Manoel Santos lança obra dedicada à qualidade na gestão pública
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O pesquisador Manoel dos Santos fez lançamento virtual do livro Gestão de Pessoas no Setor Público Municipal como Mudança de Paradigma na Contemporaneidade Brasileira. Na definição do autor, o livro, que terá lançamento físico no dia 10 de fevereiro, apresenta “um olhar sobre a influência do desenvolvimento de pessoas no setor público” como foto na qualidade.
“A obra trata ainda sobre a evolução histórica dos conceitos de Administração e Gestão Pública e a influência do desenvolvimento de pessoas como fator propiciador da alta performance do profissional do servidor público”. É o primeiro livro do autor, que expressa a sua satisfação em escrever.
Lançado pela Editora Aprris, o livro pode ser comprado inicialmente no site da Editora. Em breve estará disponível em outras lojas e livrarias, a exemplo das Americanas, Casas Bahia, Magalu, Ponto Frio, Amazon, Livraria Cultura, Livraria Martins e Fontes Paulista.
O AUTOR
Manoel está cursando doutorado em Mudança Social e Participação Política na Universidade de São Paulo (USP). É mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (Flacso Brasil), mestre em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável pela ESCAS/Ipê-SP e especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (UniFTC).
O autor possui experiência de mais de 10 anos em assessoria e consultoria aos municípios do sul da Bahia e contribuiu na elaboração de Plano de Carreiras do Magistério e da Educação de 36 municípios da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc), em parceria com os Instituto Natura e Arapyau, e faz palestras relacionadas à temática da educação e carreira.
Concurso é voltado para escritores brasileiros que residem na Bahia
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A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e a Academia de Letras de Ilhéus lançaram a quinta edição do Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, que vai selecionar um livro de poesias escrito em escrito em língua portuguesa e inédito. A obra não pode ser inscrita em outro concurso ao mesmo tempo.
Poderão inscrever-se os brasileiros adultos, desde que nascidos na Bahia e residentes no estado há no mínimo dois anos, conforme declaração assinada pelo inscrito. Cada autor poderá concorrer com apenas uma obra, devendo inscrever-se sob pseudônimo.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas de forma gratuita até 4 de março de 2022. A obra deverá ser enviada em arquivo PDF, assim como cópias do RG e do CPF, além do formulário de inscrição disponível no blog oficial da Academia de Letras de Ilhéus e no site da UESC.
Turma do Tio Kathynho é uma das atrações do projeto Verão Super Férias
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O Shopping Jequitibá, em Itabuna, iniciou 2022 com programação especial para o público infanto-juvenil. De sexta (14) a domingo (16), o projeto Verão Super Férias promoverá oficinas de arte e espetáculos gratuitos.
Neste final de semana, na Praça da C&A, a Turma do Tio Kathynho comanda as oficinas de jogos recicláveis e de confecção de bolinhas antiestresse. No domingo, às 17h, a Praça de Alimentação será palco do espetáculo O Sítio do Picapau Amarelo, da Turma Teatro e Fantasia.
Projeto é voltado para o público infanto-juvenil
A Companhia Circo da Lua e a Escola kumon também fazem parte do Verão Super Férias, que continuará nos próximos finais de semana.
A programação completa pode ser conferida nas redes sociais do Jequitibá ou no site www.shoppingjequitiba.com.br
Segundo a direção do Shopping Jequitibá, todas as atividades seguirão o protocolo sanitário da Organização Mundial da Saúde (OMS) contra a disseminação da Covid-19.
Lula, Moro e Bolsonaro rondam planos de democratas para 2022, segundo Malu Gaspar
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A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, informa que parlamentares do DEM defendem que os diretórios estaduais do futuro União Brasil – que resultará da fusão do Democratas com o PSL – tenham liberdade para definir os rumos que tomarão nas eleições de 2022. Segundo a jornalista, a negociação de apoio a Sergio Moro, pré-candidato a presidente, e questões regionais ameaçam rachar o UB antes mesmo do nascimento do partido.
O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, não esconde de ninguém o desejo de que o UB indique o ou a vice da chapa liderada por Moro. O assunto foi objeto de reunião das cúpulas do PSL e do DEM, em Brasília, na semana passada.
