Americano Robert Prevost é escolhido sucessor de Francisco || Reprodução
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O americano Robert Francis Prevost, de 69 anos, foi o cardeal escolhido pelo colegiado de cardeais para a sucessão do Papa Francisco. Será o Papa Leão XIV, de linha franciscana e que atuou em diocese do interior do Peru, na América do Sul.
Anunciado há pouco, será o primeiro papa nascido nos Estados Unidos. “A paz esteja com todos vocês”, iniciou falando em seu discurso. “Somos discípulos de Cristo. O mundo precisa de sua luz”, pregou após ser anunciado. “Obrigado, Papa Francisco”, seguiu.
É apelidado de o Pastor de Duas Pátrias. Em seu discurso, não deixou de citar a segunda pátria, o Peru, onde pastoreou.
Francisco aproximou a Igreja do mundo — não para profaná-la, mas para purificá-la com o pó dos caminhos, com as dores humanas, com o riso dos simples. Ele tirou o Vaticano das alturas e o colocou entre as vielas, nos hospitais, nos abrigos, nas aldeias.
Juliana Soledade
Foi na delicadeza de uma madrugada de segunda-feira, 21 de abril, que ele partiu. Sem alarde, sem pompas, como tudo o que sempre foi. Francisco, o Papa que nos ensinou que santidade se faz de passos simples e coração desperto, fechou os olhos para o mundo e abriu os braços à eternidade.
Parece até que escolheu o momento — como quem esperou a ressurreição de Cristo no domingo para só então, em paz, descansar. Como quem sabe que a missão só termina quando o amor se completa.
Francisco tinha essa sensibilidade de ouvir o invisível, de enxergar o outro com os olhos de Deus. Ele era, acima de tudo, um homem bom. E essa bondade não vinha de discursos eloquentes, mas do modo como olhava as pessoas, como as escutava. Como acolhia.
A sua humildade foi marcada numa noite em que sob a chuva leve que pincelava as pedras vazias da Praça de São Pedro, Francisco caminhou só até o altar improvisado; cada passo ecoava como prece em meio ao silêncio do mundo. De olhar terno, ergueu o ostensório diante de um vazio que parecia não suportar mais dor, e ali, solitário, abençoou a humanidade aflita — como se naquele gesto único carregasse, num sopro, a esperança de que, mesmo em quarentena pela pandemia, o amor divino jamais nos abandonaria.
Foi ele quem, com a suavidade de um ancião e a ousadia de um jovem, nos lembrou do mandamento mais esquecido: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei.”
Não dizia isso apenas com palavras, mas com gestos — lavando os pés de presidiários, abraçando refugiados, abrindo os braços para os que nunca se sentiram bem-vindos. Não lhe importava o credo, a religião, a sexualidade. A todos, oferecia o mesmo: respeito, compaixão e um lugar no coração de Deus.
Francisco aproximou a Igreja do mundo — não para profaná-la, mas para purificá-la com o pó dos caminhos, com as dores humanas, com o riso dos simples. Ele tirou o Vaticano das alturas e o colocou entre as vielas, nos hospitais, nos abrigos, nas aldeias.
Foi o Papa que canonizou Santa Dulce dos Pobres, a nossa santinha de Salvador. E naquele gesto, como em tantos outros, honrou o Brasil e a força escondida nos que se doam em silêncio.
Ele sabia reconhecer a luz dos pequenos — porque era um deles. Um Papa que jamais quis parecer maior que ninguém. Que recusou a ostentação e preferiu morar onde os sinos soam mais baixinho.
Sim, ele era progressista. Mas não por ideologia — e sim por fé. Porque acreditava que Deus continua caminhando com a humanidade, mesmo quando esta tropeça. Porque sabia que o Evangelho não é um livro engessado, mas um rio que precisa correr, tocar, banhar, renovar.
Agora, Francisco descansou.
Mas ele não se foi. Permanece em cada semente que plantou com as mãos da alma. Permanece nas crianças sorrindo nas ruas da África, nos jovens LGBTQIA+ que pela primeira vez se sentiram vistos, nos católicos que reaprenderam a ter fé, nos não-católicos que encontraram paz em sua voz.
Francisco agora habita o mistério.
Talvez esteja ali, ao lado de São Pedro e São Francisco, sorrindo sereno, ainda orando por nós.
Francisco era assim.
Um sopro de Cristo no tempo.
Um eco de Assis em meio aos ruídos da modernidade.
E agora, ao partir, deixa uma saudade doce — dessas que não machucam, mas fazem florescer.
Porque homens como ele não morrem.
Eles se transformam em ponte.
Entre o céu e a Terra. Entre o humano e o sagrado. Entre o ontem e o amanhã.
E talvez, bem agora, ele esteja repetindo para nós, lá do alto, com seu sorriso de pastor cansado e feliz:
“Por favor… não deixem de amar uns aos outros.”
Juliana Soledade é advogada e autora de Despedidas de Mim, Diário das Mil Faces e 40 surtos na quarentena: para quem nunca viveu uma pandemia.
O Santo Padre nomeou bispo da Diocese de Itabuna (BA), nesta terça-feira (25), dom Jailton de Oliveira Lino, transferindo-o da Sé de Teixeira de Freitas-Caravelas.
Dom Jailton de Oliveira Lino nasceu em 28 de janeiro de 1965 em Feira de Santana. Completou seus estudos em Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul em Porto Alegre (RS).
Fez sua profissão religiosa em 1º de janeiro de 1985 na Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência (Dom Calabria) e foi ordenado sacerdote em 17 de dezembro de 1988.
