Tempo de leitura: 4 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Um casal, interpretado pelos mais comediantes que atores Steve Carell e Tina Fey, quer uma noite diferente, e consegue uma bem ao estilo “sessão da tarde” – para não entrar em spoilers já mostrados pelo trailer, “cheia de aventuras de tirar o fôlego”. Essa é a premissa de Uma Noite Fora de Série (Date Night – EUA, 2010), de Shawn Levy, filme cujo recheio traz encadeamentos tão absurdos que criam expectativa e ambiente curiosos – embora não vá muito além disso.

Por mais que o assunto aqui seja um casal, e não um indivíduo a perambular à noite por Nova Iorque, essa sinopse (e o que carrega o filme) leva à inevitável lembrança de Depois de Horas (1985), de Martin Scorsese. Não se trata, obviamente, de pedir a Levy um filme tão autoral quanto aquele – ainda que um dos menos inspirados de Scorsese. Mas o que mais incomoda aqui é o fato de ele (que soa como o maior responsável pelo que existe de menos brilhante ali) não conseguir ir além de um irritante grifo televisivo em um filme-novela com potencial como este.

A direção aqui, ao invés de suavizar as mudanças de atmosfera (o que, me parece, seria mais interessante), potencializa o efeito bipolar do roteiro. É impressionante como são incluídas sequências que vão da tristeza a mais completa euforia – sempre frisados. Sobram boas intenções para se fazer uma maluquice híbrida de gêneros, mas falta delicadeza para trabalhar com elementos que se mostram a princípio desarmônicos não só em um único filme, mas às vezes em uma única cena.

É instalada então uma crise de identidade. Uma Noite Fora de Série é uma comédia conservadora à base de estrelas, rostos e corpos atraentes e carismáticos, mas todo blockbuster da mesma família o é. Com isso, o que mais salta aos olhos é o potencial nunca explorado, mas sim geralmente atropelado – às vezes literalmente. Dos personagens ao resultado, presenciamos uma confusa correria sem fim que parece mais uma pressa gratuita (que resulta em mais se$$ões por dia) que o ritmo do filme de fato.

Uma Noite Fora de Série não funciona tão bem como o que se espera de uma comédia comandada por Levy, Carell e Fey (isto é, pouco além do puro riso), e chega próximo de ser um ótimo passatempo – uma das sessões mais rápidas nos últimos tempos. Mas seu caráter domesticamente tresloucado não nos prende tanto pela atenção e pela criatividade de fato, embora elas estejam presentes ali.

A impressão maior é a de um roteirista que, ao invés de fazer um bom roteiro que falasse por si só, preferiu dizer “olha como posso escrever uma trama cheia de artimanhas”. A tentativa de ser diferente soou maior que o talento – e nem Levy, Carell e Fey conseguiram ir além disso.

Visto, em cabine de imprensa, no Multiplex Iguatemi – abril de 2010.

Uma Noite Fora de Série (Date Night – EUA, 2010)

Direção: Shawn Levy

Elenco: Steve Carell, Tina Fey, Mark Wahlberg, James Franco, Mila Kunis, Ray Liotta

Duração: 88 minutos

Projeção: 2.35:1

8mm

Chuva sem água. Graças ao fantástico sistema viário de Salvador (de ônibus, gastei 35 minutos de casa ao Iguatemi – o mesmo que gastaria a pé), cheguei à cabine de Caso 39 (Case 39 – EUA, 2009), de Christian Alvart, com dez minutos de atraso, o que não me deixa falar do filme. E não, o pior é que, na quarta-feira (7), não havia caído uma gota de água em Salvador – engarrafamento era só pra agradar mesmo.

BBB da morte. Baseado em livro fenômeno japonês, a premissa de Batalha Real (2000), de Kinji Fukasaku, é fantástica. Em mundo apocalíptico, o país sofre com desemprego e violência juvenil, e 41 alunos (maioria conhecidos entre si) são enviados a uma ilha para disputar um jogo cujo objetivo é simples e irreversível: depois de três dias, entre os 41 colegas, ser o único sobrevivente.

Batalha… é uma espécie de reality show militar, um tipo de BBB da morte. Cada “eliminação”, e o que leva cada a um matar (ou morrer), é geralmente bem marcante, mostrando do que o ser humano é capaz quando acuado e atordoado – com o filme indo (mesmo sem nunca parecer colocar a política à frente) de um manifesto direitista a um absurdo otimista (didático e irritante).

Por outro lado, a trilha soa presente em demasia, e exceção feita aos momentos informativos (e agonizantes), que nos ajudam a contabilizar as mortes, os letreiros parecem redundantes; assim como os diálogos, em sua maioria uma coleção de lugares comuns – o que contrasta ainda quando pensamos em raros momentos de pura inspiração. Mesmo assim, ainda que outro porém sejam os dez minutos finais, Batalha Real é qualquer coisa menos ordinário. E já precisa ser revisto.

Filmes da semana

1. Batalha Real (2000), de Kinji Fukasaku (DVDRip) (***)

2. Os Viciados (1971), de Jerry Schatzberg (DVDRip) (**1/2)

3. Boleiros 2: Vencedores e Vencidos (2006), de Ugo Giorgetti (DVDRip) (***)

4. O Fantástico Sr. Raposo (2009), de Wes Anderson (Cinemark) (**1/2)

5. Crimes e Pecados (1989), de Woody Allen (DVDRip) (***)

6. Beijo na Boca, Não (2003), de Alain Resnais (DVDRip) (**1/2)

7. Caso 39 (2009), de Christian Alvart (Multiplex Iguatemi – Cabine de imprensa) (**)

8. Uma Noite Fora de Série (2010), de Shwan Levy (Multiplex Iguatemi – Cabine de Imprensa) (**1/2)

9. Clube da Lua (2004), de Juan José Campanella (DVDRip) (**1/2)

10. Permanent Vacation (1980), de Jim Jarmusch (DVDRip) (**1/2)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Nosso trovador Agulhão F. anda sumido desde o dia em que a baiana Anamara Brito deixou o BBB10, o reality show da Vênus Platinada. Agora, aparece a ex-policial militar dizendo que tirou o “atraso” de quase cinco meses. E confessou ao site de amenidades EGO: “foi uma das melhores transas da minha vida”.

Sabe-se que Agulhão fez beicinho, ficou uma arara ao ver a ex-PM se achegando ao apresentador Pedro Bial. Rolou até selinho (relembre aqui). Mas o fato é que o melhor trovador do planeta sumiu, coincidentemente, nesse período. Como o homem é tido como bom mineirinho, apesar da sua origem nordestina, fica a dúvida: Agulhão também tirou o atraso?

Aguardemos, em versos, a resposta dele, o insuperável!

