Prefeito Mário Alexandre: "sempre votei no PT" || Foto PIMENTA
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Do PIMENTA

No calor da campanha eleitoral deste ano, três consensos se cristalizaram no debate público de Ilhéus. 1) Bento Lima não tinha chance de ganhar; 2) a vitória seria definida por pequena margem de votos; 3) e o prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), ciente do destino eleitoral de seu correligionário, se quisesse, teria influência para pender a disputa a favor de Adélia Pinheiro (PT) ou de Valderico Junior (UB).

Com a vitória de Valderico pela diferença de 2,75 pontos percentuais (ou 2.639 dos 96.141 votos válidos), a saída de Coronel Resende (PL) do páreo e a conquista do apoio dos que abandonaram o barco de Lima ajudam a explicar a arrancada do candidato do União Brasil na última semana da campanha.

A ultrapassagem de Valderico, tomando de Adélia a liderança nas intenções de voto, foi captada pela última das pesquisas feitas neste ano pelos institutos Sócio Estatística e Gasparetto Pesquisas. O fotógrafo, memorialista e ex-vice-prefeito José Nazal compilou os resultados da série e os publicou em relatório analítico (íntegra). Os últimos números, colhidos até 30 de setembro, mostram Valderico com vantagem de 1,3 ponto percentual a seis dias do pleito.

Resultados das pesquisas eleitorais deste ano em Ilhéus || Tabulação: José Nazal

Conhecida a sentença das urnas, circularam hipóteses sobre os fatores que deram a vitória a Valderico Junior, inclusive a de que o prefeito Mário Alexandre teria favorecido o candidato ligado ao vice-presidente do UB, ACM Neto, líder da oposição ao Governo Jerônimo.

Ao PIMENTA, Marão negou, de forma categórica, que tenha jogado a favor do adversário da base governista e refutou a especulação de que teria preferência pela vitória de Valderico. Para reforçar sua posição, recorreu ao relacionamento político com o  ministro da Casa Civil, Rui Costa; citou o gesto recente do governador Jerônimo Rodrigues, que decidiu entregar o Residencial Jardim Salobrinho ainda durante o seu mandato; relembrou que foi vice-prefeito aliado ao PT e disse que sempre votou no Partido dos Trabalhadores.

Marão: do quase L ao tradicional joinha || Fotos PIMENTA

Na hora de posar para a foto desta entrevista, o prefeito, sorrindo, perguntou se deveria fazer o L – e fez, rapidamente, antes de encolher o indicador e parar o movimento da mão direita num sinal de joia. Leia.

PIMENTA – O senhor e o PT estiveram em lados opostos nas eleições. Houve estremecimento da relação?

MARÃO – De minha parte, nunca. Cada um tem seu destino e resolve o quer. Nunca fui homem de ter estremecimento, até porque quem vota no PT sou eu. Sempre votei no PT, sempre vou votar. Tenho parceria que nunca teve na minha cidade. Sou grato ao ex-governador Rui e ao governador Jerônimo. Acabei de entregar 220 casas antes de vencer meu mandato. Meu legado foi feito nessa parceria, que levei, construí e conquistei a minha referência de lealdade. Com o ministro Rui, nos dois mandatos, tive oportunidade de tê-lo [como aliado] e consegui mais de R$ 1 bilhão de investimentos para Ilhéus e região. Não vou estar mais no mandato, mas continuarei ajudando na parceria que a cidade de Ilhéus construiu através do meu nome, do meu respeito, da minha lealdade. Essas conversas que as pessoas querem falar não têm sentido. O sentido foi sempre de aliar, de juntar e fazer o melhor. Por isso, ganhei duas vezes, mais a eleição de Soane, fui vice-prefeito. Minha política é sempre de fazer o bem. Não quero nunca atrapalhar.

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O que tenho com Rui e a gratidão que tenho a Rui, só se eu fosse muito descarado.

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Circula hipótese de que o senhor teria preferência de perder a eleição para Valderico Junior em vez de Adélia.

Quem está falando isso tem que provar. Nunca tive nenhum tipo de relacionamento [com Valderico]. Pelo contrário, minha relação histórica, desde quando entrei na política, é com a base do governo. O que tenho com Rui e a gratidão que tenho a Rui, só se eu fosse muito descarado. E não é meu perfil. Meu perfil é ganhar junto e perder. Quando ninguém acreditava em Jerônimo, fui o primeiro que levantei a bandeira e falei: o candidato é Jerônimo, porque Rui quis. A gente fez e está aí, hoje, a minha relação de parceria. Ele vem aqui e faz esse gesto todo em relação a mim, por isso agradeço os caras. Mesmo não estando mais prefeito a partir do mês que vem, ele [Jerônimo] fez questão de vir aqui, estar junto com a gente, trazendo e pegando na mão. Tinha muito mais projetos que eu tinha levado. [Dizem:] é o Governo do Estado que faz. Não. O Governo do Estado faz, mas o prefeito leva. Levei e aprovei muitos projetos. Jamais vamos ter uma parceria como essa [com o Governo do Estado], a não ser que uma dia tenha uma Soane ou outro candidato que tenha [boa relação com a base estadual].

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Vou terminar meu mandato para ver a minha vida política.

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O senhor continua no PSD?

Sempre fui do PSD, continuo no PSD. Vou terminar meu mandato para ver a minha vida política. Vou dar uma descansada. Temos o mandato de Soane. Meu momento agora é fechar o mandato. Sou prefeito até dia 31 de dezembro. Aí a gente vai discutir [o futuro].

Deseja ir para a Câmara Federal?

Não. O desejo é do povo. Fui candidato a prefeito [em 2016] para ser candidato a deputado [em 2018], e o povo quis que eu fosse prefeito. Fui reeleito. É o povo que define. A gente vai ver o que eles querem comigo. Eu sou, na verdade, um soldado do nosso governo.