Desempenhou os seguintes cargos: Formador e Superior da Comunidade de Farroupilha (RS); Vice-Provincial e Mestre de Noviços em Porto Alegre-RS; Delegado Provincial e Tesoureiro da Delegação Nossa Senhora Aparecida em Porto Alegre.
Em 15 de novembro de 2017, foi nomeado Bispo de Teixeira de Freitas-Caravelas, recebendo a ordenação episcopal em 13 de janeiro seguinte. Desde 30 de outubro de 2024 é administrador apostólico da Diocese de Itabuna.
Em sua saudação, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) diz ter recebido “com alegria e espírito de fraternidade a notícia de sua nomeação como novo bispo da Diocese de Itabuna, na Bahia. Sua transferência da Diocese de Teixeira de Freitas/Caravelas é um reflexo da confiança do Papa Francisco em sua capacidade pastoral e evangelizadora”. Informações do Vatican News.
Igreja arrecada fundos para restauração da Catedral São Sebastião || Foto Antônio Caires
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A Diocese de Ilhéus deu início à campanha de arrecadação de recursos para restaurar a sua sede, a Catedral de São Sebastião, localizada no Centro Histórico da cidade. Inaugurado em 1967, o maior templo religioso do sul da Bahia apresenta marcas da incidência do tempo, como pintura desgastada, infiltrações nas paredes, rachaduras nos pilares e vitrais quebrados.
A cerimônia de lançamento da campanha, na sexta-feira (13), foi presidida pelo bispo dom Giovanni Crippa, que está à frente da Diocese de Ilhéus desde outubro de 2021. Também contou com a presença de autoridades públicas, a exemplo da vice-prefeita eleita Wanessa Gedeon (Novo). “Estamos aqui reafirmando o compromisso de preservar o patrimônio cultural da nossa cidade. É uma manifestação de cuidado e amor à nossa história”, disse a política.
Para colaborar com a campanha, é possível fazer doações via Pix, usando a chave 73981161178 (celular), em nome da Diocese de Ilhéus. A instituição pede que os doadores verifiquem as informações corretamente para evitar possíveis erros e golpes.
Dom Carlos Alberto renuncia ao comando da Diocese de Itabuna || Foto Pascom
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O Papa Francisco aceitou o pedido de renúncia do bispo dom Carlos Alberto dos Santos, que liderava a Diocese de Itabuna desde 2017. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (30) pela Nunciatura Apostólica no Brasil.
Autoridade máxima da Igreja Católica, o Papa nomeou dom Jailton de Oliveira Lino, atual bispo de Teixeira de Freitas – Caravelas, no extremo-sul baiano, como administrador apostólico da Diocese de Itabuna, que abrange mais 18 municípios: Buerarema, São José da Vitória, Jussari, Arataca, Camacan, Pau Brasil, Santa Luzia, Una, Canavieiras, Mascote, Itapé, Ibicaraí, Floresta Azul, Santa Cruz da Vitória, Itaju do Colônia, Firmino Alves, Itororó e Potiraguá.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil agradeceu ao bispo emérito de Itabuna pela dedicação ao sacerdócio. “A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) expressa profunda gratidão por sua dedicação e liderança à frente da Diocese de Itabuna, na Bahia. Desejamos que sua nova missão seja repleta de bênçãos, e que o Senhor continue a guiá-lo em todos os seus passos”, diz a mensagem.
ACUSAÇÃO
O Ministério Público do Estado de Sergipe acusou dom Carlos Alberto de receber salários do Governo de Sergipe sem trabalhar por 16 anos. Nesse período, segundo a acusação, ele era lotado como professor da rede estadual de ensino de Sergipe e exercia o bispado na Bahia. Ainda conforme o órgão, os pagamentos supostamente indevidos somam $ 778.127,59.
O caso veio à tona em março de 2023, quando a Justiça sergipana acatou pedido do MP-SE e determinou o bloqueio de bens do bispo. Na época, dom Carlos julgou inadequada a acusação de que ele seria um funcionário fantasma, pois ainda não havia sido citado para apresentar defesa na ação de improbidade administrativa.
Nos últimos anos, dom Carlos Alberto dos Santos também lidou com problemas de saúde. Até o momento, o agora bispo emérito não se manifestou publicamente sobre a renúncia.
Dom Ceslau Stanula esteve à frente da Diocese de Itabuna por 20 anos || Foto DdeI
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Católicos de todas as partes do sul da Bahia acolhem, nesta terça-feira (4), urna com os restos mortais do bispo emérito da Diocese de Itabuna, Dom Ceslau Stanula que serão enterrados na capela da Catedral de São José, no sul da Bahia.
De acordo com a programação divulgada pela Cúria Diocesana e a Paróquia Catedral de São José, a urna funerária que conduzirá os restos mortais do falecido bispo chegará às 9h em Itabuna, nas imediações do Viaduto Paulo Souto, na rodovia BR-101, imediações do Lomanto.
Às 10h, terá inicio a visitação pública à urna funerária com as relíquias do bispo emérito. Já às 16h, a Solene Concelebração Eucarística das Exéquias de Dom Ceslau, presidida pelo bispo diocesano Dom Carlos Alberto dos Santos e concelebrada por bispos e dezenas de padres do clero itabunense e visitantes, contando com a participação do prefeito Itabuna, Augusto Castro (PSD) e autoridades locais.
Após a Santa Missa, os restos mortais do bispo Stanula serão sepultados na Capela Lateral, à esquerda da nave central da Catedral de São José.
São esperados milhares de fiéis das 34 paróquias da Diocese, incluindo as 19 cidades que integram a Igreja local, além de todo o clero diocesano, religiosos Redentoristas da Bahia, bispos e padres de outras dioceses.
