Bebeto e Jerônimo: vice-prefeito não esconde desejo de governar Ilhéus || Foto PMI
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“Assegurar o apoio de Marão é o que falta ao vice-prefeito para manter-se na pole position”. 

Thiago Dias

O comentário político popularizou a metáfora da eleição como corrida. A imagem retrata bem a correria de um processo cada vez mais caro e curto, feito prova rasa de atletismo, mas com dinheiro no lugar da explosão dos músculos.

Aliás, talvez a Fórmula 1 ofereça alegoria mais precisa às eleições. Nela, ao invés de juntos, os competidores largam em posições distintas. O pole position, quase sempre, dirige o melhor carro, que costuma pertencer a equipe das mais ricas.

Não dá para dizer que o vice-prefeito Bebeto Galvão guia uma Ferrari na corrida eleitoral de Ilhéus, porém, hoje, na base do Governo Jerônimo Rodrigues, é o melhor posicionado para a disputa do Executivo em 2024.

Ex-deputado federal e ainda na suplência do senador Jaques Wagner (PT-BA), Bebeto exerce liderança regional no PSB, foi importante para a reeleição do prefeito Mário Alexandre (PSD) e assegurou legenda viável para a eleição da primeira-dama Soane Galvão a deputada estadual – uma socialista improvável, mas eleita. O vice-prefeito também carrega o traquejo da luta sindical e tornou-se interlocutor privilegiado dos trabalhadores com o capital da indústria pesada. Essas não são credenciais vulgares.

Uma digressão. Certa vez, um quadro importante do PT ilheense disse a este comentarista que, ao questionar Wagner sobre a possibilidade de o partido ter candidatura a prefeito de Ilhéus, ouviu o ex-governador afirmar que essa discussão passava, necessariamente, por uma conversa com o ex-prefeito Jabes Ribeiro. Corria o ano de 2019. À época, o PP de Jabes era aliado importante da base do Governo Estadual. Hoje, parafraseando a resposta atribuída a Wagner, Mário Alexandre é o sujeito político incontornável desse debate.

Bebeto e Marão, em ocasiões diferentes, afirmaram a este PIMENTA que ainda não conversaram sobre as eleições de 2024 (relembre aqui e aqui). Como sequer estamos no ano do pleito, ambos parecem respeitar a diplomacia partidária, evitando precipitar o debate na esfera pública. De todo modo, é certo que o prefeito terá voz influente na escolha desse ou daquele nome como representante da base. Assegurar o apoio de Marão é o que falta ao vice-prefeito para manter-se na pole position.

CORRENDO POR FORA

Adélia pode ameaçar posição de Bebeto na corrida ilheense || Redes Sociais/Reprodução

Contudo, há outro nome forte na base de Jerônimo que pode se tornar viável para a disputa da Prefeitura de Ilhéus. Trata-se da secretária estadual de Educação, Adélia Pinheiro. O presidente local do PT, Ednei Mendonça, em mais de uma ocasião, manifestou o desejo de ver Adélia candidata pelo partido.

Além disso, o nome da secretária é visto com bons olhos em diferentes segmentos sociais. Há quem diga que, na missão Ilhéus, ela teria apoio do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, braço direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a Reitoria da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e três secretarias de Estado no currículo, Adélia também ostenta credenciais de peso e pode ameaçar a pole de Bebeto.

Thiago Dias é repórter e comentarista do PIMENTA.

Augusto exalta a própria gestão: "melhor que Itabuna já viu"
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O prefeito Augusto Castro (PSD) afirmou que seu Governo está completamente dedicado ao aperfeiçoamento dos serviços públicos e às entregas que serão feitas à população de Itabuna até o final de 2024. Por isso, segundo ele, não há preocupação com possíveis adversários, caso decida tentar ser reeleito.

Questionado se tem receio do estilo popular atribuído ao deputado estadual Fabrício Pancadinha (Solidariedade), Augusto rechaçou. “Nenhum. As pessoas precisam ter experiência administrativa e tato para governar Itabuna. Nosso Governo tem avaliação muito boa. É natural que haja oposição, a gente tem que respeitar, mas a melhor resposta é o trabalho. Nosso foco é fazer o que a população nos creditou em 2020, que é entregar, entregar e entregar”, declarou o prefeito, nesta terça-feira (11), em conversa com a imprensa no Teatro Candinha Doria.