Conforme apuração da jornalista, a aliança enfrenta muita resistência. “Parlamentares e pré-candidatos do DEM preferem que o partido fique solto para que cada diretório estadual escolha se vai com Moro, com Jair Bolsonaro ou até com Lula, a depender das costuras locais e do desempenho deles nas pesquisas”, escreveu Malu Gaspar. Clique aqui para ler a coluna desta quarta-feira (22) na íntegra.
Grande de shows do Cola na Manu traz Harmonia, Filhos de Jorge, Via de Acesso e Book Azul
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O finalzinho da tarde deste sábado (18) em Itabuna será diferente, e de muito som, com a primeira grande festa do Cola na Manu. No palco, atrações como Harmonia, Filhos de Jorge e Via de Acesso. É o Cola na Manu no Comando, na arena montada na Rua Itália, no bairro São Judas, em Itabuna.
Os portões serão abertos às 17h e a primeira atração, Book Azul, sobe ao palco quando o sol já estiver se pondo, às 18h, e trazendo as melhores energias para encerrar o ano e chegar 2022 renovado. Não à toa, o pedido é para que o público vista branco.
Filhos de Jorge, o som que conquistou a Bahia e o Brasil, sobe ao palco às 20h30min.
Depois de filhos de Jorge, quem é que assume o comando da festa? Harmonia do Samba, com Xandy. Com uma super grade, o Cola na Manu no Comando terá mais. Para fechar a super noite, nada menos que Via de Acesso.
Manu, ao lado de Eddy, da Via de Acesso, uma das atrações do Cola na Manu no Comando hoje
Fala, Manu: “A gente está pedindo para as pessoas virem com roupa clara, pode ser uma peça branca, mas roupa clara, para comemorarmos na primeira grande festa do Cola na Manu, o Cola na Manu no Comando, fechando o ano de 2021”, afirma a mulher que dá nome à festa, a produtora Manu Berbert. “Vamos chegar em 2022 com as energias renovadas”.
PARCERIA E NOVIDADES PARA 2022
O Cola na Manu no Comando é organizado pela Manuela Berbert Produções em parceria com Tiago Kalid, da produtora Pequena Notável, empresa de eventos que assina Babado Novo e já assinou Cláudia Leite. Ao PIMENTA, Manu diz que a parceria vai render. “Teremos grandes novidades na área de eventos em 2022”.
SERVIÇO Cola na Manu no Comando Quando: 18 de dezembro, a partir das 17h Atrações: Harmonia com Xandy, Filhos de Jorge, Via de Acesso e Book Azul. Onde: Rua Itália, São Judas, Itabuna Ingressos: Bigodon (Avenida Beira-Rio) e portaria do show.
Evento reúne gastronomia, música, teatro, tecnologia e negócios ligados ao cacau || Foto AnaLee
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A décima segunda edição baiana do Festival Internacional do Chocolate e Cacau começará nesta quinta-feira (16), no Centro de Convenções de Ilhéus, com extensa programação até o próximo domingo (19). As atrações vão desde grandes nomes da culinária a atividades recreativas para crianças, passando por fóruns, apresentações musicais e teatrais, além do Ateliê do Chocolate. No espaço, o chefe Abner Ivan produzirá uma Árvore de Natal usando 350 quilos de chocolate. O público vai acompanhar tudo de perto ou via internet.
A Cozinha Show abrirá o evento, às 18h30min, sob o comando do chefe Júnior França. Depois, às 20h, será a vez do chefe André Cabral. Ambos vão apresentar receitas exclusivas com os ingredientes do cacau. Ainda na noite desta quinta (16), o evento traz apresentações das bandas Maracatu Estrela da Serra, Mulheres em Domínio Público e Forró Quatro Estações.
Na sexta-feira (17), acontece o Fórum Brasileiro do Cacau, com painéis sobre a cacauicultura no Brasil e no mundo, produção de cacau fino, sustentabilidade da cultura do cacau e avanços tecnológicos. Um dos convidados do segundo dia do festival, o especialista em blockchain e trader Tassio Gil vai falar sobre a tokenização do cacau.
No mesmo dia, das 16h às 20h, as oficinas da Cozinha Show serão ministradas pelos chefes André Cabral, Elise Hadassa e Clécio Campos. As atividades artísticas ficarão por conta da banda Putorkestra, da cantora e compositora Eloah Monteiro e do grupo de capoeira do mestre Luiz Capeta.
