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Se o senador César Borges não ligou para as vaias em Itabuna, o mesmo não se pode dizer de uma onda na internet que diz “não” à presença do xerife do PR na Bahia.

Ele andava preocupado com os blogs, mas o site “cesarnao.com.br” lhe tirou do sério, apesar de saber que isso faz parte da política.

É nesse climinha que o senador pode, finalmente, fechar (por enquanto, é namoro) com o governador Jaques Wagner (PT). Hoje, em Carinhanha, lá pelas bandas do sudoeste baiano, Borges derramou-se em elogios ao petista, a quem espetava não faz muito tempo:

– Wagner inaugurou um novo jeito de fazer política na Bahia -, disse o republicano.

O elogio pode ser seguido de troca de alianças ainda nesta segunda-feira, 29, durante o lançamento do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), em Brasília.

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Marco Wense

Antes do mensalão do DEM, que aconteceu lá em Brasília, a vaga de vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo tucano José Serra, obviamente do PSDB, era favas contadas para os democratas.

Depois que o único governador eleito pela legenda, José Arruda, se envolveu com o vergonhoso esquema de corrupção, sendo o principal protagonista da malandragem, o DEM ficou debilitado.

O presidente nacional do Partido Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), já deixou claro que só abre mão da indicação do vice se o governador de Minas, Aécio Neves, for o companheiro de Serra, formando assim a tão desejada chapa puro-sangue(PSDB-PSDB).

O DEM sabe que a presença de um democrata na chapa oposicionista é a tábua de salvação do partido, sua sobrevivência política. Do contrário, é a desmoralização de uma legenda criada para substituir o “saudoso” PFL.

A cúpula do DEM, que já ameaça o tucanato com candidatura própria ao Palácio do Planalto, não vai aceitar o desdém e o menosprezo de alguns setores do PSDB contrários a um democrata como vice de Serra.

O DEM, com toda razão, não quer ser o “patinho feio” da eleição de 2010, sob pena de desaparecer na sucessão municipal de 2012.

INGRATIDÃO

FHC é desprezado pela cúpula tucana.

O Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB do saudoso Mário Covas, não pode tratar FHC como se fosse uma figura sem nenhuma importância política.

A legenda, que tem como símbolo o exótico tucano, quer distância do ex-presidente da República. O tucanato, principalmente o da Avenida Paulista, não quer FHC nem pintado de ouro.

Fernando Henrique Cardoso tem história de luta na redemocratização do Brasil. Não pode ser tratado com desdém. O senador Arthur Virgílio tem razão quando diz que FHC merece respeito pela “figura que representa”.

A pior coisa no movediço e traiçoeiro processo político é a ingratidão.  O ex-presidente vai ficar de fora da lista de oradores no evento do lançamento da pré-candidatura de José Serra ao Palácio do Planalto.

Que coisa feia, hein! Pura crueldade ao modo tucano. O deputado federal Ciro Gomes, presidenciável do PSB, acerta quando diz que o PSDB é “cruel”.

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Alegrete comemora gol e vitória do Itabuna (Foto José Nazal).

Uma sacolada de 4×0 no rival Colo Colo fez o Itabuna voltar a sonhar com a permanência na 1ª Divisão do Campeonato Baiano. O jogo no estádio Luiz Viana Filho começou com o Azulino abrindo o placar logo a um minuto de jogo. O autor do gol foi Wagner que, aos 8min, também fez o segundo.

Alegrete, que hoje atuou no meio campo, deixou o dele aos 24min. O experiente Lei fez o quarto gol do Azulino em uma jogada individual, pela direita, no segundo tempo. 4×0 aos 33min do segundo tempo.

Ao final da partida, o técnico Ferreira disse que a partida marca “o começo de uma grande virada”. Ele se reuniu com os jogadores ainda em campo e fez questão de ressaltar que “a vitória empolga todo mundo, mas ainda somos quarto colocados”.

E o técnico arrematou: “Do jeito que vocês jogaram, não tenho dúvida do que vai acontecer”. Essa foi a primeira vitória do Itabuna no Torneio da Morte e também o primeiro jogo em que o clube fez mais de dois gols em um jogo. Esta foi a 15ª partida do clube no Baianão 2010.

No outro jogo do Torneio da Morte, o Ipitanga bateu o Madre de Deus, fora de casa, por 1×2. O próximo jogo do Azulino será contra o Ipitanga, no Itabunão, às 16h. No mesmo horário, o Colo Colo recebe o Madre de Deus.