Outro nome de possível adversário do prefeito em 2024 citado na coletiva foi o do médico Isaac Nery (Republicanos), que costuma ser associado ao bolsonarismo e chegou a declarar voto no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Augusto, o fato de Bolsonaro ter recebido votação acima da média baiana em Itabuna não terá relevância no pleito do próximo ano.

“Eleição municipal é outra história, é localizada. As pessoas vivem no município e precisam do dia a dia da saúde, educação, infraestrutura, do social. Não tem nada a ver com a eleição do presidente da República. Na eleição de prefeito, as pessoas querem saber o que pode melhorar no dia a dia. [Em 2024, o eleitor vai se perguntar]: ‘eu quero mudar ou continuar com quem está realizando?’. Fico muito tranquilo, porque estamos fazendo e vamos fazer a melhor administração que Itabuna já viu”, concluiu o prefeito.

Jerbson fala sobre suspensão de eleição e comenta resistência ao seu nome no grupo de Marão || Foto CMI
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Declarado vencedor da eleição à presidência da Câmara de Vereadores de Ilhéus, Abraão Santos (PDT) recebe os cumprimentos de seu único adversário no pleito, Augustão (PT). Logo em seguida, o então presidente Jerbson Moraes (PSD) aproxima-se do sucessor eleito e o parabeniza. Abraão retribui com um beijo na cabeça do interlocutor.

O gesto de gratidão do novo presidente não deixava dúvidas, aquela também era uma vitória de seu antecessor. Por isso, o afastamento da Mesa Diretora, ordenado pela Justiça na quinta-feira (30), repercutiu como revés político de Jerbson, que, em dezembro, foi o principal articulador da candidatura bem-sucedida do colega.

Jerbson deseja ser candidato a prefeito em 2024 com apoio do mandatário atual, Mário Alexandre (PSD), e admite que a eventual escolha de seu nome não agradará a todo mundo no grupo de Marão. Ele falou sobre o assunto neste sábado (1º), em entrevista ao Central Interativa, na Rádio Interativa FM, de Itabuna.

Abraão beija Jerbson após ser eleito presidente da Câmara || Imagem CMI

Convidado a participar do programa pelo radialista Neto Terra Branca, Thiago Dias, do PIMENTA, questionou a Jerbson se ele considera que suas articulações visando à disputa pelo Executivo geraram resistência no grupo do prefeito e se a reviravolta na eleição da Câmara poderia ser entendida como reflexo dessa contenda interna pela sucessão de Mário Alexandre.

– Primeiro, a eleição de Abraão foi ganha com vereadores da base do prefeito. Segundo, essa intervenção judicial no Poder Legislativo, se nós tivermos outra eleição hoje, Abraão ganha de novo. Terceiro, decisão judicial não se discute, recorre – iniciou Jerbson Moraes.

Ele acrescentou que o Legislativo já reverteu outras decisões do juiz Alex Venícius Campos Miranda, titular da Vara da Fazenda Pública de Ilhéus, de onde partiu a ordem de afastamento da Mesa Diretora, a pedido do vereador Evilásio Valverde, Nino (Podemos), um dos nove parlamentares que não votaram no pleito de dezembro. O prefeito Mário Alexandre, asseverou Jerbson, não interveio na eleição da Mesa.

“NUNCA FALEI QUE SOU UNANIMIDADE”

Na sequência, Jerbson Moraes voltou a falar das ressalvas internas ao seu nome e enfatizou que ninguém tem 100% de aprovação dentro de um grupo.

“Tem outras pessoas do grupo que também pretendem se candidatar. Quem segue esse pré-candidato não apoia Jerbson. Nunca falei que sou unanimidade. Não quero me sobrepor a ninguém. Apenas reafirmo que sou o candidato natural do PSD, vereador de segundo mandato, o mais votado da cidade [em 2020] e ex-presidente da Câmara. Mas, em nenhum momento estou dizendo que tenho unanimidade no grupo. Agora, na hora que for escolhido, o grupo vai estar unido em torno do candidato. Pode ter certeza”, concluiu.