Ex-prefeito Pedro Jackson faleceu hoje (20), em Itabuna
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Faleceu nesta sexta-feira (20), em Itabuna, o ex-prefeito de Itapé Pedro Jackson Brandão, aos 72 anos. Ele estava internado no Hospital Calixto Midlej Filho e não resistiu a complicações de saúde.

Pedrão, como era conhecido, governou Itapé por cinco vezes e fez quatro sucessores. O ex-prefeito morava no bairro Castália, em Itabuna. Neste ano, ele chegou a aparecer em um vídeo para desmentir boatos de que estava morto.

Pedrão deixou esposa e três filhos, além de uma legião de amigos. O velório será na noite desta sexta-feira (20), a partir das 18h, no SAF de Itabuna. O corpo será cremado em Alagoinhas.

REPERCUSÃO 

A Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc) emitiu nota de pesar pelo falecimento do ex-gestor. Segundo a entidade municipalista, que foi presidida por Pedrão de 2005 a 2006, o ex-prefeito construiu legado para a gestão pública municipal.

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), também lamentou a morte do líder político. Conforme Augusto, Pedro Jackson imprimiu sua marca na política do todo o sul da Bahia.

Wilma Oliveira vê "condução desastrosa" de prefeito em demissão de servidores || Foto Blog Seja Ilimitado
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Decisão judicial assegura a manutenção do vínculo de emprego de parte dos aposentados que ainda integram o quadro efetivo da Prefeitura de Itabuna, informou ao PIMENTA a vereadora Wilma Oliveira (PCdoB). A pedido do Sindicato da categoria, a 1ª Vara Fazenda Pública assegurou a permanência no serviço municipal dos trabalhadores que se aposentaram ou solicitaram aposentadoria antes de 6 de março de 2019, data de início da vigência do Estatuto dos Servidores de Itabuna (Lei Municipal nº 2.442/2019). A extinção dos vínculos de emprego havia sido determinada pelo prefeito Augusto Castro (relembre).

“Concedo em parte a medida liminar pleiteada para, na aplicação do Decreto nº 16.028/2024 e Edital de notificação nº 003/2024, seja assegurada a manutenção dos servidores já aposentados ou que reuniram as condições para a concessão da aposentadoria até a vigência da Lei Municipal nº 2.442/2019, sem prejuízo da opção em aderir ao PDV instituído pela Lei Municipal nº 2.697/24”, escreveu o juiz Ulysses Maynard Salgado, ao conceder o mandado de segurança desta quarta-feira (18).

Pela estimativa do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Itabuna, a determinação do prefeito Augusto Castro (PSD) atingiria cerca de 900 aposentados que ainda ocupam cargos efetivos. Desse total, aproximadamente, 500 estão protegidos pela liminar. Já os servidores que se aposentaram ou solicitaram aposentadoria depois de 6 de março de 2019, não beneficiados pela decisão, seriam em torno de 120.

O último grupo de aposentados na ativa, também não amparado pelo mandado de segurança, é formado pelos servidores que ingressaram no serviço municipal sem concurso público entre 1983 e 1988. Neste caso, mesmo os aposentados antes do início da vigência do Estatuto não têm direito à estabilidade no cargo, reconheceu a vereadora Wilma Oliveira, que também é liderança sindical.

“CONDUÇÃO DESASTROSA”

O PIMENTA questionou a parlamentar sobre a dimensão política da decisão tomada pelo prefeito Augusto Castro (PSD). “Ele tem o direito de fazer, porque é o prefeito, mas a forma foi muito equivocada, açodada, sem fazer o levantamento [das particularidades]. São várias situações. Deveria ter feito esse levantamento caso a caso, porque cada um tem uma história no município, uma realidade, embora eu saiba que o município não possa agir baseado nas individualidades. Mas, ter um diagnóstico, um raio-X do todo, é importante”, respondeu Wilma Oliveira.

“[A decisão] trouxe muito transtorno, do ponto de vista emocional, para os trabalhadores. Politicamente, embora eles [gestores] achem que não tenha repercussão a nível de sociedade, porque é um tema muito delicado, na minha opinião, essa condução foi muito desastrosa”, acrescentou.

Acessa a íntegra da decisão judicial.

O QUE DIZ A PREFEITURA

A Prefeitura de Itabuna admitiu, em nota, que os aposentados antes de 6 de março de 2019 estão protegidos pela decisão judicial desta quarta-feira (18), mas alertou que a ordem tem caráter provisório.

A gestão também informa que a Justiça não derrubou o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que teve o prazo prorrogado até o próximo dia 30. Abaixo, confira a íntegra.

A Prefeitura Municipal de Itabuna esclarece, por meio desta nota, os servidores públicos sobre o real teor das decisões liminares proferidas nos autos dos processos n.º 8011235-22.2024.8.05.0113, movido pelo SINDSERV e SINDIACS, e n.º 8011202-32.2024.8.05.0113, de autoria do SIMPI, com o objetivo de evitar a disseminação de informações falsas sobre o alcance dessas decisões judiciais.

Inicialmente, é importante destacar que as decisões liminares possuem natureza precária, ou seja, são temporárias e podem ser revistas a qualquer momento pelo juiz responsável ou reformadas pelo Tribunal de Justiça, mediante recurso. A Procuradoria-Geral do Município está adotando todas as medidas judiciais cabíveis para reverter os efeitos dessas decisões.

Além disso, esclarecemos que os pedidos dos sindicatos foram parcialmente atendidos nas liminares concedidas. O juízo manteve em vigor os Editais de Notificação e o Decreto Municipal n.º 16.028/2024.

Dessa forma, os servidores listados nos editais de notificação n.º 001 e n.º 002, cujos pedidos administrativos foram indeferidos, não estão protegidos pelas decisões liminares e, portanto, serão efetivamente desligados, conforme já anunciado.

Por outro lado, os servidores que se aposentaram ou que reuniram os requisitos para aposentadoria antes de 06 de março de 2019 estão, provisoriamente, mantidos em seus cargos, até que nova decisão judicial seja proferida, podendo esta revogar os efeitos da liminar atual.