No sábado (18), o público poderá conferir receitas inéditas dos chefes Lucas Corazza, Tereza Paim e Zilma Helena. Também acontecerá o Chocoday, com painéis e palestrantes nacionais e internacionais, discutindo as técnicas do mundo do chocolate. Na área cultural, o cantor e compositor Cijay e as bandas Família Caribe e A Baga vão animar o público.
O último dia do evento, domingo (19), terá os chefes Abner Ivan, Laurent Rezette e Manoel Franklin no comando da Cozinha Show e as apresentações da Companhia Circo da Lua e Grupo Maktub.
TÚNEL CABRUCA, EXPOSIÇÃO DO CACAU E ESPAÇO KIDS
Ao entrar ou sair do Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães, os visitantes passarão pelo Túnel Cabruca, onde serão estimulados por experiências sensoriais que remetem ao cultivo do cacau sob a Mata Atlântica, característica central da indicação geográfica do fruto que dá nome à região cacaueira.
Na Exposição do Cacau, o visitante conhecerá um pouco da história do chocolate, além dos tipos de cacau comuns na Bahia reproduzidos em resina. Outro espaço fixo do evento é a tradicional Cozinha Kids, que oferecerá minicursos de confeitaria aos pequenos com idade de cinco a dez anos.
CHOCOLAT FESTIVAL COMPLETA 12 ANOS DE HISTÓRIA
Criado em 2009, o Chocolat Festival é considerado o maior evento de chocolate de origem do Brasil e reúne toda a cadeia produtiva da planta. Na edição 2021, produtores, chocolateiros, jovens empreendedores, chefes especializados, pesquisadores e técnicos podem acompanhar o que os 120 expositores têm a apresentar sobre as inovações a produção de cacau e chocolate.
O Chocolat Bahia 2021 é realizado pela MVU Promoções e Eventos e conta com o apoio financeiro do Governo da Bahia através do Fundo de Cultura, da Secretaria Estadual de Cultura e da Secretaria Estadual da Fazenda.
REGRAS SANITÁRIAS
O Festival irá acontecer em formato híbrido, de forma presencial e online. As pessoas poderão acompanhar a transmissão através do endereço digital.chocolatfestival.com. O evento seguirá todos os protocolos de prevenção à covid-19 e as orientações do Governo do Estado e da OMS. Para acessar o local, será preciso comprovar pelo menos duas doses da vacina. O uso de máscaras será obrigatório.
Mais informações estão disponíveis nas redes sociais do evento (@chocolat_festival) e no site bahia.chocolatfestival.com. O folder da programação está neste link.
O advogado, professor e escritor Efson Lima recebeu nesta quinta-feira (28) a indicação formal para a Academia de Letras de Ilhéus (ALI). Ele vai ocupar a cadeira número 40, que pertencia editor Gumercindo Rocha Dorea, fundador da Editora, que faleceu em fevereiro passado, aos 96 anos.
Mestre e doutor em Direito pela Universidade Federal da Bahia, Efson Lima é autor do livro Textos Particulares e tem poemas publicados em diversas antologias. Coordena o Projeto Bardos Baianos no Litoral Sul e foi um dos criadores do Festival Literário do Sul da Bahia (Flisba). Na Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda da Bahia (Setre), é coordenador de assistência técnica e inclusão sócio-produtiva dos 15 centros públicos de economia solidária do estado.
Após a indicação, Efson Lima, nascido em Itapé, relembrou a infância pobre em Ilhéus, quando morou no Alto do Coqueiro e no Basílio. Nessa época, trabalhava com a mãe na Feira do Malhado. Alimentava o hábito da leitura com os mesmos jornais que usava para embrulhar os litros de dendê do pequeno comércio. Assim, tornou-se leitor assíduo do jornal A Tarde, Correio, Diário de Ilhéus, Agora, Diário do Sul e A Região.
Feliz com o novo desafio, escreveu numa rede social que, com sua indicação, “o morro chegava à Academia”.
MC Jef Rodriguez comenta músicas de Spiritual, seu 1º disco solo || Foto Alice Magalhães
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O MC Jef Rodriguez, da banda OQuadro, lançou Spiritual, seu primeiro disco solo, que está disponível em todas as plataformas da internet. Nesta entrevista ao PIMENTA, o músico nascido em Banco Central, distrito de Ilhéus, no sul da Bahia, fala sobre processo criativo, infância na zona rural, origem familiar, racismo, política e parcerias na produção do álbum. Leia.