Tempo de leitura: 3 minutos

70 MM

duas estrelas

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Chico Xavier (idem – Brasil, 2010), de Daniel Filho (Se Eu Fosse Você 1 e 2, Primo Basílio), é menos um filme que um manifesto religioso institucional, é mais um ponto de partida sem desenvolvimento que um ponto de vista. É um filme que ou se sustenta no factual histórico, que faz questão de querer se auto-legitimar no fim, ou investe na defesa da fé. O porém, e aí talvez resida o maior problema dele, é que essa fé não é na ou da ficção – o que o filme é (por mais que baseado em fatos reais e com término institucional) –, mas na fé no e do personagem, com e de suas convicções.

Desde o começo, Daniel Filho demonstra o que pode ser visto como competência, mas essa competência vem muito mais da inevitável experiência adquirida após 40 anos de produção especialmente para a tv do que de um talento específico para fazer cinema. O melhor exemplo disso talvez seja a cena (entrecortada com flashbacks durante todo o filme) em que é reconstituído o programa Pinga Fogo, da TV Tupi, em famosa entrevista de Chico Xavier.

O ritmo é tão convincentemente televisivo – e consequentemente rápido – que a distração causada pelos cortes e movimentos se torna maior que a atenção dada à mensagem passada por Chico Xavier (Nelson Xavier). Se a tentativa foi dar força a Chico Xavier ou à reconfiguração histórica (até por vermos um ator reconhecido por todos, Tony Ramos), ela é falha; se foi reforçar a personalidade do ateu vilanístico da história, funcionou.

Mas, como em várias outras bioproduções com presunção essencialmente populista num tempo recente (talvez em toda a Retomada), de Pelé Eterno a Lula – O Filho do Brasil, aqui o personagem torna-se maior que o filme. Não bastasse os créditos finais acompanhados de imagens de arquivo reencenadas no filme, e o uso de toda a expressão caricatamente martirizável de Ângelo Antônio como o personagem, somos (re)lembrados da hora da morte de Chico Xavier, para chegar à conclusão de que toda a espiritualidade dele estava certa.

Não que haja problema em defender uma ideia religiosa – longe disso. O problema é que, no fim, a impressão é que esse caráter defensor da direção e do roteiro (de Marcos Bernstein, de Central do Brasil) não privilegiaram o que a ficção poderia dar de melhor, já que os principais acontecimentos da vida do personagem guiam o filme em piloto automático, sem quase nada além do óbvio. O poder de convencimento, que aqui podemos chamar até de mérito, está mais ligado à fé na doutrina do que na maneira como defende ela. O que, infelizmente, só ressalta a sensação de apatia que beira a preguiça.

Visto, em Cabine de Imprensa, no Multiplex Iguatemi – Salvador, março de 2010

Chico Xavier (idem – Brasil, 2010)

Direção: Daniel Filho

Elenco: Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Matheus Costa, Tony Ramos, Christiane Torloni

Duração: 124 minutos

Projeção: 1.85:1

8mm

Soul Kitchen (2009), de Fatih Akin

Ainda que deixe um talvez demasiado gosto da decepção, Soul Kitchen (2009), de Fatih Akin, nos mostra uma Anna Bederke que, se tudo der errado, vai no mínimo sempre lembrar Anna Karina – musa de Godard e da Nouvelle Vague nos anos 60. E como adendo, além de a moça parecer mais alguém que não tenho certeza (acho que não é Uma Thurman), o que contribuiu para uma impressão promissora é que ela faz aqui apenas seu primeiro filme.

Filmes da semana

1. Ressaca de Amor (2008), de Nicholas Stoller (DVD) (***1/2)
2. O Filho da Noiva (2001), de Juan José Campanella (DVD) (***1/2)
3. Halloween 2 (2010), de Rob Zombie (Multiplex Iguatemi) (**1/2)
4. Chico Xavier (2010), de Daniel Filho (Multiplex Iguatemi – Cabine de Imprensa) (**)
5. Soul Kitchen (2009), de Fatih Akin (Cine Vivo) (**1/2)

6. Comédias e Provérbios: Pauline na Praia (1983), de Eric Rohmer (DVDRip) (****)
7. Noite Americana (1973), de François Truffaut (DVD) (****)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

Tempo de leitura: 3 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Logo no início de Bons Costumes, somos apresentados a uma insuportavelmente aristocrata família do interior inglês (nos anos 20), que espera o filho com sua respectiva esposa, surpreendente não só ao ser americana – sem disfarçar o sotaque – como também ao ser mais velha que o imaginado. Tudo funciona em torno das conturbadas relações entre ela e a família dele, especialmente a mãe, uma Kristin Scott Thomas em sempre convincente inconveniência. Do ritmo à entonação, ambos bem específicos e afastados de uma atuação mais naturalista, percebemos que Bons Costumes, de fato, passa a certeza de ser adaptado de uma peça. O que não é, felizmente, a mesma coisa de teatro filmado.

Com base em um roteiro bem estruturado, aliado a um excelente texto escrito para a tela ainda com todo um ranço teatral, Stephan Elliott (Priscilla – A Rainha do Deserto) utiliza o seu domínio de cinema para potencializar o que existe de bom ali. Ele conduz tudo com leveza e domínio do meio, mostrando (pelo bem do andamento do filme) a utilidade como movimento de câmera, da mudança de locação na continuidade de uma cena, da presença e do acontecimento de coisas impossíveis no teatro – sem entrar no mérito da comparação da qualidade de um com o outro.

Curiosamente, o tom acima de quase tudo em Bons Costumes contrasta com uma pretensão que visa qualquer coisa menos o topo. É um filme tão old school, e com olhar tão caro ao passado que deixa claro se contentar em ser um bom retrô. É como ver, numa botique contemporânea, uma camisa nova mas com a pinta de uma datada e charmosa peça de brechó. Dado seu caráter de aparência inicial inegavelmente genérica, ela precisa ser analisada de perto para perceber que, em seus poucos detalhes, ela figura entre as mais diferenciadas.

PS: Enquanto revisava o texto, consegui o feito de deletar parte de um parágrafo e, sem perceber (sabe-se lá como), salvar e sair – ou equivalente. Como resultado, tive de apagar todo o parágrafo, que ficaria entre o segundo e o terceiro daí. Crítica perdeu nexo.