O Torneio da Morte é liderado pelo Ipitanga, com 7 pontos, seguido pelo Colo Colo, com 6. O Madre de Deus tem 5 pontos e o Itabuna, na lanterna, tem 4. Para ainda sonhar com a permanência na 1ª Divisão, o Azulino deve ganhar os dois últimos jogos. A última partida será contra o Madre de Deus. Os dois piores caem para a Segundona.

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Lei mandou um ‘tiro’ pela direita, sem chances para o goleiro Rafael, e o Itabuna faz 4×0 no Colo Colo.

O gol foi marcado aos 33min do segundo tempo.

A torcida do Tigre Ilheense deixou o estádio Luiz Viana Filho mais cedo.

(É a primeira vez que o Itabuna faz mais de dois gols em um jogo do Baianão 2010.)

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O cronômetro ainda não marcava dez minutos de jogo e o placar no estádio Luiz Viana Filho já registrava 2 x 0 para o Itabuna em cima do Colo Colo. Foram dois gols de Wagner, um assinalado no primeiro minuto e outro aos oito minutos da partida.

O Azulino bota pressão no Tigre e parece que vai tirar o pé da lama. As equipes já se enfrentaram três vezes neste Baianão, todas com triunfo do Colo Colo.

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Indicadores da Aneel mostram oficialmente o que todos os ilheenses já haviam percebido. O município é o campeão baiano em apagões de energia. Somente em 2009, as interrupções no fornecimento somaram 34 horas, superando em 14 horas o que é considerado aceitável pela agência reguladora.

Comerciantes e moradores reclamam dos prejuízos causados pelos blecautes e a Coelba – pra variar – arranja desculpas esfarrapadas, como a de que a dificuldade de manutenção da rede é provocada pela grande extensão do território baiano.

O fato é que, na Bahia, o serviço tem piorado absurdamente nos últimos anos. Em 2004, apenas dois municípios tinham ficado mais horas sem energia do que o considerado normal pela Aneel. No ano passado, o número de municípios chegou a 59.

E Ilhéus é a primeira na fila da escuridão.

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No podcast da Folha Online, o jornalista Fernando Rodrigues analisa a pesquisa Datafolha realizada nos dias 25 e 26. A aferição mostra crescimento de José Serra (PSDB), que abriu vantagem de 9 pontos com relação à Dilma Rousseff.

Para o jornalista e colunista político da Folha, a pesquisa não significa o fim do mundo para Dilma nem a salvação para Serra. É apenas a largada da corrida sucessória.

Clique no player para ouvir o comentário.

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Daqui a exatos quatro meses Itabuna chegará ao centenário de sua emancipação. Data histórica e esperada, mas que provavelmente não será comemorada como deveria.

Próxima de tão importante marca, Itabuna está feia, suja, desorganizada, mal-iluminada,mal-administrada… Um time que bate cabeça em campo não alimenta boas esperanças  e a população se encontra na iminência de ver o aniversário passar em branco.

Obras que poderiam dar algum brilho à festa estão sob ameaça de não ficar prontas em 2010 e até de permanecer por muito tempo adormecidas no papel. A do canal da Amélia Amado, por exemplo, foi atropelada por erros na concepção do projeto e sabe-se lá quando sai.

A revitalização da Avenida do Cinquentenário até pode ser concretizada, mas é uma intervenção quase cosmética, que não resolve um dos maiores entraves que Itabuna tem hoje: o estrangulamento de sua estrutura viária.

Com quase 60 mil veículos circulando em suas ruas apertadas e de péssima sinalização, Itabuna corre o risco de sofrer o que nas grandes cidades já chamam de “paradão” (o apagão no trânsito). Apesar disso, não se fala em grandes obras estruturantes, que ajudem a desafogar o tráfego.

Na cidade centenária, um dos maiores pecados é a  falta de ambição e a pobreza de espírito dos governantes, que administram sem planejamento, sem pensar no futuro. Azevedo, o atual prefeito, também sofre desse mal, embora goste de dizer da boca para fora que as ações de seu governo são planejadas. Conversa mole.

O prefeito foi coerente ao menos quando admitiu, diante do presidente Lula, a obviedade de que Itabuna carece de melhor infraestrutura. Carece também de quem governe além do óbvio e sem improvisos. A cidade precisa de um governante que, quando fale em planejamento, saiba exatamente do que se trata e aplique o conceito na prática.