PIMENTA – Como surgiu a ideia de fazer o trabalho solo?
JEF RODRIGUEZ – As pessoas já me falavam há um tempo: “Quando é que você vai lançar uma parada sua?”; “Fico curioso de ver”; “Gosto das coisas que você escreve”; “Você escreve de uma maneira diferente”. Não me via nesse lugar. Não escrevia em quantidade. Sempre escrevia com OQuadro, chamando um parceiro pra fazer a parte dele e vice e versa. Meus parceiros Rans, Freeza e Rico me traziam coisas nesse jogo de construção coletiva. Pintou essa oportunidade com a Lei Aldir Blanc na Bahia. Minha amiga Márcia falou: “A hora de gravar e produzir uma coisa é agora!”. Marcia Espíndola, da Mochi Filmes, que é uma amiga há muito tempo. Eu falei: “Como assim, Marcia?”; e ela disse: “Rapaz, me dê só seus documentos e eu vou achar alguém para escrever [o projeto] pra você, não quero que você perca essa oportunidade, sei que você já tem um monte de coisa aí sobrando. Inscreve na categoria EP. Você tem que ter um produto seu. Eu falei: “Então tá bom!” Mandei os documentos, e ela articulou pra alguém escrever e fluiu. Eu me vi maluquíssimo, porque eu fui pro estúdio com OQuadro pra escrever e saía para produzir o meu. Foi assim num intervalo de dias. Não foi uma coisa que eu planejei a minha vida inteira. As pessoas chegaram até mim e construíram essa ideia na minha cabeça. São sinais da caminhada.
Você falou ao PIMENTA de como o cuidado com a escrita é uma característica d’OQuadro que, inevitavelmente, influenciou o disco solo – e isso é algo que podemos atestar. Como percebe a evolução do seu processo criativo ao longo desses 20 anos?
Tenho praticado cada vez mais e estou me permitindo escrever de outras formas. De repente, chegar com papel e caneta aqui e deixar fluir o que a própria caneta e o papel querem dizer, como um processo terapêutico, um exercício, até para perder o controle e vê o resultado. Depois, naturalmente, você olha, faz um processo seletivo e organiza de outra forma no papel. Mas, veja, eu tenho uma oficina de escrita toda quarta-feira à tarde. Tem um grupo de WhatsApp, organizado por mim e por um amigo, Telto. A gente tem uma oficina de rima e poesia. É uma oficina de escrita livre, com intenção poética, mas a própria concepção de poesia é tão aberta que não pode ser engessada num lugar. Toda prática vai te levar a aprimorar um pouco mais. O que eu mais quero é ter grande quantidade de coisas escritas. Essa é uma busca, porque é uma coisa que eu não tinha muito. Eu sempre demorei muito pra escrever, no primeiro e no segundo discos d’Oquadro. Sobre a qualidade, eu prefiro que a avaliação seja das pessoas. Não sei o quanto é bom, o quanto não é. Eu sei o que fala comigo, o quanto é honesto na entrega. De repente, se você mostrar isso para Kendrick Lamar, ele vai dizer assim: “Ah, mais ou menos”. É sobre isso. Quero fazer cada vez melhor e poder explorar novas estéticas. A palavra, o som e o posicionamento político não divergem tanto. A estética e a política não são coisas tão separadas. Essa é uma perspectiva muito aristotélica, de colocar as coisas em gavetas, mas as coisas estão conectadas. Quando você escolhe as cores para um bloco-afro, por exemplo, isso já um posicionamento político. Se eu não percebo o significado daquela marca na minha roupa, isso mostra o quanto estou alheio ao processo, enfim, é complexo.
Aproveitando que você entrou na discussão política, vamos falar de Aboio. Quem fez a música com você e quais foram os dados da realidade atual que inspiraram o tema?
O Brasil funciona a partir da perspectiva de uma elite que quer se manter no poder olhando para o país como o seu quintal
Todos os dados do momento. Quem participa primeiro é CT. Ele é MC e faz parte de um grupo chamado Caixa Baixa, de Niterói, e do 1kilo, que é um grupo muito famoso. Estourou no Brasil inteiro com a música “Deixe-me ir”, milhões e milhões de visualizações. Ele é um dos compositores dessa faixa – deve viver de royalty até hoje, é meu amigo, hein. Também participou Rone DumDum Afolabi, que é membro do Opanijé, um dos grupos mais importantes da história do rap nacional. Opanijé não é o grupo mais conhecido, mas é um dos mais importantes, estética e politicamente. Eles são Os Tincoãs do rap brasileiro.
