O ensaísta Gustavo Felicíssimo chora as pitangas. O Botafogo esqueceu as elementares aulas de futebol e levou uma sonora ‘sacolada’ do Vasco em tarde do atacante Dodô, no Engenhão. Justamente Dodô, que dia desses estava fazendo seus belos gols pelo ‘Fogão’ (ou seria Foguinho?).
A lamentar a tragédia da estrela solitária, que apareceu com um tal de El Loco Abreu, Felicíssimo compôs o que segue:
Meus amigos não se espantem
Com a queda do Fogão
Que outra vez virou foguinho
Justamente pro Vascão,
Pois quem viu no brasileiro
Esse time é presepeiro
Dentro ou fora do Engenhão.
Muito tem se falado, com justiça, de Anna Muylaert e seu É Proibido Fumar (2009). Acessível à maioria sem apelar para imbecilização, ele é uma exceção simples e possível dentro das crônicas urbanas do cinema brasileiro atual. Assim como também é o primeiro filme de Muylaert: Durval Discos (idem – Brasil, 2002).
A história se passa em 1995, quando a defesa do vinil como mercado (independente do som) ainda não soa anacrônica. A resistência da loja que dá nome ao filme acompanha a trajetória de Durval (Ary França), envolvido em uma situação cujo desfecho tende a ser tudo, menos simples.
O roteiro de Muylaert parece ser tão interessante quanto difícil de fazê-lo palpável. Suas amarras por vezes têm a perfeita ligação do extraordinário com o banal, como a surpresa informada pela TV e que leva ao principal conflito do filme, mas em outras nem tanto – dando a impressão de que foram feitas por um fio menos convincente que necessário para a história acontecer.
Na primeira parte, as atuações parecem estar todas uma nota acima do tom, e embora exista aí uma sintonia, esse exagero quase teatral e que flerta com cômico não se encaixa tão bem com o rumo tomado pelo filme. Na segunda parte, quando um certo desespero casa com esse tom, o maior porém talvez seja uma reviravolta cuja morte envolvida parece difícil de engolir num pensamento mais racional. Por outro lado, como ser 100% racional numa situação tão inimaginável, e sem o devido tempo para se pensar?
O desfecho do filme traz uma melancolia que vai muito além, por exemplo, do fim dos discos de vinil como indústria – não soando apenas como a nostalgia pela nostalgia. É uma aflição que envolve a perda da inocência, e traz uma sensação de egoísmo compreensível e inerente ao ser humano, ainda que um ente deveras querido seja prejudicado – o que não é fácil de se dizer, mas Muylaert consegue. Nesse momento, antes de optar por um didatismo talvez desnecessário (e que ela evitou em É Proibido Fumar), ela tem delicadeza suficiente para deixar a tragédia ser completada pela cabeça de um. Ainda que mostre sinais de alguém que ainda pode evoluir (e o fez), também mostra a beleza de uma angústia que incomoda. Durval Discos (idem – Brasil, 2002)
Direção: Anna Muylaert
Elenco: Ary França, Etty Fraser, Isabela Guasco, Marisa Orth
Duração: 93 minutos
Projeção: 2.35:1 Filme visto em DVDRip – Salvador, janeiro de 2010.
8mm
OOuro do Globo
Não vi o Globo de Ouro (ô saudade da TV a Cabo…) mas, não tendo visto alguns filmes, odiei – Avatar e Se Beber, Não Case? Embora, por outro lado, depois do ano da maior crise econômica mundial em décadas, nada mais americano do que premiar filmes que, antes de qualquer outra coisa, ficaram marcados pelo retorno financeiro.