Também é fundamental informar que as decisões judiciais não suspenderam o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que permanece vigente e com prazo de adesão até 30 de dezembro de 2024.

Assim, a Prefeitura de Itabuna, em compromisso com a transparência, alerta que uma eventual revogação das liminares após o término do prazo de adesão ao PDV impedirá a participação do servidor no programa, resultando em seu desligamento imediato.

Por fim, informamos que a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo Município de Itabuna ainda aguarda a apreciação do pedido liminar pelo Tribunal de Justiça, após o retorno do recesso do Poder Judiciário. 

Atualizado às 15h25min para acréscimo de informações.

Reencontro: Jerônimo, Marão e Soane descerram placa de residencial || Foto Matheus Landim/GovBA
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Do PIMENTA

O governador Jerônimo Rodrigues imprime tom de reacomodação das forças da base em Ilhéus. A entrega do Residencial Jardim Salobrinho a 13 dias do final do mandato do prefeito Mário Alexandre soou como afago do petista no aliado do PSD e na primeira-dama e deputada estadual Soane Galvão (Avante). O clima político desta quarta-feira (18) não lembrava em nada a tensão que permeou a disputa eleitoral encerrada no dia 6 de outubro.

Na campanha, aliados de Marão acusaram o PT de interferir na Polícia Federal, afirmando que as operações Barganha e Coronelismo teriam motivação política. Nos bastidores, o baque da primeira operação foi apontado como causa do adiamento de visita de Jerônimo a Ilhéus. Quando o Diretório Estadual do PSD recomendou a retirada da candidatura de Bento Lima, alvo das investidas da PF, Mário Alexandre, também na mira das investigações, bancou a manutenção do correligionário na disputa.

Naquela altura, as pesquisas eleitorais de institutos renomados evidenciavam que Bento não tinha chance de vitória. Como ratificado pelas urnas, das três candidaturas levadas a cabo, a da professora Adélia Pinheiro (PT) tinha maiores chances de rivalizar com o candidato ligado à oposição estadual, o agora prefeito diplomado Valderico Junior (UB).

Durante o descerramento da placa da obra de requalificação do Complexo Policial de Ilhéus, nesta quarta-feira (18), o site perguntou ao governador sobre a decisão do PSD ilheense.

PIMENTAO PSD estadual recomendou a retirada da candidatura do partido no município. O senhor avalia que o PSD de Ilhéus jogou contra a base?

JERÔNIMO RODRIGUES – Agora é olhar pra frente. Perdemos a Prefeitura de Ilhéus. E perdemos com uma margem muito próxima. O nome de Adélia foi um nome novo, colocado com a expectativa que nós tínhamos de botar uma mulher competente, três vezes secretária de Estado (Ciência e Tecnologia; Saúde; e Educação), com competência de articular as forças. Não deu. Se não deu, temos que olhar para frente, construir um novo ambiente. Não dá agora para a gente ficar procurando culpados. O importante é poder trabalhar por Ilhéus.

“NÃO VAMOS FECHAR PORTA PARA PREFEITO NENHUM”

Os governos do PT na Bahia se notabilizaram pela capacidade de regionalizar investimentos. Ilhéus foi dos polos regionais que mais se beneficiaram com os resultados dessa forma de governar. Daí vieram os hospitais Costa do Cacau e Materno-Infantil; a Ponte Jorge Amado; a Policlínica Regional de Saúde; a primeira etapa da duplicação da BA-001 na zona sul; UPA 24h; o Colégio de Tempo Integral já entregue e o segundo em fase final de construção, Residencial Jardim Salobrinho etc.

Essas intervenções foram entregues nos oito anos que compreendem os dois mandatos do prefeito Mário Alexandre (2017-2024). A partir de janeiro de 2025, pela primeira vez em 17 anos, Ilhéus terá um prefeito ligado à oposição estadual.

Ao PIMENTA, o governador Jerônimo Rodrigues assegurou que nenhum prefeito vai se deparar com porta fechada no Governo da Bahia. Afirmou isso ao comentar a possibilidade de Valderico incorporar uma das propostas de campanha de Adélia Pinheiro, a de asfaltar, com o apoio do Estado, o acesso às sedes dos distritos do município. A soma das distâncias em questão não passa de 100 quilômetros, e o governo estadual já tem política específica para esse tipo de investimento.

“Não vamos fechar a porta para prefeito nenhum, em qualquer área, saúde, segurança, educação. Quero ver a consistência dos projetos. No que diz respeito ao acesso à zona rural, povoados, distritos, aldeias, temos que estudar a viabilidade financeira de estradas como essas”, respondeu Jerônimo, ponderando que o território rural de Ilhéus é grande. “Vamos aguardar o que nós temos de demanda para a gente poder apreciar”, finalizou.

Jamile recebe chave de apartamento das mãos do governador Jerônimo Rodrigues || Foto Matheus Landim/GovBA
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Faz quase três anos que a agente de segurança Jamile Sousa Santos, de 38 anos, viu a sua casa, doada por sua mãe, ser tomada pela enchente do Rio Cachoeira, que devastou parte do Salobrinho, em Ilhéus, em dezembro de 2021. A trabalhadora é uma das beneficiárias do Residencial Jardim Salobrinho, construído pelo Governo da Bahia, em parceria com a Prefeitura de Ilhéus, para 220 famílias prejudicadas pela tragédia socioambiental.

O condomínio foi entregue à comunidade nesta quarta-feira (18), em cerimônia com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD). Para Jamile, a nova moradia significa um recomeço.

“2025 vai ser um ano maravilhoso para mim, meu marido e minha filha. É um sonho realizado: o da casa própria. Não vamos mais depender de aluguel. E ainda em um condomínio completo. A ficha ainda não caiu. A gente só vai se dar conta depois que estiver lá dentro e olhar tudo isso aqui pela janela”, contou, emocionada, ao receber as chaves das mãos do governador.