Essa música [Aboio] nasce assim: CT tinha uma letra e sempre frequentou minha casa, sabe como eu escrevo. Ele queria uma participação minha no Caixa Baixa. A gente chegou a escrever pro Caixa Baixa, mas não deu muito certo. O grupo estava indo em outra direção. A gente acabou fazendo outras músicas. Essa aí ficou meio paradona, sobrando e eu falei: “Quero pra mim”. A gente ouviu uns beats de Bidu, um amigo de Niterói, que é um beatmaker muito talentoso. Eu trouxe o beat pra Rafa [Dias]. Ele reorganizou da maneira dele. A gente deu umas ideias, inclusive a de colocar o sample de aboio.
Esse pensamento colonial persiste no Brasil. Bolsonaro é só a cereja no bolo desse processo inteiro. A gente está vivendo o ápice e a faceta mais descarada desse processo.
“Aboio” fala de um processo alienante do Brasil, que não é de agora, é histórico. O Brasil funciona a partir da perspectiva de uma elite que quer se manter no poder olhando para o país como o seu quintal. E todas as pessoas que estão ali têm que ser servis a esse modelo. Tudo tem que caminhar na direção dessas pessoas, que são herdeiras dos colonizadores. Esse pensamento colonial persiste no Brasil. Bolsonaro é só a cereja no bolo desse processo inteiro. A gente está vivendo o ápice e a faceta mais descarada desse processo. Quando você diminui o poder do Estado para fortalecer a iniciativa privada, uma parte importante do controle social fica na mão dessas pessoas. Ainda tem a militarização e o papel das religiões nisso. É um processo alienante em dimensões que a gente não consegue nem contar. São camadas e camadas históricas que a gente não consegue desconstruir. A própria escola contribui para que isso aconteça, por mais que os professores tentem fazer alguma coisa. A estrutura escolar pública não é nada diante das questões sociais brasileiras e de uma questão racial que não se resolve nunca – e não há a intenção de resolver isso. Inclusive, teve uma fala de Lula na última entrevista dele. Por mais que exista boa intenção por parte de algumas camadas da esquerda, a própria esquerda não sabe lidar com isso. Então, a gente é meio gado mesmo.
Dom Giovanni, novo bispo da Diocese de Ilhéus, durante coletiva no Palácio Paranaguá || Foto Pimenta
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As grandes janelas do Palácio Paranaguá e a brisa da tarde desta sexta-feira (8) permitiram que Dom Giovanni Crippa tivesse seu primeiro contato com a imprensa do sul da Bahia num ambiente arejado, espécie de ativo sanitário em tempos de pandemia.
A primeira pergunta da entrevista coletiva, feita pelo jornalista Valério de Magalhães, foi sobre a expectativa missionária do novo bispo da Diocese de Ilhéus, que tomará posse às 10h deste sábado (9), na Catedral São Sebastião. Doutor em História da Igreja, Dom Giovanni nasceu na Itália há 63 anos e chegou ao Brasil em 2001. O idioma estrangeiro está longe de ser um problema para o bispo, que se pôs a responder sobre a missão eclesiástica em bom português.
– Um pastor deve ser de grande comunhão, um homem capaz de juntar todas as forças positivas, dentro e também fora da Igreja, porque o bem é universal, o bem sempre vai além de qualquer fronteira. Deus não tem fronteiras; é o ser humano que cria fronteiras – geográficas, culturais, religiosas. Nós temos que ser homens de grande comunhão, sobretudo a Igreja. A Igreja nasce, a Igreja vive da comunhão ao redor do Evangelho, ao redor da pessoa de Jesus Cristo, para que essa comunhão possa ser também expressão de Deus – disse Dom Giovanni.
“QUERO CONHECER PARA AMAR”
O bispo pretende conversar pessoalmente com cada pároco o mais breve possível. Terá sua primeira reunião com o clero na próxima quarta-feira (13), quando deve esboçar agenda de visitas às 27 cidades da Diocese de Ilhéus.
