas não deu. Já tendo publicado O quinze (e com João Miguel no prelo), quando aqui esteve, ela lançou em seguida Caminhos de Pedras, As três Marias, O Galo de Ouro e vários outros títulos, consolidando-se como uma das maiores escritoras do Brasil, rumo à Academia Brasileira de Letras (primeira mulher ali admitida). Clotildinha nasceu em Fortaleza, de parto prematuro, e morreu aos 18 meses. Rachel de Queiroz e Zé Auto se desquitaram em 1939. Estas informações estão no livro Tantos anos (foto), depoimento de Rachel à irmã Maria Luíza de Queiroz (Editora Siciliano/1998).

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NÃO É PORTUGUESA, COM CERTEZA

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O ministro Geddel Vieira Lima (foto), de quem vocês, certamente, já ouviram falar, gravado à socapa em conversa telefônica, saiu-se com esta pérola, sobre o prefeito João Henrique: “não é uma figura que a gente pode estar confiando no que ele coloca”. Valha-me Deus! Que dialeto será esse, pois português não é? Uma língua, qualquer que seja, tem um padrão, um conjunto de regras a obedecer. O texto que as transgride não leva ninguém à cadeia (igualzinho ao dia a dia da política brasileira), mas recebe uma punição, digamos assim, subjetiva: o texto é “excomungado”, não é reconhecido como integrante daquela língua, mas de outra, sabe-se lá qual. A fala gedelliana, portanto, já nasceu expulsa do mundo lusófono, pois feriu-lhe de morte alguns princípios. O ministro, fiel a seu estilo, deu um pontapé em áreas íntimas e sensíveis da gramática. Na tumba, Camões e Machado de Assis espumam e rangem os dentes. Eu também. Só que ao vivo, se me permitem o trocadilho.

LULA, REI DOS GRAMÁTICOS

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O texto é um prodígio. Grosso e curto, concentra surpreendente quantidade de asneiras: regência verbal equivocada, emprego abusivo do gerúndio e o verbo “colocar” com sentido pífio. É erro em excesso para uma construção tão pequena. Se os professores de língua portuguesa perdessem tempo a ler fofocas de políticos – em infindável processo de conspiração para chegar ao poder – teriam na frase referida interessante material para usar em sala de aula (foto): um exemplo vivo e rasteiro da comunicação vazada em dialeto que se pensa língua portuguesa, mas não é. A canelada que o operoso ministro (com formação universitária) deu na gramática faz do seu chefe, o presidente Lula (sem maior formação escolar), Rei dos Gramáticos. Melhor: Príncipe dos Filólogos.

DOIS RIOS DE LÁGRIMAS

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Atrás da porta, de Chico Buarque e Francis Hime, foi feita em 1972, para Elis Regina, marcando o fim do casamento da cantora com Ronald Bôscoli. Este vídeo (de um especial da Rede Globo/1980) atinge outro casamento, o segundo, com César Camargo Mariano (na foto, com a cantora). Elis está abatida ao começar a canção e vai-se desmoronando à medida em que “sente”  os versos, como se descrevessem sua tragédia pessoal  É uma mulher desesperada, devastada pelo sentimento, pois sua união – e disso a platéia não sabe – chegara ao fim na noite anterior, é o que diz a lenda (César, a outra face da tragédia, acompanha Elis, ao piano). Ela tenta cobrir o rosto com os cabelos, a mão em concha, procura controlar-se, talvez fugir e se esconder de si mesma. Entregue aos leões, sabe que o show do circo tem de continuar. E canta, canta, canta, como se cantasse para morrer. Ao levantar a cabeça, está banhada em lágrimas (eu, em soluços!). Sob tensão irresistível, a artista perde o controle de sua celebrada técnica: a alma dilacerada, já a voz falhando, minha cantora preferida sussurra que, se preciso for, rastejará do palco ao infinito “até provar que ainda sou tua”. Um momento único da canção brasileira.

Se seu coração não tem feridas sentimentais mal cicatrizadas, clique aqui.

(O.C.)
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<h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3>
<div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as
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O presidente Lula passou mal ontem à noite e foi internado às pressas em um hospital de Recife (PE). Foi, assim, obrigado a cancelar todos os seus compromissos de hoje e do final de semana por conta de uma gripe e pressão alta (18×12). Dentre os compromissos do presidente, um deles era em Salvador, no próximo sábado, 30, quando participaria da etapa baiana do Fórum Social Mundial.

Ainda à tarde, Lula discursava em inauguração de uma unidade de pronto-atendimento (UPA) em Recife. Ao seu estilo, elogiou as instalações da UPA e disse que estava tão organizada que “dava até vontade de ficar doente”. Aê, Lula, com essas coisas não se brinca…

Ouça parte do discurso do presidente

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Marco Wense

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Toda vez que é questionado sobre o segundo turno da sucessão estadual, na hipótese de ficar de fora da disputa pelo Palácio de Ondina, o ministro Geddel Vieira Lima sai pela tangente.

O ministro Geddel (Integração Nacional) tem um prazo limite para tergiversar diante da sua posição em relação ao processo sucessório, mas especificamente no tocante ao segundo round.

Esse prazo encerra na conversa que deverá ter com o presidente Lula assim que se desincompatibilizar do ministério para disputar o cobiçado cargo de governador da Bahia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com sua popularidade lá nas nuvens, vai cobrar uma posição de Geddel diante de um eventual segundo turno com o petista Wagner e o democrata Paulo Souto.

Lula, que não criou nenhum obstáculo para a construção de dois palanques para a presidenciável Dilma Rousseff, vai exigir do ministro uma contrapartida, que é o apoio ao governador Jaques Wagner.

O ministro Geddel, com a desincompatibilização – condição sem a qual não poderá ser candidato –, se quiser indicar o seu substituto no ministério da Integração Nacional, terá que apoiar Wagner na segunda etapa.

Não tem cabimento Geddel indicar o seu sucessor e, depois, junto com ele, apoiar o candidato do DEM, partido que o presidente Lula escolheu como seu principal adversário na eleição de 2010.

O presidente Lula, que não é nenhum “menino” e, nem tão pouco, um “Zé Mané”, não vai aceitar um Geddel escorregadio, titubeante, saindo pela tangente. Um Geddel, digamos, atucanado, em cima do muro.

E o segundo turno, como fica, deve perguntar o presidente Lula a um Geddel que não poderá ser evasivo diante daquele que foi o responsável direto por sua ascensão política.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta manhã a morte da coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, no terremoto do Haiti. A informação é do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

“O presidente estava absolutamente chocado, lamentou muito. (Zilda) é uma pessoa de grande projeção no País”, afirmou Amorim, que se reuniu com o presidente e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para definir as providências que serão tomadas para socorrer brasileiros que estão no Haiti.

“Foi uma grande tragédia. Há vários tipos de preocupações, não apenas com a situação de brasileiros militares e civis mas também com a situação do povo haitiano”, disse Amorim.

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