Segundo explicou o bispo Dom Carlos Alberto, em consenso com superiores da Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas) da Bahia, da qual o bispo era confrade, foi decidido que tais relíquias seriam entregues a Diocese de Itabuna para serem sepultadas em definitivo na Catedral de São José, onde Ceslau Stanula foi titular como o 4º bispo diocesano por 20 anos (1997-2017).
Marquês de Paranaguá esvaziada na manhã de hoje (8) || Foto Secmi
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Ainda repercute a nota conjunta em que entidades patronais orientaram lojistas de Ilhéus a abrirem seus estabelecimentos nesta quinta-feira (8) de Corpus Christi (relembre). Após as críticas da presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Ilhéus e Região (Secmi), Crismélia Silva, e da indignação de trabalhadores, veio o sermão da Igreja Católica, em “Nota de Repúdio e Indignação” da Diocese de Ilhéus.
Assinam o documento o padre e vigário geral Marcos Alcântara; o padre Márcio de Souza, coordenador de Pastoral; o padre Damião Vorges, chanceler da Cúria Romana; e o advogado da Diocese de Ilhéus, Robson Magalhães. Eles contestam a ênfase do argumento da CDL de Ilhéus e congêneres no aspecto legal, que classifica o dia de hoje como ponto facultativo e não feriado. Segundo a Igreja, a celebração do Corpus Christi é tradição milenar do catolicismo e centenária em Ilhéus.
“As tradições devem ser preservadas e respeitadas, independente de lei, decretos, portarias ou atos do Poder Executivo, desde que não infrinjam a legislação vigente, o que é a presente situação”, segue a nota.
O texto também sugere que, ao invés de exigirem a presença dos trabalhadores em suas lojas hoje, os comerciantes poderiam ter proposto acordo para compensação do dia de folga com o banco de horas (íntegra ao final do texto).
COMÉRCIO ESVAZIADO
Alguns comerciantes seguiram a orientação da CDL, da Associação Comercial e Industrial e do Sicomércio, mas, com bancos, Correios e órgãos públicos fechados nesta quinta-feira, o movimento foi fraco no Calçadão da Marquês de Paranaguá. “Olha o movimentão que está o comércio de Ilhéus”, disse um comerciário que enviou a foto desta publicação à presidente do Secmi, Crismélia Silva, por volta das 10h30min. “Gente que nem formiga invisível”, emendou.
Marreco (à esquerda) presta homenagem ao velho amigo Edimar Margotto
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Participamos juntos de grandes momentos, principalmente na Igreja Católica, onde fazíamos parte de um grupo de catequese que ministrava cursos para o matrimônio.
Adolfo José Gomes (Marreco)
Ontem (17), foi um dia triste. A notícia do falecimento de Edimar me fez lembrar e refletir como a vida é curta.
Parece que foi ontem. Final de 1972 (50 anos) chegava em um OPALA aquele rapaz jovem, magrelo, narigudo, que vinha para substituir na sociedade o nosso Saudoso Epitácio.
Edmar era um sujeito educado, comedido e até meio tímido. Confesso que tinha mais identificação com o Ervino, mas reconhecia em Edimar um sujeito muito competente e extremamente focado no trabalho.
Tivemos um convívio diário (04 anos) como patrão e empregado. Foram momentos inesquecíveis de muita confiança, respeito e compromisso. Aprendi muito com ele sobre disciplina.
Em 1976 deixei a Itadil para buscar novos horizontes, e Edimar sempre foi um grande incentivador. Passamos de Patrão e empregado para amigos.
Participamos juntos de grandes momentos, principalmente na Igreja Católica, onde fazíamos parte de um grupo de catequese que ministrava cursos para o matrimônio.
Lembro um dia que marcou com tristeza todos nós, o falecimento de sua primeira esposa, Terezinha, uma jovem com apenas 29 anos. Como sofreu o coitado.
Edimar se tornou um dos grandes empresários de Itabuna, mas sua maior contribuição com a comunidade foi o período longo que passou como PROVEDOR da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, colocando seu tempo, seu prestÍgio, sua competência a serviço da região cacaueira.
Casou com Dr. Mércia e formou uma bela família (Junior e Nana), meninos que vi crescerem e que darão continuidade ao belo LEGADO do pai.
A vida é assim, como na música TOCANDO EM FRENTE:
“Um dia a gente chega, no outro vai embora, cada um de nós compõe a própria história, e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz e de ser feliz”
Vá em paz, Edimar. Você cumpriu com galhardia sua missão e merece viver feliz na ETERNIDADE.
Não nos esqueçamos que Jesus Cristo nasceu numa manjedoura e se tornou rico de amor e bondade. Eternamente, Viva o Natal!
Walmir Rosário
O mundo cristão comemora ao final de cada ano o nascimento de Jesus Cristo. Neste período as pessoas se transformam e os corações transbordam felicidade, bondade e esperança, e porque não dizer caridade. Bom, esse é o sentimento interno que sente cada pessoa, cada família, cada grupo, cada sociedade. Mesmo que não sejam católicos, melhor dizendo, cristãos, esse sentimento aflora, desabrocha.
Mas como nem tudo é perfeito – ou, pelo menos, unânime –, alguns grupos sociais não têm esse mesmo sentimento, pois algumas das muitas denominações de religiões cristãs simplesmente desconhecem o calendário, como dizem eles, forjado pela Igreja Católica. Já entre agnósticos e ateus, o Natal é visto por muitos como um tempo de comemoração entre família, apenas por tradição. E as festividades atravessam os anos, milênios.