Bons Costumes (Easy Virtue – EUA/ Canadá, 2008)

Direção: Stephan Elliott

Elenco: Jessica Biel, Ben Barnes, Kristin Scott Thomas, Colin Firth

Duração: 97 minutos

Projeção: 2.35:1

8mm

Top-10 Março:

10. Separações (2002), de Domingos Oliveira (***) e Not Quite Hollywood: The Wild, Untold Story of Ozploitation (2008), de Mark Hartley (***)

9. Mad Max (1979), de George Miller (***1/2)

8. A Faca na Água (1962), de Roman Polanski (***1/2)

7. Mãe – A busca pela verdade (2009), de Joon-ho Bong (***1/2)

6. Sem teto, nem lei (1985), de Agnes Varda (***1/2)

5. Medos Privados em Lugares Públicos (2006), de Alan Resnais (***1/2)

4. Ilha do Medo (2010), de Martin Scorsese (***1/2)

3. Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock (****)

2. Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola (****)

1. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (****1/2)

Filmes da semana

  1. Mad Max (1979), de George Miller (DVD) (***1/2)
  2. Martha (1974), de Rainer Werner Fassbinder (DVD) (***)
  3. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (DVD) (****1/2)
  4. Lili Marlene (1981), de Rainer Werner Fassbinder (DVD) (***)
  5. Malena (2000), de Giuseppe Tornatore (DVD) (**)
  6. Aos Treze (2003), de Catherine Hardwicke (DVD) (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

Atualizado às 18h45min 28/03

10. Separações (2002), de Domingos Oliveira (***) e Not Quite Hollywood: The Wild, Untold Story of Ozploitation (2008), de Mark Hartley (***)

9. Mad Max (1979), de George Miller (***1/2)

8. A Faca na Água (1962), de Roman Polanski (***1/2)

7. Mãe – A busca pela verdade (2009), de Joon-ho Bong (***1/2)

6. Sem teto, nem lei (1985), de Agnes Varda (***1/2)

5. Medos Privados em Lugares Públicos (2006), de Alan Resnais (***1/2)

4. Ilha do Medo (2010), de Martin Scorsese (***1/2)

3. Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock (****)

2. Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola (****)

1. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (****1/2)

Tempo de leitura: 4 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Um Sonho Possível (The Blind Side – EUA, 2009), como tantos outros, é um filme constrangedor eclipsado por uma história bonita – ou vice-versa, a depender de seu ponto de vista. E ainda que tenha seus momentos, é difícil imaginá-lo como algo além de “aquilo que levou Sandra Bullock ao Oscar”.

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O filme é adapatado e dirigido por John Lee Hancock, homem de esportes (Desafio do Destino) e de drama histórico (O Alamo), ambos baseados em fatos reais. Em Um Sonho Possível, ele parece renovar por vários anos o seu contrato com professores de história e defensores da auto-ajuda; com o importante adendo de que o contrato ecoa muito mais forte que o cinema.

A história é de Michael Oher (Quinton Aaron, de tão repetitivo, mais irritante que expressivo), jovem obeso, negro, pobre e sem família, que só consegue vencer na vida depois de ser adotado por uma abastada família branca. O filme tem lá suas boas ideias e pontos interessantes, mas o curioso é que o melhor dele talvez seja o fato de não falar de um quarterback, e sim de um left-tackle, uma posição (assim como a outra, sem correspondência exata no “nosso” futebol) pouco visível e nada vistosa para leigos no futebol-americano.

Logicamente, algo está errado se o maior mérito do filme está na sua sinopse, e não na sua execução. E o que mais soa equivocado em Um Sonho Possível é a obsessão de ele trazer para si um peso que nunca sustenta. Caso a tristeza e a agonia, que estão lá, fossem exibidas em CNTP, o resultado seria menos redundante, mais palpável e próximo de uma situação verdadeiramente real. A dor e circunstâncias já são tão inimagináveis para a maioria que não havia a necessidade de se passar tanto o marcador de texto. Machuca os olhos.

Quando chega em seu final, como acontece com o começo, Hancock volta a convocar o caráter esportivo e oficial, em tom que lembra muito 2 Filhos de Francisco – A História de Zezé di Camargo e Luciano (2005), de Breno Silveira. O senão é que no caso brasileiro o problema maior é a brusca mudança de tom (de um razoável melodrama a um embaraçoso institucional pretensamente intimista), enquanto que, aqui, o “real” não “intervém”, e sim completa da maneira mais preguiçosa possível. O que contribuiu para a vitória do caráter podre de oficial que Hancock parece tanto buscar. Bem maior que sua vontade em (e, provavelmente, de seu talento para) fazer cinema.

Ps: Curiosamente, Sandra Bullock é a melhor coisa do filme – e ainda que exista o óbvio demérito dele, existe também o mérito dela. Mais do que nunca, ela e o diretor parecem cientes não só das suas limitações, como também de como ela (depois de se conter e/ou de esforçar muito pouco em quase tudo que fez) pode funcionar através de seu carisma e de seu contido esforço em trazer algum humor para a cena. Por outro lado, também acho que contribuiu o contraste, a expectativa criada depois de vermos a loirice e a aparência inicial tão fútil e imbecil para uma atriz que, há tempos, não era mais levada a sério.

Visto, em cabine de imprensa, no Multiplex Iguatemi – março de 2010

Um Sonho Possível (The Blind Side – EUA, 2009)

Direção: John Lee Hancock

Elenco: Sandra Bullock, Tim McGraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins

Duração: 129 minutos

Projeção: 1.85:1

8mm

Sem Teto, Nem Lei (1985)

Quando o assunto é o movimento hippie e seus ideais, começamos geralmente do irregular (mas relevante) Easy Rider – Sem Destino (1969), passamos pela excepcional adaptação de Hair (1979), de Milos Forman, e, infelizmente, chegamos a Ang Lee se lambusando com o fraco Aconteceu em Woodstock (2009). Independente da qualidade, a maior parte deles tendem a um olhar lúdico, de prazer sem ônus, ou, no máximo, de um enfoque na beleza da melancolia. Em Sem Teto, Nem Lei (1985), contudo, a belga Agnès Varda mostra a vida de uma francesa, a quem somos apresentados já morta e que, vamos assistindo, levou às últimas consequências seu modo de vida que, sem casa, vivia entre, e debatia sobre, a extrema liberdade e a extrema solidão. Apesar de alguma redundância talvez potencializadora, mas também maçante, temos um retratro cru (e cruel), com honestidade reforçada não só pela forma como tudo é mostrado, como também pela atuação de Sandrine Bonnaire. Quase obrigatório.

O Livro de Eli (2010)

O Livro de Eli (2010) pode ser resumido como uma versão, além de pouco feliz, catequizadora de 451 Fahrenheit (1966) de Truffaut. Mas se o filme do ex-Cahier é um de seus mais fracos, pelo menos carregava uma límpida paixão pelos livros. O Livro de Eli, por sua vez, se resume a dois ou três planos-sequências (ou que passam a ilusão de o serem), sem nada além da pura técnica ou da estilização, que não convencem. Nem a inerente paixão pelo tema se faz presente de verdade.