Filmes da semana:
1. Durval Discos (2002), de Anna Muylaert (DVDRip) (***)
2. Cartola – Música para os Olhos (2007), de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda (DVDRip) (***)
3. Um Namorado para minha Esposa (2008), de Juan Taratuto (**1/2) (Cine Vivo)
4. Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (2009), de Christophe Honoré (***) (Cinema da Ufba)
5. A Teta Assustada (2009), de Claudio Llosa (Cinemark) (**1/2)
6. Amor sem Escalas (2009), de Jason Reitman (Multiplex Iguatemi – cabine de imprensa) (**1/2)
7. O Franco Atirador (1978), de Michael Cimino (DVDRip) (**1/2)
Curtas:
1. A Padeira do Bairro (1963), de Eric Rohmer (DVDRip) (***)
2. O Encontro (2002), de Marcos Jorge (Porta Curtas) (**)
3. Vinil Verde (2004), de Kleber Mendonça Filho (Porta Curtas) (***)
4. Noite de Sexta, Manhã de Sábado (2007), de Kleber Mendonça Filho (Porta Curtas) (****)
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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
O ano de 2009 caminhava para o precipício quando o jornalista Boris Casoy, do Jornal da Band, ‘ao vivo e se mexendo’, agiu de forma preconceituosa contra os garis (relembre aqui).
O rapper Garnett preparou uma resposta daquelas ao “Isso é uma vergonha”. Confira, direto do Que mundo doido!
(Antes de mais nada – e apesar das semelhanças, esclarecemos que Garnett não possui qualquer parentesco com o advogado Lucílio Casas Bastos).
Tempo de leitura: < 1minutoO professor e escritor Jorge Araújo no Universo Paralelo.
“A já um tanto prateada barba do professor Jorge de Souza Araujo (foto) esconde um dos nomes mais significativos da literatura produzida no Brasil. Não por coincidência (Jung diz que não existe coincidência, existe sincronicidade), é uma barba que nos lembra o muito citado e pouco lido Karl Marx: Jorge é militante marxista e, nesta condição, arriscou-se ter as unhas arrancadas – ou ser submetido a pau-de-arara, choque elétrico, afogamento e mimos outros com que a “Gloriosa Revolução de 64” tratava seus desafetos.
Se, à época, não fosse imberbe, arriscar-se-ia a ter a barba cortada a biscó, pois estas eram as regras do jogo – e os ditadores nos queriam todos devidamente depilados, pois barba grande e cabelo idem eram sinais inequívocos da intenção de derrubar o governo. Esse sertanejo de Baixa Grande, para o bem de todos nós, passou ao largo da tortura, sem abdicar de suas convicções: se perdeu anéis, ao menos manteve intatos os dedos, as unhas e o buço emergente, de grande futuro.”
Clique aqui e confira a íntegra da coluna Universo Paralelo desta semana, que também destaca a obra de outra figura magnífica, Elis Regina, que nos deixou há 28 anos. Está imperdível!
Armando Nuvem (com os pés no chão e a cabeça no sobrenome)
Tem corno que se deprime, fica ensimesmado, macambúzio… Outros ficam valentes, partem pra briga, sacam a peixeira. Ainda há aqueles que se revelam grandes poetas e compositores chifrudos e conseguem extrair algum lirismo de sua dor. Lupicínio Rodrigues, o maior corno que a música brasileira já produziu, era mestre nessa arte.
O professor, filósofo, cantor e compositor itabunense Fernando Caldas faz uma espécie de Lupicínio pós-moderno e sem preconceitos. Ele criou um estilo dor-de-cotovelo diferenciado, que não chora as pitangas, mas se propõe – de maneira sui generis – a lascar com o time do “sucessor” e também da adúltera.
Na letra de “O vingador”, FC não conta conversa. Avisa, sem cerimônia: “Eu vou comer o seu marido, só pra lhe sacanear”. O cabra é destemido e parece ter coragem de mamar em onça.
Assista ao vídeo e confira o B.O.:
UMA CARTA MUITO ESTRANHA
Por razões que a própria razão desconhece, sempre travo contato com figuras muito doidas, que se acham entendidas em tudo e, portanto, capazes de resolver todos os problemas. Agora mesmo, acabo de receber carta de uma ONG cuja sigla é “MeuCacete”, que seria a denominação concentrada do Movimento Especial Unido dos Cidadãos Anônimos Cheios de Estupendo Tesão…
O cidadão que assina pela entidade – e pede para ter sua identidade mantida em segredo (o movimento é uma variação do A.A.) – se diz preocupado com a situação do prefeito de uma importante cidade do sul da Bahia. Motivo: o tal prefeito tem um louvável vício em mulher, algo que para mim sempre pareceu muito correto e saudável.