Seria muito bom que o sentimento natalino se perpetuasse per omnia saecula saeculorum. Bom mesmo seria que se estendesse por todos os dias do ano, propiciando uma sociedade mais justa, mais humana. Sim, pois cada ser humano que vem ao mundo tem direito a ser feliz em sua plenitude. Nada mais justo, embora a felicidade tenha que ser sonhada, buscada por cada um de nós.
Penso que a felicidade é encarada de forma diferente por cada um de nós, com nossos desejos particulares, sejam eles espirituais, materiais. As escalas também são distintas, haja vista os sentimentos e desejos individuais. E já que estamos falando da natividade de Jesus Cristo, podemos citar um ditado corrente na boca do povo: “O pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada”.
Há, ainda, os que tentam desclassificar o Natal pelo consumismo, alardeando que a data foi transformada numa festa das vendas, desvirtuada do sentido espiritual pela ganância do mercado. Penso que esta é outra falácia, pois, por mais modesto que seja o ser humano, ter o poder de compra é uma realidade do mundo em que vivemos, desde que o consumo seja equilibrado às posses de cada pessoa.
Ora, pra que trabalhamos? Para termos uma vida decente, oferecendo aos nossos o bem-estar. Comer bem, morar bem, ter direito ao lazer, fazem parte de nossos hábitos de vida desde nossa infância. Nada melhor do que chegar ao fim do ano e poder utilizar o nosso salário, incluindo, aí, o décimo terceiro, para nos presentear com uma roupa nova, bens duráveis para casa, uma ceia diferente.
O mundo em que vivemos pode ser simples ou complicado, a depender do que queremos. As facilidades são criadas por nós, bem como as dificuldades. Elas estão inseridas em nossas cabeças, guardadas em nossos corações, nas ações do nosso dia a dia. Nós somos arquitetos do nosso modo de ser, planejando e privilegiando o fazer dos desejos e aspirações. O resultado depende da sabedoria acumulada por cada um.
No dia a dia temos que saber vislumbrar as armadilhas e saber desmontá-las com sabedoria. Nada mais simples e didático do que viver de acordo com o que somos, o que podemos. Já dizia o evangelista Mateus: “A cada dia sua agonia”. Num conceito mais simplório, as dificuldades existem e devem ser superadas, cada uma por vez, pois novas certamente virão e deverão ser combatidas a seu tempo.
Melhor seria que o espírito natalino extrapolasse o fim de cada ano, ultrapassasse as confraternizações com os amigos e colegas, as comemorações de nossas casas, a Missa do Galo na Igreja Católica, os cultos nas demais igrejas. Que esse sentimento perdure em nossos corações, fazendo dele ações de graças cotidianas e rotineiras. Não é preciso gastar o escasso dinheiro para isso, para tanto, bastam gestos de amor e carinho.
Vivamos em paz com nós mesmos, que tudo será mais fácil e descomplicado com nossos semelhantes. Se respeitarmos o espírito natalino, poderemos fazer com que ele contagie nossos semelhantes, como um fermento que provoque o crescimento da bondade que temos em nós e nem sempre nos damos conta que ela existe e que poderá ser multiplicada através de gestos singelos.
Não nos esqueçamos que Jesus Cristo nasceu numa manjedoura e se tornou rico de amor e bondade. Eternamente, Viva o Natal!
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
Se o costume persistir, será preciso uma força-tarefa para realizar a exorcização dessas pessoas que pretendem ser mais reais do que o rei. E viva São Boaventura.
Walmir Rosário
Só Deus nessa causa para que tudo volte à normalidade! Estou falando do cortejo que sai da praça Maçônica todo o último domingo antes do dia 14 de julho, data dedicada a São Boaventura. Assim que chegam à praça São Boaventura, um grupo de baianas estilizadas lava as escadarias da igreja matriz e, por extensão, os políticos, turistas e fiéis que participam do evento profano.
A cada ano a tradição é ultrajada, e neste ano da graça de 2022 o esculacho foi geral, com o fim da lavagem da escadaria da igreja, embora as baianas carregassem, durante todo o cortejo, cântaros e pequenos vasos com a água de cheiro destinada à limpeza. Pelo menos já sabemos que não foi falta de água, para que não se culpe a Embasa ou rio Pardo pela escassez do precioso líquido.
Pouco importa a tradição, definhada ao longo dos anos e ao sabor dos políticos. Sim, porque a festa é coordenada pelo prefeito desde que iniciou lá pelo ano 1978 – século passado –, criada pelo prefeito da época, Almir Melo. Coordenada por Trajano Barbosa, era realizada nos mínimos detalhes, inclusive com a lavagem do interior da igreja, suprimida anos depois, mantendo a tradição apenas na área externa.
A quebra da tradição também é verificada quanto ao cortejo, que sempre contou com peças e alegorias sobre a vida do Santo. À frente, o mandatário e seus representantes políticos nas diversas instituições do legislativo, seguido por grupos de diferentes ideologias, cada qual coeso no seu bloco, como manda a democracia. Os políticos, é bom que se diga, sempre se revezavam, conforme o mandatário municipal.
Em 2020, com a pandemia da Covid-19, poucos se incomodaram com a tradição e a fé no santo padroeiro São Boaventura. Por pouco passaria em branco, não fosse o fervor dos vizinhos da igreja, capitaneados por Antônio Tolentino, sua filha Fafá, e mais dois ou três vizinhos. Só e somente só, essa meia dúzia de fervorosos chegaram com latas d’água, mangueiras e vassouras para cumprir a devoção.