Filmes da semana:

1.    Boleiros – Era uma vez o Futebol… (1998), de Ugo Giorgetti (DVDRip) (**1/2)
2.    Os Esquecidos (1950), de Luis Buñuel (DVDRip) (**1/2)
3.    Not Quite Hollywood: The Wild, Untold Story of Ozploitation (2008), de Mark Hartley (DVDRip) (***)
4.    Sem Teto, Nem Lei (1985), de Agnès Varda (sala Walter da Silveira) (***1/2)
5.    Um Sonho Possível (2009), de John Lee Hancock (Multiplex Iguatemi – Cabine de imprensa) (**)
6.    O Livro de Eli (2010), dos irmãos Hughes (Cinemark – Cabine de Imprensa) (**1/2)
7.    Bons Costumes (2008), de Stephan Eliott (Cine Vivo) (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

Tempo de leitura: 3 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Desde a apresentação do logo da Paramount em Ilha do Medo (Shutter Island – EUA, 2010), embora flerte com o clichê, a soturna trilha sonora se distancia o suficiente do óbvio para trazer uma convincente agonia que parece não ter fim. E apesar do roteiro ser tão pouco crível (a ponto de nem se encaixar com a certa dose de exagero proposta), Ilha do Medo é também, enquanto combinação de som e imagem, um dos resultados mais potentes obtidos por Scorsese nos últimos anos – ainda que essa mesma potência termine por escancarar os contras do filme.

A paranoia – e praticamente tudo ligado a ela, o que não é pouca coisa – é sentida por Teddy Daniels (Di Caprio soberbo), detetive cujo passado tem o hábito de atormentá-lo, desde a passagem pela guerra a problemas familiares. Essas sequências são mostradas em cenas com expressividade e (em alguns casos) estilização que se juntam a uma leveza para a criação de uma violenta empatia com o atormentado Daniels. Obcecado por questões obscuras não só no seu passado como na inóspita, hostil e aterrorizante ilha-manicômio onde se encontra, ele mergulha cada vez mais em um mundo cheio de perguntas sem resposta.

O porém é quando essas perguntas, e outras que não eram feitas, ganham resposta – não li o livro e não sabia da reviravolta. É inevitável lembrar de detalhes e momentos marcantes do filme que, quando colocados juntos à sua mudança de rumo, fazem essa virada tão surpreendente quanto tola. Assim como boa parte da penúltima cena, que investe um bom tempo em uma explicação – quase tão irritante quanto detalhada – do que aconteceu. O fim da tensão aflitiva é a queda de um precipício de qualidade, é o término do que o filme tem de excelente.

É natural pensar que muito do que incomoda em Ilha do Medo vem justamente do poder de Scorsese em potencializar esse contraste. O brilhantismo na construção da atmosfera ressalta o esquematismo e a confusão do (mesmo assim interessante) roteiro. O que se nos deixa a sensação de ainda estarmos diante de um mestre (há algum tempo) no apogeu de seus domínios, também nos deixa a certeza de que ele já escolheu – ou escreveu – filmes mais bem resolvidos.

Visto em cabine de imprensa no Multiplex Iguatemi– Salvador, março de 2010.

Ilha do Medo (Shutter Island – EUA, 2010)

Direção: Martin Scorsese

Elenco: Leonardo Di Caprio,Mark Ruffalo, Bem Kingsley, Max Von Sydow, Michelle Williams, Emilly Mortimer

Duração: 1388min

Projeção: 2.35:1

8mm

Mãe – A busca pela verdade

Em Mãe – A busca pela verdade (Madeo – Coréia do Sul, 2009), de Joon-ho Bong, tudo é bem calculado, o mistério é cuidadosamente mantido, e o final é algo surpreendente. Sua mecânica, contudo, varia entre o completo domínio do meio e do público (é provável que em mais de uma vez você acredite estar certo quando não está), e uma necessidade – que me incomodou – de justificar a inserção de cada mínimo detalhe, de se assumir milimetricamente dominador e excessivo, pela potencialização da reviravolta. O que ele já tinha sido em O Hospedeiro (2006), é verdade, mas (talvez pelo fato de se tratar de um filme de gênero), o “deixar claro que tenho o controle”, pelo menos ali, parecia fluir mais naturalmente. Ainda assim, também como em O Hospedeiro, estamos diante de um entretenimento de altíssimo nível. Agora com um filme cujo gênero é menor que a mensagem. Aqui, ele faz uma defesa da cegueira do amor – e do viver bem isso. Bonito.

Filmes da semana:

1. O Medo do Goleiro diante do Pênalti (1972), de Wim Wenders (VHSRip) (**1/2)

2. Separações (2002), de Domingos de Oliveira (DVDRip) (***)

3. Mãe – A Busca Pela Verdade (2009), de Joon-ho Bong (Cinema da Ufba) (***1/2)

4. A Faca na Água (1962), de Roman Polanski (DVDRip) (***)

5. Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock (DVDRip) (****)

6. Ilha do Medo (2010), de Martin Scorsese (Cabine de imprensa – Multiplex Iguatemi) (****)

7. A Câmara da Morte (2007), de Alfred Lot (DVDRip) (**1/2)

8. Onde Vivem os Monstros (2009), de Spike Jonze (Cinema do Museu) (***)

9. Quanto Dura o Amor (2009), de Roberto Moreira (Cinemark) (***1/2)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

Tempo de leitura: 4 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Zumbilândia (Zombieland – EUA, 2009), de Ruben Fleischer, é uma adorável brincadeira sobre fazer um tipo de filme – o de zumbis americanos – fadado ao aparente esgotamento, e ter consciência disso. É saber da inevitabilidade de a que e a quem recorrer, mas – até para “justificar” a própria existência do filme – entregar um resultado com cara própria.

Cara essa que vem desde a apresentação dos créditos, ao som de Metallica e a sua For Whom The Bell Tolls, acompanhada por imagens em câmera lenta, dando um caráter estilizado e escancaradamente lúdico ao filme. Com esse cartão de visitas, Fleischer já deixa claro que o investimento é menos na crítica (embora ela exista) característica de George A. Romero (Noite dos Mortos Vivos, Diário dos Mortos) que no deslavado entretenimento pessoal.

No resto do filme, é perceptível – ou no mínimo deduzível – que ele se divertiu pacas em cada cena. Seja carregada de morte e de sangue, seja marcada pela construção dos personagens, que vão de absurdo e compreensível maquiavelismo à mais completa estupidez.

Antes de uma crítica ao roteiro e a Fleischer, essa estupidez entra como possível metáfora – o que os melhores filmes de Romero conseguem – para o comportamento do conservador norte-americano diante do mundo. E num mundo, possível apenas no gênero, cujo norte está no desejo de se divertir ao se filmar sangue e ao se preencher de peso a trilha sonora, no que remete – mais até do que a Romero – a Rob Zombie (das versões mais recentes de de Halloween e Halloween II).