Não é dessa forma, porém, que MeuCacete encara a situação. Na visão do movimento, o problema do tal prefeito é grave, pois o homem é insaciável e chega ao ponto de comprometer a sua administração por conta de rabos de saia bem fornidos.
O MeuCacete quer montar uma estratégia para levar o prefeito a participar de suas reuniões e passar a ter uma vida sexual equilibrada. Afirma que a missão, mesmo sendo árdua, é possível e, mais do que isso, necessária.
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O RIO ESVERDEOU
A cor de bílis do Rio Cachoeira está de dar nó nas tripas. Tanto que me inspirou uns versos enjoados, que compartilho aqui com meus queridos leitores (um Dramin, por favor!):
Oh, cloaca máxima
Virada pro mar azul
O urubu diz à garça
E a garça ao urubu
Mui estúpida essa raça
Vão todos tomar no *x@q/:§*
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NILTINHO SE RECUPERA
Após a crise da puberdade, Niltinho está fazendo terapia. Passou a tomar uns remédios bem fortes e diz que anda vendo estrelas. A pombinha que o garoto cria ficou nervosa com o comportamento dele e já tentou escapulir da gaiola, mas o milho alpiste é farto e pomba é bicho esperto, diferente dos papagaios, que no máximo repetem umas bobagens, mas têm a mente fraca.
Ainda bem que Niltinho arranjou uns amigos bem espertos, pois agora ele não resolve nada e os colegas, muito solidários, providenciam tudo para ele.
Felizmente, ainda existe “gente boa” no mundo.
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PARA NÃO BATER O MOTOR
O vereador motorizado abandonou seu velho reduto e mudou-se para um sítio, longe dos murmúrios, choradeiras e invasões de privacidade. Nem com a sua possante máquina 4.0 totalflex ele aguentou a pressão.
Antes, não deixavam sequer o homem dormir em paz. Hoje, ele acorda com o canto dos pássaros.
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DONOS DO PEDAÇO
Tomar uns gorós, sem exagero, até faz bem, mas ocupar o espaço do pedestre não tá com nada. Em quase todos os bairros de Itabuna, a invasão acontece, sem que a Prefeitura faça nada para coibir.
É esculhambação geral, dos bairros ao centro da cidade. Um bom exemplo é o quarteirão onde fica o Sindicato dos Bancários, na Rua Duque de Caxias. Por lá, quem anda a pé não tem vez.
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SACOLA CHEIA
Dona de casa assustou-se com a barata que desfilava no setor de carnes e frios de um supermercado do bairro da Conceição. Falou com o funcionário, que fez pouco caso: segundo o cidadão, o inseto denunciado seria o menos alarmante dos animais a trafegar pelo local.
Em seus dois primeiros longas – Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Snatch – Porcos e Diamantes (2000) –, Guy Ritchie conseguiu despertar alguma curiosidade como alguém com um diferencial dentro da explosão de adeptos da geração MTV. Mais de dez anos depois, contudo, ele consegue a incrível e infeliz façanha de, reiterando e – teoricamente aprimorando – algumas de suas características como diretor, fazer provavelmente o seu pior filme: Sherlock Holmes (idem – EUA, 2008).
Em todo o tempo, Guy Ritchie dá indícios de que não acredita em ninguém. Robert Downey Jr., com um carisma sem igual para personagens excêntricos e enigmáticos (como Holmes), nunca tem tempo de tela suficiente; as gags do roteiro são tão apressadas que, se comparadas aos geralmente picotados sitcom’s da atualidade, fazem estes últimos parecerem arrastados filmes mudos; e as sacadas de Holmes, de tão explicitadas, se transformam em simples explicações, que conseguem o feito de ser didáticas (por explicar tim-tim por tim-tim) e, ao mesmo tempo, confusas – pela rapidez e pelo fato de aparecerem a todo momento.
Como se não bastasse a mania de explicar e acelerar tudo, temos uma história que funciona bem até ligada no piloto automático sem, aqui, o que de melhor é inerente a ela – o mistério e o poder da sugestão. Guy Ritchie satisfaz aquele que quer dizer que Holmes é inteligente (mesmo que não faça ideia do que está vendo), mas não o outro que prefere perceber por si só essa inteligência.