Jerônimo ressaltou o investimento de R$ 28 milhões no Residencial Jardim Salobrinho. “Isso aqui é fruto de um trabalho em parceria entre o Governo do Estado e a prefeitura municipal para restabelecer a qualidade de vida das pessoas que sofreram com as fortes chuvas de 2021″, disse.

O governador também chamou atenção para os equipamentos que fazem parte do condomínio. “Um residencial de qualidade, com acessibilidade para pessoas com deficiência, área de lazer, parque e quadra poliesportiva. Já entregamos um conjunto habitacional em Itabuna e agora este em Ilhéus”.

Governo da Bahia entrega o Residencial Jardim Salobrinho || Foto Matheus Landim/GovBA

ESTRUTURA 

O residencial é composto por oito blocos. Cada edifício tem seis apartamentos por andar. As unidades têm sala, cozinha, área de serviço, dois quartos e banheiro social, em uma área de 42 metros quadrados. O condomínio conta, ainda, com um centro comunitário, área de passeio, estacionamento, quiosque, praças e áreas verdes.

A obra, feita pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), veio acompanhada de um projeto social. “Mapeamos, junto ao Corpo de Bombeiros, as famílias atingidas. A partir daí já começamos o trabalho social e o pós-ocupação. Um projeto que tem vários eixos, dentre eles a autonomia cidadã, educação ambiental, patrimonial, gestão condominial e também atividade de geração de trabalho e renda”, explicou a coordenadora social da Conder, Priscila Monteiro.

COMPLEXO POLICIAL

O município de Ilhéus também foi contemplado com a reforma do Complexo da Polícia Civil, entregue pelo governador Jerônimo Rodrigues, nesta quarta-feira (18), no centro da cidade. Com um investimento de R$ 2 milhões, foram instaladas a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), a Delegacia de Proteção Ambiental (DPA), a Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur) e a 1ª Delegacia Territorial/Ilhéus, além do Plantão Central, Núcleo de Homicídios e Comissão de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD/Sul).

MAIS INVESTIMENTOS

Ainda em Ilhéus, o governador assinou uma ordem de serviço para a implantação do sistema de abastecimento de água para a comunidade de Vila Jairy, somando R$ 900 mil em investimentos e beneficiando 450 habitantes.

Para a infraestrutura de transporte, o chefe do Executivo baiano entregou a pavimentação do trecho que liga o acesso a Olivença ao entroncamento da BA-001 e ainda visitou as obras de construção da ponte sobre o Rio Cachoeira, na BA-649, trecho Ilhéus-Itabuna.

Governador Jerônimo Rodrigues também vai entregar outras obras do estado no município || Foto José Nazal
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O governador Jerônimo Rodrigues (PT) desembarca em Ilhéus, nesta quarta-feira (18), para a entrega das 220 unidades habitacionais do Residencial Jardim Salobrinho. As moradias serão entregues às famílias do bairro Salobrinho que perderam quase tudo durante a cheia do Rio Cachoeira, em dezembro de 2021. O condomínio foi erguido pelo programa Bahia Minha Casa. A cerimônia está marcada para as 7h30min.

Depois, o governador segue para o Centro da cidade, onde vai entregar a obra de modernização do Complexo Policial de Ilhéus. O último compromisso de Jerônimo no município será a inauguração da pavimentação do trecho de rodovia que liga o acesso de Olivença, no litoral sul, ao entroncamento da BA-001.

Será a primeira visita do governador Jerônimo Rodrigues a Ilhéus desde as eleições municipais deste ano. Ele esteve no município no dia 1º de outubro para declarar apoio à então candidata a prefeita Adélia Pinheiro (PT), derrotada pelo prefeito diplomado Valderico Junior (UB).

Waldir Pires foi deputado, governador da Bahia, ministro e vereador || Foto Marcelo Casal Jr./ABr
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Waldir sabia dos riscos da sua atitude e, ao se despedir do cardeal, com certa acidez e um leve sorriso nos lábios disse: O senhor vai responder lá em cima, e muito fortemente, pela injustiça que está cometendo.

 

 

José Cássio Varjão

Um dos nomes de maior relevância, da política baiana e brasileira foi o social-democrata Francisco Waldir Pires de Souza. Advogado, professor da Universidade Católica de Salvador, professor da Universidade de Brasília, professor da Universidade de Dijon, na França, consultor-Geral da República no governo João Goulart, ministro da Previdência Social, no governo José Sarney, ministro da Controladoria-Geral da União e Ministro da Defesa, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, deputado estadual, deputado federal, governador e, por fim, vereador, de Salvador.

Como capítulo marcante do meu livro Eleições Históricas – Do Voto à História, a ser lançado nas próximas semanas, a eleição para o governo da Bahia, em 1986, foi um acontecimento memorável na história política da Bahia. Os olhos do ex-deputado federal Domingos Leonelli brilham quando lembra da campanha de 1986: “Uma campanha como aquela nunca se viu. Dificilmente se verá outra igual. Uma rebelião cívica. Waldir era o símbolo do anseio de liberdade acumulado ao longo dos anos”.

Para escrever sobre o processo eleitoral de 1986, no estado da Bahia, me debrucei, inebriado, nas quase 800 páginas dos dois volumes sobre a biografia de Waldir Pires, de autoria do jornalista, escritor e professor Emiliano José, doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA. “A campanha de 1986 foi algo jamais visto na Bahia, pelo que suscitou de sonhos, de encantamento, de magia. Chegasse a hora que chegasse, às duas, às três, às cinco da manhã, ninguém arredava o pé, chovesse canivete, houvesse a tempestade que houvesse, fizesse chuva, fizesse sol, frio ou calor, as praças não se mexiam. Foi um caso de arrebatamento, um profundo caso de amor entre a população e seu líder. Um líder das massas. Quase um Messias”, sintetizou Emiliano José.