Essa diversão ao se filmar e dirigir atores em diálogos pretensamente espertos, aliados a efeitos visuais claramente contemporâneos (para não dizer nati-mortos com destaque para a data), faz lembrar Guy Ritchie em edição melhorada. O que, se por um lado está longe de ser um elogio, por outro mostra que um diretor pode estar claramente atrelado ao seu tempo e aos vícios ligados a ele, mas ainda assim ter algo de genuíno dentro da massa amorfa: se nem tanto em o quê dizer, pelo menos em como dizer.

Ainda que tenha uma às vezes exagerada vontade de ser cool, Zumbilândia demonstra muito auto-conhecimento. Ciente de seus limites, expostos tanto na (falta de) pretensão como no próprio executar (a estilização e o diferencial vão até onde o talento pode levar), ele funciona como o entretenimento pessoal e sem vergonha que tenta ser.

Visto no Multiplex Iguatemi – Salvador, março de 2010.

Zumbilândia (Zombieland – EUA, 2009)

Direção: Ruben Fleischer

Elenco: Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin

Duração: 88min

Projeção: 2.35:1

8mm

A Fita Branca

É difícil falar sobre A Fita Branca (2009), que deve ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro no domingo (7). Como tudo de Michael Haneke, tem momentos brilhantes e cenas que devem se tornar indeléveis, mas não dá a certeza – o que provavelmente nem ele queira – de ser bom. Também como tudo dele, embora particularmente fique sempre com muita vontade de ler sobre, o desejo de revê-lo dentro de uma década é quase nulo. Ou seja, A Fita Branca, como as coisas Hanekianas funcionam para mim, é um filme que instiga e afasta com a mesma intensidade.

Ps: Filme cresce ao se pensar nele.

Resnais

Com um atraso monumental, vi o igualmente monumental (embora claudicante antes de engatar de vez na última meia-hora) Medos Privados em Lugares Públicos (2006), de Alan Resnais. Como alguém pode envelhecer fazendo filmes como esse e Ervas Daninhas (2009)? Não lembro quem disse (pensei ter sido André Setaro, mas não encontrei no blog dele a afirmação), mas alguém disse que Resnais era, possivelmente, o maior cineasta vivo. Talvez não seja, mas isso pouco importa. Sendo ou não, ele é alguém cujo talento perceptível se junta à vivacidade de um jovem no auge de sua forma – aos 87 anos.

Filmes da semana:

  1. Sexy e Marginal (1972), de Martin Scorsese (DVDRip) (**1/2)
  2. 2. Zumbilândia (2009) (Multiplex Iguatemi) (***)
  3. Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola (DVD) (****)
  4. Linha de Passe (2008), de Walter Salles e Daniela Thomas (DVDRip) (**1/2)
  5. Medos Privados em Lugares Públicos (2006), de Alan Resnais (DVDRip) (***1/2)
  6. 6. Aconteceu em Woodstock (2009), de Ang Lee (Cine Vivo) (**)
  7. Valsas de Viena (1934), de Alfred Hitchcock (DVDRip) (***)
  8. 8. A Fita Branca (2009), de Michael Haneke (Cine Vivo) (***)
  9. Filme de Amor (2003), de Julio Bressane (DVDRip) (**1/2)

Curta:

  1. Cinema Novo (1967), de Joaquim Pedro de Andrade (DVDRip) (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

Tempo de leitura: 3 minutos


Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Ah… o Amor!, a cretina tradução para Ex (2009 – Itália/ França, 2009), de Fausto Brizzi (roteirista tarimbado, terceiro longa), é o tipo de título constrangedor que, passados os primeiros dois minutos do filme, tende a te levar a todo tipo de previsão apocalíptica para as próximas duas horas. Todavia, apesar dessa aura negativa fazer questão de ter sua voz amplifica logo de cara, o resto da projeção se mostra como uma deliciosa comédia de costumes (mas não só), que, embora tente, não consegue ser estragada nem pelos dez minutos finais – proibidos para diabéticos.

A história é basicamente sobre vários casais que, passados seis anos, vêm suas situações assaz diferentes. Além de tola, a apresentação é funcional, e a elipse subseqüente é didática. Feita essa introdução, Fausto Brizzi deixa claro que o norte será menos o cinema do que a comédia – sem que, para isso, a narrativa audiovisual (o meio para se chegar ao resultado) tenha de ser ofendida.

O maior investimento desse humor, ao invés do tradicional pastelão que tanto caracteriza parte do bom cinema italiano, está principalmente no texto. Graças a uma cuidadosa escrita, Brizzi, que trabalha com uma humanização (vez ou outra, todos fazem alguma besteira) otimista (todos ficam juntos e/ou felizes com suas condições) de todos os seus personagens, consegue encaixes surreais que criam toda uma atmosfera própria. De Caravaggio a Nani Moretti, passando por situações absurdas (aceitáveis dentro desse mundo criado), tudo transborda uma anedota, uma vontade de rir, ou de fazer rir (ainda que da própria miséria) – sem apelar tanto para o chulo ou para a obviedade constrangedora.

Não é que Ah… o Amor! seja um filme sem defeitos, longe disso. A trilha sonora, que tem até The Calling (nada mais infanto-juvenvil sem gosto e identidade), é o que mais deixa a incômoda sensação de uma vontade desmedida de ter que abraçar o mundo inteiro; se assumindo, sem vergonha alguma, como um produto tipo exportação – o que pode levar a um curioso diálogo com Nine (2009). Se o filme de Rob Marshall resume um clássico do cinema italiano (8½ de Fellini), e parte da própria Itália apaixonante, ao mercado didático americano, Ah… o Amor! se mostra como um italiano colonizador (vemos muito da Itália linda e lindamente acessível – de se ver), mas também colonizado – das músicas genéricas americanas ao gênero abraçado.

De qualquer jeito, o filme de Brizzi está longe de ser um poço de preguiça ou de alienação (embora limpidamente burguês), e consegue também funcionar como sátira que alfineta, entre outras, a Igreja católica. E mesmo que ele se lambuze todo no final (deveras arrastado), esse problema é menos exclusivo de Brizzi que da fidelidade ao gênero. Gênero esse que, geneticamente ligado à continuidade da indústria, estaria próximo do ideal (ainda que, obviamente, relativo) se fosse sempre assim.

Visto no Cine Vivo – Salvador, fevereiro de 2010.