Lideranças em reuniões: todos os olhos miram a Prefeitura de Ilhéus
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Dirigentes locais da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, iniciaram as discussões em torno da construção de candidaturas para as eleições de 2024 em Ilhéus. Nesta semana, Rodrigo Cardoso, Josenaldo Cerqueira, ambos do PCdoB, Ednei Mendonça (PT) e Rogério Matos (PV) dialogaram sobre o papel das legendas de esquerda no pleito vindouro.

Na reunião, foi acertado que, no final de abril, a Federação vai promover seminário sobre os problemas estruturais de Ilhéus, a exemplo da precariedade dos serviços de transporte e das deficiências da atenção básica à saúde. Para lidar com esses desafios da cidade, a ideia do grupo é aproveitar a janela de oportunidade aberta com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sintonia com o projeto liderado pelo PT no Governo da Bahia.

Dando seguimento às conversas, Ednei Mendonça se reuniu ontem (10) com o vice-prefeito Bebeto Galvão (PSB), que não esconde o desejo de governar Ilhéus um dia, como afirmou ao PIMENTA em entrevista recente (relembre). “Conversamos sobre o atual cenário político em Ilhéus e as perspectivas para 2024. Vamos dialogar para criar as condições políticas de unidade na base do governador Jerônimo Rodrigues aqui em nossa cidade”, relatou Ednei.

O vereador Jerbson Moraes (PSD), ex-presidente da Câmara de Ilhéus e ex-secretário dos Governos Valderico Reis e Marão, também chamou a esquerda ilheense para conversar. Ontem (10), ele teve encontro com a cúpula do PCdoB na cidade. O parlamentar já botou o bloco na rua e tenta costurar apoio para se candidatar a prefeito no próximo ano.

Marcelo Bandeira e Valderico Junior falam sobre articulação de lideranças políticas
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A Pousada Paulett’s foi o local escolhido para o encontro de quatorze lideranças de Ilhéus. A foto do grupo sentado à mesa do café da manhã circulou nas redes sociais no último final de semana. Nela, aparecem figuras tarimbadas da política, a exemplo do presidente do Progressistas no município, Cacá Colchões; e John Ribeiro, do mesmo partido. No outro lado da mesa, rostos novos do debate público local, como o do vereador Vinícius Alcântara (Cidadania).

Lideranças de Ilhéus na reunião do último sábado (4)

O presidente municipal do Cidadania, Marcelo Bandeira, explica que a reunião de sábado (4) foi a terceira do grupo suprapartidário. Ao responder sobre os objetivos do coletivo, vai direto ao ponto. “A gente está começando a pensar Ilhéus visando 2024, [pensando] em torno de quem esse grupo vai estar [nas eleições municipais do próximo ano]”, afirma o dirigente ao PIMENTA.

Antes do pleito, o coletivo também pretende atuar nas agendas da cidade, segundo Marcelo. “Vamos partir para dois trabalhos imediatos. Teremos representantes na audiência pública sobre a revitalização da zona norte, [nesta quinta-feira (9), às 19h, no Cemaic, bairro Jardim Savoia], e vamos apoiar o Projeto 50 anos de Surf em Ilhéus”, completou.

Presidente do União Brasil em Ilhéus e ex-candidato a prefeito e a deputado federal, Valderico Junior também não esconde que a construção de alternativa política coesa para 2024 norteia a conversa do grupo, do qual também faz parte. No entanto, adverte que “é muito cedo para falar da candidatura de A, B ou C”.

– Temos pessoas que já foram testadas, nomes que já foram apresentados à população, outros que podem surgir. Mas, a ideia é ter uniformidade para que a gente tenha força para disputar uma eleição em 2024 e ganhar – diz o empresário, que também conversou com o PIMENTA.

Questionado se a heterogeneidade é obstáculo difícil para que o grupo se mantenha coeso até as eleições do próximo ano, Valderico Junior reconhece que esse é um desafio grande a ser superado por todos os membros do coletivo. “O que temos em comum é a vontade de projetar um futuro diferente para a nossa cidade, por entender que Ilhéus pode muito mais, é isso que nos une”, concluiu.

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O “cavalo selado” está novamente diante de nós. Mais vale o certo que o duvidoso. Chega de aventuras.

