Tempo de leitura: 3 minutos

Calma, produtor de cacau. Antes que atire a primeira pedra em nós, avisamos que o que vai no título acima é opinião expressa de Vitor Hugo Soares, um dos principais nomes do jornalismo baiano e dono de espaço semanal cativo no Terra Magazine, de Bob Fernandes. Os produtores são chamados de “empresários do cacau”. Victor Hugo mantém o blog Bahia em Pauta. Abaixo, confira o petardo nos produtores e alguns “indígenas”.

NO VESPEIRO BAIANO

Vitor Hugo Soares

Com a ministra Dilma Rousseff a tiracolo, o presidente da República desembarcou em Ilhéus nesta sexta-feira. Coração da região cacaueira, onde Luiz Inácio Lula da Silva pisa pela primeira vez em seu segundo mandato, apesar da Bahia ser um dos solos mais frequentemente visitados por ele, que não se cansa de repetir a crença espírita de que um dia em outro tempo viveu por aqui, o que o faz enxergar o lugar (por sentimento humano ou estratégia de político) como talismã eleitoral, mesmo nas vezes em que foi derrotado em pleitos nacionais.

Ontem, Lula sofreu picadas como raras vezes ao andar pelo vespeiro baiano em que transformou-se a disputa sucessória presidencial atrelada ao embate sem trégua pelo Palácio de Ondina, onde Jaques Wagner deseja permanecer mais quatro anos. O problema é que o esquentado ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), o ex-governador Paulo Souto (DEM), nascido, bem votado e com largo trânsito na zona do cacau, e até o deputado verde e ex-petista, Luiz Bassuma, também estão de olho no “palácio das cigarras”, como dizia o cronista Raimundo Reis, e cavam buracos para afundar o governador.

No caso do ministro Geddel, só uma preocupação: bombardear Wagner sem derrubar os dois palanques de Dilma Rousseff no Estado. Situação que deixa Lula visivelmente constrangido, como o próprio presidente confessou há duas semanas, ao visitar Juazeiro, na região do Vale do São Francisco. Constrangimentos repetidos ontem na inauguração do Gasene, em Itabuna, e nos atos administrativos, mas principalmente políticos e eleitorais na vizinha Ilhéus, a terra de Gabriela e dos antigos e poderosos coronéis do cacau do sul do Estado.

Na véspera, em Brasília, o pleno do Superior Tribunal Eleitoral condenou Lula a pagar multa de R$ 5 mil por fazer campanha fora de hora, ou passando por cima de normas legais, se preferirem. Ainda assim, nada capaz de de assustar o condutor da marcha de Dilma à sua sucessão. No comício de quinta-feira em Osasco – inauguração de obras do PAC -, o presidente até brincou com a decisão e sugeriu que quem deve pagar a multa por sua infração: “vou mandar a conta da multa para vocês”, disse Lula, enquanto a plateia gritava ao fundo o nome de sua candidata.

Assim, Lula e a ministra desembarcaram com ar cansado mas aparentemente tranquilos no sul da Bahia na manhã de ontem, acenando com novas bandeiras. Não as flâmulas rubras do PT das companheiras metalúrgicas do ABC, mas as do Gasene (Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste), abertura das licitações para construção da ferrovia Leste-Oeste, e novos afagos da “mãe Dilma” em relação ao PAC do Cacau, de inegável apelo político e eleitoral na região visitada.

Afinal, alimenta sonhos e fantasias de reabilitação da economia da lavoura cacaueira devastada nas últimas duas décadas pela praga “vassoura de bruxa” e pela terceira geração de “empresários da cacauicultura” (às vezes pior do que praga que atinge e seca a plantação, segundo historiadores locais), viciados nas tetas dos empréstimos dos bancos públicos (e privados também), e no perdão paternalista das dívidas por sucessivos governos estadual e federal.