Ah… o Amor! (Ex – Itália/ França, 2009)

Direção: Fausto Brizzi

Elenco: Alessandro Gassman, Fabio De Luigi, Claudia Gerini, Cristiana Capotondi, Cécile Cassel, Flavio Insina, Gianmarco Tognazzi

Duração: 120 minutos

Projeção: 2.35:1

8mm

Filmes da semana:

  1. Quem Bate à Minha Porta (1967), de Martin Scorsese (DVDRip) (***1/2)
  2. Ah… o Amor! (2009), de Fausto Brizzi (Cine Vivo) (***1/2)
  3. Luz de Inverno (1962), de Ingmar Bergman (DVD) (**1/2)
  4. Quando Explode a Vingança (1971), de Sergio Leone (DVD) (**1/2)
  5. Sweeney Todd (2007), de Tim Burton (DVD) (***)
  6. Inimigos Públicos (2009), de Michael Mann (DVD) (****)
  7. Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (2003), de Silvio Tendler (DVD) (***)
  8. O Piano (1993), de Jane Campion (DVD) (***)

Top-10 de fevereiro:

10. O que Resta do Tempo (2009), de Elia Suleiman (***)

9. Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow (***)

8. O Raio Verde (1986), de Eric Rohmer (***1/2)

7. Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira (***1/2)

6. Quem Bate à Minha Porta (1967), de Martin Scorsese (***1/2)

5. O Sabor da Melancia (2005), de Tsai Ming-Liang (***1/2)

4. Estrada Perdida (1997), de David Lynch (***1/2)

3. Ah… o Amor! (2009), de Fausto Brizzi (***1/2)

2. Inimigos Públicos (2009), de Michael Mann (****)

1. Persona (1966), de Ingmar Bergman (DVD) (*****)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

Tempo de leitura: 3 minutos

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É difícil defender, e até falar sobre, O Lobisomem (The Wolfman – Reino Unido/ EUA, 2010), de Joe Johnston (de Jumanji, Jurassic Park 3). O filme é a picaretagem travestida de homenagem, a preguiça disfarçada de tradição; em suma, é uma bobagem que só envergonha quem entrou nele.

A princípio, o filme é uma refilmagem do clássico de George Waggner, de 1941. No entanto, com base nas impressões deixadas, poderia ser descrito como qualquer blockbuster que envolva ação e aventura (à la Michael Bay): nada vai além do barulho, do sublinhar o já perceptível, do tesão em causar dor de cabeça, da vontade de explorar rostos e corpos potencialmente mais ligados à bilheteria que ao encaixe com o papel.

Um momento forte, por exemplo, mostra um homem que, após cair de certa altura, é esmagado por uma cerca. Imagem idêntica, embora com cena diferente, temos no norueguês O Homem que Incomoda (2006), de Jens Lien. Mas a diferença entre ambos, como o óbvio estereotipado pode sugerir, não está numa frieza nórdica diante de um jeito hollywoodiano de filmar ação. A diferença é que um diz o que quer dizer – o que já é um mérito – e diz do seu jeito. O outro não tem o quê nem sabe como dizer.

Pode-se afirmar que a reconstrução de época da Inglaterra é fiel, mas também é inegável que o caráter escuro-sombrio-úmido flerta menos com um classicismo (e domínio) do gênero de terror do que com um recurso fácil para deixar o espectador confuso.

Só a ideia – que temos aqui – de resumir um filme de terror a algum sangue (calculadamente corajoso), cenas violentas (às vezes mal filmadas) e sustos a base de “bus” e “tuns”, já dá uma tristeza absurda, mas, infelizmente, não é só isso o que O Lobisomem consegue. Ajudado pela maioria esmagadora dos filmes do gênero que chegam sem dó e sem talento às telas dos maiores cinemas, uma fatia igualmente marcante do público acha que um bom filme de terror se aproxima disso. E apesar da ideia de o demérito ser coletivo confortar os ligados ao filme, ela não vale para quem gosta do gênero.

O Lobisomem (The Wolfman – Reino Unido/ EUA, 2010)

Direção: Joe Johnston

Elenco: Emily Blunt, Simon Merrels, Gemma Whelan, Benicio Del Toro, Anthony Hopkins

Duração: 102 minutos

Projeção: 1.85:1

8mm

Walter da Silveira

Pela primeira vez tive contato direto e mais abrangente com textos de Walter da Silveira – organizados por José Umberto Dias –, reunidos no livro O Eterno e o efêmero (Oiti Editora). E não deixa de ser curioso vê-lo, em 1958, num texto sobre Kubrick, falar tantas vezes em “autor”.

Filmes da semana:

  1. Amarcord (1973), de Federico Fellini (DVDRip) (***)
  2. 2. O Lobisomem (2010), de Joe Johnston (Multiplex Iguatemi) (*1/2)
  3. O Raio Verde (1986), de Eric Rohmer (DVDRip) (***1/2)
  4. As Aventuras de Robin Hood (1938), de Michael Curtiz e William Keighley (DVDRip) (**1/2)

Curtas:

  1. Perto de Qualquer Lugar (2007), de Mariana Bastos (Porta Curtas) (**)

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Tempo de leitura: 4 minutos

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Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones – EUA/ Inglaterra/ Nova Zelândia, 2009), de Peter Jackson (trilogia do Senhor dos Anéis, King Kong), é um dos poucos casos em que um orçamento gigantesco se combina com um perceptível algo a dizer. E ainda que esse algo a dizer seja uma mistura desequilibrada entre prosa e poesia (de qualidades discutíveis), existem momentos que a combinação de ambas apresenta características pessoais e um certo domínio de linguagem – e isso é sempre bom.

Susie Salmon (Saoirse Ronan, expressiva) é uma adolescente assassinada aos 14 anos e que, do céu, assiste a tudo que acontece com quem ela se relacionou, os seus lovely bones – os “ossos amáveis”, numa tradução literal e pouco sonora. Nesse assistir, ela oscila entre o comentar impotente e a narração reflexiva e influente. Como em Crepúsculo dos Deuses (1950), essa narração é feita por alguém que já morreu, mas o uso do artifício do clássico de Billy Wilder, sem contar o fato de o filme se passar na década de 70, não é o único ponto que nos remete ao passado.

Peter Jackson consegue o absurdo de fazer uma criança, no além, escolher para si o nome de Holly Golightly – a Bonequinha de Luxo (1961) encarnada por Audrey Hepburn em uma das personagens mais encantadoramente fúteis do cinema. De Hitchcock ele parece buscar a inspiração para desenhar um vilão convincente e que, graças à montagem paralela e perseguição agonizante próxima ao fim, faz o espectador sofrer um bocado dentro (e talvez se esconder) da cena – num ponto alto do domínio estilístico.

Não dá para dizer, contudo, que Um Olhar do Paraíso é um filme vintage ou um balaio de referências. Peter Jackson abusa de enquadramentos que vao de clássicos planos em 35mm à subjetiva do porão de uma casa em miniatura (!) – filmada, como outras tomadas, por uma câmera digital. De quebra, ele ainda se utiliza de um visual agraciado não só pelo orçamento generoso mas também pelos efeitos possíveis – em escala e precisão – somente nos dias de hoje.