 

Andreyver Lima

Circulou nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, hoje, dia 25, um vídeo em que o recém-empossado deputado estadual Fabrício Dias Nunes da Silva, o Pancadinha (Solidariedade), aparece abraçado ao ex-prefeito de Itabuna Azevedo (PDT). Na imagem o deputado afirma que tem que “aprender muito com o homem, o homem é diferenciado”.

Em sua fala o ex-prefeito responde que é uma honra estar com o deputado, “um amigo de fé, irmão camarada”. Plagiando uma parte da música Amigo, da dupla Roberto e Erasmo, como foi declarado no passado para o ex-prefeito Fernando Gomes, aliado com quem Azevedo rompeu logo que assumiu a Prefeitura em 2009.

Fico a me questionar. O deputado, enquanto vereador de Itabuna, qual projeto de relevância apresentou para a cidade? Já o ex-prefeito, que tem no currículo o título de um dos piores gestores, com as quatro contas rejeitadas pelos órgãos de fiscalização TCM (Tribunal de Contas dos Municípios) e TCU (Tribunas de Constas da União), além de um arco de denúncias de corrupção, o que pode nos oferecer de bom conhecimento?

Volto a me questionar. Será que ainda temos tempo para políticos aventureiros? Sem o devido preparo para lidar com uma cidade tão complexa como Itabuna?

Outro ponto que chama a atenção. Depois que Azevedo deixou o comando do município, todas as tentativas de retornar ao cargo de prefeito ou a busca do cargo de deputado foram rejeitadas pela população.

Itabuna já pagou um alto custo por dar oportunidade a políticos aventureiros, é hora de aproveitar a oportunidade do “cavalo selado”, que proporciona uma forte parceria com os governos Estadual e Federal.

O “cavalo selado” está novamente diante de nós. Mais vale o certo que o duvidoso. Chega de aventuras.

Andreyver Lima é jornalista e comentarista político.

Bebeto Galvão: "me sinto um player político importante de Ilhéus" || Foto Reprodução/Redes Sociais
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O vice-prefeito Adalberto Galvão, Bebeto, não esconde a vontade de governar Ilhéus, onde iniciou sua vida política, na década de 1980, no movimento sindical. Eleito vereador em 1992, recebeu votação expressiva na cidade para chegar à Câmara dos Deputados em 2014. Candidatou-se a prefeito em 2016, quando foi derrotado pelo prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), a quem se aliou em 2020. Dois anos depois, foi eleito primeiro suplente do Senado. Nas eleições do ano passado, foi entusiasta do ingresso de Soane Galvão nas fileiras de seu partido, o PSB, e da candidatura vitoriosa da primeira-dama a deputada estadual.

Mencionando essa trajetória e a aliança com Marão, o PIMENTA perguntou a Bebeto se ele se considera candidato natural à sucessão do prefeito. Ao responder, o vice fez a ressalva de que estamos longe de 2024 e disse que toda eleição deve ser discutida no ano em que será realizada.

Depois, afirmou que, devido à relevância de Ilhéus para a Bahia, a discussão sobre a disputa local passará, necessariamente, pelo conselho político dos partidos que integram a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). “Ninguém é candidato de si mesmo. Uma candidatura, sobretudo numa cidade do tamanho de Ilhéus, é fruto das circunstâncias políticas, do entendimento das forças políticas e da base a que estou vinculado historicamente, que é a do Governo do Estado”.

Os partidos existem, também, para disputar eleições e isso é legítimo, continuou Bebeto. “Se em 2024 o nome será de Bebeto ou não, aí é outra realidade. Mas, eu me sinto como um player político importante de Ilhéus, com serviços prestados, com trabalho. Não enxergo isso como naturalidade, enxergo como construção, porque aí tem os interesses do PSD, do PCdoB, PSB, PT, Avante, do PV, de todos esses partidos que, na minha opinião, têm legitimidade de apresentar a sua chapa”, concluiu.

O vice-prefeito também falou sobre seu papel na reeleição acachapante de Marão. “A minha participação [na chapa], sem falsa modéstia, foi fundamental para a reeleição de Mário”. Já o pleito de 2024 ainda não foi tema de conversa com o prefeito, assevera o socialista. “Agora, se você me perguntar: você gostaria de ser o prefeito da cidade? Todo mundo gostaria de ser prefeito de Ilhéus, mas entre desejar ser o prefeito e, na eleição, disputar e se tornar prefeito, tem um caminho a percorrer”, cravou Bebeto Galvão.