O fato de ser estrangeiro não interdita o conhecimento, argumentou o bispo, dizendo que, às vezes, o olhar de quem é de fora valoriza mais o que se descobre em determinado contexto. “Eu quero conhecer para amar, para valorizar. O conhecimento deve levar a uma paixão, deve levar a abraçar uma igreja, uma cidade, uma causa, acho que isso é fundamental. Conhecimento para poder amar, valorizar e servir”, declarou.
A IGREJA E A LUTA PELA TERRA
A região de influência da Diocese de Ilhéus é marcada por movimentos de luta pela terra, a exemplo do MST e dos tupinambá da Mata Atlântica do sul da Bahia. Na coletiva, o PIMENTA perguntou se Dom Giovanni já se debruçou sobre essa realidade, já que a Igreja mantém interlocução com esses grupos por meio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra. Ao responder, o bispo citou ensinamento do papa mais progressista de que se tem notícia.
– O Papa Francisco nos convida a ser essa Igreja em saída, que tenha uma atenção especial para as periferias geográficas, mas, sobretudo, existenciais. A Igreja é chamada a viver as alegrias e as tristezas presentes no mundo. Nós, como Igreja, somos chamados a dar uma atenção especial às pessoas que vivem em situações desfavorecidas ou que não são reconhecidas plenamente nos seus direitos. Isso é muito claro. Por minha parte, podem ter a certeza que estarei aberto a ouvir essas pessoas e apoiar todas as situações em que precisem que a própria dignidade seja reconhecida. É uma tarefa que a Igreja deve assumir. Não podemos fechar os olhos diante de uma realidade. Temos que ser capazes de ir ao encontro, porque situações de injustiça, de necessidade e questões sociais devem ter na Igreja um lugar onde as vozes possam ressoar. Temos que ser também voz daqueles que não têm voz neste momento. Portanto, aos poucos, entrando na Diocese e conhecendo essas realidades, poderão encontrar também em mim uma pessoa de escuta e que possa também apoiar todas as reivindicações justas que eles vierem a apresentar – respondeu Dom Giovanni Crippa.
Zé Vaqueiro vai se apresentar no "Ilhéus Summer Vibes"
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O show do cantor Zé Vaqueiro no Ilhéus Summer Vibes, marcado para o próximo dia 17 no Batuba Beach, será apenas para pessoas completamente imunizadas contra a covid-19.
A obrigatoriedade das duas doses de vacina ou da dose única para frequentar eventos em Ilhéus foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 103/2021, publicado na última sexta-feira (1º).
Conforme o decreto, para comprovar que foi imunizado, o cidadão poderá usar o próprio cartão de vacinas ou o Certificado Covid, obtido por meio do aplicativo Conecte SUS, do Ministério da Saúde.
O mesmo decreto autorizou a realização de eventos para até 1.100 pessoas no município.
Apresentação musical começa às 11h40 deste sábado, na Apcef, zona sul de Ilhéus
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A Orquestra Gongombira e o DJ Bruno Vita, do Coletivo Afropanguas, vão se apresentar na Feijoada Solidária, neste sábado (4), na Apcef, na zona sul de Ilhéus. O objetivo do evento é arrecadar fundos para a conclusão das obras do espaço cultural OcupaÊ, localizado no bairro Nossa Senhora da Vitória.
O som vai começar às 11h40min. No local, a quentinha de feijoada já está à venda por R$ 15. É só chegar, curtir o som e saborear o prato mais tradicional da cultura afro-brasileira.
Rilson Dantas na capa de "Incansável correnteza de ilusões" || Arte de Arlécio Araújo
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O músico itabunense Rilson Dantas, 34 anos, vai lançar seu primeiro EP, Incansável Correnteza de Ilusões, na noite desta sexta-feira (3), em live no Instagram (@rilson_dantas), a partir das 20h.
Na entrevista abaixo, concedida hoje (2) ao PIMENTA, o filósofo, professor de Inglês e cartomante faz uma retrospectiva da sua persona musical, gestada num ambiente familiar que tinha a música como protagonista.
Também fala da produção do EP e reflete sobre o significado da sua relação com a música. No fim da conversa, Rilson Dantas diz o que sente em meio à expectativa para a retomada dos shows presenciais, após o avanço da vacinação contra a Covid-19. Confira.
PIMENTA – Como foi o começo da sua relação com a música?