A cena que mescla os barcos em miniatura com os vistos pela filha, as “aparições” e as sensações dela, que vão das amargas mãos atadas ao maravilhoso da intervenção divina, são pontos altos do filme no seu caráter mais poético. Poesia essa que, fabulária como vem, contribui para uma coerente visão ultra-otimista da justiça (que “tarda, mas não falha”) e da felicidade pessoal – também pós-vida terrena. O que se por um lado é ingênuo (já que mostra uma certeza de uma ordem superior, certeza essa que nenhum humano vivo pode ter), é também carinhoso o suficiente para deixar a voz do moralismo menor que a da fábula e do cinema fantástico.

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Visto, em cabine de imprensa, no Multiplex Iguatemi – Salvador, fevereiro de 2010.

Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones – EUA/ Inglaterra/ Nova Zelândia, 2009)

Direção: Peter Jackson

Elenco: Mark Wahlberg, Saoirse Ronan, Rachel Weisz, Stanley Tucci

Duração: 135min

Projeção: 2.35:1

8mm

Invictus

Invictus (2009), de Clint Eastwood, passa basicamente duas impressões contraditórias. A primeira é de que Clint (não sei chamá-lo de Eastwood, perdão) há tempos não dá uma escorregada tão feia, e a segunda de que, apesar dos deslizes irreconhecíveis (cenas parecem realmente mal filmadas), existe ali alguém capaz de, apesar do material predominantemente simplório, trazer algo de bom – um toque de classe. Como na cena de abertura.

Todavia, é bom lembrar que em outros filmes dele (como Gran Torino e Menina de Ouro, para se restringir somente a essa década), tem-se não a suspeita, mas a certeza quase absoluta de que ninguém mais faria melhor com o que tinha em mãos. O que não parece ser o caso aqui. Infelizmente.

Cabines

Eu falei que, a princípio, não participaria mais de cabines de imprensa – e fui pra uma três dias depois. Ou seja – o que vocês já deveriam saber: não peguem nada do que escrevo como verdade definitiva. Por favor.

Filmes da semana:

  1. 1. Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow (Multiplex Iguatemi) (***)
  2. 2. Invictus (2009), de Clint Eastwood (Cinemark) (**1/2)
  3. Sweet Sixteen (2002), de Ken Loach (DVDRip) (**1/2)
  4. Sexy Beast (2000), de Jonathan Glazer (DVDRip) (***)
  5. 5. Preciosa (2009), de Lee Daniels (Cabine de imprensa – Multiplex Iguatemi) (*1/2)
  6. 6. Um Olhar do Paraíso (2009), de Peter Jackson (Cabine de imprensa – Multiplex Iguatemi) (***)
  7. Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira (VHSRip) (***1/2)
  8. Persona (1966), de Ingmar Bergman (DVD) (*****)
  9. 9. O que Resta do Tempo (2009), de Elia Suleiman (Pré-estreia – Cine Vivo) (***)
  10. Estrada Perdida (1997), de David Lynch (DVDRip) (***1/2)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

Tempo de leitura: 3 minutos

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Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – EUA, 2009), não é uma simples refilmagem, assim como está longe de ser um dos filmes que mais carrega a assinatura de Werner Herzog. O que não quer dizer que a primeira afirmação seja carregada apenas de mérito e a segunda de demérito. Quer dizer sim que aí talvez resida justamente o ponto mais saliente do filme: ele é uma mistura de características teoricamente a favor com outras a princípio contra e que, juntas, chegam a um resultado heterogêneo e anômalo.

A cena de abertura, por exemplo, pode ser vista de basicamente duas maneiras distintas – cada uma com sua razão. Uma delas diz que a atitude altruísta não condiz com Terence McDonagh (Nicolas Cage, com qualidades e defeitos aproveitados), alguém cuja mistura de hedonismo e egoísmo é tão explosiva quanto límpida. A outra avalia sua atitude como uma forma de Herzog (e o roteirista William F. Finkelstein) mostrar como esse heroísmo não passa de um desvio momentâneo de alguém com uma personalidade tão desequilibrada como afetada pelas drogas.

Esse mostrar, todavia, não é explícito nem imediato. Somente com o passar do tempo é que percebemos como a aparente redundância do roteiro – com droga a toda cena – é, na verdade, uma ferramenta que demonstra toda a complexidade daquele mundo (e especialmente daquele personagem) corrompido de e por pessoas corrompidas.

O abordar esse mundo nos remete ao desfecho da versão original (spoiler), com o assassinato de Harvey Keitel. Pela pessoa, pelo tema e pela conterraneidade do diretor, era inevitável a lembrança de Martin Scorsese e o começo de seu Caminhos Perigosos (1973): “Você não paga seus pecados na Igreja, você os paga nas ruas”. No Vício Frenético de Ferrara, o tenente era punido pelo. No Vício Frenético de Herzog, vemos basicamente a mesma cena do fim, na rua, praticamente o mesmo plano, mas a morte não vem. O que vem é, além de (mais) um diálogo carregado de um nonsense de aparência calculada, outra promoção e homenagem que (como a do começo, embora não com a mesma intensidade), traz uma boa dose de ironia.

Nesse final, como especialmente nas cenas alucinógenas, Herzog bate o seu pé – (guardadas as devidas propoções) as maluquices de Klaus Kinski transpostas para Nicolas Cage, as alucinações são do jeito dele, e ele não tem que (ou não quer) punir ninguém pelo comportamento nada ortodoxo. Do que ele sempre soube tratar. Com o adendo de que, travestido de diretor de aluguel (o que de fato não deixa de ser aqui), tem seu feito ainda mais potencializado.

Visto no Multiplex Iguatemi – Salvador, janeiro de 2010.

Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – EUA, 2009)

Direção: Werner Herzog

Elenco: Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer.

Duração: 122 min

Projeção: 1.85:1

8mm

Acabou

Assim como as sessões à tarde durante a semana, acabaram-se as cabines de imprensa pra mim – ainda que seja por uma boa causa. Ou seja, no more textos escritos antes das estreias nacionais.

Mendes

Depois de Os Donos da Noite (2007) e Vício Frenético (2009), Eva Mendes foi perdoada por todas as besteiras que fez antes deles.

Filmes da semana:

  1. Um Convidado Bem Trapalhão (1968), de Blake Edwards (Telecine Cult) (**1/2)
  2. O Sabor da Melancia (2005), de Tsai Ming-Liang (DVDRip) (***1/2)
  3. Todas as Mulheres Fazem (1992), de Tinto Brass (DVDRip) (**1/2)
  4. 4. Procurando Elly (2009), de Asghar Farhadi (Cinema da Ufba) (***)

Curtas

1. Thriller (1983), de John Landis (DVD) (****)

Melhores filmes de janeiro (não incluem os dessa semana):

10. Caminhos Perigosos (1973), de Martin Scorsese (***)

9. Rosetta (1999), de Jean-Pierre e Luc Dardenne (***1/2)

8. O Pecado Mora ao Lado (1955), de Billy Wilder (***1/2)

7. Manhattan (1979), de Woody Allen (***1/2)

6. Amor à Queima-Roupa (1993), de Tony Scott (****)

5. A Aventura (1960), de Michelangelo Antonioni (****)

4. Casablanca (1942), de Michael Curtiz (****)

3. Uma Garota Dividida em Dois (2007), de Claude Chabrol (****)

2. Vício Frenético (2009), de Werner Herzog (****)

1. Lola (1981), de Rainer Werner Fassbinder (****1/2)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

Tempo de leitura: < 1 minuto
O professor do ABC será homenageado pelo conjunto das obras – essa aí, por exemplo, é de gengibre

E o Cabôco Alencar virou bloco de carnaval. Na festa da lavagem do Beco do Fuxico desse ano, o personagem mais famoso do lugar será homenageado com o bloco Escolinha do ABC.