“NÃO PODEMOS VER O JOVEM NEGRO E POBRE COMO INIMIGO A SER ABATIDO”

Bebeto e Lula durante encontro do presidente com lideranças sindicais em Brasília, nesta quarta (18)

Ainda em 2015, quando era deputado federal, Bebeto apresentou projeto de lei para equiparar injúria racial ao crime de racismo. Após longo processo legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, no último dia 11, a Lei nº 14.532/2023, que alterou a Lei nº 7.716/1989 (Lei de Crime Racial).

Além de tipificar injúria racial como crime de racismo, a nova legislação prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos, e multa. Antes, a pena era de 1 a 3 anos. Uma das consequências práticas da equiparação, segundo Bebeto, é o fim da possibilidade do agressor ser liberado com pagamento de fiança. Quando o crime for praticado por duas ou mais pessoas, caso comum em arenas esportivas e outras espaços com multidões, a pena será aumentada da metade da previsão inicial, ou seja, poderá ser de 3 anos a 7 anos e seis meses.

Na Câmara dos Deputados, Bebeto integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a violência contra jovens. Um dos casos apurados ficou conhecido como Chacina do Cabula, ocorrido em fevereiro de 2015, em Salvador, onde 12 jovens negros foram mortos pela Polícia Militar. A corporação alegou que as mortes ocorreram em confronto, versão contestada por moradores da comunidade. Na época, ao comentar o caso, o então governador Rui Costa (PT), atual ministro-chefe da Casa Civil, comparou os policiais em situação de confronto a artilheiros diante do gol. O episódio e a frase costumam ser relembrados em debates sobre a política de segurança pública na Bahia.

Para Bebeto, o Governo Rui Costa foi extraordinariamente bem em quase todas as áreas, mas não enfrentou como deveria os desafios da segurança, como a qualidade da formação dos policiais. Segundo ele, esse é um problema das polícias militares de todo o país. Por isso, na sua avaliação, são urgentes uma mudança na educação policial e o fim dos autos de resistência. “Não é razoável se permitir identificar que o inimigo interno é o jovem preto. Isso tem agenda no processo de formação das polícias, que é preciso superar. Nós não podemos ver um jovem negro e pobre como inimigo interno a ser abatido”.

Rosivaldo diz que município poderá solicitar conferência, caso seja confirmada a redução populacional
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Aos líderes do estado e dos municípios de Itabuna e Ilhéus estarão os extratos dos resultados e também as respostas que terão que apresentar, cada um, conforme o peso e os objetivos que o presente apresentou e também o que esperarão para o futuro.

 

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

O segundo turno das eleições se findou, mas os ciclos não se encerram com ele. Vamos precisar de um pouco mais de tempo para seguirmos com menos tensões em nível Brasil. Na disputa nacional, o comportamento do presidente Bolsonaro deixa mais um ar de negacionismo e caos, que, aliás, foi uma das marcas indeléveis do seu minúsculo governo.

Na disputa eleitoral baiana, a postura de ACM Neto no discurso de reconhecimento da vitória de Jerônimo Rodrigues demonstrou maturidade política e espírito democrático, e sinalizou a linha que ele adotará para se manter vivo até a próxima disputa. Fará uma permanente vigília ao novo governo.

Nesse aspecto, faz-se necessário ao PT e aos partidos aliados no estado se debruçarem nas análises dos resultados, especialmente nas maiores cidades e também nos pontos onde o ciclo de 16 anos de gestão permitiu mais ataques do adversário. Avaliar, inclusive, o porquê da queda de desempenho nas cidades mais populosas.

Será que a melhor condição de renda nessas localidades refletiu um alinhamento da disputa com o plano nacional? E Neto se beneficiou? Ou, qual o verdadeiro fator que provocou esse comportamento do eleitorado dessas cidades? Os menores municípios se sentiram em grande maioria incluídos no ciclo da atual gestão estadual e demonstraram alinhamento e conexão com Lula e Jerônimo. Parece ter havido uma nacionalização do pleito. Consequentemente, um reflexo direto nos números da disputa avaliando de forma direta: cidades maiores e menores.