Com 42 anos ainda incompletos, Guy Ritchie é um exemplo de cineasta jovem e já preso ao passado de sua formação – ou pelo menos a que chega na tela. Com seus recursos fáceis e os vícios cada vez mais específicos de sua época que de sua pessoa, ele consegue deixar sua marca cada vez mais forte: a de uma cineasta eternamente “jovem” – e bobo.
Ps: Terminada a cabine de imprensa, as duas pessoas com quem falei sobre o filme estavam bem felizes com o que viram. Até que tentei (embora não muito), mas não consegui entender.
Sherlock Holmes (idem – EUA, 2009)
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams
Duração: 128 minutos
Projeção: 1.85:1
8mm
LOLA
Ainda me faltam ver coisas de Rainer Werner Fassbinder – afinal de contas, são mais de 40 filmes em 16 anos de carreira –, mas é provável que poucas voltem a deixar as marcas de Lola. Da abertura, com os cabelos da dita cuja em paralelo com um diálogo baseado em raciocínio sobre poesia e tristeza, até o sarcástico final; passando pela cena em que Lola parece dançar possuída depois de ser vista por quem não podia, num plano sequência que dá a impressão de ser filmado e atuado por seres (com talento) sem paralelo entre os terráqueos. Maravilha de filme.
Sem luz
Primeiro veio Viver a Vida, agora Tempos Modernos; antes Godard, depois Chaplin. Qual será a próxima heresia em nomes de novela da Globo? O Iluminado? Soberba? Kubrick e Orson Welles já se reviram…
Filmes da semana:
Sweeney Todd: o Barbeiro Canibal (2006), de Dave Moore (**)
Lola (1981), de Rainer Werner Fassbinder (****1/2)
Casablanca (1942), de Michael Curtiz (****)
Código Desconhecido (2000), de Michael Haneke (***)
Deserto Vermelho (1964), de MichelangeloAntonioni (**1/2)
Caminhos Perigosos (1973), de Martin Scorsese (***)
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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
Tempo de leitura: < 1minutoNico Rezende é atração no Hotel Tarik, hoje.
Daqui a pouco, às 19h, quem se apresenta no Boteco do Carioca, no Hotel Tarik, é o cantor Nico Rezende, com participação especial do sul-baiano Marcelo Ganem.
Sumido das paradas musicais, Nico Rezende fez muito sucesso na década de 80 cantando músicas como “Transas”, “Perigo” (eternizada na voz de Zizi Possi) e “Esquece e vem”, notadamente românticas.
Antes do cantor paulista entrar em cena, haverá também o lançamento da Feijoada do Tarik, evento que vai para a sua oitava edição e atrai a nata da política baiana. Neste ano, a feijoada acontecerá no dia 6 de fevereiro, às 13h.
O começo de Lula, o Filho do Brasil (idem – Brasil, 2009), de Fábio Barreto, lembra um faroeste: muito de imagens em busca de expressividade e auto-suficiência, pouco ou nada de diálogo. Até a longa apresentação dos créditos remete, com boa vontade, a Era uma vez no Oeste (1968), de Sergio Leone. Com essa atmosfera, o tom caricato e maniqueísta do início ainda soa como possível integrante de um mundo palpável, que pode existir na tela – e somente nela. O porém é que depois da primeira fala, e da primeira ação mais grosseira, esse mundo passa a ser outro. Não é o dos rostos e expressões em primeiro plano como uma forma de estilização e ritmo, mas sim a súplica – com frases prontas – pela sua lágrima; ou, no mínimo, pela sua admiração pela história do personagem.
Nesse ponto, inclusive, está provavelmente o maior problema do filme: o que está na tela é sempre menos forte do que está por trás dela. A vida de Lula que passa pelo projetor é a mesma conhecida pela maioria, com a diferença de que, filmada, ela tem seus percalços sublinhados pelo roteiro, pelo tempo dado a eles, e pela trilha sonora. É uma maneira de fazer melodrama, não há dúvidas, mas esse melodrama, pelo que chega à tela, peca não apenas pela repetição do mesmo – a história conhecida –, mas também (principalmente) pela gordura.