E o ex-bancário e ex-secretário Antônio Amorim Tolentino (Tolé), se queixa até hoje das mudanças feitas pela direção da Igreja Católica, em Salvador, em relação aos festejos profanos da lavagem da Igreja do Bonfim, que se refletiu também Canavieiras. “Apesar disso, não conseguiram diminuiu a devoção e o brilho da festa”, opina. Mas esse não foi o primeiro gol contra São Boaventura.
Os católicos mais tradicionais também se queixam da mudança da data em que São Boaventura era comemorado. Antes festejado no dia 15, foi retroagido para o dia 14 de julho, simplesmente porque o vigário da época pretendia participar da festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da vizinha cidade de Belmonte. Essa transferência criou uma polêmica na comunidade católica, resolvida posteriormente com um armistício.
E Tolé era um dos inconformados com a quebra das tradições, tanto que, junto com o jornalista Tyrone Perrucho, Raimundo Tedesco e outros fiéis desocupados organizavam a comemoração no dia 15, em frente a igreja. Durante todo o dia espocavam fogos, bebiam, comiam e debatiam a vida do Seráfico Doutor da Igreja Católica até o sol se pôr ou a bebida acabar.
Conversava eu com uns amigos durante a passagem do cortejo sobre a mudança dos convidados dos mandatários municipais. Eu simplesmente não conseguia entender o motivo. Foi quando um professor que nos assistia teve a gentileza em nos explicar que seria devido à teoria da satisfação das necessidades. Se os primeiros convidados já satisfizeram as reivindicações anteriores, nada como os novos para as seguintes.
E o professor ainda teve a gentiliza de anotar o nome de um cientista social, um tal de Maslow, que explicava direitinho que a cada necessidade satisfeita imediatamente surgiria uma nova, que também deveria ser satisfeita, até completar a pirâmide. Como não conheço bem dessas artes, acreditava piamente que eram traições políticas, no que fui repreendido por não ter estudado o suficiente.
Estou bastante receoso com o cortejo de São Boaventura no ano que vem, pois posso ser surpreendido com a falta de outro elemento importante do importante festejo, além da lavagem da escadaria, já consumada. Conta a história, que por essas e outras heresias, a imagem de São Boaventura teria sumido da igreja matriz de Canavieiras, sendo encontrada no distrito do Poxim da Praia, onde apareceu após um naufrágio.
Há poucos anos, outro santo também se rebelou em Canavieiras. Foi o poderoso e reverenciado São Sebastião, que teimou em não fazer subir seu mastro na festa da Capelinha, após mudanças e quebras de tradição. Se o costume persistir, será preciso uma força-tarefa para realizar a exorcização dessas pessoas que pretendem ser mais reais do que o rei. E viva São Boaventura.
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
Creuza já levava uma vida difícil antes da segunda maior enchente da história de Itabuna, ocorrida no Natal de 2021, destruir o pouco que tinha. “Vocês não fazem ideia do que enfrentamos, principalmente depois que as águas baixaram”, conta, agradecendo o auxílio financeiro de R$ 3 mil que recebeu nesta terça-feira (19), na Paróquia Santa Maria Madalena, no Nova Itabuna.
Ajuda emociona Dona Creuza
Creuza Vieira de Brito Souza, 67, pegou o cartão do benefício como quem se agarra à mão amiga num momento de desamparo. “Estou muito feliz, porque necessitava muito dessa ajuda”, resume.
A idosa é uma dos 380 itabunenses que vão receber o benefício assegurado pelos núcleos suíço e belgo da Cáritas, instituição ligada à Igreja Católica, e pela União Europeia. As doações também vão ajudar famílias de Minas Gerais.
Responsável pela distribuição dos cartões, a Cáritas Brasileira entregou os 100 primeiros aos beneficiários de Itabuna. A data da próxima entrega ainda será divulgada.
PROGRAMA MIRA FAMÍLIAS MAIS PREJUDICADAS, DIZ COORDENADORA
A coordenadora da Cáritas no Brasil, Valquíria Lima, explica que o Programa Resposta Emergencial foi criado para auxiliar as famílias que sofreram maiores perdas durante a tragédia socioambiental.
Ela diz que a ação complementa as iniciativas do poder público. “O que queremos é que mais famílias sejam atendidas, principalmente aquelas mais vulneráveis”. Somente em Itabuna, o valor global doado será de R$ 1.140.000,00.
O padre Tony Valério, da Paróquia Maria Madalena, disse que as doações são obras da providência divina. “Primeiro, tivemos a ajuda da Prefeitura. Agora, recebemos da Cáritas e da União Europeia. É com muita alegria que recebemos este apoio”, disse o sacerdote, fazendo referência ao Auxílio Recomeço, programa do governo municipal que doou R$ 3.000,00 a 3.500 famílias de Itabuna.
Homenagens a Nossa Senhora da Conceição, no bairro Conceição, começam nesta segunda-feira
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Com o tema Maria Imaculada, Somos Todos Irmãos, a Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Itabuna, abre nesta segunda-feira (29) o novenário da padroeira do bairro. Nesta primeira noite dedicada às comunidades, o convidado é o Padre Thiago Teixeira, de Jequié, que abordará o subtema Deus se Faz Próximo. Haverá a coroação da Imaculada, a partir das 18h, seguida da Santa Missa.
Os grupos Crescendo com Cristo e Caminhando com Cristo são os responsáveis da primeira noite e as paróquias Santa Rita de Cássia, Senhor do Bonfim, São Pedro e São Judas Tadeu são as convidadas.