Em relação aos números, precisamos fazer uma análise mais apurada nos resultados de Itabuna e Ilhéus, cidades que estão no prisma do estado com vultosos investimentos. Ilhéus já em plena fase de colheita, e Itabuna ainda na fase de plantio. Os gestores desses municípios também vivem diferentes tempos de gestão: um faltando dois anos para encerrar o ciclo do segundo mandato, enquanto o outro está completando os dois anos do início da sua primeira gestão à frente do município. Por essas particularidades, a análise que Augusto Castro precisará fazer é de maior profundidade.

A grosso modo, diria que para Marão resta tocar a máquina mantendo o trivial e arregimentando forças para projeção de alguém seu, politicamente falando, e o fortalecendo para ser apresentado como mantenedor do grupo à frente de Ilhéus. Augusto precisará de resiliência, sabedoria emocional, visão estratégica, fortalecimento do tecido político e outros ajustes, conforme a sua análise e visão direcionarem: fazer uma leitura externa e outra interna dos resultados das urnas.

O pós-eleição é sempre um momento especial para autoanálise e para simular cenários, além, claro, de analisar as áreas e estratégias que, por incompreensões ou não incorporação das diretrizes política e de gestão, apresentaram respostas abaixo das esperadas, e tomar as devidas e necessárias providências. Aos líderes do estado e dos municípios de Itabuna e Ilhéus estarão os extratos dos resultados e também as respostas que terão que apresentar, cada um, conforme o peso e os objetivos que o presente apresentou e também o que esperarão para o futuro.

O que esses líderes não podem é deixar que a oposição e os opositores ditem os seus passos e sedimentem no imaginário popular das duas cidades que saíram enfraquecidos da eleição. Do contrário, a corrida para “apagar incêndios” fará parte do dia a dia e o planejamento se perde, dando lugar ao improviso e permitindo o crescimento dos oponentes. É importante realizar ajustes, mas não perder de vista que houve vitória do campo político ao qual eles estão alinhados, tanto no estado quanto em nível federal.

Esse diferencial só Augusto e Marão podem lançar mão, fortalecendo e sendo fortalecidos para mudar as preferências dos eleitores locais em relação ao governo do estado e, consequentemente, para as suas próprias gestões. O mapa eleitoral está posto e exposto. Agora, restam as leituras dos resultados e as interpretações. A democracia se fortalece por esse caminho e por encaminhamentos a cada ciclo de disputa.

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

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Quem pode se tornar o herdeiro do espólio eleitoral do ex-prefeito Fernando Gomes, falecido em 24 de julho? A coluna Arriba Saia, do PIMENTA, conversou sobre o assunto, nas duas últimas semanas, com o cientista político Cássio Varjão, o jornalista e advogado Walmir Rosário e o comentarista político Marco Wense.

Membro da Sociedade Brasileira de Ciência Política, Cássio Varjão disse que os votos de Fernando tendem a se dispersar. No entanto, também considera que o estilo de Azevedo pode atrair parte desse eleitorado.

– Azevedo vai para os bairros e abraça o povo. Tem esse traquejo que Fernando tinha. Sob esse aspecto, leva vantagem, mas é precoce dizer. Ele pode ter uma pequena vantagem de conseguir mais votos, mas ninguém vai ficar com 100% ou 80% dos votos. Vai ser dividido – aponta.

Para Marco Wense, o maior quinhão será de Azevedo. “Ele tem o estilo mais parecido com o de Fernando, é do mesmo campo político, do populismo, e não é afeito a um ambiente político que requer um discurso mais apurado. Ele gosta desse contato direto com o eleitor, como Fernando também gostava. Considero Azevedo uma cria política de Fernando Gomes. É um fernandista histórico”.

DIVERGÊNCIA

Walmir, Cássio e Wense opinam sobre destino do eleitorado fernandista

Walmir Rosário não vê o Capitão em condições privilegiadas para receber a herança política de Fernando. “Como prefeito, Azevedo procurou se distanciar de Fernando Gomes e, nessas últimas campanhas, tem mostrado que não sabe organizar o pessoal dele. Não tá sabendo ciscar pra dentro. É bem diferente de Fernando”.

DISPERSÃO

Os antigos eleitores do ex-prefeito e ex-deputado federal vão se dispersar muito, segundo Walmir.