Em O Pianista (2002), Roman Polanski filma uma queda de maneira frontal e seca, sem soar apático e sem sublinhar o ato – específico mas apenas mais um dentro de todo o horror do holocausto. Em Lula, Fábio Barreto filma uma cena quase idêntica, como se ela (não a sua natureza, mas ela em si, como um acontecimento único), fizesse parte de um top-5 dos maiores absurdos da história humana – o que só pode ser aceito por um ingênuo de história e de cinema.
Lula – bom diferenciar o filme do personagem – sustenta sua parte melodramática nessas catástrofes, sentidas na pele ou presenciadas por ele, mas sua parte histórica de construção de indivíduo está, muito e infelizmente, nos diálogos. Por mais que talvez, salientando o talvez, a transição do Lulacom tendências burguesas para o sindical tenha sido feita de forma tão simplória, ver isso filmado dessa maneira soa até menos reducionista que preguiçoso.
Não dá pra cravar, contudo, que Lula é um desastre completo. Curiosamente, uma cena forte também é, como a abertura, curta e marcada pelo silêncio. Nela, um militar chega onde Lula se encontra, no mesmo instante em que o hoje presidente assiste a um companheiro ser espancado pela polícia. Lula basicamente não abre a boca, o pano de fundo e os olhares dizem muito mais do que eles com palavras – e falam muito mais a respeito do período. É simples, e a tensão está ali.
Infelizmente, todavia, as duas sequências são exceções. E o resto é engodo do mais de um mesmo sustentado nunca pelo filme, mas pelo tema. Da busca pelas emoções, que nunca alcançam o nível de um bom cinema de lágrimas (choro de biografado não conta), até a abrangência megalomaníaca de toda a vida de alguém tão marcante em “apenas” 130 minutos. Que terminam, curiosamente, com o presidente em segundo plano – como o cinema em todo o tempo.
Ps óbvio, mas importante: o texto é uma crítica sobre o filme, não sobre o presidente.
Lula, o Filho do Brasil (idem – Brasil, 2009), de Fábio Barreto
Christoph Waltz, premiado ano passado em Cannes pelo que fez como o Coronel Hans Landa em Bastardos Inglórios,interpretará Sigmund Freud no próximo filme de David Cronenberg (A Mosca, Marcas da Violência) – o The Talking Cure. Freud, esperto como é, não vai querer explicar nada; vai é assistir.
Cléo
Ainda quero ver Cléo Pires, no cinema, numa atuação em que ela simplesmente não sorria. Acho que pode dar muito bom – embora também ache que devo ser exceção; ou ingênuo, se acreditar que isso pode acontecer.
Filmes da semana:
O Pecado Mora ao Lado (1955), de Billy Wilder (***1/2)
Manhattan (1979), de Woody Allen (***1/2)
Rosetta (1999), de Jean-Pierre e Luc Dardenne (***1/2)
4. Lula, o Filho do Brasil (2010), de Fábio Barreto (Cinema do Museu) (**)
5. Sherlock Holmes (2009), de Guy Ritchie (Multiplex Iguatemi – Cabine de imprensa) (**)
A Aventura (1960), de Michelangelo Antonioni (****)
Segunda-feira ao Sol (2002), Fernando León de Aranoa (**)
Top-10 dezembro – não contam os dessa semana:
10. É Proibido Fumar (2009), de Anna Mullayert (***)
9. Atividade Paranormal (2007), de Oren Peli (***)
8. Uma Mulher é uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard (***)
7. Crash – Estranhos Prazeres (1996), de David Cronenberg (***1/2)
6. Instinto Selvagem (1992), de Paul Verhoeven (***1/2)
5. Polícia, Adjetivo (2009), de Corneliu Porumbiu (***1/2)
4. Ervas Daninhas (2009), de Alan Resnais (****)
3. A Bela Junie (2008), de Christophe Honoré (****)
2. Abraços Partidos (2009), de Pedro Almodóvar (****)
1. O Poderoso Chefão Parte II (1974), de Francis Ford Coppola (****1/2)
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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
O evento “Verão Chicleteiro”, que seria realizado na próxima quinta-feira (7) no Centro de Convenções de Ilhéus, no sul do estado, com a participação da banda Chiclete com Banana, foi suspenso por uma decisão judicial. A juíza Maria Jacy de Carvalho, da 9ª Vara Cível de Salvador, intercedeu pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), órgão federal que resguarda o direito autoral, contra a empresa Ricardo Hafner Produções Artísticas quanto à falta de pagamento prévio para a autorização do órgão na realização do evento.