Além das vespas representadas pelos políticos com os quais terá de lidar nessa passagem em região conflagrada, Lula e Dilma atravessam zonas cercadas de boatos de que terão de enfrentar desta vez uma série de protestos, “puxados por fazendeiros de cacau, índios tupinambás e policiais civis e militares”.

Na verdade, os empresários do cacau brigam por mais uma mamata do governo federal: querem a anulação de uma dívida superior a R$ 400 milhões, relativa às duas primeiras etapas do Plano de Recuperação da Lavoura, implementado na década passada. Segundo alegam os cacauicultores, a própria Ceplac, órgão federal de apoio à lavoura, reconheceu erros nas recomendações repassadas aos produtores para conter a praga da Vassoura-de-Bruxa.

Quanto ao protesto dos indios, talvez seja necessário a comitiva presidencial ter cautela apenas com algumas bordunas. Os índios de verdade foram praticamente todos dizimados na região do Descobrimento e no sul baiano, em luta desigual e marcada pela omissão dos governos, da polícia e dos políticos, pelos próprios pioneiros da cacauicultura e seus jagunços, como está nos livros de Jorge Amado ou nos filmes de Glauber Rocha.

Apedrejado na região que visitou pouco antes de morrer, o falecido cacique Juruna, do gravador, desabafou em desalento diante do que viu por lá: “Aqui não tem mais índios, só tem caboclos”.

E ferroadas de vespas. Muitas vespas!

Acesse o blog de Vitor Hugo (www.bahiaempauta.com.br)

Tempo de leitura: < 1 minuto

Após os eventos de ontem no sul da Bahia, em companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jaques Wagner, o senador César Borges (PR) não demonstrava grande instatisfação por conta da hostilidade da militância petista.

Tanto em Itabuna como em Ilhéus, Borges foi impiedosamente vaiado pelos militantes. No entanto, em entrevista ao Jornal Bahia Online, o senador afirmou que as conversas com o PT prosseguem, assim como se dá com relação a outros partidos.

Borges declarou que vai se aliar a quem tiver o entendimento de que numa união todos têm que ganhar.

Também numa entrevista ao JBO, o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano – que será o coordenador da campanha petista na Bahia -,  manifestou apoio à aliança com o senador do PR, justificando que a estratégia contribui para enfraquecer os adversários.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Em alguns momentos ao longo do século passado, com o cacau gerando riquezas que ultrapassavam a barreira do bilhão de reais em safras maravilhosas, teve-se a nítida impressão de que o Sul da Bahia havia encontrado o seu destino glorioso, o seu  futuro promissor.

Crises cíclicas, visão equivocada de que aquela  riqueza duraria para sempre e uma doença devastadora que atende pelo nome quase obsceno de vassoura-de-bruxa, entre outros fatores, fizeram com que esse futuro nunca chegasse…

Leia texto completo no Blog do Thame

Tempo de leitura: < 1 minuto

A falta de cuidado com o conteúdo do material didático na rede estadual de ensino chega às raias do absurdo na Bahia. Sabe-se que uma tirinha de Chico Bento “moralmente modificada” já derrubou um secretário de Educação no Estado (Adeum Sauer).

Agora, uma professora de uma escola estadual em Feira de Santana foi afastada por recomendar aos alunos de uma turma de oitava série a leitura de livro com um texto que descrevia relação sexual entre dois personagens. Com todos os detalhes e, segundo informações, requintes de pornografia.

Em sua defesa, a professora disse que rec0mendou o livro porque não havia outro disponível.

Tempo de leitura: < 1 minuto

A última pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado, revela o governador José Serra (PSDB) com uma vantagem de nove pontos sobre a ministra Dilma Roussef (PT). O tucano tem 36% e a petista, 27%. É a primeira pesquisa nos últimos meses que mostra reversão do quadro.

Na pesquisa anterior do mesmo instituto (dias 24 e 25 de fevereiro), Dilma aparecia com 28% e Serra, 34. Ciro Gomes (PSB) tinha 12% e agora aparece com 11%. Marina Silva figura com 8%. O levantamento deste mês foi realizado na quinta e sexta-feiras, 25 e 26.