Principalmente pela controversa renúncia ao mandato de governador, para concorrer com Ulisses Guimarães, na eleição presidencial de 1989, pelo PMDB, esses dois textos, que escreverei, tem como objetivo trazer à tona algumas situações do jogo político que passaram ao largo pela população, que, ainda nesses dias, tece comentários, às vezes sem quaisquer parâmetros, como se “a decisão mais difícil da minha vida política”, frase dita por Waldir Pires, inúmeras vezes, tivesse sido uma escolha sem fundamento. Como exposto no título desse escrito, Waldir Pires viveu alguns confrontos ao longo da sua vida política que merecem especial atenção.

Nascido em Cajueiro, hoje município de Acajutiba, litoral norte da Bahia, em 1926, filho do casal Zeca Pires e dona Lucíola, mudou-se em 1929, com seus pais e irmãos, para Amargosa, a chamada Rainha do Café, no início do século XX. Fez o ginásio em Nazaré das Farinhas antes de seguir no final de 1941, para a Cidade da Bahia, a gigantesca Salvador, com seus 290 mil habitantes. Estudou no Colégio Estadual da Bahia, depois, Colégio Central e, finalmente na Faculdade de Direito da Bahia.

Em 1949, foi o orador da turma de Direito, uma honraria especial àquele aluno que obteve média superior a 7 em todas os exames escritos. A data da formatura, 5 de novembro, marcava o centenário do jurista Rui Barbosa, com a inauguração do fórum que leva seu nome, no Campo da Pólvora, Salvador. Com pompa, circunstância e a presença do governador Octávio Mangabeira, Waldir Pires foi o primeiro orador a ocupar a tribuna do fórum e o primeiro a se pronunciar na nova sede do Tribunal de Justiça da Bahia.

Exímio tribuno, um ano antes de se formar, em 1948, recebeu a visita do então prefeito de Amargosa, João Sales, convidando-o para ser o orador oficial da recepção ao governador Octávio Mangabeira, na inauguração da energia elétrica da cidade. “Discurse por Amargosa”, pediu João Sales. Ainda não havia envolvimento político, não estava vinculado a nenhuma corrente política. Quando chegou a Amargosa, soube que o governador não estaria presente, seria representado pelo secretário de Segurança Pública, Oliveira Brito. O líder do governo na Assembleia Legislativa, Antônio Balbino (PSD), também estaria presente e a vida de Waldir Pires tomou um rumo completamente inesperado para aquele momento da sua vida. Se João Mangabeira foi seu inspirador, Antônio Balbino foi seu tutor.

Um ano após a formatura em Direito, em 1950, Waldir Pires concorreu a deputado estadual pelo PSD (Partido Social Democrático). Era a confirmação, para Balbino, da sua vocação política e nada melhor do que jogá-lo aos leões, testá-lo na batalha da conquista de votos. Waldir obteve 2.664 votos. Outro concorrente, Josaphat Marinho ficou com 3.044 votos. Os dois se encontrariam em outras oportunidades do cenário político, como aliados ou como adversários. Antônio Balbino estava certo. O talento do rapaz para a política era inegável.

A carreira política de Waldir Pires estava se iniciando e os frutos da amizade com Antônio Balbino lhe renderam a indicação para o cargo de secretário de Governo de Régis Pacheco, eleito governador em 1950, aos 24 anos de idade. Um fato trágico a ser lembrado é que o candidato a governador pelo PSD, em 1950, era o deputado federal Lauro Farani Pedreira de Freitas, que morreu em acidente aéreo em 11 de setembro de 1950, na cidade de Bom Jesus da Lapa. O coordenador e homem forte da campanha de Lauro de Freitas era Antônio Balbino, que em três dias definiu Régis Pacheco, deputado federal e ex-prefeito de Vitória da Conquista, como o candidato do partido.

Em 1954, é eleito deputado estadual pelo PTB, com 7.162 votos, estava definitivamente inserido no mundo político. Nessa legislatura, entra na vida de Waldir Pires o maior desafeto e adversário da sua carreira política, Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, que obteve 3.990 votos na eleição suplementar de 1955, bem abaixo de Waldir e o décimo eleito pela UDN, que elegeu onze deputados estaduais. Nesse período, não se rivalizaram e, em algumas oportunidades, Antônio Carlos fez seguidos elogios à atuação de Waldir Pires. Nessa legislatura Waldir Pires foi o líder do governo na Assembleia Legislativa. Josaphat Marinho também era deputado estadual.

Em 1958 é eleito deputado federal, com mandato a se encerrar em 1963. Com destacada participação na 41ª Legislatura da Câmara Federal, Waldir alçava voos no cenário nacional. Foi integrante ativo da Comissão de Constituição e Justiça, integrante da Frente Parlamentar Nacionalista, vice-líder da maioria no governo de Juscelino Kubistchek. Em 1961, em Genebra, Suíça, compôs a comissão que representou o Brasil numa conferência internacional, votando pela admissão da China à ONU.

Aos 36 anos, em 1962, se lançou à primeira campanha para o governo do estado da Bahia. Outro desafio, mais um degrau a subir e por pouco não obteve sucesso. Perdeu a eleição para Lomanto Júnior, ex-prefeito de Jequié, por meros 5% dos votos válidos. Aqui, surgiu a primeira controvérsia da carreira política de Waldir Pires, o improvável embate com dom Augusto Álvaro da Silva, o famoso Cardeal da Silva, nome da avenida que liga os bairros do Rio Vermelho e Federação, em Salvador.

Naquela disputa, Lomanto tinha o apoio dos partidos de direita, dos principais meios de comunicação e da Igreja Católica, enquanto Waldir tinha o apoio do PSD e do PCB. Antônio Guerra Lima, advogado e procurador-Geral do Estado no Governo de Waldir Pires (1986), afirmava que “não bastaria apenas constatar genericamente o apoio da Igreja Católica a Lomanto. Era imperativo afirmar o desempenho fervoroso e a dedicação pessoal do cardeal com a intenção de derrotar Waldir Pires, um anti-Cristo a quem era necessário abater”.