Segundo advogados ligados ao caso, a expectativa de público do evento é de 4 mil pessoas que pagariam, cada uma, R$ 50 pelo ingresso, o que totalizaria cerca de R$ 200 mil de arrecadação final. Segundo a lei que rege o Ecad, para que a autorização prévia do órgão seja concedida, a produção da festa deveria ter pago 10% deste total, o que não aconteceu.
Caso os organizadores do Verão Chicleteiro desobedeçam a ordem e façam o show sem pagar o Ecad, a aparelhagem de som pode ser lacrada pela polícia no dia do acontecimento. A Ricardo Hafner Produções Artísticas também deveria dinheiro ao Ecad em outros eventos há pelo menos dois anos, de acordo com os advogados.
Quem assistiu, gostou. Mas o filme Lula, o filho do Brasil não encontrou eco por estas plagas. A média é de 70 pessoas, por sessão, no Starplex Cinemas, em Itabuna. Não chega a um terço dos ingressos disponíveis para cada sala de exibição.
Talvez seja reflexo do feriadão de Ano Novo. Ou não.
(Um amigo deste blog diria que essa baixa audiência da película é reflexo da pequena insatisfação dos cinéfilos com o majestoso Starplex).
Milagres acontecem? Bom, pelo menos em Itabuna, sim. O filme Lula, o filho do Brasil já está rodando no Starplex Cinemas (Jequitibá Plaza Shopping, às 18h40min e 21h). E por que o milagre? Dificilmente o Starplex participa das estreias nacionais.
Muitas vezes, a empresa mineira responsável pelas salas de cinema roda filme com atraso de uma a duas semanas em relação às grandes salas. Alguns dizem que essa estratégia é utilizada geralmente por empresas em dificuldades, pois as películas adquiridas fora do período de estreia nacional ficam, digamos, mais em conta. Abaixo, trailer do filme-endeusamento do presidente brasileiro de maior popularidade que se tem notícia.
Terminada a sessão de Anticristo (Antichrist – Dinamarca/ Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/ Polônia, 2009), a sensação que fica é a que o eterno conflito entre o talento e a auto-importância de Lars Von Trier (Ondas do Destino, Dançando no Escuro, Dogville) finalmente chegou ao fim – ou pelo menos aqui essa briga tem claramente um perdedor e um vencedor. Se por um lado o início e o final nos deixam claro que o filme assistido é do dinamarquês perturbado, todo o resto do filme dá a impressão de apenas um menino em busca de atenção.
Em Anticristo, mais até do que em outras obras a princípio tão ou mais polêmicas, Lars Von Trier exala a sua vontade de chocar, embora o problema aqui seja o fato de esse desejo iconoclasta ser muito maior que o seu esmero (já que capacidade ele tem) para dar à obra um resultado minimamente bem tratado. E o começo e o fim, que talvez sejam os pontos mais altos do filme, também são a prova de que o homem do Dogma 95 não é mais o mesmo.
O excepcional manipulador, e nem tão bom encenador, dá lugar a um (em parte) estilista (maior que o de costume) que parece funcionar apenas como tal. Quando o filme tem sua assinatura, ela parece borrada, como se escrita por um bêbado, cuja caligrafia única – cheia de referências e com boa carga pessoal, inclusive nos defeitos – nos atinge com a aparência de feita a olhos fechados. Aqui, Lars Von Trier, que sempre chamou a atenção pelo seu caráter a princípio intimista, inicia e finaliza o filme mostrando uma faceta de quem tem algum talento – do que ninguém duvida – mas se apresenta infantil no restante do tempo, com um aspecto de completo desleixo para com o cinema e compromisso único com o chocar, não importa o quão gratuito esse chocarsoe.
Difícil falar mais do filme sem cair numa vala comum de opções para se depreciar o filme de Von Trier, mas é inegável que, aqui, ele parece ter se perdido por completo. Uma pena, em meio ao nadaagressivo e excessivamente auto-importante que Anticristo prima por ser – e o muito melhor que LVT pode fazer.