A pesquisa também testou cenário sem o nome de Ciro Gomes. Nele, Serra vai a 40% e Dilma a 30%. Marina ganha dois pontos percentuais e vai a 10%. Já na pesquisa espontânea, aquela em que o eleitor anuncia a intenção de voto sem que a cartela com os candidatos seja apresentada, Dilma saiu de 10% para 12%. Serra tem 8%. Ciro e Marina pontuam com 1% cada.

Os novos números da pesquisa estimulada, no entanto, acalmam o PSDB e podem detonar novas dúvidas na cabeça petista.

Tempo de leitura: < 1 minuto

O clima esquentou no PP baiano. A cúpula do partido não gostou da negociação que coloca o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Otto Alencar, como vice na chapa do governador Jaques Wagner.

A cúpula, puxada por João Leão e Mário Negromonte, quer zerar as discussões que deram ao PP duas secretarias e alguns dos mais importantes cargos do governo estadual, além de direito a indicar o candidato ao Senado.

A articulação visa pressionar o governador Wagner para assegurar ao partido ou o Senado (prometido nas negociações no início do ano passado e com a presença de Otto) ou dar a vice a Leão ou Negromonte. A briga é de foice e vai exigir muito do lado negociar de Wagner.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Não obstante tenha juiz que exija rigor e elegância na indumentária dos advogados, alguns destes profissionais vêm recebendo valores considerados irrisórios para comparecer às audiências judiciais. Os pagamentos aos causídicos vinculados a grandes escritórios oscila entre R$ 60,00 e R$ 80,00.

Para que os membros da classe não se tornem verdadeiros “mendigos de gravata”, a subseção da OAB de Itabuna deliberou em sua última reunião sobre os valores que deverão ser respeitados. Assim, o piso por audiência ficou estabelecido em um salário mínimo.

Os escritórios que não observarem o que ficou estipulado estarão sujeitos, de acordo com o presidente da subseção, Andirlei Nascimento, a inquérito administrativo por desrespeito ao código de ética da advocacia.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Apesar de Lula rejeitar a possibilidade de anistia para as dívidas da lavoura cacaueira, o presidente da Associação dos Produtores de Cacau, Henrique Almeida, ainda vê chance de alguma saída para o imbrógli0.

Almeida, acompanhado do conselheiro da APC, Geraldo Dantas, foi recebido por Lula na manhã desta sexta-feira, 26, no hotel Jardim Atlântico. Estavam presentes o diretor-geral da Ceplac, Jay Wallace da Silva, e o governador Jaques Wagner.

Lula ouviu as queixas e teria se comprometido a agendar uma reunião para tratar do assunto na próxima semana, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Agricultura, Reinhold Stephanes.

Segundo Almeida, o presidente o deixou com esperanças. “Ele disse que podemos aguardar boas notícias e nós estamos confiantes”, relata o representante da APC.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Poucos entenderam a comparação, mas o presidente Lula saiu-se com essa em Ilhéus, no lançamento da licitação da ferrovia Oeste-Leste:

– Me parece que tem um pouquinho de divergência entre o Vitória e o Bahia.

O presidente falava do atrito entre os seus meninos baianos (Geddel Vieira Lima e Jaques Wagner).

Tempo de leitura: 2 minutos

Faixa é estendida por policiais; ao fundo, Lula discursa (Foto José Nazal).
Encerrada há pouco a solenidade de abertura da licitação de construção da ferrovia Oeste-Leste, no centro de convenções em Ilhéus. A solenidade começou com atraso de 1h40min e foi marcada pelas vaias sofridas pelo governador Jaques Wagner e gracejos do presidente Lula.

As vaias ao governador, veja só!, foram ’emitidas’ pelo grupo do ministro Geddel Vieira Lima e do deputado federal Raymundo Veloso, tendo o apoio de policiais civis e militares que aguardam a aprovação da PEC 300 (que cria o piso salarial nacional da categoria).