Padre Adriano Fernandes lembra que a celebração da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro, é uma festa litúrgica da igreja católica, mas até lá há uma longa caminhada. “São nove dias de orações, cânticos, louvores, pregação e missas, além de quermesse, numa festa cristã bonita e participativa”, destaca o padre.
Por isso, ele faz o convite para que as comunidades participem da programação, que tem o subtema Deus se Faz Irmão, na segunda noite. Os responsáveis são as pastorais do Dízimo e do Batismo. A Paroquia São Judas, comerciantes do bairro e devotos de Santo Antônio são os convidados.
A terceira noite (1º de dezembro) é dedicada às crianças. São convidadas as paróquias Santa Inês e Nossa Senhora Aparecida, tendo como responsáveis a Pastoral da Catequese e o Grupo do Santo Ofício, que debaterão o subtema Ser Irmão é se Fazer Próximo.
Leonardo Boff é o autor do livro que inspira o Papa Francisco || Foto Acervo Pessoal
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Da BBC Brasil
Aquele padre já estava incomodando bastante os círculos mais conservadores da Igreja Católica. No comecinho dos anos 1980, a atuação do então frade franciscano Leonardo Boff repercutia social e politicamente, justamente pela atuação à frente da Teologia da Libertação, corrente cristã que enfatiza como necessária a opção preferencial pelos pobres.
Quarenta anos atrás, Boff lançou um livro até hoje considerado sua obra máxima, constante de bibliografias de cursos de teologia e presente nas cabeceiras de muitos pensadores influentes — e, há quem diga, até mesmo do papa Francisco. Trata-se de Igreja: Carisma e Poder (Vozes), um compilado de 13 densos ensaios cuja primeira edição foi publicada em 1981.
Ao longo de mais de 200 páginas, o teólogo afirma existirem violações aos direitos humanos no interior da Igreja Católica, questiona a engessada hierarquia eclesiástica e entende a teologia como resultado das experiências de fé vividas pelo povo — e não o contrário.
Se o jeito de ser religioso de Boff, militando junto aos pobres, causava desconforto em setores católicos, o livro serviu como prova concreta para os que viam nele um dissidente, alguém fora do padrão instituído.
O caso foi analisado primeiro pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em seguida, encaminhado para a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), órgão do Vaticano herdeiro histórico do temido Tribunal da Inquisição, conhecido por perseguir aqueles considerados hereges até o século 19.
No comando da CDF estava o então cardeal alemão Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornaria o papa Bento 16, sucessor de João Paulo 2º (1920-2005).
Sua decisão sobre o caso Boff foi publicada em 11 de março de 1985. No julgamento, a congregação entendeu que o livro era uma afronta a pelo menos quatro pontos da doutrina católica.
“Examinadas à luz dos critérios de um autêntico método teológico […] certas opções do livro de L. Boff manifestam-se insustentáveis”, pontua o documento final.
“Sem pretender analisá-las todas, colocam-se em evidência apenas as opções eclesiológicas que parecem decisivas, ou seja: a estrutura da Igreja, a concepção do dogma, o exercício do poder sagrado e o profetismo.”
Entendendo que as reflexões de Boff “são de tal natureza que põem em perigo a sã doutrina da fé”, a congregação condenou o religioso brasileiro. Coube a ele um ano do chamado “silêncio obsequioso”, uma espécie de “cala-boca” oficial que o proibiu de emitir opiniões ou mesmo exercer publicamente suas atividades religiosas.
Por e-mail, Boff afirmou à BBC News Brasil que “a intenção originária do livro era aplicar as intuições da teologia da libertação às relações internas na Igreja, em setores da Igreja”.
“Uma igreja que prega a libertação na sociedade não pode ser um fator de opressão nas suas relações internas”, argumenta ele.
“A razão reside neste fato: todo o poder sagrado está nas mãos de um pequeno grupo clerical; os leigos, que são as grandes maiores, não participam dele e as mulheres são completamente excluídas. Uma Igreja que assim se organiza e exige libertação na sociedade se desmoraliza porque, internamente, não dá mostra de ser libertadora.”
POSSIBILIDADE DE CONVERSÃO
Recordando seu próprio livro, o teólogo sustenta que “na medida em que a Igreja hierárquica se assenta sobre o poder em sua forma absolutista e até tirânica na figura do papa, não há a possibilidade de se converter”.
“Este tipo de poder centralizado necessariamente é excludente e, por isso, sua natureza viola direitos dos fiéis”, diz.
Boff vê os leigos reduzidos a uma cidadania inferior, e as mulheres encaradas como “força auxiliar do clero”, a despeito de serem numericamente a maioria.
“O ponto crítico e extremamente sensível para as autoridades eclesiásticas foi a crítica que fiz ao poder sagrado, sobre o qual se constrói toda a compreensão da Igreja”, acrescenta.
“Jesus fez uma arrasadora crítica ao poder como centralização e busca de privilégio. O poder só se legitima evangelicamente como serviço e não como privilégio e elemento de criação de diferenças na comunidade. A Igreja dos primórdios se construía sobre a categoria da comunhão de todos com todos, no sentido de uma comunidade fraternal de iguais, embora com funções diferentes.”
Boff diz que no catolicismo contemporâneo, a comunhão foi “esvaziada” e, “no lugar do Espírito Santo, entrou o direito canônico, que tudo estabelece”.
“Não me restringi a fazer crítica à Igreja hierárquica do poder sagrado. Tentei mostrar […] uma alternativa possível e fundada biblicamente, de uma Igreja assentada sobre o Espírito Santo e os carismas como forma diferente de organização comunitária”, explica. “Estes seriam os pontos nevrálgicos que provocaram minha convocação pela Congregação para a Doutrina da Fé.”
TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO
O teólogo reconhece, contudo, que os problemas não eram apenas os teológicos. “Havia dois outros, muito importantes, de caráter político”, ressalta ele, frisando que o primeiro dizia respeito à teologia da libertação.
“Uma semana antes de minha convocação [para prestar esclarecimentos], a congregação [CDF] havia publicado um documento crítico a este tipo de teologia, acusando-a de politização da fé e do uso de categorias marxistas. Submeter-me, logo após, a um juízo doutrinário significava também colocar sob suspeição a Teologia da Libertação e, com isso, desautorizá-la.”
O segundo motivo político dizia respeito às chamadas comunidades eclesiais de base — grupos ecumênicos em que pessoas com necessidades comuns são incentivadas a se reunir para leituras bíblicas e debates sociopolíticos. Como diz Boff, lugares “onde se praticava e ainda se pratica a Teologia da Libertação”.
“A intenção já antiga do Vaticano era declarar que essas comunidades não são eclesiais, mas políticas”, afirma ele. “Desta forma, ficariam também desclassificadas e, junto delas, a Teologia da Libertação.”
A reportagem perguntou a Leonardo Boff se, com passar do tempo, ele se arrepende ou chegou a se arrepender de alguma coisa do conteúdo desse livro — considerando, inclusive, a repercussão do mesmo no interior da Igreja. Ele negou categoricamente.
“Continuo sustentando as teses do meu livro, que são secundadas pela melhor reflexão teológica católica e ecumênica”, esclarece.
Ele afirma que “a estruturação institucional da Igreja hierárquica é mais e mais criticada por não ser suficientemente fundada nos evangelhos e na prática de Jesus e dos apóstolos”.
“Sobre isso se fizeram inúmeras teses nas muitas faculdades de teologia. Mais ainda, esta teologia oficial é posta de lado pela prática do atual papa Francisco, que explicitamente vive o modelo de Igreja de comunhão, favorece as comunidades eclesiais de base e tem dado apoio explícito à teologia da libertação, de onde ele mesmo mesmo veio.”
Boff comentou que se corresponde com o papa Francisco “em sucessivas e amistosas trocas de cartas”.
“O livro [‘Igreja: Carisma e Poder’] resultou de uma série de textos de conferências e de artigos publicados. O título vai direto ao ponto”, define o teólogo Luiz Carlos Susin, professor na Pontifícia Universidade Católica no Rio Grande do Sul (PUC-RS) e na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana e membro do Comitê Internacional do Fórum Mundial de Teologia e Libertação.
“Na América Latina em geral, mais especificamente no Brasil, a década de 1970 tinha sido tensa politicamente pois nos extremos estavam as ditaduras e as guerrilhas, e no campo intelectual a situação social era analisada com categorias marxistas. A Teologia da Libertação dialogava com este pensamento crítico, embora nem Boff e nem os demais teólogos dominassem bem as categorias marxistas. Mas havia ‘afinidades eletivas’.”
Em 1981, Boff já era bastante respeitado. Catarinense de Concórdia, nascido em 14 de dezembro de 1938, ele civilmente se chama Genézio Darci Boff e assumiu o nome de Leonardo quando se tornou membro da Ordem dos Frades Menores, ao fim da década de 1950.
Ordenou-se sacerdote em 1964 e, depois, viveu um período na Alemanha, onde doutorou-se pela Universidade de Munique.
Ao longo dos anos 1970, seu pensamento passou a ser materializado em artigos e livros. Ele integrou o conselho editorial da Vozes, onde coordenou a coleção Teologia e Libertação e atuou como redator da Revista Eclesiástica Brasileira, entre outras publicações periódicas.
Nesse contexto, o teólogo fundou em 1979, com a ajuda de um grupo de militantes e religiosos, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), em Petrópolis, onde vive. Os antigos parceiros nesse projeto são os que guardam as melhores memórias da perseguição sofrida por Boff no processo junto ao Vaticano.
“Trabalhava no CDDH nos anos 1980 e convivia diariamente com Boff, principalmente no ano do famoso silêncio obsequioso [1985], afirma o teólogo e filósofo Adair Rocha, professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).
“Silêncio obsequioso é uma expressão de uma sabedoria histórica incrível, bem mais respeitosa do que ‘faz favor de calar a boca’.”
“Igreja: Carisma e Poder se relaciona com Jesus Cristo libertador. Isso acabou incomodando os setores hierárquicos da Igreja”, diz ele.
“[Boff] trabalha os pressupostos teóricos de natureza teológica com as questões de natureza prática, numa perspectiva estruturante do modelo da circularidade da Igreja, enquanto o modelo tradicional existente é hierarco-piramidal.”
“Quando isso vai para as comunidades eclesiais de base, implica em questões que vão interferir diretamente na vida das pessoas, e isso assume uma conotação de natureza política que vai identificar Boff e toda sua produção com autores preocupados com essa questão estruturante do capitalismo e como os meios de produção interferem na força de trabalho”, completa.
Para Rocha, a teologia trazida pelas reflexões de Boff estava empenhada em possibilitar que a população mais pobre adquirisse “todos os direitos”. “A palavra de Deus vai deixando isso cada vez clara. A conotação política acaba sendo clara”, acrescenta.
Professor e desenvolvedor de aplicativos em Goiânia, o filósofo José Américo de Lacerda Júnior recorda que foi arrebatador quando, nos anos 1980, “mergulhou” na leitura de Igreja: Carisma e Poder.
Em 1987, viveu em Petrópolis e “a proximidade com a pessoa do Leonardo trouxe ainda mais força àqueles seus escritos que tinham me marcado tanto”.