Dom Augusto Álvaro da Silva era um “príncipe católico” conservador, completamente absorvido pelo clima que o mundo vivia naqueles tempos de Guerra Fria, e agiu como um militante político influenciando o clero baiano, nas suas missas e sermões, a não votar no candidato dos comunistas. Com ataques diários, sendo amplamente divulgados pela imprensa, eram distribuídos panfletos espúrios, com o título de “Alerta Democratas”, constando os nomes dos candidatos “supostamente comunistas”. Parênteses para pensar: Alguma similaridade com a política praticada por alguns grupos atualmente?

Dia 6 de setembro de 1962, 31 dias antes das eleições, a manchete do jornal A Tarde revelava que a Igreja Católica dividia os candidatos ao governo do estado em duas classes: os bons e os maus. Na lata. Direto ao ponto, sem nenhuma sutileza. A matéria descrevia que “o perigo comunista mereceu a atenção dos sacerdotes, sendo ponto pacífico que a Igreja não transigirá com os candidatos vinculados ao credo de Moscou, ou com ele comprometidos, pelo perigo que representam para a segurança do regime democrático e para os princípios fundamentais defendidos pela Igreja Católica”.

Waldir Pires e os seus pais eram extremamente católicos, o que levou Zeca Pires a divulgar uma carta ao povo da Bahia, contra as atitudes do Cardeal da Silva. Após as eleições, seu pai divulgou outra carta, demonstrando grande revolta com as arbitrariedades do líder católico. Num dos trechos, Zeca Pires assim escreveu: “No último episódio eleitoral, da sucessão baiana, assistimos, com espanto e revolta, ao estrangulamento ou sacrifício da verdade e do esforço construtivo. Procuraram, sem fundamento, suspeitas sobre a ideologia de um moço, Waldir Pires, de sólida formação moral e cristã que, como pai católico, graças a Deus, eu a soube ministrar, com esmero e cuidado, pelo fato desse moço nutrir ideias de renovação e de progresso. É assim, de manifesta leviandade e covardia, o setor da igreja que, depois de aprovar seu nome, o desapoiou, na última hora, em uma guinada espetacular e esquisita. Descristianizaram-se, atrelando-se ao carro dos interesses humanos e das conveniências da vida. Hoje, o pseudocomunista representa bem o samaritano do evangelho, é mais cristão do que muitos sacerdotes”. Zeca Pires era coletor federal e foi o responsável pelo ensino do francês aos seus filhos.

Certo dia, numa manhã de domingo, dona Lucíola, sua mãe, “católica de berço e terço”, foi se confessar com o padre de Amargosa. Ajoelhou-se, confessou seus pecados (Waldir perguntava à mãe que raios de pecados ela tinha para se confessar, pois ele não encontrava pecado nela) e recebeu a sua penitência de ave-marias, pai-nossos e salve-rainhas. Quando estava saindo do confessionário, o padre disse: a senhora sabe que esse ano tem eleições? Ela respondeu afirmativamente. Continuou o padre, dizendo que ela não poderia votar no nome de Waldir Pires. Dona Lucíola levantou-se bruscamente, abriu a cortina do confessionário, e o pecado da ira caiu sobre ela: Fique sabendo o senhor que Waldir Pires é meu filho. O senhor me respeite. Isso é uma indignidade! Uma injustiça que estão fazendo com Waldir. Se fosse pecado, desse ela não pediria perdão. O padre imóvel e com os olhos esbugalhados, calou-se.

O embate em si, frente a frente, ocorreu quando o cardeal chamou Waldir para uma conversa no Palácio Episcopal, durante o processo eleitoral: Waldir, eu o chamei aqui porque soube que o senhor tem o apoio dos comunistas. Isso é verdade? Sim. Respondeu Waldir. A conversa seguiu com Waldir argumentando que não tinha motivos para recusar o apoio do PCB. Então, o cardeal vociferou: Se o senhor não recusar esse apoio, vou baixar uma instrução recomendando que os católicos não votem no senhor. Vou condenar sua candidatura. Waldir, impressionado pela frieza do cardeal, respondeu: Lamento, mas não recusarei. Tenho lutas comuns com eles, o petróleo, a energia, a luta pela igualdade social. Não há por que recusar esse apoio. Waldir sabia dos riscos da sua atitude e, ao se despedir do cardeal, com certa acidez e um leve sorriso nos lábios disse: O senhor vai responder lá em cima, e muito fortemente, pela injustiça que está cometendo.

No próximo texto falarei sobre o início da convivência entre Waldir Pires e Antônio Carlos Magalhães, a rivalidade criada com o passar dos anos, a interferência de ACM no governo Waldir em 1986 e, finalmente sobre a renúncia em 1989.

José Cássio Varjão é cientista político.

Valderico (à esquerda) em diálogo com Japu (de óculos) e os prefeitos eleitos Elder Fontes e Miltinho
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Nesta quinta-feira (12), o prefeito eleito de Ilhéus, Valderico Junior (UB), anunciará mais nomes que vão compor o secretariado do seu governo. O anúncio será durante coletiva à imprensa, no Ilhéus Praia Hotel, em frente à Catedral de São Sebastião, Centro, a partir das 10h.

Até agora, Valderico confirmou cinco nomes para os primeiros escalões. São eles Wanessa Gedeon (Políticas para as Mulheres), José Víctor Pessoa (Interior), Michel Mendonça (Procuradoria-Geral do Município), Paulo Landi (Corregedoria-Geral) e Humberto Nascimento ( Controladoria-Geral).

TURISMO

Desde o anúncio, o prefeito tem analisado nomes e conversado com técnicos e políticos para definir a equipe. Uma das pastas sobre a qual há muita expectativa é a do Turismo. Além de conversas com o trade e o ministro Celso Sabino, também do União Brasil, Valderico teve longa conversa com o consultor e secretário de Turismo de Itacaré, Marcos Sousa Japu, o que gerou especulações.