É triste a situação de Itabuna. Aos 100 anos, é uma cidade sem sorte e sem norte.

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Da coluna Tempo Presente (A Tarde):

Nilo Coelho (PSDB), prefeito de Guanambi, fará grande festa quarta-feira. Vai renunciar ao mandato para ser o vice de Paulo Souto (DEM). Em 1986, Nilo também era prefeito e renunciou para ser o vice de Waldir Pires.

Ganhou e acabou governador (Waldir renunciou para ser o vice de Ulysses Guimarães).

Está confiante que agora também vence, embora o único vice feliz do momento seja o dele em Guanambi, Charles Santana, que a partir de quarta será prefeito.

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Médico comprova morte de paciente (Foto A Região).

Na manhã de hoje, José Carlos Claudino dos Santos, de 47 anos, morreu na porta da emergência do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem), em Itabuna, após uma espera de 40 minutos por atendimento.

José Carlos foi transportado numa ambulância da prefeitura de Camacan para Itabuna. Chegou ao Hblem em situação gravíssima, vomitando sangue. Apesar do quadro da vítima, a atendente solicitou que o paciente esperasse pelo atendimento. José Carlos ficou na ambulância, seguindo a orientação.

A demora no atendimento agravou a situação. Após a informação de familiares de que o senhor estava morto, um médico foi à ambulância atestar o óbito. Informações e foto de A Região.

Atualizado às 9h57min 30.03

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Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Logo no início de Bons Costumes, somos apresentados a uma insuportavelmente aristocrata família do interior inglês (nos anos 20), que espera o filho com sua respectiva esposa, surpreendente não só ao ser americana – sem disfarçar o sotaque – como também ao ser mais velha que o imaginado. Tudo funciona em torno das conturbadas relações entre ela e a família dele, especialmente a mãe, uma Kristin Scott Thomas em sempre convincente inconveniência. Do ritmo à entonação, ambos bem específicos e afastados de uma atuação mais naturalista, percebemos que Bons Costumes, de fato, passa a certeza de ser adaptado de uma peça. O que não é, felizmente, a mesma coisa de teatro filmado.

Com base em um roteiro bem estruturado, aliado a um excelente texto escrito para a tela ainda com todo um ranço teatral, Stephan Elliott (Priscilla – A Rainha do Deserto) utiliza o seu domínio de cinema para potencializar o que existe de bom ali. Ele conduz tudo com leveza e domínio do meio, mostrando (pelo bem do andamento do filme) a utilidade como movimento de câmera, da mudança de locação na continuidade de uma cena, da presença e do acontecimento de coisas impossíveis no teatro – sem entrar no mérito da comparação da qualidade de um com o outro.

Curiosamente, o tom acima de quase tudo em Bons Costumes contrasta com uma pretensão que visa qualquer coisa menos o topo. É um filme tão old school, e com olhar tão caro ao passado que deixa claro se contentar em ser um bom retrô. É como ver, numa botique contemporânea, uma camisa nova mas com a pinta de uma datada e charmosa peça de brechó. Dado seu caráter de aparência inicial inegavelmente genérica, ela precisa ser analisada de perto para perceber que, em seus poucos detalhes, ela figura entre as mais diferenciadas.

PS: Enquanto revisava o texto, consegui o feito de deletar parte de um parágrafo e, sem perceber (sabe-se lá como), salvar e sair – ou equivalente. Como resultado, tive de apagar todo o parágrafo, que ficaria entre o segundo e o terceiro daí. Crítica perdeu nexo.

Bons Costumes (Easy Virtue – EUA/ Canadá, 2008)

Direção: Stephan Elliott

Elenco: Jessica Biel, Ben Barnes, Kristin Scott Thomas, Colin Firth

Duração: 97 minutos

Projeção: 2.35:1

8mm

Top-10 Março:

10. Separações (2002), de Domingos Oliveira (***) e Not Quite Hollywood: The Wild, Untold Story of Ozploitation (2008), de Mark Hartley (***)

9. Mad Max (1979), de George Miller (***1/2)

8. A Faca na Água (1962), de Roman Polanski (***1/2)

7. Mãe – A busca pela verdade (2009), de Joon-ho Bong (***1/2)

6. Sem teto, nem lei (1985), de Agnes Varda (***1/2)

5. Medos Privados em Lugares Públicos (2006), de Alan Resnais (***1/2)

4. Ilha do Medo (2010), de Martin Scorsese (***1/2)

3. Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock (****)

2. Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola (****)

1. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (****1/2)

Filmes da semana

  1. Mad Max (1979), de George Miller (DVD) (***1/2)
  2. Martha (1974), de Rainer Werner Fassbinder (DVD) (***)
  3. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (DVD) (****1/2)
  4. Lili Marlene (1981), de Rainer Werner Fassbinder (DVD) (***)
  5. Malena (2000), de Giuseppe Tornatore (DVD) (**)
  6. Aos Treze (2003), de Catherine Hardwicke (DVD) (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

Atualizado às 18h45min 28/03

10. Separações (2002), de Domingos Oliveira (***) e Not Quite Hollywood: The Wild, Untold Story of Ozploitation (2008), de Mark Hartley (***)

9. Mad Max (1979), de George Miller (***1/2)

8. A Faca na Água (1962), de Roman Polanski (***1/2)

7. Mãe – A busca pela verdade (2009), de Joon-ho Bong (***1/2)

6. Sem teto, nem lei (1985), de Agnes Varda (***1/2)

5. Medos Privados em Lugares Públicos (2006), de Alan Resnais (***1/2)

4. Ilha do Medo (2010), de Martin Scorsese (***1/2)

3. Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock (****)

2. Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola (****)

1. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (****1/2)

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O Itabuna Esporte Clube aposta todas as suas fichas na partida de amanhã, 28, para ter alguma chance de continuar na primeira divisão do Campeonato Baiano. O time é o lanterninha do Torneio da Morte e enfrenta o Colo Colo pela quarta vez em 2010.

O Tigre ilheense venceu os três jogos disputados até aqui, todos pelo Estadual 2010 e lidera a “degola” com 6 pontos. O Itabuna tem apenas um, faltando apenas três partidas para definir os dois times que caem para a Segundona.

O jogo será às 16h, no estádio Luiz Viana Filho (Itabunão). Você, leitor, ainda acredita no Azulino? Opine na seção comentários e deixe seu voto na enquete.

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DEPUTADA “NÃO COADUNA” COM O CRIME

Ousarme Citoaian

Depois do PSB, quanto à truculência com professores em Porto Seguro, chegou a vez da deputada Ângela Sousa (foto) – tendo um assessor acusado de ameaçar de morte um jornalista. A parlamentar publicou nota de esclarecimento e, igual ao PSB, derrapou nas curvas da linguagem. Diz o arrazoado que ela “não coaduna com qualquer tipo de comportamento…” – inventando nova regência verbal: nos dicionários, coadunar (frequentemente pronominal) tem o sentido de somar (juntar, reunir, incorporar, harmonizar, conformar, combinar). Exemplo: “Minhas intenções não se coadunam com as da vizinha do 6º andar”. (frequentemente pronominal) tem o sentido de somar (juntar, reunir, incorporar, harmonizar, conformar, combinar). Exemplo: “Minhas intenções não se coadunam com as da vizinha do 6º andar”.

ESTILO: “VINDE A MIM OS SIMPLES”

Uma qualidade fundamental do estilo é a simplicidade. Quem alimenta o frenesi da escrita impenetrável, da comunicação empolada, corre o risco de ganhar atestado de pedante – além de não tocar o público a quem se dirige. O redator poderia ter empregado o velho, bom e claro concordar (“a deputada não concorda com…”). Ou, simplesmente, nada escrever, pois todos sabem que atos de violência (sejam contra jornalistas ou quem quer que seja) não se coadunam com o temperamento da deputada. Que, para minha satisfação, escreve o nome em língua portuguesa: Ângela (com acento) e Sousa (com “s”), coisa hoje rara entre brasileiros.

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JUIZ DÁ GOLPE NO ELITISMO

Uma sentença do juiz Alexandre Eduardo Scisinio transita na internet, sem que se saiba porque só agora veio a público – pois foi exarada em 2005. Trata-se de ação impetrada por outro juiz de Direito, a requerer, no tribunal, que o porteiro do seu condomínio, em Niterói/RJ, não mais o tratasse de “você” e sim, preferencialmente, por “doutor”. O julgador, dono de perspicácia e sensibilidade social, mostra ser conhecedor, além da Filosofia do Direito, dos fundamentos da língua portuguesa. Mesmo para leigos, é notável a citação de Norberto Bobbio sobre “buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter”: o requerente tem o desejo de ser tratado por “doutor”, mas, no entender do sentenciante, não é portador desse direito.