“Eu vi nele a coerência entre sua prática e sua escrita, entre sua ação e sua teologia”, afirma. “Práxis. Compreendi na pele e na alma a mensagem do livro: o desafio de manter o equilíbrio entre a força fundante do amor e a razão opressora da institucionalização.”
Dom Giovanni, novo bispo da Diocese de Ilhéus, durante coletiva no Palácio Paranaguá || Foto Pimenta
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As grandes janelas do Palácio Paranaguá e a brisa da tarde desta sexta-feira (8) permitiram que Dom Giovanni Crippa tivesse seu primeiro contato com a imprensa do sul da Bahia num ambiente arejado, espécie de ativo sanitário em tempos de pandemia.
A primeira pergunta da entrevista coletiva, feita pelo jornalista Valério de Magalhães, foi sobre a expectativa missionária do novo bispo da Diocese de Ilhéus, que tomará posse às 10h deste sábado (9), na Catedral São Sebastião. Doutor em História da Igreja, Dom Giovanni nasceu na Itália há 63 anos e chegou ao Brasil em 2001. O idioma estrangeiro está longe de ser um problema para o bispo, que se pôs a responder sobre a missão eclesiástica em bom português.
– Um pastor deve ser de grande comunhão, um homem capaz de juntar todas as forças positivas, dentro e também fora da Igreja, porque o bem é universal, o bem sempre vai além de qualquer fronteira. Deus não tem fronteiras; é o ser humano que cria fronteiras – geográficas, culturais, religiosas. Nós temos que ser homens de grande comunhão, sobretudo a Igreja. A Igreja nasce, a Igreja vive da comunhão ao redor do Evangelho, ao redor da pessoa de Jesus Cristo, para que essa comunhão possa ser também expressão de Deus – disse Dom Giovanni.
“QUERO CONHECER PARA AMAR”
O bispo pretende conversar pessoalmente com cada pároco o mais breve possível. Terá sua primeira reunião com o clero na próxima quarta-feira (13), quando deve esboçar agenda de visitas às 27 cidades da Diocese de Ilhéus.
O fato de ser estrangeiro não interdita o conhecimento, argumentou o bispo, dizendo que, às vezes, o olhar de quem é de fora valoriza mais o que se descobre em determinado contexto. “Eu quero conhecer para amar, para valorizar. O conhecimento deve levar a uma paixão, deve levar a abraçar uma igreja, uma cidade, uma causa, acho que isso é fundamental. Conhecimento para poder amar, valorizar e servir”, declarou.
A IGREJA E A LUTA PELA TERRA
A região de influência da Diocese de Ilhéus é marcada por movimentos de luta pela terra, a exemplo do MST e dos tupinambá da Mata Atlântica do sul da Bahia. Na coletiva, o PIMENTA perguntou se Dom Giovanni já se debruçou sobre essa realidade, já que a Igreja mantém interlocução com esses grupos por meio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra. Ao responder, o bispo citou ensinamento do papa mais progressista de que se tem notícia.
– O Papa Francisco nos convida a ser essa Igreja em saída, que tenha uma atenção especial para as periferias geográficas, mas, sobretudo, existenciais. A Igreja é chamada a viver as alegrias e as tristezas presentes no mundo. Nós, como Igreja, somos chamados a dar uma atenção especial às pessoas que vivem em situações desfavorecidas ou que não são reconhecidas plenamente nos seus direitos. Isso é muito claro. Por minha parte, podem ter a certeza que estarei aberto a ouvir essas pessoas e apoiar todas as situações em que precisem que a própria dignidade seja reconhecida. É uma tarefa que a Igreja deve assumir. Não podemos fechar os olhos diante de uma realidade. Temos que ser capazes de ir ao encontro, porque situações de injustiça, de necessidade e questões sociais devem ter na Igreja um lugar onde as vozes possam ressoar. Temos que ser também voz daqueles que não têm voz neste momento. Portanto, aos poucos, entrando na Diocese e conhecendo essas realidades, poderão encontrar também em mim uma pessoa de escuta e que possa também apoiar todas as reivindicações justas que eles vierem a apresentar – respondeu Dom Giovanni Crippa.
Novo bispo de Ilhéus concederá entrevista coletiva na sexta-feira (8)
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A celebração da posse canônica do novo bispo da Diocese de Ilhéus, Dom Giovanni Crippa, será no próximo sábado (9), às 10h, na Catedral São Sebastião. Antes, na sexta-feira (8), ele concederá entrevista coletiva à imprensa, às 15h, no Palácio Paranaguá, no Centro Histórico.
O novo bispo diocesano substitui Dom Mauro Montagnoli, que completou 75 anos de idade e deixou a liderança eclesiástica da diocese ilheense após 26 anos.
TRAJETÓRIA
Dom Giovanni nasceu em Milão, na Itália, em 1958. No dia 13 de setembro de 1981, professou os votos perpétuos no Instituto da Consolata. Doutorou-se em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em 1996.
Viveu seus primeiros anos de sacerdócio na Itália, onde foi Animador Missionário e Vocacional, professor na Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Urbaniana e membro da Coordenação do Departamento Histórico do Instituto da Consolata.
Chegou ao Brasil em 2001 e se estabeleceu em Feira de Santana, onde se tornou vigário da paróquia Santíssima Trindade. Três anos depois, tornou-se pároco da mesma. O Papa Francisco o nomeou bispo da Diocese de Ilhéus em 11 de agosto passado. Na próxima quarta-feira (6), Dom Giovanni completará 63 anos de idade.