Num diálogo do qual participaram os prefeitos eleitos Elder Fontes (Itaju do Colônia) e Miltinho do Axé (Coaraci), Japu e Valderico falaram de potencialidades a serem mais exploradas lincadas com o turismo ilheense.

SUSTENTABILIDADE

Além dos ícones Jorge Amado e Gabriela, já bastante associados ao destino, a biodiversidade, o cacau e o chocolate, dentre outras riquezas do município sul-baiano, sem perder de vista a sustentabilidade, foram tratadas pelo condutor e secretário e Valderico.

Ao PIMENTA, na semana passada, o prefeito eleito de Ilhéus adiantou que o nome escolhido será alguém com perfil técnico (relembre aqui).

Presidente do Sindicato dos Comerciários de Itabuna, Amanda Santos defende redução da jornada de trabalho
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A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganharam impulso no debate público brasileiro. As bandeiras históricas do movimento trabalhista são aprovadas por 70% dos 3.122 entrevistados em pesquisa do Projeto Brief, feita em parceria com a plataforma Swayable e divulgada nesta semana.

A reivindicação histórica da esquerda ganhou corpo nas redes sociais, tendo na linha de frente um ex-balconista de farmácia do Rio de Janeiro, Rick Azevedo (PSOL). O vereador eleito da capital fluminense viralizou com um desabafo sobre a rotina extenuante e criou o movimento Vida Além do Trabalho (VAT).

No Congresso Nacional, duas propostas de emendas à Constituição, dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Érika Hilton (PSOL-SP), pretendem reduzir a jornada de trabalho semanal de 44h para 36h, sem redução salarial. Para a maioria dos segmentos econômicos, a mudança implicaria na implementação de escalas de trabalho de cinco dias por semana, eliminando a escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

Na avaliação da presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Itabuna, Amanda Santos, a defesa de mais de tempo de descanso remunerado é uma luta pela dignidade de quem vende a força de trabalho.

“Os trabalhadores lutam por uma vida mais digna, por uma vida além do trabalho, pelo fim da escala 6×1 e pela implementação de uma escala digna para que a gente possa aproveitar, também, a nossa família e tenha o lazer, além do trabalho”, disse ao PIMENTA a primeira mulher a comandar o maior instrumento de luta da classe trabalhadora no sul da Bahia.

OUTROS PAÍSES

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o brasileiro trabalha, em média, 39h por semana, mas 11% da mão de obra do país é empregada em jornadas semanais superiores a 49h.

A média brasileira supera a de países como Nova Zelândia (33h), Alemanha (34,2), Holanda (31,6), Canadá (32,1), Austrália (32,3), Noruega (33,7), Dinamarca (33,9) e França (35). Na América Latina, onde os países têm em comum com o Brasil as cicatrizes socioeconômicas da colonização europeia, somente o trabalhador argentino tem, em média, jornada semanal inferior à do brasileiro, de 37h. Neste ano, o Chile instituiu lei que prevê a redução da jornada semanal de 45h para 40h, gradualmente, até 2029.

Para Amanda Santos, os exemplos do exterior e o aquecimento do debate interno devem estimular a classe trabalhadora brasileira a sair das cordas e partir ao ataque:

– Somente o Brasil ainda está nessa defensiva de não fazer a experiência de implementação de uma escala menor. A proposta hoje é 4×3, só que existem sugestões de escalas para contribuir para a geração de emprego, vai contribuir com a economia do país. A experiências de outros já trouxeram resultados positivos.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Itabuna afirma que, nas negociações com os empregadores, apesar das tentativas, a pauta da redução da jornada nunca avançou. “Há muitos anos o movimento sindical vem pautando, em suas campanhas salariais, a redução da jornada de trabalho”. Até aqui, as entidades patronais de Itabuna não deram brecha para a redução da jornada por meio das convenções coletivas.

O PIMENTA também entrevistou o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Itabuna (ACI), Valdino Cunha. Clique aqui e confira a opinião dele sobre o fim da escala 6×1.

João da Saúde e Sinha de Jacareci se juntaram à oposição na disputa pela Mesa da Câmara
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O prefeito reeleito de Camacan, Paulo do Gás (PSD), ainda busca entender quais os reais motivos que levaram os vereadores eleitos Sinha de Jacareci e João da Saúde, ambos do partido do prefeito, a se rebelarem, juntando-se à oposição na disputa pela Mesa Diretora da Câmara. Sinha e João pularam do barco de Paulo do Gás para embarcar na canoa do candidato a prefeito Guilherme da Fundação (MDB).

A oposição, liderada por Guilherme, busca fazer a Mesa da Câmara Municipal para o biênio 2025/2026. O temor é que, desta forma, a oposição trabalhe para dificultar a gestão do prefeito reeleito.

Aliados de Paulo do Gás estão mantendo conversas com os rebeldes para dissuadi-los e fazer com que voltem para a base do projeto vencedor das urnas em 6 de outubro. A escolha do presidente da Câmara ocorrerá em 1º de janeiro, após a posse dos vitoriosos para a legislatura 2025-2028.

Justiça aprova contas eleitorais de Valderico Junior e Nego de Saronga || Fotomontagem PIMENTA
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O juiz Alex Venícius Campos Miranda, da 26º Zona Eleitoral de Ilhéus, aprovou a prestação de contas do prefeito eleito de Ilhéus, Valderico Junior, referente às Eleições 2024, em sentença publicada nesta quinta-feira (5).

A Justiça Eleitoral também aprovou, nesta semana, as contas do prefeito eleito de Itacaré, Edson Mendes, Nego de Saronga (PT), que será diplomado nesta sexta-feira (6), às 10h, em sessão solene presidida pelo Juiz Eleitoral da 198ª Zona Eleitoral de Uruçuca, Daniel Álvaro Ramos. Já a diplomação de Valderico Junior está marcada para o próximo dia 17.