É POSSÍVEL FAZER JUSTIÇA

Ao negar a pretensão ao tratamento, o julgador afirma que “´doutor’ não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de doutoramento. Constitui mera tradição referir-se a outras pessoas de ‘doutor’, sem o ser, e fora do meio acadêmico”. O magistrado diz ainda que “o empregado que se refere ao autor por ‘você’, pode estar sendo cortês, posto que ‘você’ não é pronome depreciativo”. E abona sua tese com a linguista Eliana Pitombo Teixeira, para quem “os textos literários que apresentam altas freqüências do pronome ‘você’ [que vem do cerimonioso vossa mercê], devem ser classificados como formais”. Por fim, condena o postulante a pagar custas e honorários de 10% sobre o valor da causa. A justiça se fez.

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ATRAVÉS É PARENTE DE ATRAVESSAR

“A polícia chegou aos traficantes através de uma denúncia anônima” (O. C. grifou) – diz um noticiário de tevê, a propósito da prisão por atacado, durante uma festa embalada a drogas ilícitas. É a expressão através de posta fora do lugar, ocorrência muito comum no (mau) texto jornalístico. Em termos de frequência ela, parece-me, só perde para inclusive, que é indefectível nas (des) composições tatibitates que lemos diariamente. “A regra é clara”: emprega-se através de quando se quer dar a noção de atravessar, passar de um lado para outro – é este o sentido “clássico”. Nunca em substituição a por meio de, por, graças a, por intermédio de, devido a (e semelhantes).

MUITOS EXEMPLOS, POUCO ESPAÇO

Nos bons autores, são muitos os exemplos. Aqui, é pouco o espaço. Por isso, apenas duas abonações, bebidas em Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis: “Contemplei (…), ao longe, através de um nevoeiro…” e “A neutralidade (…) nos leva, através dos espaços…”. Simples: na primeira frase, a vista do narrador atravessa o nevoeiro; na segunda, o espaço. No meu campo de experiência (e sofrimento) colho mais um: “Através da vidraça, vejo a vizinha do 6º andar, que passa e não me olha”. Dos (bons) jornais: “O assessor foi nomeado por decreto” – nunca através de decreto. Eu, de novo: “Tentei falar com a vizinha do 6º andar, pelo telefone” – jamais através do telefone (ela, pra variar, não me atendeu!).

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DA ARTE DE BEM ESCREVER

Mais do que criticar, apresentar soluções é preciso. Já que falamos tanto de textos ruins, aqui está uma sugestão de livro de jornalista com texto de primeira qualidade: Tempestade de ritmos – jazz e música popular no século XX, de Ruy Castro (Companhia das Letras/2007). Uma excelente coleção de artigos, em comemoração aos 40 anos de atividade do autor. Está todo mundo lá, em 415 páginas, com fotos: da MPB ao jazz, de Ella Fitzgerald a Benny Goodman, de Roberto Silva (quem lembra?) a Chico Buarque e Moacir Santos, de Tony Bennett a Judy Garland. Não é uma coleção de biografias, mas o resultado de experiências pessoais. Para ler com a alma em festa.

A NOITE ETERNA DE RAY CHARLES

..O capítulo sobre Ray Charles (foto) é tocante. Em 1996, no artigo Para que enxergar quando se é Ray Charles?, Ruy Castro escreveu: “Aos seis anos, quando Ray subia ao alto do morro, ainda podia ver a vegetação se perdendo no infinito. Mas, rapidamente, o horizonte começou a ficar muito próximo. Logo estaria a poucos metros. Os pássaros e outros pequenos animais desapareceram da paisagem. As figuras se transformaram em borrões, depois em vultos difíceis de distinguir e, então, também se evaporaram. Às vésperas dos seus sete anos, o mundo visível de Ray já se dividia em simplesmente dia e noite. Até que o dia também ficou noite”.

DA CURIOSIDADE À DEPENDÊNCIA

“Charles contou em Brother Ray que foi dependente de heroína de 1948 a 1965, dos 18 aos 35 anos. Começou com maconha e logo passou para a seringa. Mas não culpa ninguém. ´Não foi por ser negro, cego ou pobre. Nenhum traficante me obrigou. Não houve nenhum motivo social ou psicológico. Comecei a usar a droga por curiosidade e porque os colegas usavam´, disse ele em sua autobiografia. Mas não foi a curiosidade que o levou a continuar usando – foi a dependência (…). Se nunca se tornou o farrapo humano que outros, como Billie Holiday (foto) e Charlie Parker, se tornaram, foi porque tinha dinheiro para sustentar a dependência”, diz Ruy Castro.