– O espólio de Fernando Gomes não vai maciçamente pra ninguém. Isso é fato. Não se fabrica vários Fernandos. É igual a Antônio Carlos Magalhães. Quando Antônio Carlos Magalhães morreu, todo o seu espólio foi dividido e grande parte foi para a esquerda – parece até brincadeira. Foi para o centro e para a esquerda; para a direita ficou pouco. No caso de Fernando Gomes, vai ser a mesma coisa.

MARIA ALICE

O papel de Maria Alice na Itabuna pós-Fernando

Cássio Varjão enfatizou a importância das pessoas que cercam as lideranças políticas. Segundo ele, no grupo liderado por Fernando Gomes durante quatro décadas, Maria Alice destacou-se no papel de articuladora política e continuará a exercê-lo, ainda nos bastidores, sem a herança direta dos votos.

MARIA ALICE 2

Walmir Rosário faz a mesma leitura.

– Maria Alice não conseguiria herdar esse espólio como candidata, mas quem tiver Maria Alice do lado vai conseguir chegar a um monte de gente, porque ela tem liderança. Muita gente vai para o lado que ela for. A figura a ser conquistada pelos políticos será Maria Alice, porque ela pode trazer muitos seguidores de Fernando Gomes.

O PESO DA MÁQUINA

Sede da Prefeitura de Itabuna: ímã de apoio

Perguntamos a Walmir Rosário se Augusto Castro poderia reivindicar, com o eventual apoio de Maria Alice, quinhão da herança política de Fernando.

– Se ele for inteligente, sim. Ele está no poder, tem ferramentas que os outros não têm. O prefeito é o único que pode sair atrás desse povo e conseguir. Fora isso, vai ser um espólio muito dividido – respondeu o mestre.

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TABU…

A mensagem (e a punição) das urnas

O tabu da reeleição a prefeito de Itabuna deve ser interpretado, segundo Cássio Varjão, a partir de duas ressalvas. A primeira é a de que, em 2008, Fernando Gomes não tentou a reeleição, pois teria que transpor os obstáculos legais que viria a superar em 2016. E, naquele ano, lembra o cientista político, o então prefeito Claudevane Leite também não tentou novo mandato. Portanto, em dois contextos importantes da política grapiúna, o tabu não foi colocado à prova.

…E PUNIÇÃO

A outra chave interpretativa, continua o pesquisador, é a constatação de que o eleitor itabunense, tomado como sujeito coletivo, apreendeu a punir seus representantes políticos na intimidade da urna.

ENCARGOS DA HERANÇA

Cássio Varjão acrescenta que o espólio eleitoral em debate não tem histórico invicto. “Fernando teve duas derrotas como prefeito de Itabuna. Perdeu pra Geraldo [Simões, do PT, no ano 2000] e perdeu pra Augusto agora, em 2020. Mas é indiscutível que foi o político de maior destaque da região. Se Fernando tivesse morrido no exercício do cargo, [o destino da herança política] teria um apelo maior”, acrescentou.

RECEITA (DE CAPITAL) ANTITABU  

O prefeito Augusto Castro (PSD) tem mais de dois anos de governo pela frente, lembra Cássio, “pode vir forte para a reeleição e quebrar esse tabu”.

Perguntamos ao cientista político qual seria o impacto do projeto de reurbanização de Itabuna numa eventual tentativa de reeleição de Augusto, que negocia a tomada de empréstimo internacional de até US$ 30 milhões para viabilizar as obras.

– Itabuna precisa de infraestrutura. São vários os problemas das cidades hoje; moradia inadequada, invasão que vira favela, etc. Com dinheiro na mão, todo mundo resolve a vida – respondeu Cássio, ressalvando que falava em tese sobre o projeto, pois não o conhece.

COM QUEM ALICE ESTÁ?

Maria Alice, a mais fiel escudeira do fernandismo em Itabuna, está mais próxima de Augusto Castro. Até conversa com Capitão Azevedo (PDT), mas o chamego é com o hoje prefeito – e desde o ano passado.

No entorno de Augusto, há quem defenda participação mais ativa, no governo municipal, da principal assessora de Fernando em 40 anos de política. Ela pode atuar em pastas como Governo. Caberia apelas a ela definir quando e onde jogar. Antes, há que se respeitar o luto.