Nego e Junior assumirão o poder vindos de processos eleitorais contrastantes. Enquanto o petista nadou de braçadas em Itacaré, eleito com mais de 72% dos votos válidos (10.979 de 15.208) e o apoio do prefeito atual, Tonho de Anízio, também do PT, Valderico Junior venceu disputa acirrada em Ilhéus, derrotando Adélia Pinheiro (PT) e Bento Lima (PSD), que tinham o suporte dos governos estadual e municipal, respetivamente

Monalisa Tavares tem habeas corpus negado pelo STJ || Foto Redes Sociais
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Do PIMENTA

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou habeas corpus à prefeita reeleita de Ibicaraí, Monalisa Tavares (UB), e manteve o acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que condenou a mandatária do município sul-baiano pelo crime de fraude à licitação. O caso remonta ao primeiro mandato da médica (2005-2008).

Na primeira instância, Monalisa havia sido condenada a dois anos de detenção e 15 dias-multa, em regime inicial aberto, e teve a pena restritiva de liberdade substituída por duas penas restritivas de direitos.

Após recursos da defesa e do Ministério Público Federal, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou os pedidos da defesa e acatou, em parte, os do MPF, aumentando a pena a três anos, dois meses e 12 dias de reclusão e 24 dias-multa. Condenado no mesmo processo, o réu Alberto Antônio Brito sofreu a mesma punição.

No pedido de habeas corpus ao STJ, rejeitado ontem (4) pelo ministro relator Antonio Saldanha Palheiro, a defesa da prefeita alegou nulidade no julgamento de segunda instância, porque o nome da advogada de Monalisa Tavares não havia sido grafado corretamente na intimação para o ato processual, o julgamento da apelação dos réus.

Apesar do erro, o ministro entendeu que não houve prejuízo à defesa, já que, no dia 9 de setembro de 2020, após a publicação da pauta de julgamento e antes da respectiva sessão, o TRF1 expediu certidão de inteiro teor do processo, a pedido da ré. “De modo que ficou comprovada a intimação da ora paciente para a sessão de julgamento dos recursos de apelação”, escreveu o ministro relator.

Por se tratar de condenação colegiada e agora ratificada pelo STJ, a decisão da Justiça pode afetar o novo mandato da prefeita Monalisa Tavares, cuja diplomação está prevista para o dia 13 deste mês.

Acesse a íntegra da decisão.

Porfírio recebeu alta depois de exames || Foto CMI
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O vereador Manoel Porfírio (PT) deu entrada no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, após uma crise de pressão alta. Ele chegou à unidade de saúde ontem (3) e foi transferido para o Hospital Calixto Midlej Filho, onde passou por bateria de exames.

Já recuperado, com a pressão estabilizada, o parlamentar deixou o hospital da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna nesta quarta-feira (4). A crise pode ter sido reação a uma mudança nos hábitos do vereador, que deu início a uma dieta restritiva e ao uso de medicação para emagrecer, conforme apuração do PIMENTA.

Reeleito com 3.485 votos, a maior votação para vereador da história de Itabuna, Manoel Porfírio costura apoio político para ser candidato a presidente da Câmara de Vereadores sem adversário.

Prefeito eleito de Ilhéus quer perfil técnico no comando do Turismo || Foto PIMENTA
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O prefeito eleito de Ilhéus, Valderico Junior (União Brasil), tem evitado dar pistas sobre a composição do secretariado, além dos nomes já revelados. “Não posso adiantar nada agora”, disse ao ser questionado, pelo PIMENTA, sobre a escolha para o comando da Secretaria Municipal de Turismo.

“[Será alguém com] perfil técnico. Ilhéus precisa avançar”, acrescentou o prefeito eleito, que está em Salvador e falou ao site por telefone.

DIVULGAÇÃO DA CIDADE

Ontem (3), Valderico Junior se reuniu na capital baiana com o empresário Marco Lessa, da MVU, responsável pelo Festival Chocolat Festival, que tem edições anuais em Ilhéus, Salvador, Belém (PA) e outras cidades. Segundo Lessa, Valderico reafirmou apoio a projetos como o Festival. “Além de planejarmos a presença da terra da Gabriela em ações pela Bahia, Brasil e exterior”, concluiu o empresário em publicação numa rede social.

O post de Marco Lessa chamou a atenção de quem observa a montagem do próximo governo ilheense, já que o planejamento da divulgação da cidade em eventos é uma das atribuições da Secretaria Municipal de Turismo.

Há expectativa de que o prefeito eleito de Ilhéus anuncie novos nomes do secretariado no próximo dia 12. Até o momento, ele anunciou a vice Wanessa Gedeon (Política para Mulheres); Michel Mendonça (Procuradoria), Humberto Nascimento (Controladoria), Paulo Landi (Corregedoria) e José Victor Pessoa (Interior).

Apresentador deixa emissora após mais de 20 anos || Imagem Band
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O apresentador José Luiz Datena, ex-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, não é mais colaborador do Grupo Bandeirantes de Comunicação. De acordo com o conglomerado de mídia, o encerramento do contrato se deu em comum acordo.

“Datena comandou com sucesso e grande audiência durante anos o programa Brasil Urgente, assim como participou brilhantemente de coberturas esportivas e programas de entretenimento”, diz trecho da nota divulgada pelo Grupo nesta quinta-feira (28).

“A Band reforça o enorme carinho por Datena e os laços de amizade com o profissional, que tem uma trajetória de enorme êxito no Grupo Bandeirantes há mais de 20 anos”, conclui a organização.

O apresentador já estava afastado da televisão desde julho devido à candidatura a prefeito de São Paulo. Ele obteve 112.344 votos (1,84%) e o quinto lugar, no pior desempenho do PSDB na capital paulista. Os tucanos também não elegeram vereador.