Desde que vim pra Salvador, a maioria dos filmes a que assisti foram em projeções digitais – o Rain. Se em alguns casos a coisa não incomoda, em outros a passagem da película para o sistema foi patética, com aqueles gigantescos e nada sedutores pixels a me engolir. Os melhores (ou piores, melhor dizendo) exemplos foram Enquanto o Sol Não Vem e (especialmente) Amantes.
Para os que já se sentiram minimamente lesados com isso, vale a “Carta aberta aos responsáveis pela projeção digital no Brasil”: http://www.gopetition.com/online/31415.html.
Filmes da semana:
Diário Proibido (2008), de Cristian Molina (cinema)
Anticristo (2009), de Lars Von Trier (cinema)
Verdade Nua e Crua (2009), de Robert Luketic (cinema)
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
A pré-estreia em Salvador de No Meu Lugar (idem – Brasil/ Portugal, 2009), do carioca e também crítico Eduardo Valente, é um expoente dos casos em que o debate pós-sessão consegue ser tão ou mais interessante do que o filme – sem que, para isso, o demérito da obra seja maior que o mérito da discussão.
O enfoque do filme está em três famílias de classes sociais diferentes, interligadas por uma tragédia. Baseado aí, as lembranças imediatas vão de Alejandro González Iñárritu (Babel, Amores Brutos) a Robert Altman (Short Cuts – Cenas da Vida, Nashville). Mas o filme de Valente, caro ao cinema brasileiro como forma de abordar a representação do ser humano e da violência, chama mais atenção pela sua abordagem do que pela sua forma de narrativa.
A resolução da primeira cena, por exemplo, deixa uma sensação de falta de coragem (ou competência) para Valente mostrar sua (in)capacidade de encenador em um momento de tensão. Terminado o filme, contudo, a certeza é de que a recusa do início não só se justifica como potencializa o efeito da obra. Ao deixar sua câmera – e a plateia, consequentemente – alheia ao que acontece, Valente demonstra que o como aquilo acontece é menos importante do que como e o que cada um viveu até chegar ali. A impressão, depois de digerida, é semelhante à do acidente no final de O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, onde o resultado é muito mais importante do que o diretor mostrar sua capacidade de saber decupar e cortar uma cena de ação.
Aqui, Valente filma o dia-a-dia de seres humanos de carne e osso, sem que precise transformar os momentos ordinários da existência em um romance épico. Ele sabe que falar do viver, aliado ao conviver com outras classes, é uma tarefa cuja profundidade é significativa o suficiente para tornar a própria observação espinhosa. E essa observação – que a princípio pode parecer apática –, se por um lado é focada basicamente em acontecimentos banais (e que algumas vezes são demasiado genéricos), por outro é filmada com uma riqueza de detalhes que transforma essa trivialidade de ações em algo notável, cuja unicidade é trazida – ou reforçada – pelos pormenores. De uma certa tensão sexual, existente em mais de uma das famílias, à resolução (ou falta dela), muita coisa fica sem resposta ou obscura; mas não por negligência ou prolixidade desnecessária – e sim por se admitir a complexidade do que trata.
Esse mostrar o caminho sem ter que finalizá-lo numa linha de chegada talvez seja exatamente o ponto mais positivo de No Meu Lugar. Um filme que trata e se passa no Rio de Janeiro, de um carioca que lá viveu praticamente seus 34 anos de vida, e que fala de uma região e de um bairro que conhece (Laranjeiras) – sem que esse universo se torne excessivamente fechado ou, no outro extremo, recheado de recursos fáceis proporcionados por tudo a que o Rio se liga.
Diferente de um Cidade de Deus e sua aparência de documento oficial-estilizado, e de Tropa de Elite e sua resolução simplória (ainda que sejam filmes interessantes), No Meu Lugar é mais contido por não querer responder e/ou documentar/estilizar em busca de uma auto-importância que ele não necessariamente tem. E, talvez justamente por isso, é mais contundente na sua força como possibilidade de um cinema ligado a política (ainda que o enfoque seja maior no ser humano do que em uma suposta ideologia – o que não é nenhum demérito) sem soar irresponsável e/ou constrangedoramente panfletário. O que Valente faz, no fim das contas, é simplesmente dar ouvidos (e vida) aos personagens e voz a um tipo de cinema – cuja coerência com o naturalismo apresentado é dos maiores altos do cinema brasileiro recente.