BALADA DE 3 MILHÕES DE CÓPIAS

Ray Charles gravou a balada I can´t stop loving you (Don Gibson) em 1962, tendo vendido coisa de 3 milhões de cópias. Elvis Presley (foto), suponho que em 1972, fez com I can´t stop aquilo que ele fazia com tudo que gravava: mexer no arranjo e transformar qualquer coisa em rock pesado, fosse O sole mio ou o catálogo telefônico da Tailândia.
Aqui, a versão original de Ray Charles.

SÓ PRIVILEGIADOS TÊM OUVIDOS

Rosa Passos é “filha” de João Gilberto (foto). Ouviu o bruxo de Juazeiro desde a adolescência, quando estudava piano, imitou-lhe os acordes, seguiu-lhe os passos (ops!). Nascida em Salvador, ela sobreviveu a axés, pagodes e outras invenções contagiantes, deixou de lado o piano, pegou o violão e saiu por aí. Hoje, é nome do maior respeito na Europa e, eventualmente, se apresenta no Brasil. Tenho dela o CD Amorosa, homenagem a João Gilberto: quatro das doze faixas desse disco foram gravadas por João no LP Amoroso, de 1977 (Wave, Bésame mucho, Retrato em branco e preto e ´S wonderful). Ao mestre, com carinho, a faixa 9 (Essa é pro João), em que a fã se desnuda:

“João Gilberto, amigo, eu só queria/Lhe agradecer pela lição/
Desses seus acordes dissonantes/Desse seu cantar com perfeição/
E até o apagar da velha chama/Eu quero sempre ouvir o mesmo som/
Só privilegiados têm ouvidos/Mas muitos poucos deles têm seu dom”.

DUETO COM HENRI SALVADOR

Desconhecida em sua terra, Rosa Passos (foto) tem muito respeito internacional. Gravou com Ron Carter, Paquito D´Rivera e outros desse nível, além do recentemente falecido chansonnier Henri Salvador. O velho HS faz com ela, em Amorosa, um dueto fantástico em Que reste-t-il de nos amours. A cantora lançou o primeiro álbum em 1978 (Recriação), com músicas de sua autoria e Fernando de Oliveira. Depois vieram Curare (91), Festa (93), Pano pra manga (96), além de três discos especiais, exclusivamente com canções de Caymmi, Ari Barroso e Tom Jobim. Um jornalista a chamou de “João Gilberto de saias” e ela não gostou. Claro: é fã de João, mas se chama Rosa Passos. Às vezes parece uma combinação felicíssima de João Gilberto e Elis Regina – mas está longe do pasticho, como certas cantoras do tipo papel carbono que andam por aí.

BOLERO QUASE DERRUBA COLLOR

Em Amorosa, Rosa canta Bésame mucho, um tema romântico reconhecido em 1999 como “a canção mais cantada e gravada do idioma espanhol”. A mexicana Consuelo Velasquez (foto) fez Bésame no longínquo 1940. Meio século depois (em 1990), a paixão da economista Zélia “Confiscadora de Poupança” Cardoso de Melo e do jurista Bernardo Cabral (ministros de Collor) foi embalada por esta música. Nada mau para um bolero mexicano – pois quase nos faz o favor de antecipar a derrubada do governo da República. Veja agora a interpretação majestosa de Rosa Passos (com um comovente a capela de 25 segundos). Minha parte eu dedico à vizinha do 6º andar.

(O.C.)

Pouco sei de futebol (prefiro basquete e o xadrez), mas a discussão, sob o prisma da língua portuguesa, me fascina. Entendo que o Brasil é, de maneira indiscutível, bicampeão mundial, pois venceu as Copas de 1958 e 1962. Ao voltar a ganhar em 1970 (com a melhor seleção etc. etc.), tornou-se campeão pela terceira vez – e isto é diferente de ser tricampeão. Acontece que a mídia, por ignorância ou interesse, às vezes assume aquele comportamento atribuído a Goebells (ministro das Comunicações de Hitler): bate na mentira até que ela se transforme em verdade. O rito é mais ou menos este: lança-se a invenção, as ruas a adotam e ela adentra os compêndios, já travestida de verdade. A língua é viva, certo. Mas não precisa ser burra.