As vaias a Wagner foram uma resposta do grupo de Geddel e do deputado aos apupos dirigidos ao ministro na solenidade em Itabuna. Aqui, Geddel foi defendido tanto por Wagner como pelo presidente Lula. A manifestação dos policiais em Ilhéus foi dura. O evento foi esvaziado. Ao contrário de Itabuna, menos de mil pessoas participaram do ato na Terra de Gabriela. Enquanto a ministra Dilma Rousseff discursava, policiais a todo instante pediam aprovação da PEC 300.

O presidente Lula encerrou o ato dizendo que precisava chegar cedo em casa para que a “galega” (a esposa Mariza Silva) não lhe desse uns corretivos. O gracejo presidencial diminuiu a tensão que marcou a solenidade em Ilhéus. A Ferrovia Oeste-Leste vai absorver recursos da ordem de R$ 4 bilhões e vai ligar Fernandinópolis (TO) a Ilhéus (BA). A primeira fase da obra começa na Bahia, inerligando Caetité a Ilhéus, ambas na Bahia.

Tempo de leitura: < 1 minuto

A chegada do gás natural a Itabuna é prenúncio de oportunidades, mas no momento presente há em verdade mais lamento do que comemoração. Isto porque sai de cena a empreiteira Bueno, uma das três que instalaram os dutos no trecho sul-baiano do Gasene.

Com a despedida da Bueno, lá se vão uns 1.200 empregos “pelo cano”. E isso atinge em cheio o mercado de locação de imóveis, rede de hotéis e pousadas, restaurantes e o comércio.

Por essa razão, tinha muita gente lamentando nesta sexta-feira, indiferente ao clima de festa com a visita presidencial. Em todo caso, a saída da Bueno era prevista e a  projeção é de que no longo prazo o gás natural produza de fato ganhos significativos para a economia regional.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Azevedo faz afagos em Lula para livrar-se das vaias da plateia (Foto Pimenta).

Após perceber que a plateia na cerimônia do Gasene não lhe era muito simpática, o prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, mostrou que de bobo não tem nada. Foi só começarem as vaias –  distribuídas em doses variadas entre ele, César Borges e Geddel Vieira Lima – e o prefeito passou a elogiar desmedidamdente o presidente Lula.

No ápice da babação, Azevedo mandou, a la Obama: “Lula é o cara”!

Assim, as vaias diminuiram. Mas não muito.

Tempo de leitura: < 1 minuto

O presidente Lula encerrou o seu discurso recriminando as vaias dirigidas ao ministro Geddel Vieira Lima. “Amanhã, o jornal vai dar como manchete as vaias”. Em seguida, falou que se sente à vontade em vir à Bahia e ter um governador que conseguiu fazer aquilo que exatamente o povo precisava. Só não falou em reeleição de Wagner porque já se cansou de tanto levar multas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ontem, foi mais uma, no valor de R$ 10 mil.

Tempo de leitura: < 1 minuto

No ato de inauguração do Gasene, o presidente Lula afirmou que o seu governo enfrentou a descrença, inclusive em relação a esta obra de US$ 7,2 bilhões e disse que o Brasil e os mais pobres querem ser respeitados. “Não queremos ser tratados como vira-latas”, diz presidente. Lula destacou investimentos em educação e o fato de ser o presidente que mais abriu novas universidades no Brasil.

Tempo de leitura: < 1 minuto

A ministra Dilma Rousseff antecipa que o PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) prevê a construção de seis mil creches no Brasil. O anúncio foi antecedido de homenagem da ministra às crianças e mulheres. De acordo com ela, o governo Lula construiu 1.780 creches.

A chefe da Casa Civil afirmou ainda que investimentos como o Gasene mostram que o governo Lula se diferencia dos outros, que viravam as costas para o Nordeste Brasileiro.