A folia será nessa sexta-feira, a partir das 18 horas, e as camisas do bloco da escolinha são vendidas nas melhores casas do ramo – os bares do Beco, mesmo.

Além da homenagem ao Cabôco, a festa terá a participação de blocos tradicionais, como o Maria Rosa e Casados I…Responsáveis, além do Mendigos de Gravata (bancários) e do Hora Extra (comerciários). A animação é ao som de marchinhas, levadas pela indefectível charanga.

Desnecessário dizer que o ABC da Noite estará fechado na hora da muvuca, como manda a tradição. Quem quiser apreciar a batida mais famosa da Bahia, portanto, deve adquirir o produto com a devida antecedência.

Tempo de leitura: 4 minutos

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Para se fazer um bom musical, como qualquer outro filme essencialmente de gênero, é necessário dominar um setor específico da gramática audiovisual – nem que seja, como acontece em alguns casos, para provar que ela pode ser violada pelo bem do resultado final. Nine (idem – EUA/ Itália, 2009), de Rob Marshall (Chicago), é um curioso caso de filme que parece ter qualidades e defeitos potencializados justamente não só pelo domínio do gênero como pela falta de, na maior parte do tempo. Trata-se, em outras palavras, de um filme bipolar.

Nome a nome, se o elenco (e seu potencial) é absurdo, a sub-utilização dele também o é. Assistir a Daniel Day-Lewis (Guido Contini) se limitar à sua expressão carregada (o que não é pouco), e perceber como o canto não é seu forte, é tão decepcionante quanto ver Penélope Cruz (Carla) numa atuação cuja intensidade nada lembra a memorável atriz de Volver (2006) de Abraços Partidos (2009). A quase sempre arrogante feição de Judi Dench (Lilli) está modesta demais, e quando Nicole Kidman (Claudia) canta, o filme já está tão perdido que parecem vir à mente só as lembranças dela em Moulin Rouge (2001).

Por outro lado, a excelente Marion Cotillard (Luisa Contini) está não menos que ótima, assim como Sophia Loren (a Mamma), a quem todos ainda parecem bater continência de admiração quando a olham em público. Além das duas, são interessantes as sequências cantadas por Fergie (Saraghina) e Kate Hudson (Stephanie).

Essas sequências, inclusive, provam dois pontos que saltitam aos olhos no filme. O primeiro é que o domínio de mise-en-scène de Rob Marshall é inferior à sua capacidade de fazer os cantos fluirem, sua musicalidade é maior que a sua segurança como regente do gênero musical. O outro é que o investimento na pompa da produção é tão grande que a extravagância visual, quando aliada ao apelo de algumas músicas (que funcionam) e contrastado com a falta de um maior domínio de direcionamento do olhar no quadro, torna tudo muito superficial.

Essa superficialidade, de quebra, ainda é ajudada pelo roteiro. Não temos um fio condutor convincente nem alcançamos um caráter verdadeiramente onírico – tudo parece solto. A obsessão com o (1963), Fellini e o cinema italiano não passa a impressão de “nossa, que homenagem bonita”, mas sim a de “nossa, como o cinema italiano tem coisas boas: vamos para ele depois disso aqui?”.

Apesar desses poréns, Nine traz brilho e um certo poder de hipnose que atrai o olhar como pouca coisa. Ele se sustenta não só graças a uma linguagem picotada e estrelas de enésima grandeza, mas também graças a um caráter barroco com detalhe para a opulência – não dos personagens, mas dos atores e da produção.

Ou seja, apesar da falta de densidade além da ideia, não falta verniz em Nine. Em um primeiro olhar a trechos do filme, a certeza é de madeira de lei. Visto de perto, um MDF que tenta se passar por aquela – e às vezes consegue.

Nine (idem – EUA/ Itália, 2009)

Direção: Rob Marshall

Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Nicole Kidman, Fergie

Duração: 118min

Projeção: 2.35:1

8mm

Calculadamente frenético

Era complicado imaginar uma versão decente do ótimo Vício Frenético (1992), de Abel Ferrara, filme cuja película cheirava a uma mistura entre ópio e cocaína, temperada com quadros de nu frontal. Mas eis que a refilmagem de Werner Herzog consegue não só manter a falta de pudores como, incluindo o mérito também para o roteirista William M. Finkelstein, evita o decepcionante moralismo no fim da versão original. Para se ter uma ideia, a impressão é de que o diálogo de Herzog com a obra de Ferrara, às vezes, é menor do que, por exemplo, a ligação com Medo e Delírio em Las Vegas (1995), interessante afetação de Terry Gilliam. Aqui, como no filme estrelado por Johnny Depp, muita coisa pode parecer (e às vezes é) excessivamente gratuito, a princípio. Mas depois de digerido, percebe-se o exemplo de combinação entre talento e transpiração técnica, que só um mestre como Herzog é capaz de conseguir.

Filmes da semana:

  1. 1. Vício Frenético (2009), de Werner Herzog (Multiplex Iguatemi) (****)
  2. 2. Nine (2009), de Rob Marshall (Cabine de imprensa – Multiplex Iguatemi) (**1/2)
  3. Uma Garota Dividida em Dois (2007), de Claude Chabrol (DVDRip) (****)
  4. Amor à Queima-Roupa (1993), de Tony Scott (DVDRip) (****)
  5. Nosferatu – O Vampiro da Noite (1979), de Werner Herzog (DVDRip) (***)

Curtas:

  1. Castanho (2002), de Eduardo Valente (Porta Curtas) (**1/2)
  2. Di Cavalcanti (1977), de Glauber Rocha (DVDRip) (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

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Robson foi preso por desacato na capital.
Robson foi preso por desacato na capital.

O itabunense e artista plástico Robson Costa, marido da cantora Margareth Menezes, acabou preso ao desacatar policiais em uma blitz em frente à casa de shows Cais Dourado, na Cidade Baixa, em Salvador.

De acordo com a polícia, Robson, que é irmão do ator Jackson Costa, tentou furar o bloqueio e teria se negado a apresentar documentação. Segundo a coluna Holofote, ele foi preso e levado para a 3ª Delegacia da capital.