Filme: No Meu Lugar (idem – Brasil/ Portugal, 2009)
Poderia (e gostaria de) falar muito mais do debate, mas o tempo é escasso. Ainda assim, bom dizer que o Valente, apesar de um cara com um incrível tesão pela fala, sabe ouvir e respeitar a opinião alheia – e inclusive admitiu que a trilha sonora principal, considerado ponto negativo por um dos espectadores, já havia sido considerada um revés do filme por outras pessoas (o que ele não precisava dizer).
Bom lembrar ainda o fato de a Vídeo Filmes ser uma das produtoras do filme. Video Filmes, de Walter Salles que – junto com seu irmão João Moreira Salles – já havia sido criticado pelo Valente crítico, o que não impediu o diretor de Central do Brasil perceber o potencial do roteiro do filme. É ótimo perceber não só a generosidade (palavra usada pelo próprio Valente) como a maturidade de Salles para separar as coisas. Por incrível (ou não) que possa parecer, a postura de Salles não é regra.
Rápido
Ah, e embora o www.imdb.com diga que o filme tenha 113 minutos (única minutagem disponível lá é a da França), a que assisti, acho, tinha menos – salvo engano, o Valente falou em 90 minutos.
Filmes da semana:
1. No Meu Lugar (2009), de Eduardo Valente (cinema – pré-estreia) (***1/2)
2. Herbert de Perto (2009), de Robert Berliner e Pedro Bronz (cinema) (***)
3. Delicatessen (1991), de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet (cinema) (**1/2)
Ladrão de Casaca (1955), de Alfred Hitchcock (***1/2)
5. Enquanto o Sol Não Vem (2008), de Agnès Jaoui (**) (cinema)
Top 10 de outubro:
10. Amantes (2008), de James Gray (***1/2)
9. O Homem que Incomoda (2006), de Jens Lien (***1/2)
8. A Primeira Noite de Tranquilidade (1971), de Valerio Zurlini (***1/2)
7. Ladrão de Casaca (1955), de Alfred Hitchcock (***1/2)
6. No Meu Lugar (2009), de Eduardo Valente (***1/2)
5. Por um Punhado de Dólares (1964), de Sergio Leone (***1/2)
4. Por uns Dólares a Mais (1965), de Sergio Leone (***1/2)
3. Vicky Cristina Barcelona (2006), de Woody Allen (***1/2)
2. Um Filme Falado (2003), de Manoel de Oliveira (***1/2)
1. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (****)
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
O Cine Clube Équio Reis, hoje, na Casa dos Artistas de Ilhéus, apresenta sessão dupla nesta quinta-feira, às 15 e às 19 horas. Na primeira, o drama Eliot conta a história de um menino que sonhava ser bailarino. Isso vivendo com uma família totalmente machista no interior da Inglaterra. Depois, também na Inglaterra, uma babá encanta crianças em Mary Poppins. As duas sessões têm entrada franca.
Tempo de leitura: < 1minutoLago no papel do cômico Fabiano.
Leitor do Pimenta e amigo do casal Alice e Fábio Lago informa que o ator ilheense e interprete do personagem Fabiano, da novela global Caras e Bocas, passa bem após cirurgia para reconstituição de três ligamentos que se romperam após o acidente de ontem à tarde (confira).
Lago passeava em Botafogo, no rio de Janeiro, quando foi atropelado por um VW Gol. O ator foi submetido a uma cirurgia no ombro na manhã deste sábado, no Hospital Copa D´Or. O ator pode receber alta neste domingo.
Fábio Lago é uma das grandes atrações da novela Caras e Bocas. Ele interpreta o divertido Fabiano, um baiano que desconfia da relação da sua mulher, Ivonete, com o suposto primo Adenor. Para tirar a dúvida, ele já se vestiu de oriental, freira, baiana e, por último, uma mulata de olhos azuis que segue os passos da mulher…