RILSON DANTAS – Eu cresci num ambiente musical. Meu pai toca. Som Bossa é o nome artístico dele. Ele trabalhava como servidor público, agora está aposentado, e também tocava à noite. Tocava bossa nova, samba. Eu cresci nesse ambiente musical. Minha mãe não tocava, mas ela ouvia muito. Meu irmão é guitarrista. Aí a gente vai sendo meio condicionado por aquele contato. Eu já ouvia música desde criança. Aquela velha história: eu cantava ali, fazia uma apresentação ou outra. Era “coagido” a fazer parte. Minha relação com a música se deu nesse lugar.
Seu pai toca no disco?
Não, ele não participou. A gente fica amarrando pra começar alguma coisa junto, sabe? O perfeccionismo não deixa, fica aquela coisa toda, ele não participa. O disco tem dois músicos, um cara que toca bateria, e o outro que faz todos os arranjos. Eu ia solfejando, cantando pra ele e dizendo: “Ah, quero que seja assim”.
Quais são os nomes deles?
Gabriel e Adilson Vieira. Eu faço uma ressalva: a música Invisível foi produzida pelo [estúdio] Canoa Sonora, do meu querido Ismera, que toca guitarra e também mixou.
Você consegue definir os gêneros pelos quais o EP transita?
Ele passa ali no grunge, pop, pop rock. Quando fico na dúvida sobre qual é o estilo, chamo de música alternativa. Mas, eu diria que grunge e pop são os lugares que ele passa, pela questão estética mesmo. Tem umas guitarras mais roncadas. A voz tem um pouquinho de drive, tem uns berros. E também pela parte melódica, estrutural mesmo.
Você falou que o EP é a primeira oportunidade de contar uma história, no sentido de que as músicas têm uma sequência. Antes, você gravou quantos singles?
Gravei quatro músicas, todas autorais. Lancei também uma parceria com um cantor chamado André Azevedo e gravei uma música dele também. Até então, foram quatro singles, sendo um deles em inglês.
O EP tem música em inglês?
Vai entrar essa música que já lancei, chamada Disrespect. A galera gostou muito, se identificou bastante. Eu achei interessante [a recepção do público], porque quando lancei, eu disse: “Vou lançar essa música só pra mim mesmo, porque eu gosto e ela tem um significado pra mim”. E a galera se amarrou. Eu também pensei: “Gravando em inglês aqui no Brasil…”. Tem sempre essa questão, por mais que eu goste de várias bandas que gravam em inglês, tinha essa questão da distância da linguagem. Enfim, vai entrar no EP numa versão acústica, só com violão e piano.
Você pode falar do significado especial que essa música tem para você?
Eu a escrevi em 2008, por aí. Foi a primeira música em inglês que escrevi. Eu ainda tava caminhando – eu estou caminhando ainda -, mas já estava começando a pensar em algo maior: “Quero trabalhar com música, de repente, um dia”. Eu senti uma satisfação muito grande por ter escrito em outra língua e porque eu considerava a relação que me inspirou essa música uma amizade tóxica, que acabou. Então eu senti dando um passo. É estranho falar sobre, mas é esse o significado que ela tem.
Um psicanalista poderia dizer que foi uma forma de elaboração.
Ave Maria! E pior que foi isso mesmo. É engraçado, porque as minhas músicas – isso acontece comigo – elas têm esse significado. Não só as músicas, as outras coisas que escrevo, aleatório (meus alunos que gostam dessa palavra: aleatório; já peguei com eles), eu consigo elaborar. Tem música que gravei para esse EP e falei: “Putz! Eu tô me repetindo, velho, já passei por isso. Eu acho que consigo me livrar dessa situação. Acho que agora já consigo entender melhor. Tem uma elaboração aí. Tem uma questão psicológica envolvida. E autossatisfação também, né?!
Como está a retomada dos shows? Os bares e o mercado, de uma forma geral, já estão solicitando?
Estão. É engraçado, porque estou apreensivo. Não pela questão da pausa, porque mesmo com a pausa, já me apresentei. É pela situação. As pessoas estão convidando há um bom tempo. Estou sempre falando da vacina, da pandemia. Estou mais apreensivo por conta da situação. A minha mente ansiosa é complicada. Às vezes, fico pensando que a gente está procurando ganhar dinheiro e divertimento no meio do Apocalipse. A ansiedade talvez seja por conta da situação, não pelo mercado. Eu penso que barzinho é para ganhar dinheiro. Eu me sinto um produto, um disco, alguém ali tocando, mas raramente eu sou a atração daquele lugar, exceto quando o bar é musical mesmo, onde a música ganha relevância. No geral, a gente está só ali tocando, com um ou outra pessoa prestando atenção. Eu sinto saudade dos eventos que produzia antes, que eram tributos a artistas, um sarau, porque eu conseguia tocar minhas músicas autorais e me sentia escrevendo uma história. É diferente de estar ali no bar reproduzindo. São dois lugares bem diferentes.
Ouça a música “Me deixe aqui”, faixa de Incansável correnteza de ilusões.
Objetivo da iniciativa é mapear atuação do setor cultural no município
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A Prefeitura de Ilhéus, por meio da Secretaria Especial de Cultura, iniciou o cadastramento de profissionais de dança que trabalham no município. O objetivo da iniciativa é criar um banco de dados sobre os artistas que movimento esse setor cultural na cidade. O cadastramento pode ser feito neste link.
Confira a programação cultural de Ilhéus no dia em que Jorge Amado completaria 109 anos || Foto PIMENTA
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Se estivesse vivo, o escritor Jorge Amado completaria 109 anos de idade nesta terça-feira (10). Para celebrar a data, a Prefeitura de Ilhéus organizou uma programação especial, com intervenções artísticas.
A pintora Jane Hilda Badaró reeditou a exposição “Bahia de Jorge e outros amados mundos”, aberta ao público desde às 9 horas da manhã de hoje, no Teatro Municipal. Depois, às 10 horas, os Djs Bruno Vita e Fábio Tihara, do coletivo Afropanguas, se apresentaram em frente à Casa de Cultura Jorge Amado.
Logo mais, a partir das 16h30min, os músicos Itassucy, Edity, Herval Lemos, Délio Santiago, Edu Neto e Laís Marques vão dar um show no palco da comemoração, montado em frente ao Teatro Municipal.
Grupo de capoeira se apresenta em frente à Casa de Jorge Amado || Foto Eufrasio Pereira Junior
Grupos de capoeira, a contadora de histórias Mirian Oliveira e os grupos Batuka Gegê e Maktub também vão marcar presença na celebração da memória do escritor.
RUY PÓVOAS E GERALDO LAVIGNE FALAM SOBRE A OBRA DE JORGE AMADO
À noite, a partir das 18 horas, a Academia de Letras de Ilhéus vai promover a live “A obra de Jorge Amado”, com mediação do escritor e professor Ruy Póvoas e do poeta Geraldo Lavigne. A transmissão será pelo Instagram (@academiadeletrasdeilheus).
O MC Jef Rodriguez, da banda OQuadro, em vídeo performance sobre invasão policial || Imagem do filme "Várias Fita, Mano"
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O curta Várias Fita, Mano retrata o dia em que a casa do músico e professor Jef Rodriguez (OQuadro) foi invadida pela Polícia Militar. O episódio real aconteceu no Rio de Janeiro, mas a cena é comum nas periferias de todo o país. Nas bordas dos territórios urbanos, as leis se afrouxam e os princípios, como o da inviabilidade da casa, dão lugar ao arbítrio.
A Constituição Federal de 1988 define a casa como asilo inviolável do indivíduo. Ao mesmo tempo em que consagra a inviolabilidade, o artigo 5º (inciso 11) estabelece os casos de exceção. Uma pessoa pode ser obrigada a permitir a entrada de autoridades públicas em sua casa, por exemplo, durante a ocorrência de flagrante criminal, de um desastre ou da prestação de socorro a alguém em perigo. Fora dessas exceções, só uma ordem da Justiça supera o poder de consentimento do morador sobre a presença de outras pessoas no seu lar. Nesse sentido, a porta da casa é um limite físico ao poder do Estado de agir sobre os corpos.
No caso de Jef, naquela tarde de junho de 2021, uma troca de tiros na parte de cima do morro levou a polícia até a sua casa, que foi alvo de buscas sem mandado judicial. “Quando pestanejei [o policial] já estava no meu quarto”, lembra o músico. Assista ao filme.
QUEM FEZ
A trilha sonora original do filme é de Lucas LT. Texto e performance são de Jef Rodriguez. Lukas Horus editou e tratou o áudio. Breno Platais produziu, dirigiu e editou Várias Fita, Mano.